é o que parece, mas nem comento! O João Paulo Sousa e o Tiago Bartolomeu Costa já se encarregaram e bem do assunto!
Tags: Ora Foda-se, Rivoli
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13 Respostas to “Rio, La Feria Productions incorporated”
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não concordo nada com essa opinião do JPSousa. acho que o primeiro problema a resolver é habituar as pessoas a sair e a ir ao teatro, depois trata-se da oferta. uma visão muio tuga, o carro à frente dos bois. preconceito também.
Cara Cristina,
Acha que fazer Morangos com Açucar (versão teatro) é formar público? Acha que entregar património do estado a um EMPRES�RIO do espectáculo é legitimo? O entertenimento não é cultura, é um negócio como outro qualquer.
E sabe, eu viajo muito e conheço as várias realidades da Europa mas também da América. E a diferença é que na Europa ainda se faz arte pois existe tradiçaõ cultural e houve e há criação de públicos. Já no América do sul só faz teatro quem também faz telenovela e existe uma prostituição por parte das entidades culturais que baixam a qualidade até nÃveis inaceitáveis com o objectivo de obter mais público. Levar as pessoas a sair para ir ao teatro é fácil. Dou-lhe 3 exemplos: Morangos com Açucar, Peça com jogadores de futebol, sexo ao vivo.
Quer ver alguma delas?
Estou mesmo cansado para responder condignamente mas, Rui, dá-me ideia de que a Cristina não defendeu exactamente o que o Rui contestou. Parece haver uma certa confusão nesta rápida comunicação que é a blogosfera.
Amanhã, desculpem-me mais uma vez, pego neste assunto, em bora já o tenho abordado várias vezes – basta correr a categoria aqui ao lado “Gestão Cultural”.
Caro Carlos,
Descanse bem e não se preocupe a responder-me. Se entendi mal a Cristina peço desculpa. Mas pareceu-me bastante pertinente a forma como JPSousa abordou a questão Rivoli – Novo Circo/Circo Romano e pareceu-me também que a Cristina Defendia que mais vale mau com público do que bom vazio. Mas como por vezes o que parece não é… ficou então a minha opinião retirando o tom de resposta à Cristina.
Bom descanso.
Rui
o que eu quero dizer é que não existe de facto em Portugal o hábito de sair para ir ver um espectáculo de forma sistemática. os exemplos que deu, são exactos mas são situações pontuais. enchurradas de fãs enlouquecidos para ver “aquilo” especificamente. não corresponde em nada ao que vemos acontecer noutros paÃses. o que eu queria dizer é que não tenho nenhum preconceito em relação aos espectáculos do La Feria, se eles contribuirem para que esse habito se crie. e atendendo ao nivel cultural do nosso povo seria estranhÃssimo que isso se conseguisse com espectáculos de interpretação eventualmente mais dificil. parece-me. é exactamente o que acontece com a leitura. que se leia qualquer coisa, mas que se leia. porque não se parte para uma obra literaria aos solavancos, é preciso fluidez e isso adquire-se com treino. o mesmo acontece com qualquer forma de arte. as pessoas vão evoluindo, vão-se aventurando e vão arriscando progressivamente obras de nÃvel superior. é uma aprendizagem, que tem que ser potenciada por outro tipo de oferta, sem duvida, mas quanto a mim é a segunda fase.
não é de todo necessário começar por cima, nem se deve, porque intimida, assusta e afasta. mas é fundamental que se começe.
não sei se me fiz entender agora. a hora não ajuda, mas espero…
cumps, Rui.
um beijo Carlos.
Preocupo-me, sim, em responder, caro Rui. Este assunto merece não uma resposta de circuntância, mas um post e será aà que responderei, a si e à Cristina.
Agora, Cristina, que esplanaste melhor o que pensas e o Rui adiantou mais, penso puxar este assunto para post – é um dos que me move e não estou sintonizado nem com a tua opinião nem com a do Rui, embora seja sensÃvel aos dois argumentos.
Muito obrigado a ambos.
Cara Cristina,
Entendo melhor o seu ponto de vista e também não tenho nada contra o Sr La Féria, é um empresário profissional e com sucesso da industria do entretenimento que é um negócio como outro qualquer. E estou certo que o seu público não vai ver mais nada e há muita gente que só foi ao teatro 2 ou três vezes e foi para ver La Féria. Não se enquadra no mais ou menos convencional espectáculo de teatro, é sim uma tentativa de broadway à portuguesa, um espectáculo de variedades com objectivos únicos de lazer e entretenimento. Tudo bem, é bom que os haja. Mas não formam público de teatro. Estudos de outros paÃses, nomeadamente de Espanha aos quais tive acesso, demonstravam que a criação de públicos se faz fundamentalmente na infância e juventude e criaram há vinte e tal anos atrás uma entidade que fomenta o encontro das companhia que fazem teatro para essa faixa etária possibilitando a sua circulação pelo paÃs com objectivos especÃficos de criar público e fomentar o gosto pelo teatro, o que passa também por acções de formação. Nas cidades onde fazem esse trabalho com regularidade o público aumentou mais de 1000%. Os adultos de hoje vão ao teatro porque lhes foi criado esse hábito o porque têm critérios de escolha que obriga os programadores a oferecerem um vasto leque de diferentes estéticas e linguagens.
Tem de se começar por algum lado mas não creio que seja LA Féria ou espectáculos de Casinos. Esses são realidades paralelas ao teatro que raramente coincidem no público. Outra história é a oferta que nós temos e a falta de estratégia dos grupos de teatro. Isso é outro assunto. Mas quanto a LA Féria formar públicos. Estou certo que não. Se em Lisboa não o fez, porque o faria no Porto?…
peço desculpa pela má educação de nem sequer me despedir.
Aqui ficam as minhas cordeais saudações à Cristina e ao Carlos.
que a discussão continue então num post
Rui Rebelo
Cristina e Rui
Não estou esquecido nem desmotivado para tratar deste assunto, mas preciso de tempo para tocar em todas as componentes que o envolvem.
Neste entretanto, eis que a Câmara de Aveiro parece querer que o Teatro Aveirense siga as mesmas pisadas do Rivoli e, Cristina, a pegar moda, o La Feria não conseguirá ir a todas. (47 Teatros municipais em rede que temos neste momento em funcionamento, erguidos ou restaurados e equipados entre 2000 e 2004 com dinheiros comunitários e do Estado)
Muito obrigado.
carlos, certo take your time….mas sem grandes preocupações de tocar todas as componentes, senão acabamos por desistir..lol…então pra que servem os comentadores??
beijinhos
Rui
concordo inteiramente consigo, educação desde a infãncia, pois. trabalho para muitos anos….entretanto, pode ser que o La Féria, consiga motivar as pessoas para o espectáculo.
cumps.
por falar em epectáculo tenho a dizer algo sobre a Arte e o Entretenimento.
Nos dias de hoje, com a globalização, a massificação do consumo e o crescimento exacerbado da indústria do lazer, torna-se cada vez mais difÃcil distinguir o entretenimento da arte. O ideal consumista converteu a arte num produto de estética populista, fruto da cultura do entretenimento e formatado à lógica do espectáculo.
A lei do rentável foi matando a capacidade de discernimento do indivÃduo, tornando-o apenas em consumidor ou consumÃvel .
“Arts and Entertainmentsâ€? – Os motores de busca na internet teimam em colocá-los sempre no mesmo directório e o facilitismo da estandardização faz com que essa lógica se vá apropriando do imaginário colectivo.
Ambas fazem parte da cultura universal mas com papeis substancialmente diferentes na sua capacidade de intervenção no indivÃduo, na sociedade e, consequentemente, na História.
Muitos animais se divertem e entretêm mas apenas um faz arte – o Homem.
O entretenimento (sem as mais valias do convÃvio, da pedagogia, da ginástica, etc.) está associado apenas ao prazer e a arte vai muito para além disso, é muito mais abrangente e está inevitavelmente vinculada à inteligência, à intuição, ao raciocÃnio, ao sentimento, à imaginação, à expressão e a tudo o que nos transcende.
Jogar consola com o meu filho é entretenimento. Olharmo-nos nos olhos e sentirmos o amor que nos une, compreendendo e realizando a importância desse amor, é arte.
Um diverte, a outra sensibiliza, emociona, perturba e faz pensar, tocando, modificando, sendo dinâmico e vivo, fazendo evoluir.
Por vezes tocam-se, misturam-se, como o azul e o amarelo que dão verde. Mas não deixam de ser coisas completamente distintas.
Entreter é o espaço entre o que se teve e o que se vai ter, é o tempo em que não se tem nada, em que não se é nada, em que não se existe. Logo é necessário passar esse tempo para outra coisa ter, ser ou existir por nós. Recorre-se então ao passatempo que é uma espécie de encher um copo sem fundo, onde se tem uma sensação de satisfação e a ilusão da acção em si. Passar o Tempo é a coisa mais estúpida que se pode (não) fazer na vida. Simboliza a inutilidade por excelência e é sinónimo de inactividade e improdutividade. É queimar tempo de existência. Não no sentido da meditação e da introspecção mas no sentido da passividade no seu estado mais estupidificante.
Entretenimento é darem-nos algo já feito quando nós não estamos a fazer nada, é darem-nos uma comida já mastigada, ingerida e digerida…