Maria Manuela Araújo proporcionou a 1.ª audição em Portugal desta obra para piano depois de, durante alguns anos, a analisar e trabalhar com a preciosa ajuda de Dimitri Schostakovitch, da qual não restou qualquer das gravações efectuadas. Antes de a apresentar em Portugal, a sua interpretação foi aplaudida pelo público e pela crítica em Moscovo, Berlim, Leningrado (na época), Kiev, Budapeste e Varsóvia entre outras cidades europeias.
Deixo-vos durante uns dias a interpretação de Evgeny Kissin, ao vivo, para ouvir com calma e sem dar tempo ao tempo…
ps: volume baixo pois a gravação tem o audio saturado.
Não contava, essa é a verdade, mas foi com alegria que encomendei a edição de autor em papel e belíssima encadernação do Dragão, sob o título À Queima-Roupa, autor assumidissimamente anónimo do Dragoscópio, um dos blogues que mais prazer de leitura me dá, tanto pela excepcional qualidade da escrita como pelo conteúdo.
Diz o autor assim, retirado daqui:
3. Estamos a falar efectivamente de um livro; não de um desses blocos de folhas mal amanhadas e pior coladas, embrulhados a cartolina estampada, que a indústria despeja -quando não bolsa – pelos escaparates. É, de facto, um livro na acepção genuína do termo: são folhas devidamente cosidas e encadernadas – encadernação a pele de réptil (sintética, naturalmente; não desejaríamos contribuir para a extinção dos meus parentes terrestres, nem, consequentemente, tornarmo-nos alvos da ira das boas gentes ecologistas). Era, aliás, importante que a excelência do veículo compensasse da humildade da carga.
4. Custa a módica (e vergonhosa! infame!) quantia de 25€ (mais os portes de envio pelo correio, aproximadamente 2€, para Portugal Continental). Aproveito para afiançar que não tenciono ficar rico. Grande parte da receita reverte para o encadernador aqui do bairro, velho artesão que bem precisa.
5. É uma edição não industrial e não destinada ao grande público, mas ao escol da humanidade que são os leitores deste famigerado blogue. Ou seja, na matéria e na forma, o artigo é produto integral de mãos humanas e destina-se a seres humanos. Os semideuses ainda vão ter que esperar.
Primavera Musical 2007 é o título do 13.º Festival Internacional de Música de Castelo Branco que hoje inicia, organizado pelo Conservatório Regional local e que decorrerá até 13 de Junho.
PROGRAMA:
5 Maio 2007. 21h30
Cine-Teatro Avenida
JAQUES MORELENBAUM – Trio Cello Samba
18 Maio 2007.21h30
Cine-Teatro Avenida
ORQUESTRA SINFÓNICA DA ESART
Concerto dedicado a Luís Pio
19 Maio 2007.21h30
Cine-Teatro Avenida
MÁRIO LAGINHA e BERNARDO SASSETTI (dois pianos)
Concerto dedicado a ZECA AFONSO
23 Maio 2007.20h00
Governo Civil de Castelo Branco
ORLANDO CONSORT
“Food, Wine and Song” – Concerto com degustação
25 Maio 2007.21h30
Conservatório Regional de Castelo Branco
Concerto Jovens Intérpretes
DIANA VIEIRA e SAÚL PICADO (piano)
26 Maio 2007.21h30
Museu de Francisco Tavares Proença Júnior
TRIO HANTAï
7 Junho 2007.21h30
Conservatório Regional de Castelo Branco
MOSCOW PIANO QUARTET
“Mosaico Musical”
8 Junho 2007.21h30
Instituto Português de Juventude
CARDUCCI QUARTET (quarteto de cordas)
9 e 10 de Maio
Das 18 às 19h30, no Cybercentro de Castelo Branco
CURSO LIVRE “SOLO BACH”, por César Viana
Um pequeno curso dedicado às Suites para Violoncelo Solo
11 e 13 de Maio
Governo Civil de Castelo Branco
BRUNO BORRALHINHO (violoncelo)
Ciclo SOLO BACH – Integral das Suites para Violoncelo Solo
13 de Junho
Instituto Português da Juventude
(DES) CONCERTANTE TRIO
Vencedor do FOLEFEST 2007, categoria de Música de Câmara
CICLO DE CINEMA
Cine-Teatro Avenida, 21h30
1 de Maio – Cidade de Deus, de F. Meirelles
8 de Maio – Sarabande, de I. Bergman
15 de Maio – Amarcord, de F. Fellini
ITINERÂNCIA NAS FREGUESIAS
4 concertos realizados pelo QUARTETO INDIGO (clarinetes)
Dias 10 e 12 de Maio e 1, 2 de Junho
O que é isto? Será verdade? Vem assim no Público a propósito do projecto “Green Car”:
Nos próximos dois a três anos, a euroregião Norte de Portugal/Galiza vai conceber e fabricar veículos automóveis sustentáveis, no âmbito de um projecto pioneiro de engenharia, previsto durar entre dois e três anos. (…) O projecto envolve o Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel (CEIIA) e o Centro Tecnológico de Automoción de Galicia (CTAG). Estas duas entidades vão desenvolver um novo conceito de veículo sustentável ou “green car”?, ou seja, um carro com processos de fabrico e um motor “limpos”? (…)
Fui ver se era 1 de Abril, mas não! E, para cúmulo, este anúncio contou com a presença da Comissária Europeia para a Política Regional, Danuta Hubnera, que afirmou na circunstância:
é necessário que estes projectos se tornem “mais visíveis” na Europa e no mundo.
Ainda desconfiado, adiantei a leitura:
De acordo com os dados do CEIIA, a indústria automóvel na euroregião integra dois construtores e 190 fornecedores, que empregam um total de 40 mil pessoas e produzem anualmente um volume de negócios de cerca de quatro milhões de euros.
Como será isto compaginável com o que aqui dei conta sobre a hipotética pressão de José Sócrates junto do governo espanhol contra esta tal Euroregião Norte de Portugal e Galiza? Relembro o que saiu no El Pais e ainda ninguém desmentiu:
(…) la decisión de los Gobiernos de Lisboa y Madrid no ha pesado exclusivamente el interés de Extremadura. El deseo del Ejecutivo portugués, presidido por José Sócrates, de desincentivar cualquier posible aspiración autonomista por parte de la Región Norte ha terminado por inclinar la balance del lado contrario a los intereses de Galicia.
(…)
De hecho, la Xunta (de Galicia) tenía mucho interés en hacerse cargo de la gestión de los fondos a través de un nuevo instrumento comunitario, una Agrupación Europea de Cooperación Transfronteriza (AECT), que permitiría a la Región Norte dotarse de un organismo con personaldad jurídica propia, algo de lo que carece en el sistema constitucional portugués. La AECT permitiría a ambos territorios, protagonistas desde hace años de la cooperación a lo largo de la frontera, superar el estrecho marco de la Comunidad de Trabajo, dentro la cual habían venido situando sus iniciativas. La AECT permitiría además, según fuentes de la Xunta, consolidar la relación con el Norte de Portugal cuando se acaben los fondos europeos de cooperación al salvar definitivamente las dificultades derivadas de la naturaleza centralizada del Estado portugués.
Por aqui, por este país, nada! Continua tudo muito calado, a assobiar para o ar…
ps: parte do texto citado em evidência é de minha iniciativa.
É o programa que António Barreto iniciou ontem na RTP1 e a horas de ser visto. Fazia falta e fazem falta mais programas desta qualidade, mas sobre ele nada tenho a acrescentar ao que o Francisco José Viegas já escreveu.
Com a inauguração de hoje da Central Fotovoltaica de Serpa o Alentejo dá o primeiro passo em direcção a uma das suas mais promissoras esperanças para o futuro – a produção de energia solar.
Embora atrasado no tempo Portugal parece começar a ver que o seu futuro não passará só pelo turismo (que à falta de outro desígnio este serve para tudo), mas para produzir energia limpa, como a que o Sol nos oferece no Alentejo e no Algarve.
A esta de Serpa seguir-se-á muito brevemente a da Amareleja/Moura, com uma capacidade ainda superior e, se engenho e vontade do poder central nos não faltar, a Comissão Europeia parece inclinada a apoiar este que, repito, parece constituir um sólido desígnio para o futuro do Alentejo e do país.
A viabilização de um loteamento de grandes dimensões em terrenos adquiridos por Luís Filipe Vieira à Petrogal, nas imediações da Expo, teve por base um projecto elaborado por um “atelier? de arquitectura com o qual o director municipal de Planeamento Urbano da Câmara de Lisboa, Fernando Pinto Coelho, colaborou durante muitos anos.
(…)
Embora o novo texto do regulamento nada diga nesse sentido, os serviços camarários passaram a interpretá-lo como se a predominância dos usos industriais – ou seja, a obrigação de os manter em 50,1 por cento dessas áreas – se se medisse em relação à totalidade da zona oriental e não em relação a cada uma das parcelas, ou até das diferentes manchas industriais. Quer isto dizer que das alterações efectuadas beneficiam, antes de mais, os primeiros a chegar.
(…)
A decisão de interpretar o regulamento desta maneira, diz Pinto Coelho, foi ditada por razões técnicas e “determinada superiormente?. Como boa parte destas áreas está há muito ocupada com usos terciários que não vão ser abandonados, e como Vieira comprou e está a comprar outras parcelas na zona, tudo indica que será ele – que o PÚBLICO não conseguiu contactar – o grande beneficiário da polémica alteração do PDM de Lisboa. (Público)
Se há coisa que é preciso pôr cobro é à corrupção desportiva e à das autarquias… da província, bem entendido!
Pois…
Olha se isto tivesse acontecido com o Fernando Gomes, o Narciso Miranda ou o Filipe Meneses…
Em tempos que se avizinham muito negros para o ensino artístico em Portugal, deixo um excerto de um texto de Fanny Abramovich sobre o que é o Teatro na Educação, retirado do sítio da WOOZ.
Mistério! Dúvida! Inquietação! Afinal de contas, o que é esta matéria nova, repentinamente incluída na programação escolar, com o nome mutável de teatro, artes cênicas, improvisação teatral, expressão dramática?(…)
O “mistério” está na visão estereotipada de que teatro na educação é espetáculo. É claro que nenhum professor sente-se em condições de dirigir uma peça. Se não é montar algo, é, ludicamente, possibilitar que os alunos se expressem, fazer com que eles inventem a sua “história” e encontrem a melhor forma de mostrá-la a seus amigos (não precisa de platéia especial). Onde? Na descoberta do próprio espaço que a escola oferece (não precisa de nenhum palco). Sem material? Claro, com o material que os alunos descobrem na própria escola, nas imediações, trazem de casa. Quando? Sempre, porque toda atividade que é um jogo não tem data prévia para acontecer. E eu, o que faço? Olho o jogo espontâneo e o enriqueço, possibilitando outras alternativas, sem me preocupar em dar o meu enfoque. Pouco misterioso, não é? É só olhar as crianças na hora do recreio, na rua, para ver que elas estão sempre “brincando de teatro”. (…)
Deixo uma sugestão e recomendação: revisitemos os clássicos, aprendamos com eles, divulguêmo-los porque eles, per si, demonstram, qual mágico espelho, a abjecção que os políticos deste governo preparam relativamente ao ensino artístico em Portugal.
As artes são tão necessárias para a educação e formação da identidade da Pessoa como as demais áreas do saber e do sentir, sendo que não será com enriquecimentos curriculares opcionais que algo se conseguirá, mas com a sua integração curricular.
A Tragédia de Júlio César – W. Shakespeare
uma co-produção São Luiz- Tetro Municipal / Teatro da Cornucópia
sinopse:
A Roma antiga do século I a.c. reinventada por Shakespeare. A vida política nas mãos de heróis de tragédia que são grandes como gigantes e humanos como nós.
A tragédia de Shakespeare fala de tirania, da cegueira do povo, das sangrentas lutas pelo poder, de vida privada e responsabilidade pública, de paz e de guerra, fala de política e da imensa tensão entre política e moral. Com estas peripécias de uma Roma antiga fantasiada pelo princípio do século XVII, devolve aos espectadores de hoje os jogos políticos de sempre, mas desenha uma visão do Homem e do poder político com valores que o nosso tempo já esqueceu.
Ficha artística:
Tradução: José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luis Miguel Cintra
Encenação: Luis Miguel Cintra
Cenário e Figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz: Daniel Worm dAssumpção
Música original: Vasco Mendonça
Interpretação: André Silva, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Edgar Morais, Filipe Costa,
Hugo Tourita, Ivo Alexandre, Joaquim Horta, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto,
Luis Miguel Cintra, Luís Lucas, Martim Pedroso, Pedro Lamas, Nuno Lopes, Nuno Gil,
Pedro Lacerda, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Tiago Matias, Teresa Sobral, Tónan Quito e
Vítor de Andrade
Músicos: Gonçalo Marques (trompete), Marco Santos (percussão), Nuno Costa
(guitarra)
Conforme o anunciado aí está, oficialmente, o sítio da TubarãoEsquilo.
Quase dois séculos, 2 séculos de política e políticos a defender o capital e sua livre circulação, como condição prima para o aparecimento de uma larga classe média, sustentáculo das nossas democracias representativas e da democracia!
Mas esse mal parido filho emancipou-se, dos progenitores não mais quer saber, porque descobriu que o meio em que melhor se dá e reproduz não é neste modelo ocidental, mas sim o do autoritarismo de um capitalismo que explora sem piedade a mão-de-obra.
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O capital já não é sinónimo de empreendimento, de desenvolvimento, ele próprio de meio em objecto se tornou, assexuado, capaz de se reproduzir por si próprio. As democracias ocidentais (as mães) tornaram-se descartáveis e apenas delas se servirá enquanto elas conseguirem ter capacidade de intervir apenas e só enquanto consumidoras de bens produzidos sob o estigma da exploração humana.
Pour la première fois, la Chine a dépassé les États-Unis comme fournisseur de l’Union européenne en 2006. (…) Ses ventes ont atteint 191,5 milliards d’euros, devant celles des États-Unis qui n’ont représenté que 176,2 milliards. Les produits informatiques, la hi-fi et les télécoms ont été les trois premiers secteurs d’exportation chinoise devant l’électroménager et les vêtements. (…) Conséquence, le déficit commercial de l’UE vis-à-vis de la Chine s’est encore alourdi de 20 % l’année dernière pour atteindre 128,2 milliards. La Chine est ainsi le pays vis-à-vis duquel l’Europe affiche le plus fort déficit, loin devant celui de la Russie (65 milliards). (…) Cette dégradation du commerce extérieur de l’Union européenne ne semble pas sur le point d’être enrayée. En janvier, le déficit commercial de l’UE a atteint 26,2 milliards d’euros contre 9,4 milliards en décembre. (Le Figaro)
É um novo paradigma, uma emancipação não esplanada nas melhores sebentas ou manuais académicos, alheio a eles, alheio à liberdade, à mão invisível e adverso à liberdade – ele molda-se e dá-se bem na ditadura, seu novo e mais que adequado habitat.
Aqui há tempos falei da falta de negócio e do fim da liberdade; agora escrevo sobre o ocaso da União Europeia, uma congregação de burocratas idealistas que querem à força evoluir para uma união política quando a económica não conseguiram sedimentar!
O Banco Central Europeu, esse baluarte último, preocupa-se só, e apenas, com a atracção do capital agiota que com deferência acolhe e, sem o obrigar a empreender, lhe garante mais-valias fiduciárias inimagináveis em fundos de investimento sem rosto, que tudo vendem e compram e alienam com o maior desprezo pela sua fixação e pelo desenvolvimento do Homem.

3. Estamos a falar efectivamente de um livro; não de um desses blocos de folhas mal amanhadas e pior coladas, embrulhados a cartolina estampada, que a indústria despeja -quando não bolsa – pelos escaparates. É, de facto, um livro na acepção genuína do termo: são folhas devidamente cosidas e encadernadas – encadernação a pele de réptil (sintética, naturalmente; não desejaríamos contribuir para a extinção dos meus parentes terrestres, nem, consequentemente, tornarmo-nos alvos da ira das boas gentes ecologistas). Era, aliás, importante que a excelência do veículo compensasse da humildade da carga.




















