Devia à Cristina Vieira e ao Rui Rebelo uma posição sobre a troca de opiniões que deixaram nesta entrada. A Cristina ia exasperando com a demora, mas entendi esperar pela confirmação oficial(?) da concessão do Rivoli à Bastidores/Produções La Feria.
Confesso que valeu a pena esperar não pelo anúncio público do Presidente da Câmara antes de o apresentar à assembleia municipal, mas pelas reacções. Um espanto!
Uns calaram-se, vergados, talvez por considerarem que, pelo facto de La Feria ser uma garantia de bilheteira, será uma gloriosa vitória polÃtica de Rui Rio, enquanto outros, os do regabofe, toca a deitar abaixo La Feria por ser o diabo feito gente.
Rapidamente, porque nisto de posts não convém gastar muita tinta, La Feria merece-me a consideração que devo a quem faz, e com qualidade (não é pouco, não) e adianto que não tenho dúvida de que o produtor/encenador ancalçará êxitos de bilheteira nem dificuldade em admitir uma vitória “polÃtica” de Rui Rio.
Certo estou é de que, num momento em que se fala tanto em promiscuidade, em compadrios, em tráfico de influências, abrir um concurso de concessão para o Rivoli onde se exige que o concessionado produza quatro grandes produções anuais para a sala grande e mais quatro para a sala é, no mÃnimo, muito, mas muitÃssimo insuspeito…
Certo estou que uma sala de espectáculos como a do Rivoli apresentar na sala principal 4 espectáculos num ano é ridÃculo! Imagine-se o que para aà não se diria quanta folha de jornal não se gastaria se a Casa da Música, o CCB, Serralves, S. Luiz, para só citar alguns, fizessem 4 produções/ano! Cairia ao Carmo e a Trindade!
Certo estou de que esta vitória da politiquinha é uma derrota pesada para a cultura e um grave precedente para a gestão das cerca de 70 salas de espectáculo em Portugal, pois permite que as pessoas continuem a não querer saber que a formação de públicos não passa por estes equipamentos, mas pela escola, onde o ensino artÃstico continua a ser considerado como enriquecimento extra-curricular no 1º ciclo!
O negócio da cultura depende da sua compra, i.e., da vontade de a fruir, e após tantos anos a esbanjar dinheiro na oferta sem qualquer resultado (para mim, peço desculpa se firo alguém, existe um evidente excesso de eventos culturais em Portugal) ainda não aprenderam ou não querem saber que (vou repetir alguém) será através da fruição dos clássicos, da literatura, do teatro, das artes plásticas, da música desde tenra idade, que poderemos almejar a que daqui a uns 20 anos haja público interessado em manifestações culturais, clássicas e experimentais, e que as sustente.
Bem pode argumentar a Cristina que demora e que no entretanto o La Feria chama gente ao teatro. Bem pode ser…, o que não há é dinheiro para tudo nem a “palhaçada” prevista para a sala pequena colmata esta tontice!
4 produções/ano no Rivoli é uma ousadia que só uma pessoa invulgar poderá atingir! Não é o meu caso…, nem me habituo a comer de tudo e a calar, mesmo quando me esfregam nas ventas concursos, como direi, “enfeitiçados”…, talvez!
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carlos…ai, em que coisas me metes…
eu continuo sem perceber qual é o drama. quando te escandalizaste com os 4 espectáculos/ano, eu estava precisamente a pensar, 4? como, tanto?? looool. os espectaculos do La feria demoram meses a montar e estão meses em exibição…4/ano? duvido que consiga.
depois repara: as pessoas vão ter no Porto uma casa de que vão gostar e que vão seguramente frequentar. são também postos de trabalho para os actores que tanto se queixam. que diabo, que mal há nisto? e o que é que isto tem a ver com uma politica de educação virada para a cultura? interfere? é certo que não há dinheiro para tudo, mas o La Feria até deve ser o único que não precisa disso…(para raiva dos subsÃdiodependentes..) seria malhor polÃtica deixar aquilo à s moscas aguardando a aposta e o resultado de novas polÃticas?
olha, não faço mais perguntas senão ainda sou expulsa daqui e eu gosto de cá vir…:p
no entanto….deixem o homem trabalhar pá, que coisa!…..não, não me ofereceu nenhum papel….:DDDD
knock-knock
Então, se me dão licença, vou entrar na conversa. – só que acabei por escrever tanto que pus lá na minha casa . Chamei-lhe “Papel de embrulho“. Saudações blogosáuricas.
Cristina
Expulsa daqui? A que propósito? Nunca ninguém foi daqui expulso e muito menos tu!
Estou absolutamente de acordo contigo, aliás está no que escrevi, sobre:
1 – muitas pessoas do Porto e do Norte, em geral, vão frequentar com agrado os espectáculos do La Feria (eu serei um deles);
2 – cria postos de trabalho para actores que tanto se queixam (bato palmas – os artistas precisam de espaço para trabalhar e ganhar dinheiro, evitando o estado de subsÃdio-dependência);
No entanto já não posso achar que:
1 – só este formato é que evita que o Rivoli esteja à s moscas: O S. João está? A Casa da Música está? Serralves, está? O S. Luiz, está?
2 – Na visão que tenho sobre a gestão cultural não consigo dissociar o apoio à cultura da educação e, já agora, do audiovisual, sendo que neste particular caso, 4 produções-ano inviabilizam um mÃnimo de variedade da oferta com consequências graves para a formação das crianças e adolescentes que, mesmo que façam acordos com escolas ficam limitados ao que há;
3 – nada tenho contra o La Feria (já o disse) e acho que ele merece espaço para apresentar o seu trabalho, mas atendendo, como bem dizes, à necessidade apresentar muitas récitas para rentabilizar o investimento a montá-las, nunca estas produções deveriam ser residentes num único espaço. Os espectáculos La Feria são o exemplo mais firme de que a itinerância é o caminho que merece ser apoiado e talvez até financiada a sua internacionalização para os paÃses lusófonos.
Mas a causa da revolta não se prende com estas questões, Cristina. O modo como o “concurso” foi elaborado e avaliado é que desrespeita a verticalidade de carácter, o rigor, a transparência, ou seja, tudo contra aquilo que o Dr. Rui Rio e o Dr. Pacheco Pereira não se cansam a defesa proclamar!
E em casos de falta de coluna vertebral, Cristina, não cedo, seja com quem for.
Beijinho e obrigado pelo comentário.
Caro Carlos e cara Cristina,
Gostaria de deixar uma breve reflexão sobre a arte e o entretenimento pois, ao contrário da Cristina, eu acho que uma faz-nos evoluir e a outra passar o tempo.
Nos dias de hoje, com a globalização, a massificação do consumo e o crescimento exacerbado da indústria do lazer, torna-se cada vez mais difÃcil distinguir o entretenimento da arte. O ideal consumista converteu a arte num produto de estética populista, fruto da cultura do entretenimento e formatado à lógica do espectáculo.
A lei do rentável foi matando a capacidade de discernimento do indivÃduo, tornando-o apenas em consumidor ou consumÃvel .
“Arts and Entertainmentsâ€? – Os motores de busca na internet teimam em colocá-los sempre no mesmo directório e o facilitismo da estandardização faz com que essa lógica se vá apropriando do imaginário colectivo.
Ambas fazem parte da cultura universal mas com papeis substancialmente diferentes na sua capacidade de intervenção no indivÃduo, na sociedade e, consequentemente, na História.
Muitos animais se divertem e entretêm mas apenas um faz arte – o Homem.
O entretenimento (sem as mais valias do convÃvio, da pedagogia, da ginástica, etc.) está associado apenas ao prazer e a arte vai muito para além disso, é muito mais abrangente e está inevitavelmente vinculada à inteligência, à intuição, ao raciocÃnio, ao sentimento, à imaginação, à expressão e a tudo o que nos transcende.
Jogar consola com o meu filho é entretenimento. Olharmo-nos nos olhos e sentirmos o amor que nos une, compreendendo e realizando a importância desse amor, é arte.
Um diverte, a outra sensibiliza, emociona, perturba e faz pensar, tocando, modificando, sendo dinâmico e vivo, fazendo evoluir.
Por vezes tocam-se, misturam-se, como o azul e o amarelo que dão verde. Mas não deixam de ser coisas completamente distintas.
Entreter é o espaço entre o que se teve e o que se vai ter, é o tempo em que não se tem nada, em que não se é nada, em que não se existe. Logo é necessário passar esse tempo para outra coisa ter, ser ou existir por nós. Recorre-se então ao passatempo que é uma espécie de encher um copo sem fundo, onde se tem uma sensação de satisfação e a ilusão da acção em si. Passar o Tempo é a coisa mais estúpida que se pode (não) fazer na vida. Simboliza a inutilidade por excelência e é sinónimo de inactividade e improdutividade. É queimar tempo de existência. Não no sentido da meditação e da introspecção mas no sentido da passividade no seu estado mais estupidificante.
Entretenimento é darem-nos algo já feito quando nós não estamos a fazer nada, é darem-nos uma comida já mastigada, ingerida e digerida…
T-Regina
Exactamente, já lá fui e transcrevo: «O que já tenho uma enorme dificuldade em entender é a insÃdia dessa coisa a que ultimamente se chama ‘cultura light’ em lugares e posições que deveriam estar-lhe, digo eu, imunes. E não o estando, não estranhará que a cultura do ligeiro sufoque o que sempre se chamou de cultura, assim mesmo, sem explicação aceitável nem dor de consciência, porque, provavelmente, nem se entende o sufoco.»
Rui
Compreendendo o que quer dizer, embora considere que a sua argumentação poderá não ser a mais adequada, pois o fundamento não ajuda! A fruição da arte daquilo a que nos habituamos a chamar cultura deve ser um entretenimento, i.e., termos necessidade de buscar a sua fruição e dela tirarmos prazer (já agora, atenção ao conceito de prazer, é que pode ser melancólico ou até doloroso, mas sempre enriquecedor e gratificante).
O problema é exactamente ao contrário: porque é que a cultura (com letra grande) não entretem. Não entretem porque, como o Rui bem diz, as crianças e os adolescentes são desde tenra idade formatados para consumir a tal dita de light, desde logo através do audiovisual que, por muito que nos custe enquanto pais, é já responsável por mais de 70% dos valores que os nossos filhos assimilam!
Receita? Pois, Rui, lá está, não será través da excessiva oferta de espectáculos de qualidade aos quais as crianças não vão porque não querem saber e os pais também não ou não sabem já fazer essa distinção. É aqui que entra a escola…
A escola não poderá continuar a ter como objecto a Educação de eduquês, nem sequer o ensino ( transmissão de conhecimento). A escola deve ter por objecto a aprendizagem dos alunos e, para que tal aconteça, é necessário que a Escola seja eleita como o PALCO de TODA A APENDIZAGEM! É preciso que haja lá teatro clássico, leitura de clássicos, espectáculos de música clássica.., é imperioso que a CULTURA vá e esteja sempre na ESCOLA e não só nas salas de espectáculo.
Nesta perspectiva, a de que a aprendizagem é o foco da escola há muito trabalho a contratar aos artistas para o apresentarem nas escolas de todo o paÃs, aliviando-os que carga negativa do subsÃdio e, remunerados que ficarão, poderão alcançar estofo financeiro para se apresentarem publicamente por sua própria conta e risco em domÃnios mais experimentais, que são absolutamente necessários para o seu desenvolvimento e para público mais exigente.
Muito obrigado à T-Regina e ao Rui pelos comentários.
Caro Carlos,
Em primeiro lugar deixe-me dizer-lhe que é um prazer discutir desta forma consigo e os demais intervenientes que demonstram ser pessoas bem formadas.
Por ser filho de actriz, estou ligado ao teatro desde que nasci. Apesar de ser músico de formação a minha actividade profissional tem-se desenvolvido maioritariamente no teatro. Sou também co-fundador da companhia portuguesa que faz mais itinerância nacional e internacional, com prémios, sala própria com taxa de ocupação de 90% e receitas suficientes para ser auto sustentada, mesmo quando parte dessas receitas vão para a área social.
Sabe de que companhia falo?
É verdade que fazemos mais teatro fora do paÃs do que cá dentro mas ainda Outubro estivemos no festival cómico da Maia com 800 pessoas na sala. Fazemos um teatro direccionado para público jovem com o objectivo de formar público e a esperança que a nossa criatividade não envelheça.
Portanto, como vê, utilizamos o diminuto dinheiro público que temos da melhor forma possÃvel e ainda representamos muito bem o paÃs quando temos prémios e sucesso nos festivais internacionais nos quais participamos.
Estes anos todos de estrada e vias aéreas ensinaram-me que o teatro não se deve levar às escolas mas as escolas devem ser levadas ao teatro, pois o simples acto de ir ao teatro e o comportamento e o respeito que se devem ter, são já uma forma de educar o gosto pela arte. Para não falar das inexistentes condições técnicas da grande maioria das escolas para acolherem espectáculos. Claro que se podem fazer acções de formação, leituras, audições de música, expressão dramática, etc. Mas espectáculos concebidos para teatros, na minha opinião, não.
Dizia no meu outro comentário em tom de verde que a arte e o entretenimento podem coexistir. Os espectáculos com que viajo têm bastante entretenimento. São comédias. Mas o objectivo principal não é entreter ou divertir, é ginasticar a criatividade de quem os vê, apelar à sua inteligência, à sua imaginação, aos seu sentidos numa proposta honesta, transparente e despretensiosa . Mas, acima de tudo, o objectivo não é fazer dinheiro (apesar fazermos algum).
Isto tudo para para fundamentar a minha legitimidade para falar dos espectáculos do Sr La Féria e dos subsÃdios do estado.
O objectivo da McDonalds é fazer dinheiro ou boa comida? Claro que para os meus filhos é a melhor comida do mundo. Sabe bem, dá-lhes prazer comer. Mas será que lhes faz bem? Quando tinha a idade deles tinha o mesmo prazer a comer fruta arrancada directamente da árvore…
Não sei o que é que a McDonalds põe na comida para que as crianças (e não só) gostem tanto e quase se viciem, bloqueando o gosto por outros sabores, mas sei o que o Sr La Féria faz para entreter tanta gente… a resposta está nos sinónimos de entreter.
Entreter: deter, paliar (com promessas); enganar; recrear; divertir; distrair; suavizar.
O resto é atirar areia para os olhos e partir do principio que as pessoas não sabem fazer nada dando-lhes tudo feito. O que causa um efeito de satisfação de quem nada fez mas comprou feito. Há o pronto a comer, o pronto a vestir e o pronto a assistir…
Para acabar digo apenas que não sou contra a existência da McDonalds e do sr. La Féria desde que não contribuam para o desaparecimento progressivo da boa comida e do bom teatro (quero dizer da comida saudável e do teatro inteligente).
Carlos
tava a brincar pá!…:p
aà está…de onde veio esta ideia de que a cultura tem que ser uma coisa e entretenimento outra?porque só o segundo é rentável? diz o Rui que “A lei do rentável foi matando a capacidade de discernimento do indivÃduo”, porquê? é culpa do espectador? seguramente que não. qual é a parte de responsabilidade das elite da cultura nesta realidade? é um bom motivo de reflexão e talvez explique muita coisa
sorry carlos, tou muito perguntadeira hoje…:p
Não está em causa a procura de rentabilização da cultura, no sentido da sua auto-sustentação; por isso até concordei com o fim da subsÃdio-dependência no Porto (ver links). O que está em causa são duas coisas: a primeira, a arrogância moral de Rui Rio, o arauto da moralidade e da boa gestão, que faz um concurso de concessão do Rivoli à medida de La Feria. Borrou a escrita toda; deu razão a quem o criticou.
A segunda: cultura pode ser considerado tudo; o desporto é cultura, a música é cultura e até o negócio é cultura. Mas será a cultura um negócio? Será a cultura passÃvel de redução a quem paga mais? Será que só os ricos podem ser doutos? Será o acesso à cultura condicionado exclusivamente em termos de disponibilidade de dinheiro dos cidadãos? Claro que não. Reduzir a cultura ao negócio é limitar a sua função social.
Para Max Weber, a cultura (como a linguagem) não pode ser passÃvel de redução à situação económica, mas uma força presente na sociedade, que a influencia e que afecta as pessoas no sentido mais lato e real. Os factores económicos, segundo Weber, são importantes, mas não se devem sobrepor à linguagem, à cultura, à religião, etc.
Não tendo Rui Rio em boa conta (confesso), esperava uma outra solução, de compromisso entre o económico e a cultura, seguindo assim a receita de Weber, a que aludiu o CAA.
Cara Cristina,
Eu comparei arte e entretenimento e não entretenimento e cultura pois a cultura coomo foi aqui dito engloba as duas e muito mais: o futebol, os computadores, a poluição, a polÃtica, a religião, etc…
A culpa também é do espectador.
Claro que se numa cidade todos os restaurantes forem maus, demorados ou caros e houver um McDonalds, é legÃtimo que todos vão ao McDonalds e a culpa não é do consumidor é da oferta. Agora se tivermos uma oferta razoável e as pessoas continuarem a preferir McDonalds, aà temos um problema de pobreza de paladar como opção do consumidor.
A Arte é rentável. Sempre foi. No Egipto, na china e na Mesopotamia os artistas das tropas derrotadas eram tomados como espólio. A escultura, a pintura, a música, sempre tiveram ligadas à riqueza, porque quem detinha a riqueza percebia o valor da arte. Sempre houve mecenas e foi graças a eles que pode haver um Bach, um Mozart, um Leonardo da Vinci. Que hoveram, museus, teatros, etc. Se os mecenas da história tivessem sido contra a subsidiodependência, a ciência, a arte e a filosofia nunca teriam chegado onde chegaram. não tinha havido progresso.
Claro que os pseudos intelectuais e os artistas masturbatórios não ajudam e a culpa deve ser repartida entre criadores, espectadores, governantes, mecenas e promotores.
Se o espectador não está satisfeito de patear os artistas, refilar com os governantes e não ficar em casa a afunilar a sua opinião com a informação tendenciosa e parcial que lhe pelos entra em casa pelos media, propriedade de quem detém a riqueza e quer mais riqueza com uma opinião pública que pense o que eles querem.
Caro Rui
Agradecendo o seu comentário confesso não conseguir responder a todas a sugestões que aborda. Ainda assim:
1 – Muito estimo, creia, a sua experiência e a da sua Companhia que faz itinerância e que consegue subsistir com o suor do seu trabalho. Não sou artista de arte alguma, mas ouso pensar que os artistas, de forma geral, preferem ser remunerados pelo seu trabalho a ser sustentados por subsÃdios;
2 – “ensinaram-me que o teatro não se deve levar à s escolas mas as escolas devem ser levadas ao teatro” mas porquê? Eu assisti a muito e bom teatro no liceu que frequentei e até tive aulas de teatro! Não compreendo, ou melhor, não quero mesmo compreender…
É claro que há produções concebidas para salas de espectáculo, que só lá devem ser fruÃdas, mas o que impede as Companhias de conceberem produções especificamente para as escolas? Incentivavam as crianças e seria a melhor forma de as motivar para se deslocarem ao teatro! Não lhe parece?
3 – Acções de formação nas escolas, ó Rui, por favor, essa arrepia-me! Um profissional a não entender que as artes não podem ser um “adesivo” nas escolas? A Educação ArtÃstica deve ocupar o mesmo lugar na escola que as demais áreas do conhecimento. É exactamente isto que defendo!
4 – do entreter e do apelar à inteligência. “EntreTer”, antes do significado que hoje dão à palavra siga, por favor, a sua etimologia e seu antigo sinónimo – recriar!
Eu espero que a arte me desperte emoções mesmo que a razão as não compreenda!
5 – é evidente que a exigência do público ou do gastrónomo variará sempre na exacta proporção daquilo que se experimente, se habitua e gosto se toma! E aqui, mais uma vez, a resposta, caro Rui, remete-nos mais uma vez para a educação que os pais dão e o ambiente de aprendizagem da escola.
Muito obrigado.
Olá, Cristina
Estavas a brincar…, pois…
Responsabilidades? Pois é, é o diabo! Dessas elites que falas, da escola, dos pais… Dos pais, Cristina, no meu entender, que são os únicos responsáveis pela educação dos filhos! Hoje temos o hábito de que a escola é má, os professores pior ainda, a televisão dá cabo das crianças…, e os pais? Os pais são tentados a transferir a sua responsabilidade paternal de educar, que é uma responsabilidade exclusiva deles, como sobre outro assunto há pouco conversámos.
Beijinho
Orlando
Sobre Rui Rio julgo que estamos conversados, não é Orlando?
Sobre a cultura…, sei lá por onde lhe pegar?!
Olha, vai por aqui… No gozo dizia o meu Pai que não tinha grande apreço pelos franceses: Oh pá, estes gajos encontram 2 calhaus, põem uns holofotes e umas placas na estrada e armam uma feira! E tinha razão! Faziam uma feira do diacho sobre coisa alguma porque aprenderam com o tempo que dava dinheiro. Nós, mesmo com as coisas boas, nem as placas compramos…
Por falar em placas – também podemos ir por aqui (já que fomos admoestados pela Unesco acerca da falta de placas na região do Douro – património mundial), quem mais fez pela marca Vinho do Porto depois do Sebastião de Melo? Não queres saber que em 250 anos de polÃticos nacionais e regionais que nada fizeram aparece um senhor chamado Mário Ferreira que entendeu que, se calhar não seria má ideia pôr uns barquitos para subir e descer o Douro para mostrar como se vende património? E agora, depois dos barquitos, continua lá a história e de como nos sabe bem sentar numa esplanada à beira rio a ver os turistas a passar e as cavas a abarrotar de gente!
Abraço
Caro Carlos,
Peço desculpa pois talvez tenha sido desagradável na forma como escrevi algo. A minha intenção não era atacar ninguém nem provar que tenho qualquer tipo de razão.
Falou-se de tantas coisas que já não sei qual o tema principal. Mas penso ser o La Féria. Perdoem-me mas eu não gosto e acho muito mau. No entanto é uma empresa de sucesso e acho salutar fazerem-se espectáculos assim.
Há várias companhias a fazerem espectáculos para as escolas. Ficam sempre muito aquém da magia de levar uma criança ao teatro. E infelizmente ainda se faz com muito pouco rigor e qualidade.
Acções de formação: Eu faço muitas. Com professores e alunos e garanto-lhe que o resultado é muito positivo.
O EntreTer e o passatempo era uma alusão a Jorge de Sena e não uma demonstração de etimologia a qual não estou habilitado para a fazer.
- “Eu espero que a arte me desperte emoções mesmo que a razão as não compreenda!” CONCORDO TOTALMENTE
Educação em casa e na escola. Claro que sim. O eterno retorno ao essencial.
O que tento dizer e talvez não me saiba explicar de forma sucinta é, como o Carlos disse, que os gostos se educam e que não devemos ceder tanto ao gosto fácil, seja no paladar, no ouvido, ou em todos os sentidos em simultâneo.
Ou seja, a qualidade não é tão subjectiva quanto parece. Mozart é bom quer se goste ou não. E deve educar-se o ouvido de todos os individuos de forma a um dia gostarem de Mozart. Não é analisar as suas partituras mas deliciarem-se com a genialidade da sua música e as nuances das diferentes interpretações.
Infelizmente dizer que Mozart é bom implica dizer que Quim Barreiros é mau por mais que possa ser divertido e prazeroso para alguém.
Peço desculpa se estou a ser chato ou inconveniente mas esta questão da qualidade mexe comigo.
Não, Rui, é sempre bem vindo e as opiniões, mesmos que diversas, são aqui sempre acolhidas. Pode é acontecer eu não ter tempo para responder a todos como gostaria.
Abraço