É fácil, barato e dá.., vende, não escandaliza, será poético ou pitoresco, o destino, talvez, ou o fado, sim, é isso, o fado…
Ninguém se escandaliza com isto
GDP Nuts 2004 - Eurostat
mas riem, fazem jacota, reduzem ao ridículo a atitude de João Jardim sem cuidar sequer de saber se haverá ou não razões para que alguém se indigne contra o polvo do centralismo.
Não precisarei de dizer que não sou fã de Jardim, mas mais ridículo que esse governante eleito serão aqueles também eleitos e todos que com eles se acomodam que reduziram o país a Lisboa, alheando-se ou escarnecendo daqueles que, não prestando vassalagem ao poder central, porventura sobressaem ou mostram serviço!
Há dias fiz referência a um excelente texto do André Moura e Cunha a este propósito, mas o que melhor ilustra esta nova boçalidade centralista é o desdém e contundente ostracização que os aparelhos partidários, os meios de comunicação, blogues e quase todos quantos em Lisboa se sustentam, devotam a quem, por outras paragens, prestou serviço às populações sem cuidar de ir ao beija-mão – Narciso Miranda, Luís Filipe Meneses, Abílio Fernandes, Fernando Gomes e outros. Estes senhores nunca foram condenados em processos judiciais que decorressem da sua actividade política, mas sobre eles fazem recair, continuada e despudoradamente, um manto de suspeição absolutamente serôdio!
Olhem para o que esse quadro quer dizer, olhem para os investimentos do Estado em benefício de Lisboa (basta OTA e TGV, não se percam em mais contas), olhem para o que têm permitido que aconteça a este país!
Não tem havido haverá consequências para além da publicação destas vergonhas, mas não esperem vassalagem nem acomodação para sempre das gentes que têm, boçalmente, prejudicado ou permitido.
Eu não me sinto representado por nenhum governo central! É tempo de acordarmos o país para a discriminação a que estão votadas todas as regiões fora da área metropolitana de Lisboa!


Tags: , , , , , , ,

Textos Relacionados:


7 Respostas to “Lisboetização e João Jardim”

Comentários (7)
  1. E quando o Alberto João tem razão (e muita), mal vai a coisa!

  2. @Quintanilha

    Fico sempre esmagado quando alguém argumenta de forma tão eloquente. Juro que quase me senti vergado ao poder do ponto de exclamação que você colocou de forma tão precisa – mesmo no final da frase. No entanto, como sou teimoso desde pequenino, tão teimoso que me obrigo a mim mesmo a tentar compreender o ponto de vista mesmo daqueles de quem não gosto (como é o caso do Jardim), gostaria de replicar.

    Disparate é isto: http://o-condominio.blogspot.com/2007/02/psd-dois-pesos-e-duas-medidas-ou.html

    Comparar a situação da Câmara de Lisboa, com o que se está a passar na Madeira? Por favor! Isso sim é um disparate!

    Na minha óptica, a questão é simples: Na perspectiva do estado centralista, a Madeira já se desenvolveu o suficiente! Simples! Se tivesse aplicado mal os apoios que recebeu, como tantas outras regiões continuam a fazer, poderia continuar a ser apoiada.

    Cheguei a ouvir algures da boca de um socialista proeminente: “A Madeira já é a segunda região mais rica do pais, portanto não faz sentido continuar a apoiá-la!�

    Sabe qual é a primeira? A mais rica? Pois… essa mesmo! Mas em relação à primeira… recebe, e recebe, e recebe… e todos se calam!

    Já agora, o crescimento do PIB per capita na Madeira processou-se assim:

    1995 – 97% 1996 – 98% – 1997 – 104% 1998 – 109% 1999 – 110% 2000 – 119%… e por ai adiante.

    Diga lá se não há algum trabalho, mesmo que com muito espalhafato e alguma trafulhice à mistura ? Pena é que, na maioria do território do “contenante”, ALENTEJO INCLUIDO, nos fiquemos apenas pelo espalhafato educado e, principalmente, pela trafulhice sem vergonha!

    Cumprimentos

  3. carlos a.a. diz:

    Estimado Kicker

    Vou tentando, às vezes com alguma rispidez, é certo, despartizarizar os assuntos e a reflexão. Aliás, quando olhamos para trás, é fácil de constatar que muito do que vai mal tem origem precisamente nos aparelhos partidários, de forma geral, do ‘centralismo democrático’ que organicamente os une!
    Os partidos não têm hoje, todos juntos, mais de centena e meia de filiados que deles precisam para viver e que veneram todo e qualquer líder que garanta as suas posições aparelhísticas, tendo como consequência o cada vez vez mais notório divórcio com a sociedade civil, comprovado pela abstenção.
    Mas é curioso que a abstenção não os atrapalha! Na sua cegueira e avidez de poderezitos e mordomias avançam sobre ela, culpam os cidadãos por não quererem saber deles e arrumam o assunto, uma vez que ocuparam todos os lugares mesmo que a abstenção os não tenha eleito! Não enxergam a sua inutilidade, o princípio, afinal, do seu fim!
    Voltando ao caso que tratámos, o da ‘lisboetização’ (expressão roubada ao André Moura e Cunha), o problema não será a atitude de João Jardim, mas o facto de, apesar da Madeira ser a 2ª Nut mais próspera de Portugal, mas antes o que o populismo e a demagogia poderão vir a fazer a Portugal se se permite que ela se desenvolva sustentada na razão!
    Os diversos governos que têm passado pelo Terreiro do Paço têm sido, todos eles, resposáveis pelo empobrecimento de país fora de Lisboa e, se não inverterem a tendência, poderemos cair nas mãos de um qualquer tirano que se aproveite desta escandalosa discriminação territorial.
    Estes são os perigos – o divórcio entre os partidos e a sociedade civil e a criação, por consequência, de uma situação que favoreça o aparecimento de tiranos ’salvadores’ – uma situação muito idêntica, aliás, à da América Latina, onde os Pinochets e os Hugo Chavez são vistos como heróis!

    Estimado Quintanilha
    Vou tentar seguir a sua sugestão. Prometo.

  4. “…uma situação que favoreça o aparecimento de tiranos ’salvadores’…”

    Eu não iria tão longe, mas a algum lado chegaremos!

    Cumprimentos e bom fim-de-semana

  5. carlos a.a. diz:

    Eu também não gostaria de ir tão longe, Kicker, mas a moldura está pronta…
    Obrigado pelo comentário.

  6. Boa noite. Não me convencem, apesar da vossa argumentção bonita!
    Parece que a riqueza gerada na Madeira não chega para as despesas. Será verdade?

Deixe um comentário

(campo obrigatório)

(campo obrigatório)