Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Fevereiro, 2007

Subscrevo na íntegra a solicitação do HVA no desNorte que com humor expõe o ridículo da programação da Casa da Música para 2007 bem como a impensável qualidade da estrutura e da informação do respectivo site.
Ai Alves Monteiro, que saudades…

João Paulo Esteves da Silva

Memórias de Quem é o trabalho já gravado e brevemente editado que João Paulo Esteves da Silva apresenta hoje, às 21:30h, no grande auditório da Culturgest.
É curioso que o João Paulo, um dos excelentes pianistas portugueses, aluno brilhante do Conservatório Nacional, credor de vários prémios em Paris, aclamado em várias salas da Europa e EEUU, seja ainda pouco conhecido e reconhecido pelos meios e meandros jazzísticos nacionais. É certo que fez a escola clássica, é certo que hesitou sobre o género de música a que se dedicaria mas, depois de incorporar que o seu caminho se situaria algures entre a música portuguesa e o jazz, o que falta para que o coloquemos no plano que merece? Será que terá de passar pelo beija-mão ao Hot para a sua excelência ser assumida?
Não será necessário percorrer toda a sua biografia, deveria bastar a Roda, les suites portugaises para reconhecermos o seu génio enquanto compositor, pianista e improvisador mas, hélas, não pertence ao clã do Hot!
É um outsider, felizmente, mas quem gosta de música e de bons músicos e não se interessa por capelas vá ouvi-lo, ficará a ganhar!

Os projectos de Educação para a Saúde, que incluem a educação sexual obrigatória, vão ser desenvolvidos em cada escola do 2º e 3º ciclos por um professor coordenador nomeado pelos conselhos executivos (…) (Portugal Diário)

Vou informar-me se o meu currículo sexual dá para meter uma cunha às Câmaras e aos Conselhos Executivos tal como aconteceu com os professores do enriquecimento curricular do 1º ciclo.
Tomem as gotas, pá, da-se!

Há uma antipatia generalizada pelo cinema nacional e muito poucas pessoas vão ver filmes portugueses, criando dificuldades acrescidas aos cineastas deste país (Miguel Gonçalves Mendes à SIC)

A culpa é do público, claro, que não agradece nem corresponde à excelência que os cineastas lhe têm abnegadamente ofertado.

A greve de fome será para manter até eu cair para o lado (…) afirma o líder da concelhia de Arcos de Valdevez que entrou em greve de fome devido ao encerramento do SAP local.

Os Estados Unidos pediram hoje ao Sudão para este cooperar com o Tribunal Penal Internacional (…) (Público)

Então os EEUU não aceitam que o TPI julgue nenhum dos seus compatriotas, mas aconselham os outros países a cooperar com ele?

Qual é o modelo que defende em termos de gestão das escolas?

Estamos ainda a trabalhar na proposta. Temos que trabalhar com os conselhos executivos e com a Associação Nacional de Municípios. Mas aquilo que me parece crítico no actual modelo de gestão é a abertura da escola ao exterior. A gestão quotidiana da escola tem dois eixos críticos. Em primeiro lugar, a escola deve permitir uma efectiva participação das comunidades educativas locais, ou seja, de associações de pais, de instituições de proximidade, das autarquias. O segundo eixo é o funcionamento dos órgãos intermédios de gestão. O estatuto vem ajudar a tornar mais efectivo o trabalho desses órgãos. Mas esse facto deve ter consequências no diploma de gestão e autonomia, com uma responsabilização diferente destes órgãos e com a designação dos seus responsáveis de modo diferente. (entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues a Ensino Magazine em Fevereiro de 2007)

Sra Ministra, estas suas palavras não fazem sentido algum nem alcance têm enquanto não enraizar os alicerces organizacionais do sistema educativo conforme escrevi, nomeadamente ao que à gestão escolar diz respeito e que reafirmo:

1 – responsabilizar civilmente os pais pela educação dos seus filhos através do Código Civil, dentro do âmbito dos deveres da paternidade e com penas aplicáveis;

2 – acabar com os conselhos directivos eleitos (resquícios do PREC) e contratar, por concursos público, directores aos quais estejam atribuídos objectivos específicos e quantificáveis para a escola em causa tendo, para o efeito, autonomia para contratar quem bem entenderem para a direcção pedagógica que deverá fazer parte de um conselho composto por representantes eleitos dos professores, dos pais e da comunidade;

3 – exames nacionais nos 4º, 6º, 9º e 12º anos a todas as disciplinas e, anualmente, provas globais internas a todas as disciplinas, corrigidas cegamente;

4 – cada professor deve ter objectivos particulares por classe a cumprir, acordados entre ele e o director, perante os quais, e apenas por eles, deverá ser avaliado anualmente, contribuindo, assim, para o cumprimento dos objectivos gerais do director, i.e., da escola.

Basta de palavras avulsas sobre revisões de estatutos de carreira docente, sobre tlebs sim, tlebs não, sobre educação artística como opção de ‘enriquecimento curricular’, de Educação para a saúde obrigatória!
Basta minha senhora!
Tudo quanto possa dizer ou fazer sem estes prévios passos não passa de demagogia, nem em nada melhora a qualidade do ensino prestado!

O Governo manifestamente encravou em matéria de política educativa e um dos sinais é a gestão das escolas, onde não há evolução no modelo”, disse o dirigente democrata-cristão, que defende um modelo de “escolas capazes de desenvolver o seu próprio projecto educativo e a sua autonomia (Ribeiro e Castro via Público)

Às vezes fico com a impressão de que os blogues servem para alguma coisa. Mas é muito pouco às vezes…

Isso seria ouro sobre azul, Tiago A. Fernandes, embora duvide que ele aceitasse!
Basta recuarmos um pouco para vermos que de há uns anos a esta parte Artur Santos Silva evita, por uma questão de dedicar-se mais à vida pessoal, suponho, assumir funções de elevada responsabilidade executiva. Não obstante, não tem deixado enquanto cidadão de indicar as pessoas certas para os lugares certos, podendo talvez tentar formar-se um movimento encabeçado por ele, onde se possam incluir as pessoas que considera mais adequadas para levar a cabo a revitalização do Porto e da região que representa.

Tem a nossa memória o condão não só de recordar como de profanar o tempo ao recolocar-nos em vivências passadas sem tempo que as apague.
Vem isto a propósito do Firth of the Firth dos Genesis que, apesar de cortado e com péssimo som, aqui coloco com dedicatória especial para o Ricardo, o Quico, a Susana e a Malú com quem o convivi intensamente.

o La Femme d’à Coté que passou ontem na 2:!

La Femme d'à Coté

Revê-lo-ei hoje, com calma, com o mesmo prazer de sempre e lembrando a cumplicidade - Fanny Ardant, Dépardieu e Truffaut!
Ah.., acho que não cansarei nunca!

Miso Ensemble - Improvisations

Miso Ensemble - Electricity +Alain Neveux e o fagotista Robert Glassburner juntam-se amanhã, Sábado, pelas 21:30h, ao Miso Ensemble no Teatro Municipal da Guarda onde serão apresentados os 2 últimos trabalhos desta formação: Miso Ensemble Volume III - Improvisations e Miso Ensemble Volume IV - Electricity +.
Paula e Miguel Azguime, os membros do Miso Ensemble, são quem mais tem feito em Portugal pela divulgação da música electroacústica e da música contemporânea portuguesa, em geral (veja-se o sítio da Miso Music Portugal), mas a vinda de Alain Neveux a Portugal justifica, só por si, uma viagem até à Guarda.
Alain Neveux, personagem algo tímida e pouco dada à sua promoção pessoal, é um dos mais brilhantes pianistas da actualidade no panorama da música contemporânea, sendo responsável por um CD da Accord onde encontro as mais bem conseguidas interpretações de 3 Stücke, op. 11, 6 Kleine Klavierstücke, op. 19, 5 Stücke, op. 23, da Suite, op. 25 e das 2 Stücke, op. 33a & 33b de Schöenberg, da Sonata op.1 de Alban Berg e das Variations op. 27 de Anton Webern, conforme tive já ocasião de divulgar.
Vale a pena ir à Guarda amanhã!

Zeca Afonso
fotografia tratada por Dionísio Leitão

Balada do Outono

Águas
E pedras do rio
Meu sono vazio
Não vão
Acordar

Águas
Das fontes
calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Águas
Do rio correndo
Poentes morrendo
P’ras bandas do mar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto
A cantar

Canção de Embalar

Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d’alva o seu fulgor

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

É fácil, barato e dá.., vende, não escandaliza, será poético ou pitoresco, o destino, talvez, ou o fado, sim, é isso, o fado…
Ninguém se escandaliza com isto
GDP Nuts 2004 - Eurostat
mas riem, fazem jacota, reduzem ao ridículo a atitude de João Jardim sem cuidar sequer de saber se haverá ou não razões para que alguém se indigne contra o polvo do centralismo.
Não precisarei de dizer que não sou fã de Jardim, mas mais ridículo que esse governante eleito serão aqueles também eleitos e todos que com eles se acomodam que reduziram o país a Lisboa, alheando-se ou escarnecendo daqueles que, não prestando vassalagem ao poder central, porventura sobressaem ou mostram serviço!
Há dias fiz referência a um excelente texto do André Moura e Cunha a este propósito, mas o que melhor ilustra esta nova boçalidade centralista é o desdém e contundente ostracização que os aparelhos partidários, os meios de comunicação, blogues e quase todos quantos em Lisboa se sustentam, devotam a quem, por outras paragens, prestou serviço às populações sem cuidar de ir ao beija-mão - Narciso Miranda, Luís Filipe Meneses, Abílio Fernandes, Fernando Gomes e outros. Estes senhores nunca foram condenados em processos judiciais que decorressem da sua actividade política, mas sobre eles fazem recair, continuada e despudoradamente, um manto de suspeição absolutamente serôdio!
Olhem para o que esse quadro quer dizer, olhem para os investimentos do Estado em benefício de Lisboa (basta OTA e TGV, não se percam em mais contas), olhem para o que têm permitido que aconteça a este país!
Não tem havido haverá consequências para além da publicação destas vergonhas, mas não esperem vassalagem nem acomodação para sempre das gentes que têm, boçalmente, prejudicado ou permitido.
Eu não me sinto representado por nenhum governo central! É tempo de acordarmos o país para a discriminação a que estão votadas todas as regiões fora da área metropolitana de Lisboa!

Quando assistimos a um bom espectáculo ninguém ficará defraudado!
Duas notas: o Paulo Assunção jogou para cacete, bem melhor que o seu ídolo Makelele; não percebo a insistência num Lucho abúlico com o Ibson no banco ou na bancada.
De resto o resultado é mau para o Porto, mas justo, nada a dizer.


Deixo-vos com Cecil Taylor (que saudade!!!) a solo durante uns dias que estarei fora.

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, defendeu hoje no Parlamento que as provas globais do 9º ano são dispensáveis porque não têm efeitos práticos na avaliação dos alunos, mas escusou-se a adiantar se estas serão substituídas por exames nacionais. (Público)

Há já uns dias que circulava a informação, há tantos quantos a outra que a Sra. Ministra se recusou a responder - o fim dos exames nacionais do 3º ciclo, o 9º ano.
Finou-se aquela réstia de esperança que alimentava, Sra. Ministra da Educação, a de que no fundo a senhora tinha boas intenções. A Senhora vergou-se, por completo, à pressão do sucesso escolar, ou melhor dizendo, do facilitismo que implica que haja passagens para a estatística sem o equivalente conhecimento.
A Senhora encetou reformas quando, muito antes delas, deveria ter começado por aquilo a que chamei de alicerces - a reorganização administrativa e de gestão do sistema educativo.
Das duas uma, ou a senhora andou a enganar o país desde o início, ou terá sido pressionada para abdicar do que inicialmente almejava!
Seja qual for a hipótese verdadeira só lhe resta uma saída honrosa - a demissão!

Violoncelo de Guilhermina Suggia sobre hoje ao palco da Casa da Música
O violoncelo Montagnana que pertenceu a Guilhermina Suggia, uma das maiores figuras da música portuguesa, vai ser utilizado domingo pelo solista José Augusto Pereira de Sousa, num concerto na Casa da Música (CdM), Porto, foi hoje anunciado. (Público)

Ele há gente que constrói, assim, de forma profundamente sustentada e enraizada, uma sólida e expressiva e promissora carreira…

A ciência demostrou-nos o que é vida e quando começa, mas não consegue sossegar-nos quanto ao seu fim. Na morte, dizem, é o que vemos, vergados ao choque, prenúncio de uma saudade dolorosa cuja bruma só o tempo se encarregará de esbater, até conseguirmos lembrar e reviver os bons momentos que passámos com quem partiu.
Sim, eu sei, eu sei que e quando morremos, sim, eu sei, mas também sei que enquanto eu memória tiver não há exacta ciência que mate quem nela continua em mim a viver.
Um abraço.

Alice Valente AlvesA Alice Valente Alves habituou-nos a fundir a poesia com a ‘imagem’ na sua arte: na fotografia, na pintura e, agora, no desenho.
Uma das temáticas que mais aborda é a do acto de criar, sendo que defende (e disso está convicta) que tudo parte de uma imagem, de uma imagem que a assalta como percepção do que na vida vai sentindo.
Ora, se tudo é imagem, Alice, como é que todas crias, transformas e fundes com a poesia, a arte, não da imagem, mas a de abrir as fronteiras do paradoxo de imagens e sensações que nos outros despertarás?

ler a este propósito o que o André Moura e Cunha escreveu no In Absentia.
Não podia estar mais de acordo! O provincianismo que vivi no Porto nos anos 60 e princípios de 70 evoluiu para a boçalidade de um centralismo cego e feroz que agita, mediaticamente, as almas contra o demo da província!

Três posts onde se reproduzem excertos de discursos de Marcelo Caetano que merecem ser lidos no Dragoscópio (este, este e este) para nos ajudar a entender o que é isso de esquerda/direita ou se isso quis ou ainda quererá dizer alguma coisa.




ps: ajustar o volume para cerca de 3/4 do máximo.

sim, partilhar sensações que o belo nos desperta, é uma forma de estar, de amar, de viver…, La phrase qui coule!




ps: ajustar o volume para cerca de 3/4 do máximo.

Ära peida
Ära peida oma pilku - vaata mulle otsa

Há dias assim…, há dias que, por desconhecido sortilégio, a arte mostra-nos o que já olhamos e não vimos…, e não sentimos…

Pode até parecer brincadeira o facto do Anarca disponibilizar o seu podcast a quem o pretender, mas o certo é que, montar um com a diversidade e qualidade do iFónix, leva tempo, dinheiro e, principalmente, requer conhecimento e bom gosto que não estará ao alcance de todos.
Portanto, quem quiser boa música prontinha a consumir é só pedir-lhe.

Tanta gente a tirar conclusões e ninguém tem a humildade de ver os sinais…: este sismo foi o mais real balanço que podia ter sido feito!

e noutros distritos do sul do país.
Ah, então foi isso!

que me abanou a cadeira, e os pés e os ossos, pá, nem sei que lhe faço!

mas não, DDD, há gente comó camandro que ainda está a reflectir em tudo quanto é canal de televisão!
Continuo com o Richter e o Ravel aí abaixo.