Arquivo

Arquivo de Dezembro, 2006

Bom Ano Novo com …

Um Beijo

que tivesse um blue.
isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido
“ao sucesso”
diria meu censor
“à escuta”
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue
feliz
indagando só
“what’s new”
uma questão
matriz
desenhada a giz
entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.

Ana Cristina César

O meu obrigado a quem me apresentou este poema – a T-Regina – e um bom 2007 para todos.

A liberdade

pressupõe um despojamento de poder(es) que só se poderá alcançar através de uma longa viagem interior.
Não espero que alguém me assegure a liberdade. Desejo, creio e caminho para alcançá-la, para poder ser eu e mostrar que é possível a quem pretender ser, seja na ditadura ou nesta democracia onde o plebiscito, por mais irracional que seja, de tudo legitima.

«Em nome do Estado, do bem comum, das crenças absolutas dos outros – sempre com a bênção dos que sabem, por nós, o que é melhor para nós. Sim, estamos em guerra pela nossa liberdade.»
Francisco José Viegas, no JN, “A Nostalgia da Liberdade

Feliz Natal

Natal 2006
Deus adveniens

de José Augusto Mourão

1. “E a noite como o dia ilumina”? (Sl 139,12). Há noites como esta que iluminam como o dia. E não é porque a cidade esteja mais iluminada. É porque esta é a noite de natal. Mesmo se esta palavra, que nasce sob o signo da criança e do vir-ao-mundo, soa hoje como algo artificial e parasitária. Os recém nascidos só chegarão a ser sujeitos com êxito no parto, se começaram a largar peso e a dissolver vínculos. Não, o natal não é a festa das ligações: nascer é desligar-se. Só o mito do Pai Natal, da obrigação das prendas e do estar juntos nesta noite sustenta esta ficção. Quem traz algo ao mundo fá-lo para se desligar e para se tornar mais ligeiro.

2. As mães parem ou são “desligadas”?, as crianças vêm ao mundo. O vir-ao-mundo significa também vir-à-linguagem, encarnar. Ser parido é des-asfixiar-se. É este o protótipo cénico de todas as experiências de libertação Na dor do parto a criança trazida ao mundo não cai de chofre noutro cenário que não seja o dominado pelo peso da liberdade e do braço desse contrapeso que na linguagem quotidiana se chama amor. À luz do nascimento brilha o primeiro esplendor de liberdade externa e com ele a claridade. A Vita nova de Dante e Bloch tem na evocação deste prelúdio a sua razão de ser. Aqui começa o Aberto, o Imprevisível e o Incerto.

3. Voltemo-nos para a Escritura. César Augusto julga que é deus, por isso manda fazer um recenseamento universal. Na Bíblia saber o nome dos homens na terra é um saber reservado a Deus. David quis fazê-lo e arrependeu-se como de um grande pecado (1 Cr 21,8). José, descendente obscuro de David, obedece ao imperador. Note-se: o gesto de César inverte o gesto de Deus que se faz homem e servidor de todos. Outro paradoxo: Maria é a sua noiva grávida, algo de irregular segundo a lei judaica: o noivado é um compromisso definitivo, mas o acordo é assinado antes que os noivos coabitem.

4. É em Belém que vai nascer o filho prometido a David, conforme o profeta Miqueias. David era pastor e são os pastores os primeiros a ver Jesus, o fruto da graça. Esta é uma das graças desta noite: que os pastores se tornem reis e que a palavra de graça se faça carne em Maria. Mas não há lugar em Belém: será numa manjedoura que Jesus vai nascer. Desde o nascimento, que se dá no lugar em que vivem pessoas do exterior – os pastores – até à morte – Jesus morrerá fora dos muros de Jerusalém – que ele está ao lado dos excluídos e bandidos. Os pastores são mal vistos – têm-nos por ladrões, não têm direitos cívicos nem podem servir de testemunhas porque vivem fora dos Templo e da sinagogas. É a eles que primeiro se mostra do Senhor. Há mesmo um anjo que deixa o Templo – porque é aí que reside a glória e se junta a eles! E ei-los envoltos na luz de Deus, em plena noite! Bem dizia Isaías: “eu mudarei a obscuridade em luz”? (Is 42,16). Admirável é que o anjo anuncie uma grande alegria ao mundo com as mesmas palavras de Páscoa que Pedro utiliza “Deus estabeleceu como Senhor e Messias a esse Jesus por vós crucificado”? (Act 2,36).

5. Qual o caminho moderno para Deus? Na cultura contemporânea, a transformação está em toda a parte: na publicidade, nos efeitos especiais dos filmes, nos brinquedos, na pintura holográfica, na política do corpo (operações de mudança de sexo, cirurgias cosméticas), na localização das fronteiras políticas, no discurso religioso, na filosofia New Age e na retórica da publicidade. Estamos constantemente a ser instados a nascer de novo; abrir-se ao crescimento espiritual, experimentar novas formas de vida.

6. O nosso mundo é incompreensível sem a tomada em consideração a afluência de motivos utópicos persas e judaicos no espaço europeu. Pérsia, a mãe do dualismo e do decisionismo: a Pérsia islâmica de hoje prometeu a luz e só conseguiu alistar os seus jovens para a morte na frente ocidental mais obscura. A utopia judaica gastou-se: basta ver imagens de soldados israelitas que patrulham até aos dentes a Páscoa de 1988 por Jerusalém e por toda a Terra santa assim chamada. O prometedor Deus do desligamento libertador que fala da sarça ardente transformou-se arcaicamente numa espécie de Baal territorial que distribui passaportes e recruta corpos amados.

7. Na história das religiões encontramos duas atitudes básicas na relação entre o global e o universal. No cosmos pagão reina a ordem divina hierárquica de princípios cósmicos, que aplicada à sociedade produz a imagem de um edifício coerente, em que cada membro tem o seu próprio lugar. O bem supremo é o equilíbrio global dos princípios, enquanto o mal representa um desequilíbrio em detrimento dos demais (do princípio masculino em detrimento do feminino; da razão em detrimento do sentimento). O equilíbrio cósmico restabelece-se por meio da justiça que endireita de novo as coisas, eliminando o elemento que saiu da ordem. O cristianismo (e a seu modo, o budismo) introduz nesta ordem cósmica global um princípio completamente estranho a ele, uma monstruosa deformação: o princípio segundo o qual cada indivíduo tem um acesso imediato à universalidade (do nirvana, do Espírito Santo ou dos direitos humanos hoje). De facto, o budismo rompe com a hierarquia da ordem social global que considera irrelevante (Buda ignora as castas e a diferença sexual). E é no mesmo sentido que vão as palavras de Cristo: “Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, á sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo”? (Lc 14,26).

8. O ódio que Cristo impõe é uma expressão directa do que S. Paulo descreve em Coríntios 1, 13 como agapé: é o amor que exige que nos “desapeguemos”? da comunidade orgânica em que nascemos. Não há homens nem mulheres, nem judeus nem gregos. Para os que se identificam com a substância nacional judaica ou com um império romano global Cristo foi um escândalo traumático. O cristianismo considera que o acto mais alto é aquele que a sabedoria pagã condena como fonte do mal: a separação, agarrar-se a um elemento particular que perturba o equilíbrio do todo. O cristianismo é o acontecimento milagroso que transforma o equilíbrio do uno-todo; é a violenta intrusão da diferença. O universo ideológico da Guerra das estrelas de George Lucas é o universo pagão da New Age. Cristo transtorna o equilíbrio do universo pagão, do vórtice do seu eterno círculo em que todas as diferenças giram submergidas no mesmo abismo. Como não ver uma conexão interna entre a morte das utopias e as metamorfoses político-realistas das promessas desgraçadamente irrealistas de outrora? A esclerose do espírito crítico actual corrobora essa fissura. A fonte de Jesus é Deus; nenhuma família o pode fechar no seu círculo, mesmo por amor! A sua universalidade está inscrita nos registos do recenseamento, é um filho do mundo para a terra inteira.

9. Um sinal não é uma prova. Convoca o olhar e a fé: Deus toma a nossa vida para nos dar a sua. Admirável comércio (troca), dizem os Padres da Igreja: Deus fez-se homem para que o homem se faça Deus! Deus não se impõe, nem é o todo poderoso que força o olhar; não se mostra aos pastores sentado num trono de glória, rodeado de anjos: está ali, criança, rodeada pelos pais. Aqueles que estavam oficialmente privados de palavra tornam-se agora evangelizadores: eles anunciam o que lhes foi dito acerca desta criança. São eles agora os anjos, antecipando o papel dos apóstolos. Este é o começo da tradição evangélica. Maria guarda todas estas coisas no coração, fazendo aquilo que a Igreja não deixa de fazer: meditar na obra da Palavra.

10. Deus não salva de longe; escondido, o Todo-Próximo aproxima-se de nós, dos excluídos aos pobres. Jesus criança é um sinal ao alcance dos pequenos. Só os olhos das crianças reconhecem na criança o milagre da incarnação. É assim a vida: a luz ilumina a noite de Natal, enquanto as trevas cobrem a terra em pleno meio-dia quando Jesus é crucificado. A salvação para nós humanos consiste em viver em presença de Deus, em partilhar a sua vida e a sua glória. O céu está na terra, os pastores, esses excluídos, no céu que não é o Templo, mas o campo. O quadro ordinário das suas vidas tornou-se o Santo dos santos, o lugar da presença de Deus. Os pastores são cidadãos do céu enquanto Jesus, o Filho de Deus se torna súbdito de César. A paz, dom que caracteriza a era messiânica, caminha com a salvação. Salvação e paz para todos os que acreditam no Aberto. Partamos com os pastores a ver “essa coisa que aconteceu”? e ajoelhemos diante do milagre que é a vida que nasce e diante de nós se expõe: nua e desprotegida.

11. A nós compete continuar o ofício dos anjos: o louvor incessante de Deus por aquilo que Ele é e dá: “um Deus nos nasceu, filho nos foi dado”?. Volte cada um à sua lavra: foi na obscuridade do presépio que os pastores foram iluminados. Que a mesma luz que cobriu os pastores nos envolva a nós nesta noite santa. Assim a luz que vem do alto ilumine o nosso coração para a travessia do tempo e o louvor que esta hora pede.

José Augusto Mourão

Rivoli: cultura de gestão

Para lá da questão do “insuspeito”? processo, a decisão de concessionar a um produtor que, apesar de produzir bem e do agrado das gentes, não programa para além de si próprio, é demasiadamente pobre!
O problema da cultura, estimada Cristina Santos, não se revela em torno de conceitos esteriotipados, se de massas se de local, se elevada ou menos, mas sim na total incapacidade (dos actores culturais, dos poderes locais, dos poderes nacionais) em encontrarem forma de a gerir! Falar de gestão às pessoas que repetem ad nauseum que a cultura não é para dar dinheiro é apresentar-lhes o diabo feito gente; para os senhores economistas de “economês”? (cuja escola portuguesa produziu em douta abundância sem nunca terem passado pelo mercado de trabalho ou gerido uma empresa privada) falar-lhes de cultura é o mesmo que falar em subsídio-dependência! Para esta “missa”?, francamente, já não tenho pachorra – se as pessoas só conseguem ver a preto e branco o melhor é procurarem um oftalmologista que as ajude e, caso o problema revele não ser dessa área, talvez uma sessões de psicanálise possam ajudar.
As produções que o Sr. La Feria tem apresentado com grande qualidade, no género, repito, são o paradigma da itinerância e não da residência. Quem investe o montante que investe e produz com a qualidade que patenteia, deveriam todos os teatros de rede abrir as suas portas e negociar com ele a bilheteira. Ora é precisamente esta visão que falta aos nossos políticos nacionais e regionais que deambulam pela estafada discussão entre mais ou menos Estado!

Não há gestores culturais em Portugal! Ninguém pensa que há produções que podem dar rendimento de bilheteira para apoiar outras que são necessárias a uma programação variada e de qualidade.
Pelo facto de os poderes instituídos não colocarem gestores à frente dos equipamentos culturais em detrimento de directores artísticos ou programadores sem objectivos de rentabilidade dá no que deu no Rivoli, no que se está a dar no Teatro Aveirense e no que se dará, previsão minha para meu desencanto, nas restantes salas deste país!
A cultura deve e tem de ser gerida! A cultura deve e tem de ser gerida como se de um portfólio de bens transaccionáveis se tratasse, e trata! Esse é o erro de concessionar o Rivoli com base em 4 produções anuais, seja ao Sr. La Féria ou a qualquer outro produtor!

Exemplos…, o melhor, que me ocorre assim de repente até é do Porto! Depois da desastrosa gestão que a Porto 2001 colocou na Casa da Música, depois da não menos desastrosa gestão que o Dr. Rui Rio colocou no mesmo projecto, apareceu finalmente um gestor, Alves Monteiro, pela mão de Artur Santos Silva, que em 8 meses conseguiu o que parecia impossível – saber como estava o projecto, apurar o seu custo real, impor um prazo de concretização, estudar e propor a mais adequada forma de gestão (fundação) e nomear um director artístico para trabalhar na sua dependência, com Pedro Burmester como seu assistente pessoal! (link)
Definitivamente quando gestores e actores culturais virem que ganham mais aliados do que de costas voltadas poderá ser que os nossos políticos mudem, porque para eles o importante são as vitórias imediatas e mediáticas.

O que é que a Cultura tem a ver com a Educação?

É a pergunta que mais me têm feito nos últimos tempos apesar de eu já ter assumido posição por diversas vezes, nomeadamente aqui. No entanto, e porque os clássicos são sempre bons conselheiros, deixo um excerto datado de 1947 :

«(…)
Quanto à cultura, uma espécie de educação do berço que na esfera social confere brilho à educação, mantém e completa a instrução académica. Esta educação do berço é justamente importante na esfera do gosto e é essencial ao criador, que deve incansàvelmente educar o seu gosto ou correr o risco de perder a sua perspicácia. O nosso espírito, assim como o nosso corpo, requer um exercício contínuo. Fica atrofiado se não o cultivarmos.
É a cultura que traz à luz o valor completo do gosto e lhe dá a oportunidade de provar o seu valor simplesmente pela sua aplicação. O artista impõe uma cultura sobre si próprio e termina por impô-la aos outros. É desta maneira que se estabelece a tradição.
A tradição é completamente diferente do hábito, mesmo dum hábito excelente, porquanto o hábito é, por definição, uma aquisição inconsciente e tende a tornar-se mecânico, ao passo que a tradição resulta duma aceitação consciente e deliberada. Uma tradição verdadeira não é a relíquia dum passado irremediavelmente desaparecido; é uma força viva que anima e nos informa do presente.
(…)
Longe de implicar a repetição daquilo que foi, a tradição pressupõe a realidade daquilo que tolera. Surge-nos como uma herança, um legado que se recebe com a condição de o fazer frutificar, antes de o passar para os nossos filhos.
(…)
Sinto uma espécie de terror quando, ao começar a trabalhar, me encontro perante a infinitude de imagens que me surge, e compreendo que tudo me é permitido. Mas, se tudo me é permitido, seja o melhor ou o pior, se nada me oferece resistência, então o meu esforço não tem sentido e não existe nada em que me possa apoiar; consequentemente, toda a tentativa me aparece como fútil.
A função do criador define-se na necessidade de depurar, pela tradição, os elementos que recebe da imaginação, pois a actividade humana tem de impor limites a si própria. Quanto mais a arte é controlada, limitada, trabalhada, mais livre ela é.
(…)»

Igor Stravinsky, “A Poética da Música”, Harvard University Press, 1947, trad. port. de Maria Helena Garcia, Dom Quixote, 1971

Hoje, em 2006, sabemos que a educação que então se dava em casa foi transferida para a escola e, assim sendo, sem substimar a responsabilidade prima dos pais na educação dos filhos, a escola só pode ser o que deveria ser quando as tutelas hoje disseminadas pelos ministérios da educação, da cultura e do audiovisual trabalharem sob a mesma missão e objectivos – a aprendizagem das crianças e dos jovens.
A Escola, não os ministérios, nem os gabinetes de estudos, nem as comissões de não sei quê, deve ser o habitat o mais abrangente possível do que somos (a cultura) não para educar ou ensinar, mas para aprender e, neste contexto, nenhuma área deve ser escamoteada, desde a matemática e do português, sim, mas sem relegar para segundo plano as humanidades e as artes – a música e teatro, a dança ou as artes plásticas.

Natal up-to-date

Arte Pública

arte pública

apresenta:

Eric Satie

Gymnopédies

Gnosiennes

Franz Liszt

Consolação

POEMAS de

David-Mourão Ferreira, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa

CANÇÃO PORTUGUESA

José Luís Tinoco, Ary dos Santos, Fernando Tordo, Jerónimo Bragança, Nóbrega e Sousa

___________________________________________________________________

piano Angelo Martino voz Isabel Moreira baixo José Manhita diseurs Luís Proença, Gisela Cañamero, Paulo Duarte vídeo Rafael Del Rio som Luís Beco luz Ivan Castro produção Raul Bule

Beja

Pousada de S. Francisco

22 Dezembro 22.00h

entrada livre

A minha Pátria é a TLEBS

O 31 da Armada partilhou no Youtube, sob o título em epígrafe, uma excelente produção vídeo, com a coordenação de Alexandre Borges e imagem de Amândio Bastos, onde Francisco José Viegas e Pedro Mexia falam sobre as consequências e efeitos da nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS).
Tomei conhecimento neste post e saquei-a para aqui.

Parabéns ao 31 da Armada pelo vídeo, sim, mas pela ideia…, a excelente ideia de desmistificar que as novas tecnologias fazem mal às criancinhas quando, afinal, estão ao dispor e podem servir, assim o queiramos, para exercer a nossa cidadania e, porque não, fornecer às escolas meios excepcionais de aprendizagem.

ps: não se esqueçam de assinar a petição a pedir…

pedido para reconsiderar a TLEBS…

Se ainda se sente sujeito com predicados toca a assinar esta petição antes que o reduzam a um sintagma!

Rio, La Feria productions corporated

Devia à Cristina Vieira e ao Rui Rebelo uma posição sobre a troca de opiniões que deixaram nesta entrada. A Cristina ia exasperando com a demora, mas entendi esperar pela confirmação oficial(?) da concessão do Rivoli à Bastidores/Produções La Feria.
Confesso que valeu a pena esperar não pelo anúncio público do Presidente da Câmara antes de o apresentar à assembleia municipal, mas pelas reacções. Um espanto!
Uns calaram-se, vergados, talvez por considerarem que, pelo facto de La Feria ser uma garantia de bilheteira, será uma gloriosa vitória política de Rui Rio, enquanto outros, os do regabofe, toca a deitar abaixo La Feria por ser o diabo feito gente.
Rapidamente, porque nisto de posts não convém gastar muita tinta, La Feria merece-me a consideração que devo a quem faz, e com qualidade (não é pouco, não) e adianto que não tenho dúvida de que o produtor/encenador ancalçará êxitos de bilheteira nem dificuldade em admitir uma vitória “política” de Rui Rio.
Certo estou é de que, num momento em que se fala tanto em promiscuidade, em compadrios, em tráfico de influências, abrir um concurso de concessão para o Rivoli onde se exige que o concessionado produza quatro grandes produções anuais para a sala grande e mais quatro para a sala é, no mínimo, muito, mas muitíssimo insuspeito…
Certo estou que uma sala de espectáculos como a do Rivoli apresentar na sala principal 4 espectáculos num ano é ridículo! Imagine-se o que para aí não se diria quanta folha de jornal não se gastaria se a Casa da Música, o CCB, Serralves, S. Luiz, para só citar alguns, fizessem 4 produções/ano! Cairia ao Carmo e a Trindade!
Certo estou de que esta vitória da politiquinha é uma derrota pesada para a cultura e um grave precedente para a gestão das cerca de 70 salas de espectáculo em Portugal, pois permite que as pessoas continuem a não querer saber que a formação de públicos não passa por estes equipamentos, mas pela escola, onde o ensino artístico continua a ser considerado como enriquecimento extra-curricular no 1º ciclo!
O negócio da cultura depende da sua compra, i.e., da vontade de a fruir, e após tantos anos a esbanjar dinheiro na oferta sem qualquer resultado (para mim, peço desculpa se firo alguém, existe um evidente excesso de eventos culturais em Portugal) ainda não aprenderam ou não querem saber que (vou repetir alguém) será através da fruição dos clássicos, da literatura, do teatro, das artes plásticas, da música desde tenra idade, que poderemos almejar a que daqui a uns 20 anos haja público interessado em manifestações culturais, clássicas e experimentais, e que as sustente.
Bem pode argumentar a Cristina que demora e que no entretanto o La Feria chama gente ao teatro. Bem pode ser…, o que não há é dinheiro para tudo nem a “palhaçada” prevista para a sala pequena colmata esta tontice!
4 produções/ano no Rivoli é uma ousadia que só uma pessoa invulgar poderá atingir! Não é o meu caso…, nem me habituo a comer de tudo e a calar, mesmo quando me esfregam nas ventas concursos, como direi, “enfeitiçados”…, talvez!

Lopes-Graça por António Rosado

Via Sérgio Azevedo do Tonalaotonal tomei conhecimento do lançamento de um Cd duplo com a integral das Suites progressivas in memoriam Béla Bartók de Lopes-Graça, por António Rosado, com a “chancela” da Câmara de Matosinhos.

Esta iniciatica da Câmara de Matosinhos surge após uma outra, há uns meses atrás, com a integral das Sonatas para Piano, pelo mesmo pianista.
Duas sugestões de prenda de Natal, esta, e a da entrada anterior anterior. Assim se homenageia!

Lopes-Graça – 41 obras em 10 CD’s

Lopes-Graça

Faz amanhã precisamente 1 ano que o ministro Santos Silva anunciou a recuperação e edição de parte da obra de Lopes-Graça constante do valioso arquivo da ex-Emissora Nacional.
Missão cumprida! São 10 CD’s com 41 obras seleccionadas por Romeu Pinto Da Silva entre 100 escolhidas entre mais de 1000 constantes do referido arquivo. Total razão ao ministro que na altura afirma que “esta é a melhor maneira de homenagear os criadores, dando a conhecer a sua obra.” (O Primeiro de Janeiro)
Deixo, contudo, mais uma vez, o alerta e o desejo que formulei há 1 ano – que este trabalho seja o arranque da total preservação, catalogação, digitalização e, sempre que apropriado, a edição do vastíssimo espólio da ex-Emissora Nacional.

Bianca Ryan – última audição

no The Primetime Emmy Awards promovido pela NBC, ganhando o concurso, lançada no circo do estrelato e com 1.000.000,00$!

coisas da mão invisível

A maioria das principais empresas seguradoras que disponibilizam seguros de saúde está ou admite vir a criar produtos que respondam ao facto de o Estado estar a reduzir os apoios concedidos. (Agência Financeira 12:01h)

A maioria das principais companhias que disponibilizam seguros de saúde admite diminuir os benefícios ou aumentar as taxas de utilização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido aos cortes do Estado na saúde pública. (Diário Digital 16:05h)

Livro Aberto – mais uma concessão

Livro Aberto

Via Eduardo Pitta, no Da Literatura, tomo conhecimento que o Livro Aberto, um dos poucos programas que ainda via na RTP quando o sono não me vencia, também vai às malvas.
O Eduardo Pitta não adianta razões, do autor ainda não vi manifesto, mas eu, aqui, sempre posso escrever, ou melhor, inscrever esta decisão da RTP na devida categoria.

Teatro Aveirense – de exemplo nacional a

15, Dezembro, 2006 Carlos Araújo Alves 1 comentário

futuro concessionado! (Público)
Em menos de 2 anos aquele que era, juntamente com a Casa das Artes de Famalicão, o exemplo nacional de Teatro Municipal passa a desprezível e dispensável!
País de gente tola que, por não saber, mais grave, não querer aprender a saber, destrói o que muito custou a construir!

Estamos a ser salvos ou estão a afogar-nos?

Pertinente reflexão da Cristina Santos no A Baixa do Porto, sobre o Norte, em geral, e o Porto, em particular.

Venda a metro da moral

Há dias que estão ganhos antes de acordarmos, como o de hoje, pela qualidade dos comentários que recebi. Aqui deixo um, relativo ao aborto, onde a T-Regina do Blogosaurius loch, à boleia da expressão em título utilizada pela Maria do Rosário Fardilha, adianta uma perspectiva nova, para mim, a distinção entre o indivíduo e o cidadão, a qual me permite sentir o assunto de forma completamente diversa.

«‘venda a metro da moral’ – exactamente! E é isso que anda a tornar-me insuportável o debate a que assisto. Lá no loch, há uns tempos referi-me a isto em Outubro sob o título ‘Luminosas janelas, foscos céus’. E continuo a pensar exactamente da mesma maneira: É uma questão de consciência, do foro do indivíduo, não do cidadão, que é indevidamente trazida para o foro do cidadão. Por isso sou a favor do sim. Já que se atropelou a ética, então que se minimize o impacto do atropelo na vida real. Até a maneira como se formulam as coisas me parece um disparate – ’ser a favor do sim ou do não’, como se estivessesmos a discutir o cartão da via verde! E, mais curiosamente ainda, em muitos casos a argumentação é de um paternalismo tal que me pergunto cada vez mais que significado é que hoje vamos atribuindo à liberdade individual.
(…)
Saudações blogosáuricas.»

Maria José Morgado – boa notícia

Desejo, sinceramente, que esta senhora consiga fazer o que tem defendido – justiça com a maior celeridade possível – doa a quem doer.

Eis a 2ª audição da “minha aluna”

a tal Bianca de que vos falei, desta vez com outro hair, outro dress e outros shoes, e com um tema da Janis Joplin!

Coisas que deviam ser simples

Ontem, segundo me disseram, o Dr. Pacheco Pereira defendeu energicamente a demissão de Pinto da Costa da presidência do F. C. do Porto no programa a Quadratura do Círculo.
Tudo bem, não é virgem, já Miguel de Sousa Tavares o tinha feito como sócio do clube, mas a minha fonte não me soube dizer em que qualidade é que JPP proferiu tais afirmações, se na de sócio, de accionista do FCP ou se terá sido em nome da nobre causa da anti-promiscuidade entre a política e o futebol, que ergueu e protagonizou com Rui Rio e o incondicional apoio de Valentim Loureiro.
Alguém me poderá esclarecer?

Alunos do Conservatório R. Baixo Alentejo

Pela primeira vez em palco? (Rádio Voz da Planície)
Não estou certo, mas dá-me ideia de que já os vi várias vezes, mas posso estar enganado.., a idade não perdoa!
Bom o que interessa é que os alunos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo apresentam-se hoje em 2 espectáculos, pelas 18 e pelas 21:30h, no Cine-Teatro Pax Julia mas, esperem…, lá no sítio do Teatro também nada consta sobre esta programação.
Resumindo e concluindo, hoje não bebo mais…, mas vou lá, assim me ajudem as pernas!

Rio, La Feria Productions incorporated

é o que parece, mas nem comento! O João Paulo Sousa e o Tiago Bartolomeu Costa já se encarregaram e bem do assunto!

por que vos inquietais, senhores?

Não percebo tanta inquietação por causa da tal descriminalização dos carecas! Até o Orlando se revolta!!!
Será que não atingem que num país de caloteiros cujo pontífice é o Estado poderemos, mal aprovadinha a lei, pagar as nossas dívidas? Não direi saldá-las (duvido que os credores façam rebajas), mas pagá-las, ora que não, vai ser que nem ginjas!

Descriminalização dos Carecas – impunha-se!

«O Ministro da Justiça, Alberto Costa, pondera a descriminalização total dos cheques sem cobertura até ao final da legislatura, em 2009. Esta decisão do Governo enquadra-se num conjunto de medidas preparadas para o descongestionamento dos tribunais» (Diário Económico)

Como é que ninguém se tinha lembrado disto? Só me falta pedir os cheques…

do Aborto

Ontem a Cristina Vieira no Contra Capa fez referência a um texto que aqui deixei abrindo um debate para o qual não tenho a necessária frieza de raciocínio para assumir uma opinião definitiva.
Por muitas e variadas sensações que vivi e que, portanto, vivem e viverão em mim sentidas enquanto a minha memória vida lhes der, a questão do aborto é para mim muito difícil de abordar. Não vai há muito escrevi um texto sobre uma série de excelentes posts da Maria do Rosário Fardilha no Divas & Contrabaixos, onde afirmava o meu não ao referendo sobre o assunto.
Hoje não sei se mantenho ou não esse não, porque não é suportável continuar a ver mulheres a serem publicamente humilhadas pelas salas de tribunal.
Até lá, a ver vamos o que irei sentindo, mas por ora deixo-vos este outro texto, Manucha morreu a seu tempo, que é afinal um hino à vida.
Eu continuo sem saber, sem certezas, mas respeito quem as tem. Já mais dificuldade tenho em respeitar opiniões de quem nunca viveu momentos em que a vida se vive e sente no extremo do equilíbrio possível.

A Câmara do Porto tem coisas curiosas

depois de o Tiago Oliveira ter colocado este post no A Baixa do Porto e eu este, a página do site da Câmara silenciou a barulheira de automóveis de corrida que lá estava!
Coisas simples, demasiadamente simplórias, diria…

Vamos lá contribuir para esta causa

«A Secretaria de Estado das Comunidades vai promover, no primeiro semestre de 2007, um concurso online para a descoberta de novos talentos musicais entre os portugueses residentes no estrangeiro.» (Público)

É sem qualquer rebuço que contribuo para esta nobre causa, apresentando aqui, em estreia absoluta, uma piquena de 11 anos a quem ando a dar, por correspondência, umas aulitas de canto, de seu noma Bianca.
ps: sentem-se e agarrem-se bem e…, oh pessoal, tchau, DDD, até amanhã!

A.M.L. condena o fim da Festa da Música

«A moção, proposta pelo PSD, manifesta “profunda discordância com a decisão tomada pela Administração do CCB, com o apoio do Governo do PS, de acabar com a Festa da Música”, um evento apoiado pela autarquia lisboeta. O documento foi aprovado com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP, PCP, PEV e Bloco de Esquerda, e os votos contra do PS.» (Público)

É então previsível que, a todo o momento, estes senhores vereadores anunciem, para além de patrocínios e mecenas, um generoso contributo pessoal para que o CCB possa queimar 1,2 milhões de euros, 1/3 do seu orçamento, em 3 dias, a bem do senhor Comendador René Martin!

Rui Rio e o Parque da Cidade

Ainda na campanha eleitoral que o levaria à presidência da Câmara do Porto Rui Rio prometeu, muito bem, impedir que o Parque da Cidade fosse perifericamente alvo de urbanizações de luxo.
Cumprida a promessa, Rui Rio abafa-o agora, muito mal, dentro de um circuito de alta velocidade (sigam o link para escutarem a barulheira do site da Câmara), pronto a receber já em 2007 uma prova do Campeonato do Mundo de Turismo!

Sobre o assunto ver Corrida para a Morte por Tiago Oliveira.

adenda: misteriosamente depois deste post retiraram a barulheira do site.

OCDE – ensino para a fundação

Ora, então, por um lado:

« (…) a proposta da OCDE para o ensino superior português é que universidades e politécnicos públicos passem, gradualmente, a ser fundações financiadas pelo Estado, mas geridas como se fossem do sector privado. O organismo aconselha também que professores e trabalhadores não-docentes das escolas percam o vínculo ao Estado e deixem de ser funcionários públicos.» (Público)

mas, por outro:

«Caberá ao Governo estipular a estrutura e o número de pessoas que devem fazer parte desse órgão, mas a OCDE sugere que tenha elementos externos à academia e que são parte interessada, os chamados stakeholders.» (Público)

No entanto:

«Neste momento há 11.806 pessoas que trabalham para o Estado através do chamado recibo verde. Em Agosto, um decreto-lei do Governo definiu que a continuidade da relação laboral com avençados ou tarefeiros deve ser avaliada até ao final do ano. (…) Dos funcionários a recibo verde, 5.179 estão colocados no Ministério da Educação, 1.986 na Saúde, 1.020 na Ciência e Ensino Superior (…)» (SIC)

Em que ficamos, afinal?

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