Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Contrariando a tendência que se constata em quase toda a Europa, excluindo França donde teimamos decalcar, o governo ensaia na comunicação social a ideia de prolongar o professor único até ao 6º ano.

«Segundo Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, o que se quer evitar é que, do quarto para o quinto ano, os alunos passem de um professor para dez, amenizando a transição curricular das crianças, algo que tem sido uma das críticas mais frequentes feitas por outros sistemas educativos europeus ao sistema português.» (Público)

Amenizar a transição curricular das crianças é um objectivo salutar mas, enquanto na Europa se caminha para, desde o 1º ano, os alunos terem professores por disciplina e horário semanal fixo para cada uma (bastaria o Sr Secretário de Estado ir ao Colégio Alemão, por exemplo), por cá a via é cortar ao n.º de professores, implicando uma redução assustadora da qualidade do ensino prestado, já que a especialização individual e o trabalho de equipa são um caminho sem retorno no que ao conhecimento diz respeito.
Francamente, acho que esta ideia cairá por ela própria sob pena de regredirmos dezenas de anos, mas espero que os sindicatos, em vez de se porem aos berros contra a redução de professores que a medida implica, abordem o assunto pelo lado da preservação e incremento da qualidade do ensino nas escolas, desde o 1º ano!
Esta ideia é das tais que nem a um guarda-livros lembraria!

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  1. cap Said,

    Está visto há já muito tempo que, quanto a este secretário de estado em particular, o ridículo não mata. Já quase nem faz sorrir…

    O corte na despesa e na qualidade do saber são bem evidentes nesta proposta. Então agora que no 1º ciclo os alunos já lidam metade do dia com mais três ou quatro professores (daqueles que tanto recebem 5 como 20 euros à hora, dependendo de…) é que se lembram do choque?

  2. JN Said,

    «Amenizar a transição curricular das crianças» não será aqui o objectivo.
    É apenas mais um exemplo da gestão à «contabilista» deste governo. Um só professor até ao 6ºano deve representar uma redução da despesa na educação, claro.
    É de todo o interesse que uma criança tenha desde cedo contacto com vários professores, leccionado diferentes assuntos; algo assim só poderá enriquecer o seu património de conhecimento… mas, claro, tal representa um acréscimo na despesa com a educação…
    E num país que não sabe distinguir os termos «despesa» e «investimento», não se pode fazer muito!

    Os meu cumprimentos

  3. carlos a.a. Said,

    É verdade, Cap, que no 1º ciclo os alunos beneficiam do saber de vários professores, mas naquelas disciplinas que persistem que sejam tratadas como ‘menores’!
    O que me parece é que a intenção será mesmo a de, sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino, colocar alguns professores no quadro de excedentários para depois os contratarem à peça e sem vínculo, transitando a despesa para as Câmaras.
    Isto é inadmissível!

    É claro, JN, a preocupação é aliviar o quadro de professores, gastar menos e o resto e de resto nada mais interessará à luminária que disto se lembrou.

  4. João Norte Said,

    Eles querem lá saber da qualidade! São grunhos!

  5. Susana Serrano Said,

    Pois é! As razões de tanta falta de tacto político são para mim de todo desconhecidas; não consigo entender como coisas destas saem cá para, como quem atira o barro à parede, a ver se cola!
    É uma absoluta irresponsabilidade ministerial!
    Durante os últimos 20 anos investiram nas ESEs, em cursos semi-especialistas, de má qualidade geral, para cobrir o 2º ciclo essencialmente e dar formação “mais credível” aos professores do 1º ciclo, deixando mais uma vez “as disciplinas artísticas, menores” de fora do currículo. É verdade, estas últimas, pagas a recibo verde agora e dadas como actividades extra-curriculares, estão na lei, no currículo do 1º ciclo há já muitos anos.Na realidade só o Inglês ainda não fazia parte do currículo do 1º ciclo, era só intenção.
    Os resultados do investimento nas ESEs são também muito contraditórios e ainda não foram nem analisados, nem investigados e muito menos avaliados seriamente, assim como tudo neste ME que temos; como tal parte-se para outra mudança. Acho que a maioria das pessoas não acredita nisso e os sindicatos mais uma vez vão pegar no assunto pelo único lado que não deviam.
    Pela minha parte vou tentar, com alguns colegas de escola, que esta última, a escola onde trabalho, tome uma posição pública sobre o assunto, a ver se outras o fazem, por motivos éticos e profissionais.

  6. carlos a.a. Said,

    Não diria melhor, João Norte!

    Pois é Susana, para além de evidenciar o que eu disse tocas numa ferida que eu não ousei - a das ESE’s!
    Mas, nem de propósito, se não ousei vou ousar agora e parte do teu comentário vai passar para post.
    Beijinho

  7. Professor Único - mais dados at Ideias Soltas Said,

    [...] Ainda sobre o PU (utilizando a sigla da Jacky) há um aspecto que neste post não foquei, mas que não passou despercebido à Susana Serrano num comentário - as ESE’s! Transcrevo parte dele: [...]

  8. helena pestana Said,

    Se o número de horas lectivas por turma se mantiver, como é que isto reduz o número de professores? É claro que isto não significa que não esteja de acordo com o restante que é dito no post.

  9. carlos a.a. Said,

    Estimada Helena Pestana

    A minha principal preocupação, indignação é mais adequado, é a redução drástica da qualidade do ensino e não a redução do nº de professores.
    No entanto, a avançarem com a ideia, haverá uma redução assinalável nos 5º e 6º anos, pois deixará de haver 1 professor por disciplina para haver um, o chamado professor tutor, que leccionará várias matérias à semelhança do ensino básico.
    Muito obrigado pelo comentário.

  10. manuel francisco Said,

    O Valter Lemos é um serventuário ‘vulgaris de Lineu’, um lacaio muito curto do seu próprio videirismo. Grunho é pouco, meus caros, o tipo é definitivamente um desvairadinho. Leiam o semanário ‘Sol, conjugadamente com o ‘Expresso’ (edições de 3/3/07). Mais, ele vem da direcção de uma ESE, lembrem-se, e sonha, o coitado, ser ministro.

  11. Carlos a.a. Said,

    Manuel Francisco
    Talvez ainda melhor que o Sol e o Expresso ver a entrevista ao Jornal de Letras de Fevereiro! Aí fica bem à vista que o objectivo de Valtar Lemos é dar que fazer às ESE’s!
    Obrigado pelo comentário.

  12. Ensino Artístico - a dimensão da monstruosidade | Ideias Soltas Said,

    [...] partirá este poderoso “lobbie” que se funda numa insana caminhada em direcção ao Professor Único no Ensino Básico, no estudo de Avaliação do Ensino Artístico, na Conferência Nacional da Educação Artística e [...]

  13. Fusão do 1º e 2º ciclos | Ideias Soltas Said,

    [...] que Valter Lemos (ver Professor Único) profetizou sobre o ‘Professor Único’ (ver) e que a Ministra da Educação anunciou o [...]

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