Numa das edições do Público da semana passada, Emmanuel Nunes, sobre a ópera que lhe foi encomendada pelo S. Carlos, declarou que a sua encomenda não estaria concluída por decisão de Paoço Pinamonti, director do Teatro Nacional de S. Carlos.
Tendo eu o maior respeito pelo compositor, devo lamentar este tipo de declarações, colocando-me ao lado do que o Henrique Silveira escreveu a este propósito aqui e aqui.
Registando o facto de Henrique Silveira ter citado Stockhausen para menosprezar Emmanuel Nunes desconhecendo, talvez, o calvário por que este passou para entrar para professor do Conservatório Nacinal Superior de Paris onde, em vários concursos públicos, foi absurdamente afastado em benefício dos pupilozitos de Stockhausen, então muito em voga, devo dizer que, considerando que se conquista o respeito pela rectidão de carácter, não tem obtido Emmanuel Nunes pela palavra o que obteve, justamente, pela música que compôs.
Neste embróglio, ao que parece, não andará bem o Secretário de Estado Mário Vieira de Carvalho ao permitir tudo, ou quase tudo, a Emmanuel Nunes quando, aparentemente, não terá cedido com esta complacência aos mimos, muito mais fáceis de afagar, de Maria João Pires e do seu projecto de Belgais, projecto muito mais relevante para o país do que uma ópera de Emmanuel Nunes.
Tags: Belgais, Compositores Portugueses, Emmanuel Nunes, ideias, Ideias Soltas, Maria João Pires, Mário Vieira de Carvalho, Música, Música Clássica, Music, Pinamonti, Stockhausen, Teatro Nacional São Carlos






















Quando sei destas coisas até fico com comichão nos dentes! São tão pouco acarinhados uns e tão beneficiados outros, uns são filhos da mão e outros…bem os outros não são!
Belgais, em termos de projecto era fantástico na prática não o foi. Maria João Pires já prestou contas da má gestão? Alguém se preocupou em saber como era o dia a dia das crianças? Se tudo era tão “bonito” como parecia? Enfim…às vezes penso que temos memso o país que merecemos. Hoje estou um bocado azeda, desculpe se se nota.
Abraço
Não tem importância nenhuma o tal azedume, pois nem se nota.
Em relação ao projecto Belgais, devo dizer que foi das coisas mais bonitas em música que vi ocorrer em Portugal. Não só a Escola da Mata, mas a residência, o ambiente dos concertos, tudo era excepcionalmente aprazível e informal.
A gestão, pois, se a Maria João Pires prestou contas dos financiamentos, pois, pois se calhar poderia ser esse a tal complacência que faltou e arranjar alguém que a ajudasse nesse assunto que, estou certo, não dominava de todo!
Muito obrigado pelo comentário, Gi.
Caro Carlos, estando ou não de acordo com as suas posições e as do sr. Henrique Silveira sobre a problemática da ópera de Emmanuel Nunes, há umas pequenas coisas no meio de toda esta discussão que me aborrecem profundamente. Em primeiro lugar um Silveira qualquer dar como título a um texto “Emmanuel o Aldrabão”, é tão simples insultar os outros sabendo que ninguém pode vasculhar a nossa vida privada, para, quem sabe, lhe poder responder na mesma moeda. Em segundo lugar, a ignorância do bicho é de bradar aos céus, pois se não sabia as dificuldades de Nunes em entrar no Conservatório de Paris, também não sabe de certeza os problemas que Nunes teve enquanto aluno de Stockhausen devido à sua deficiência física, o que diz bem do carácter do senhor que ele tanto tem em consideração. Se por acaso sabia destas 2 situações, então o Silveira é aldrabão por as ter omitido no seu texto.E se calhar o Silveira nunca ouviu 2 minutos de Stockhausen na vida…nem do Nunes. E se por acaso ouviu ou faz de conta que ouviu, informo-o que Stockhausen bem pode limpar as mãos à parede de certas obras que tem composto nas últimas duas décadas, e digo-lhe isto tendo na minha estante cerca de 50 CD´s do compositor em questão. Talvez a idade não perdoe mesmo…mas tendo isso em conta, e o feitio execrável do senhor nunca poderei pôr em causa a sua grandeza como compositor, um dos maiores de toda a História da Música, assim como nunca poderei pôr em causa a grandeza de um Céline, sem dúvida um dos grandes escritores do séc. XX, apesar da história da sua vida ter contornos tenebrosos.
Pois é Sr. Silveira…é por causa de gente como você que este país é e continuará a ser a cloaca da Europa.
Fica a nota, estimado Miguel. Como compreenderá abster-me-ei de comentar.