Rivoli: cultura de gestão
Para lá da questão do “insuspeito”? processo, a decisão de concessionar a um produtor que, apesar de produzir bem e do agrado das gentes, não programa para além de si próprio, é demasiadamente pobre!
O problema da cultura, estimada Cristina Santos, não se revela em torno de conceitos esteriotipados, se de massas se de local, se elevada ou menos, mas sim na total incapacidade (dos actores culturais, dos poderes locais, dos poderes nacionais) em encontrarem forma de a gerir! Falar de gestão à s pessoas que repetem ad nauseum que a cultura não é para dar dinheiro é apresentar-lhes o diabo feito gente; para os senhores economistas de “economês”? (cuja escola portuguesa produziu em douta abundância sem nunca terem passado pelo mercado de trabalho ou gerido uma empresa privada) falar-lhes de cultura é o mesmo que falar em subsÃdio-dependência! Para esta “missa”?, francamente, já não tenho pachorra - se as pessoas só conseguem ver a preto e branco o melhor é procurarem um oftalmologista que as ajude e, caso o problema revele não ser dessa área, talvez uma sessões de psicanálise possam ajudar.
As produções que o Sr. La Feria tem apresentado com grande qualidade, no género, repito, são o paradigma da itinerância e não da residência. Quem investe o montante que investe e produz com a qualidade que patenteia, deveriam todos os teatros de rede abrir as suas portas e negociar com ele a bilheteira. Ora é precisamente esta visão que falta aos nossos polÃticos nacionais e regionais que deambulam pela estafada discussão entre mais ou menos Estado!
Não há gestores culturais em Portugal! Ninguém pensa que há produções que podem dar rendimento de bilheteira para apoiar outras que são necessárias a uma programação variada e de qualidade.
Pelo facto de os poderes instituÃdos não colocarem gestores à frente dos equipamentos culturais em detrimento de directores artÃsticos ou programadores sem objectivos de rentabilidade dá no que deu no Rivoli, no que se está a dar no Teatro Aveirense e no que se dará, previsão minha para meu desencanto, nas restantes salas deste paÃs!
A cultura deve e tem de ser gerida! A cultura deve e tem de ser gerida como se de um portfólio de bens transaccionáveis se tratasse, e trata! Esse é o erro de concessionar o Rivoli com base em 4 produções anuais, seja ao Sr. La Féria ou a qualquer outro produtor!
Exemplos…, o melhor, que me ocorre assim de repente até é do Porto! Depois da desastrosa gestão que a Porto 2001 colocou na Casa da Música, depois da não menos desastrosa gestão que o Dr. Rui Rio colocou no mesmo projecto, apareceu finalmente um gestor, Alves Monteiro, pela mão de Artur Santos Silva, que em 8 meses conseguiu o que parecia impossÃvel – saber como estava o projecto, apurar o seu custo real, impor um prazo de concretização, estudar e propor a mais adequada forma de gestão (fundação) e nomear um director artÃstico para trabalhar na sua dependência, com Pedro Burmester como seu assistente pessoal! (link)
Definitivamente quando gestores e actores culturais virem que ganham mais aliados do que de costas voltadas poderá ser que os nossos polÃticos mudem, porque para eles o importante são as vitórias imediatas e mediáticas.
tags: Apoio às Artes, Casa da Musica, Cultura, Cultural Management, Culture, Gestão Cultural, Rivoli









Ok Carlos,
Já percebi porque é que me respondeu mostrando os dentes.
O Carlos gosta do género La Féria e acha que tem qualidade. Claro que eu não concordo e seria inutil explicar porquê.
Só lhe pergunto se tem por hábito tentar ver para além da máscara, da maquilhagem, das luzes, do rococó, do truque da ilusão, ou se prefere não pensar nisso pois é mais divertido?
um abraço e parabéns pelo blog.
Não me leve a mal se for aparecendo e comentando.
Rui
Há, seguramente, qualquer falha de comunicação entre nós!
Mostrei os dentes? Onde, Rui? É que não percebo mesmo como pode ter sentido tal constatação!
O Rui não gosta do La Feria e eu também não muito, mas não deixo de reconhecer qualdade no rabalho que apresenta.
Atrás estive de acordo com a T~Regina quando fez a distinção entre aquilo a que nos habituámos a chamar de Cultura e a “Cultura Light” que hoje nos cerca, da qual La Feria faz parte!
Não vejo, portanto, qualquer motivo para o Rui chegar à conclusão que chegou!
Eu prefiro fruir de muitas ouras manifestações antes de assistir a um esectáculo La Feria, mas daà a bani-lo como um proscrito não conte comigo! Dentro do género, exactamente como eu escrevi, ele tem qualidade. Se o Rui não a percebe, paciência, teremos leituras diferentes mas daà não vem mal algum a mundo!
Tenho muito gosto em que aparece quando lhe aprouver e diga o que sente, pedido-lhe o favor de ler, já agora, o que de facto escrevo.
Obrigado pelo comentário
prezado carlos,
vou fazer um esforço para tentar ter a interpretação correcta do que escreve mas nem sempre é fácil pois ao dizermos uma coisa, não dizemos outra e deixamos em aberto outra. é o que verifico, na minha inexperiência bloguista, que se passa nos comentários dos blogs em geral.
Eu acho que dentro do género o cats tem qualidade, o mainstream da broadway tem qualidade, mesmo o off broadway tem qualidade. La Féria tenta imitar. Por vezes escandalosamente, não fosse a maior parte dos portugueses pouco viajados e com poucos espectáculos no bucho e perceberiam os plágios constantes.
É a minha opinião. Respeito a sua e tento aprender com ela.
um abraço,
rui
O trabalho do La Féria não pode ser considerado um qualquer outro tipo de cultura ou inferior ou superior ou de primeira ou de segunda ou light. Existe cultura e entretenimento e está-se a misturar tudo. Tudo é preciso é certo, mas também é certo que o trabalho do La Féria é puro entretenimento, é distracção e até é a continuação do de tido, «teatro de revista», que também não se poderá chamar de teatro… Portanto o que se passa aqui é que se por acaso, conversarem com muitos dos actores (os bons actores ou os que gostariam de evoluir a serem bons actores, com letra maiúscula) do senhor La Féria não gostam do que estão a fazer, não gostam porque aquele trabalho não se trata de Pensar, de Arte e do ArtÃstico, porque todo aquele tipo de espectáculo, é entretenimento, e de passatempo se trata. E todo um «passa tempo» o que faz?… Esquecer para se aguentar a vida sem a questionar, é a obediência cómoda e cega ou seja, o de se ter de ganhar a vida sem a projectar para um futuro que seja benéfico e comum a todos, ou seja, é não pensar! Assim trabalha-se para entreter, para enganar, para enganar os outros, e assim não se gosta do que se faz, isto quanto a mim não é Cultura, com toda a certeza!
Obrigado Alice. Estava a sentir-me sozinho nesta tentativa de separar as à guas, que já vinha de um post anterior do Carlos.
cumprimentos
rui rebelo
não querendo entrar em grande polémica, temos aqui um bom exemplo do que se passa em Portugal, um conceito de cultura elitista que não chega ao povo, que inconscientemente recusa elos de aproximação, que se repugna com La Ferias e com quem assiste aos seus espectáculos… este é o erro que se tem cometido, este nós cá, as pessoas de cultura, eles lá…é uma pena, não perceberem o publico que têm e como lhe podem chegar. mas esta é a minha modestÃiisima opinião. ainda ha dias uma amiga me dizia que se perdem causas neste paÃs porque as pessoas que decidem, os partidos, etc, não entendem que Portugal existe para além das elites. e é verdade. a nossa sina, parece ser sempre a perder:)
Beijos carlos
cumps Rui e Alice
CarÃssima Cristina!
Como pode fazer afirmações de conceitos de cultura elitista ou não elitista sobre o meu comentário?…
Afinal para que servem esses termos (de cultura elitista), é para proteger ou para repudiar, o que tem para aqui a ver, o que cada um pensa ou deixa de pensar a ter de ser imediatamente «rotulado» disto e daquilo e neste caso de «cultura elitista»?
Porque não falar de CULTURA propriamente dita em vez de se andar a misturar tudo e a achar que é possÃvel isto e aquilo, assim, assim e «é assim (dois pontos)»?
Com que direito acha que tem de «rotular» sendo ou não sendo (cultura elitista)?…
E porque é que acha que não chega ao povo?
E porque tem de achar que eu me repugna com La Féria e com quem assiste aos espectáculos? Onde é que eu fiz tal afirmação em meu comentário?
E porque acha que é erro que se tem cometido?
E porque acha que é uma pena não perceberem o quê?
Acha mesmo que está a ser modesta em sua opinião?
Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que eu não apareci aqui a comentar, para tomar partido desta ou daquela pessoa, longe disso, porque para já, tenho a dizer-lhe que sou grande amiga do Carlos e que até nem conheço o Rui!
E segundo aquilo que afirmei em meu comentário, poderá coincidir com a opinião desta ou daquela pessoa, e parece que foi o que aconteceu com o Rui, muito bem, acho isso compreensÃvel e até muito salutar!
Por último e pegando na rotulagem de «cultura elitista». Não me interessa estes termos, nem me identifico com eles. Mas já que pôs a questão nesse prisma, vamos então perceber. O que é uma elite? Uma elite é aquilo que há de melhor num grupo, e que servirá para ser tido como exemplo a ser seguido. Eu em vez de «elites» irei falar de «áreas». Ora um paÃs, para existir um certo equilÃbrio social terá de ter nessa mesma sociedade as suas «áreas culturais», «áreas cientÃficas» e «áreas humanitárias»! Ora a polÃtica, o futebol, o entretenimento e o turismo, estarão sempre incluÃdas na «elite social» que pouco mais poderá oferecer, se só dela fizermos uso e a negligenciarmos todas as outras áreas, e como dizia acontecerão tendencialmente retrocessos económicos e começarão a surgir e a serem diagnosticados problemas gravÃssimos no desenvolvimento da sociedade e desse paÃs. É bom esclarecer que neste momento em Portugal existe uma única elite ou área que tem sido valorizada e que é a «elite social» feita somente de aparências e de poucos ou nenhuns resultados a serem tidos como exemplares! Por isso a Educação está como está!
Tudo é preciso e continuo a afirmá-lo, mas cuidado a pôr tudo no mesmo prato da balança, pode ser perigoso e parece-me que é o que já está a acontecer…
Algo está errado, mas por favor dêem mais atenção e a polémica até existe, não podemos fugir a ela… Vamos mas é, enfrentar todos juntos este problema, procurando mutuamente resolvê-los e não esquecê-los com mais alheamentos e distracções, porque muitos mais problemas surgirão com esta forma de agir… É que como tudo em demasia: « a distracção mata!» Há que pensar a fazer-se um bom uso desse mesmo pensar para se vir a colher os seus belÃssimos e benéficos frutos!…
Com um grande abraço afectuoso para o Carlos
E os meus sinceros cumprimentos ao Rui e à Cristina
Muito obrigada
Alice Valente
Cara Cristina,
justificava eu num post anterior a minha tranquilidade em criticar La Feria. Eu sou co-fundador da companhia de teatro que mais faz itinerância nacional e internacional. Os nossos espectáculos têm muitos prémios e sucesso e podem ser considerados “comerciais” pois têm muita procura, principalmente fora do paÃs. São comédias, logo têm entretenimento à mistura, muito por vezes. Mas é um humor inteligente e não fácil e escatológico. Apelamos ao raciocinio e à imaginação e temos como base o trabalho de actor. Não precisamos de cenário, guarda roupa ou grandes adereços para fazermos a nossa arte. Não utilizamos truques faceis nem vamos buscar ideias a outros como acontece muito na europa comprar encenações que tenham tido sucesso e recrea-las na integra. Aliás, já nos propuseram comprar as nossas e nós não aceitámos.
É dificil fazer entender a alguém que uma coisa não presta quanda esse alguém gosta dessa coisa. Falei noutro comentário em McDonalds pois pareceu-me uma comparação adequada. Gosta-se mas é muito mau. Eu sou fumador e reconheço que o tabaco é muito mau. Ok, La Féria não faz cancro nos pulmões mas mata-nos a possibilidade de elevarmos a nossa fasquia no que respeita ao gosto e compreensão das ditas artes performativas. Mais vale ficar em casa a ver telenovela. É o mesmo principio. E o Filipe sabe disso.
A mim não me repugna nada disto, nem mesmo a novela, nem mesmo a publicidade subliminar, pois não me afectam.
Desde que não incomodem terceiros as pessoas são livres de ver telenovelas, comerem McDonalds, ouvirem Toy e verem La Féria. O problema não é delas. Eu só tento alertar para os perigos de um consumo estandardizado, que possibilita a qulquer empresário, seja de que à rea for, perceber que produto é que vende. E normalmente vende o pior. Eu faço música para publicidade e nunca consegui vender uma que eu considerasse sequer razoável. O cliente não quer. Diz que é bom e o povo não percebe. Querem plástico e básico. A minha mulher faz telenovelas e o nÃvel que é pedido é básico. porquê? porque vende.
Se nós não exigirmos mais qualidade isto vai piorar. E atacar La Feria não é forçosamente defender as companhias que andam perdidas a tentar conquistar o seu público ou a fazerem teatro para o umbigo.
É dificil discutir este assunto em pequenos comentários, mas eu vou tentando enquanto me deixarem.
Alice
longe de mim ofendê-la mas sabe, tenho este defeito- o de não conseguir florear aquilo que quero dizer. modesta, porque me limito a uma opinião que não pode ser fundamentada, como a do Rui, em critérios mais exigentes que obviamente um profissional terá. só posso transmitir o meu sentir, e esse é o de um distanciamento entre o que se defende (não quero dizer que não seja legÃtimo) e o nivel cultural da população a que se destina, a não ser que eu tenha ficado com uma ideia errada do destinatario.
Concordo quando diz que se deve unicamente falar em CULTURA, sendo que cultura é tudo, não discrimino, nem condeno os espectaculos do La Feria, nem novelas, nem qualquer forma de entretenimento. entendo perfeitamente o que diz a Alice e o que defende o Rui, só tenho dúvidas que no contexto da poppulação que temos seja eficaz. já disse anteriormente que acho (será discutivel, mas é a minha opinião) que primeiro se deve captar a atenção das pessoas e só gradualmente lhes ir oferecendo niveis superiores de qualidade, sob pena de intimidar, ou de provocar reações do tipo “não entendo nada daquilo, não vou”. acho que é o pior que pode acontecer, mas quem sou eu…
Rui
“Os nossos espectáculos têm muitos prémios e sucesso e podem ser considerados “comerciaisâ€? pois têm muita procura, principalmente fora do paÃs.”,
“Eu faço música para publicidade e nunca consegui vender uma que eu considerasse sequer razoável. O cliente não quer. Diz que é bom e o povo não percebe.”
é isso, tá a ver o que eu quero dizer?…:)) que é preciso formação, ninguem contesta. que é preciso mobilizar, acho que também não. a nossa diferença, é que eu acho que se pode mobilizar primeiro e depois ir oferecendo melhor.
beijinhos aos dois e um Bom Natal.
Caras Cristina e Alice,
É um prazer discutir estes assuntos civilizadamente e cordialmente mas sem deixarmos de dizer o que pensamos. Eu sou estreante nesta coisa de blogs mas estou a gostar e acho que pode ser bastante frutÃfero.
Cristina “mobilizar primeiro e depois ir oferecendo melhor”, parece-me bem como principio. Na prática o resultado pode ser desastroso. Se habituarmos o público ao fácil e à fraca qualidade, será que ele vai evoluir o seu gosto?
Eu tenho 3 filhos que só comem sopa se forem obrigados. A mais velha, com 10 anos, começa agora a gostar. Será que ela alguma vez gostaria se nunca tivesse comido? Talvez…
Depois, a questão de entregar o Rivoli ao La Féria (empresa cujo objectivo é gerar lucros) parece-me tão estranha quanto entregar o S. João à TVI para fazer musicais Morangos com Açucar.
Um grande beijinho e tudo de bom para as duas.
carlos a.a., os melhores votos de saúde e paz para ti e para o teu clã. Caloroso abraço T-RegÃnico
Faz um gajo 600km para comer uma bacalhoada com a famelga e quando chega ao destino, pede um computador emprestado por um bocadito, e vê que o seu blogue foi atacado por gente que o elevou mais que os tais km que percorri!
Agradeço a todos, Rui, Ali_SE, Cristina, T-Regina, porque me fazerem acreditar que vale a pena ter um blogue (coisa de que duvido muitas vezes).
Acontece é que já estou salivando para o bacalhuço e o dono do computador não permite que eu gaste aqui muito tempo…
Mas não perdem pela demora, entre o Natal e o Ano Novo dar-vos-ei o troco - é que, apesar de respeitador de todos e amigo de alguns de vocês, não estou de acordo, na globalidade, com nenhum, mas o que vos desejo, mesmo sentidamente, é um Feliz Natal!
Muito obrigado a todos.
ps: este assunto, através dos vossos comentários, virá novamente para mote do Ideias Soltas, para não se perder este “calorzinho” que aqui se gerou, tão necessário nestes frios dias que correm.
fico à espera Carlos,
Bom bacalhau e tudo de bom para si e para os seus.
um abraço,
Rui Rebelo
hã???
“este assunto, através dos vossos comentários, virá novamente para mote do Ideias Soltas..”
nãããããããoooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! :((
beijinhos, bebe uns copos por mim..
Muito bem! MUITO BEM!!!! … continuaremos então…
(Mas Carlos, sabes como estou nestas minhas mudanças, verei como conseguirei com tempo dar respostas a tudo…)
Assim agora e para Todos, os desejos de umas festas cheias de muita alegria e em grande, grande felicidade!
Com muitos beijinhos de Alice
até sempre!…