Qual é o modelo que defende em termos de gestão das escolas?

Estamos ainda a trabalhar na proposta. Temos que trabalhar com os conselhos executivos e com a Associação Nacional de Municípios. Mas aquilo que me parece crítico no actual modelo de gestão é a abertura da escola ao exterior. A gestão quotidiana da escola tem dois eixos críticos. Em primeiro lugar, a escola deve permitir uma efectiva participação das comunidades educativas locais, ou seja, de associações de pais, de instituições de proximidade, das autarquias. O segundo eixo é o funcionamento dos órgãos intermédios de gestão. O estatuto vem ajudar a tornar mais efectivo o trabalho desses órgãos. Mas esse facto deve ter consequências no diploma de gestão e autonomia, com uma responsabilização diferente destes órgãos e com a designação dos seus responsáveis de modo diferente. (entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues a Ensino Magazine em Fevereiro de 2007)

Sra Ministra, estas suas palavras não fazem sentido algum nem alcance têm enquanto não enraizar os alicerces organizacionais do sistema educativo conforme escrevi, nomeadamente ao que à gestão escolar diz respeito e que reafirmo:

1 – responsabilizar civilmente os pais pela educação dos seus filhos através do Código Civil, dentro do âmbito dos deveres da paternidade e com penas aplicáveis;

2 – acabar com os conselhos directivos eleitos (resquícios do PREC) e contratar, por concursos público, directores aos quais estejam atribuídos objectivos específicos e quantificáveis para a escola em causa tendo, para o efeito, autonomia para contratar quem bem entenderem para a direcção pedagógica que deverá fazer parte de um conselho composto por representantes eleitos dos professores, dos pais e da comunidade;

3 – exames nacionais nos 4º, 6º, 9º e 12º anos a todas as disciplinas e, anualmente, provas globais internas a todas as disciplinas, corrigidas cegamente;

4 – cada professor deve ter objectivos particulares por classe a cumprir, acordados entre ele e o director, perante os quais, e apenas por eles, deverá ser avaliado anualmente, contribuindo, assim, para o cumprimento dos objectivos gerais do director, i.e., da escola.

Basta de palavras avulsas sobre revisões de estatutos de carreira docente, sobre tlebs sim, tlebs não, sobre educação artística como opção de ‘enriquecimento curricular’, de Educação para a saúde obrigatória!
Basta minha senhora!
Tudo quanto possa dizer ou fazer sem estes prévios passos não passa de demagogia, nem em nada melhora a qualidade do ensino prestado!


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9 Respostas to “Sra. Ministra da Educação, basta!”

Comentários (9)
  1. Gi diz:

    Olá Carlos, começo por dar as boas tarde e desejar uma boa semana. tem este comentário, perdoe o abuso, dar nota que os meus blogs, Pequenos Nadas e Grandes Coisas, se encontram irremediavelmente perdido por o google não reconhecer a minha password de acesso a todos os meus e-mail’s onde se inclui naturalmente o dos blogs.
    Abri ontem à noitinha um novo espaço com o mesmo nome e um endereço quase igual, para não sentir tanto a diferença. Um dia que lhe apeteça visitar-me faça-o aqui p.f.
    http://velharias-traquitanas2.blogspot.com/

    Obrigada pela atenção que me tem dispensado

    P.S.Acho que escrevi este comentário em qq lado mas não o vejo, se duplicar esteja à vontade para o apagar

  2. Susana Serrano diz:

    Estou de acordo que as medidas da ministra são demagógicas, que os pais têm de ser responsabilizados, que nem todas as escolas podem ter direcções eleitas da forma como o são agora e que ,no fundo, anda muita gente a brincar às escolinhas.
    Mas olhar para uma escola gerida como uma empresa é demasiado para mim; definir objectivos como se fosse uma linha de produção nem sequer entendo.
    Agora que gerir uma escola de forma eficaz é muito importante estou de acordo, que a direcção pedagógica deve ser feita por quem é competente para tal também. Como se faz isso? Estou aberta à discussão e à reflexão para poder fazer propostas alternativas.
    Sobre os exames nem sequer digo nada, porque antes era preciso fazer tábua rasa dos currículos em vigor.
    Na verdade o modelo de escola que temos já era! A que existe é a do século XIX com muitos remendos e toda furada e é por isso que é preciso fazer uma nova, mas mesmo novinha em folha!

  3. morfeu diz:

    …na minha opinião, o tipo de gestor que propoe só não existe já porque haveria que pagar-lhe…ordenado de gestor…sei que há enormes variações no que toca o gerir de uma escola – que não é nenhuma a pera doce – mas existem colegas que são óptimos gestores…de acordo quanto a uma responsabilização dos pais…de facto não somos nós professores que temos de dar educação…básica.Quanto aos exames,isso implicaria maior exigência e rigor da parte de todos…tenho no entanto algumas dúvidas em relação a todos os níveis que referes.De qualquer forma se não existem, será mais uma vez por poupança….enfim, não estou no melhor momento para reflexões isentas tendo em conta o modo como ultimamente temos sido tratados…vêr as ultimas proposta para os profs titulares…
    Um abraço e obrigado pela partilha de reflexão que é cada vez mais necessária para agir…
    Morfeu

  4. Manuel Baptista diz:

    Oi,

    Tenho como muito importantes as críticas que fizeste ao modo de actuação ministerial. Elas fazem mouche…
    Porém, não creio sensato assorti-las de um receituário, com os conselhos à casta no poder, neste caso à Milú, em particular. Isto porque a casta no poder é autista, autocrática e absolutamente vinculada à «governância» capitalista orientada desde Bruxelas.
    O que havia a fazer, quanto a mim, seria antes firmarmos as bases de um pacto cívico (fora do controlo de partidos, sejam eles quais forem) para correr com a clique no poder e instaurar um novo regime: um regime que viabilize uma forma de socialismo libertário, o qual deverá ser debatido longamente e profundamente compreendido pelos protagonistas, a multidão auto-convocada e auto-empossada, tomando nas suas próprias mãos o seu destino.

    Então, o sistema de ensino, naturalmente, iria reflectir o estádio de desenvolvimento mental e cultural do povo.

  5. Tudo bem, Gi, já está o link actualizado.

    Susana e Morfeu
    Eu compreendo a vossa apreensão em relação ao gestor de escola, mas vejo com agrado que são dos poucos professores que já não colocam resistência quanto à sua necessidade, colocando apenas alguns óbices em relação ao seu papel e perfil.
    Bom, eu já abordei ao de leve este assunto em comentário ao post que está no link do texto, mas prometo fazer um post sobre o assunto. No entretanto aqui deixo um breve excerto do tal comentário:

    A separação de poderes é que tem (para o bem e para o mal desde Montesquieu) sustentado a democracia tal qual a conhecemos. Nas escolas a sua aplicabilidade enquadra-se no âmbito da gestão de equipas – a partilha de responsabilidades para que cada qual conheça e exerça a sua função em prol do colectivo.
    Se isto fosse explicado aos professores, julgo que eles entenderiam a medida como um método de gestão e não (porque não o é) uma desconfiança ou menosprezo do seu trabalho.

    Muito obrigado pela vossa contribuição.

    Manuel Baptista
    Muito obrigado pelas palavras, sendo que o que respondi à Susana e ao Morfeu também se aplica, em parte ao que escreveu. No entanto, há algo que aborda que me deixa um pouco confuso – o pacto cívico e o socialismo libertário.
    Não sei bem o que pretende adiantar com isto, mas sempre digo que quanto mais afastarmos a escola do controlo partidário, da religião e da ideologia, mais assertivos poderemos ser para lhe dar o que ela precisa – uma lógica de bom-senso e um ambiente de educação em cultura.
    Muito obrigado.

  6. manuel baptista diz:

    «Muito obrigado pelas palavras, sendo que o que respondi à Susana e ao Morfeu também se aplica, em parte ao que escreveu.»

    Susana:
    «Mas olhar para uma escola gerida como uma empresa é demasiado para mim; definir objectivos como se fosse uma linha de produção nem sequer entendo.»

    Penso que não respondeste à Susana, nem a mim.

    «No entanto, há algo que aborda que me deixa um pouco confuso – o pacto cívico e o socialismo libertário.»
    Onde está a origem da confusão? Nos termos? na sua pertinência aplicada à questão?
    Uma escola autoritária é um real desperdício de energias, recursos, sobretudo humanos, mas também financeiros.
    A solução não pode ser encontrada dentro do sistema capitalista, tem de ser uma ruptura com a mentalidade mercantilista, com a competição, a «lei da oferta e procura». Eu gostava que os intervenientes neste debate se vissem antes como membros de uma comunidade educativa e não como «agentes» da máquina ministério…
    Terei sido mais explícito agora? teremos de mudar por dentro, para mudarmos algo realmente por fora.

  7. carlos a.a. diz:

    Sim, Manual Baptista, bem mais explícito!

    >em>Uma escola autoritária é um real desperdício de energias, recursos, sobretudo humanos, mas também financeiros.
    (…)
    Eu gostava que os intervenientes neste debate se vissem antes como membros de uma comunidade educativa e não como «agentes» da máquina ministério…

    Em total acordo com ressalvas: democracia na escola e o envolvimento da comunidade onde está inserida são absolutamente necessários pois só assim se conseguiria o que me parece ser indispensável – o trabalho de equipa para um objectivo comum, a aprendizagem dos alunos. No entanto a democracia necessita que cada um desempenhe o seu papel dentro de uma estrutura orgânica onde terá de haver, necessariamente, uma cadeia de responsabilidades e de avaliação.

    A solução não pode ser encontrada dentro do sistema capitalista, tem de ser uma ruptura com a mentalidade mercantilista, com a competição

    Aqui é que não acompanho porque se estou de acordo que a visão mercantilista do ensino é manifestamente funesto para o ensino, não conheço outro sistema que não o capitalista para me poder pronunciar.
    Em boa verdade, como não conheço senão em utopia outro sistema, resta-me pegar no que este tem de bom e usar os seus pontos positivos para melhorar. Esperar uma revolução de mentalidades para melhorar o ensino e a aprendizagem teríamos de esperar, se calhar, uns séculos…
    Abraço e obrigado pelo comentário.

  8. Manuel Baptista diz:

    ok,
    A sua abordagem apenas na aparência é realista.
    Nem é pragmática.
    Os objectivos do ensino e aprendizagem, da educação e cultura, não podem ser perpetuar o sistema, nem fazer o que o sistema nos pede.

    Mas aqui haveria que começar pelo princípio: uma discussão sobre o papel da escola na sociedade…

    Eu estou de acordo em fazer o meu papel de forma responsável -nas insituições- se o que me pedem é compatível com a minha ética.

    Estes são os meus limites

  9. Bem pelo contrário, estimado Manuel Baptista, eu tento ser objectivo e suficientemente pragmático para que a escola não pare enquanto pensamos em fazer uma ‘revolução’!
    Quanto ao papel da escola na sociedade já tive ocasião de defender e escrever sobre o que acho essencial, podendo ver uma pequena resenha aqui:

    http://ecultura.sapo.pt/Artigo.aspx?ID=24

    e mais concretamente aqui:

    http://ecultura.sapo.pt/Anexos/9%20Junho%202006%20CAA%20-%20Perspectivas%20para%20uma%20NOVA%20ESCOLA%20.pdf

    Muito obrigado pelo comentário.

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