do aborto, novamente
Tem a Lolita toda a razão, em Equívocos e manifestos, quando afirma que o que está em jogo em relação ao aborto é a questão de saúde pública!
No entanto, ao afirmar mais à frente que, sendo uma questão de saúde pública da mulher, o homem não é para o caso chamado, a pergunta a referendar não poderia ser a que é, nem a referendar deveria ir, pois só as mulheres deveriam poder pronunciar-se.
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Eu já estou cansado tanto dos argumentos do sim como do não. Decidi então brincar com a situação no anacruses. talvez no meio do humor saiam questões sérias.
abraço rui
Fez muito bem, Rui. Já lá fui visitar.
Mas há quem pense que é uma questão de mulheres para mulheres. É que assim já se justificará o nível (previsível) da abstenção…
LB, há que discernir o que é que está em causa, se:
1 - a liberalização:
2 - a despenalização das mulheres;
3 - resolver um problema de saúde pública;
4 - se de todos combinados.
Se for só o primeiro eu votaria não; se fosse só o 2º eu votaria sim; no 3º sim, também.
Agora se se combinem todos o motivo da liberalização pura e simples fere-me demasiadamente não pelos argumentos de se há vida ou não (são tolos, é só ler o texto da Lolita).
Parece-me, contudo, que o que está em causa na sociedade são os últimos dois quesitos - a despenalização e a saúde pública - e assim sendo acho completamente absurdo que este assunto vá a referendo, uma vez que a despenalização é um acto político-jurídico que deveria ser resolvido na Assembleia da República, enquanto que o problema muito grave de saúde pública deveria ser resolvido pelo governo.
No fundo, a IGV vai a referendo porque os partidos políticos não tiveram coragem de manifestar a sua intenção nos programas eleitorais ou, no caso do PS, refugiaram-se no compromisso de um novo referendo para anular o anterior e, por outro lado, nem ousaram enfrentar a ordem dos médicos, responsável para que a lei em vigor não tenha tido aplicação prática nos hospitais públicos.
Por último, a pergunta que irá ser objecto de referendo é absolutamente inapropriada para o que se pretende - a despenalização das mulheres, o acesso aos serviços de saúde públicos de quem pretende abortar.
Muito obrigado pelo comentário.