O termo adiantado pelo André Moura e Cunha no In Absentia o qual adoptámos e fizemos eco não foi acolhido com grande entusiasmo pela blogosfera. É natural, a maioria dos autores vivem em Lisboa.
Mas será este crescente e castrador centralismo uma paranóia? Julgo que não e, pelos vistos até de fora vêem o que muitos por cá não querem ver, nomeadamente o El Pais, que a propósito do facto, já consumado, de Vigo perder para Badajoz a sede da União Europeia para a cooperação hispanolusa coloca em subtÃtulo: Solbes cede ante el Gobierno portugués, interesado en no alentar el autonomismo de Oporto.
Do desenvolvimento do artigo deixo alguns excertos:
Vigo no será, finalmente, la sede del secretariado técnico de la Unión Europea (UE) que debe gestionar los programas de cooperación transfronteriza entre España y Portugal entre 2007 y 2013, incluidos los que pongan en marcha Galicia y la Región Norte de Portugal.
Badajoz se ocupará también de la parte de ese dinero que corresponde a las iniciativas conjuntas entre Galicia y la Región Norte de Portugal y que fuentes de la Xunta sitúan entre los 80 y los 90 millones para todo el perÃodo.
(…) la decisión de los Gobiernos de Lisboa y Madrid no ha pesado exclusivamente el interés de Extremadura. El deseo del Ejecutivo portugués, presidido por José Sócrates, de desincentivar cualquier posible aspiración autonomista por parte de la Región Norte ha terminado por inclinar la balance del lado contrario a los intereses de Galicia.
E porquê? Por aquilo que todos sabem, que seria benéfico para a nação, para Portugal, mas que o centralismo de Lisboa, com medo do inevitável, com a certeza de perda de protagonismo, vem desde a adesão à CEE a protelar, a boicotar, a tudo obstar para que tal seja possÃvel – a criação de uma região Norte de Portugal e a Galiza. Sou eu que o digo? Sim, sou, mas também o mesmo artigo do El Pais:
De hecho, la Xunta (de Galicia) tenÃa mucho interés en hacerse cargo de la gestión de los fondos a través de un nuevo instrumento comunitario, una Agrupación Europea de Cooperación Transfronteriza (AECT), que permitirÃa a la Región Norte dotarse de un organismo con personaldad jurÃdica propia, algo de lo que carece en el sistema constitucional portugués. La AECT permitirÃa a ambos territorios, protagonistas desde hace años de la cooperación a lo largo de la frontera, superar el estrecho marco de la Comunidad de Trabajo, dentro la cual habÃan venido situando sus iniciativas. La AECT permitirÃa además, según fuentes de la Xunta, consolidar la relación con el Norte de Portugal cuando se acaben los fondos europeos de cooperación al salvar definitivamente las dificultades derivadas de la naturaleza centralizada del Estado portugués.
Haja decoro e assuma-se que o atraso de todas as Nuts de Portugal em relação à de Lisboa e Vale do Tejo se deve única e exclusivamente à reacção histérica de todos os governos centrais desde Cavaco Silva, para impedir que o Noroeste da penÃnsula se constitua em região reconhecida pela União Europeia, desde as campanhas de ostracização aos polÃticos do Norte que pelo seu bom desempenho sobressaÃram da mediocridade, concomitante ao apoio a polÃticos nortenhos seguidistas dos aparelhos partidários, passando pela ‘trasladação’ de quase todas as sedes de empresas financeiras para Lisboa, lembrando o ridÃculo de um referendo sobre uma regionalização de Portugal em talhões cujo único objectivo foi o de inviabilizar o óbvio, sem esquecer a tonta opção por um aeroporto em Lisboa em detrimento de um no Porto (que faria com que o Porto fosse, em definitivo, a capital dessa futura região em detrimento de Vigo, Santiago e Corunha), sublinhando os sucessivos boicotes a todas as tentativas de Belmiro de Azevedo de adquirir empresas a privatizar só pelo facto de manter a sua sede no Norte e não precisar do Estado para nada (incluindo este nada surpreendente resultado da OPA sobre a PT), até à anedota de açambarcar para Lisboa a administração da Metro do Porto!
De tudo o centralismo tem feito, mas para quê? Em benefÃcio de quem? De quase ninguém, aparentemente, a não ser de um punhado de clientelas partidárias que vêm dominando em proveito próprio este paÃs… com apreciável gáudio da boçalidade das populações anti-nortenhas que vão a reboque de sentimentos futebolÃsticos!
Tags: Centralismo, Gestão Administrativa do Estado, ideias, Opinion, PolÃtica, Reflexões, Regionalização, União Europeia






















subscrevo. não tenho argumentos, só sentimentos, mas subscrevo.
Tem carradas de razão amigo Carlos. Todas as tentativas de centralização do poder central não passaram disso mesmo. E muito sinceramente não vejo o problema por lado da rivalidade, vejo isso sim, pelo comodismo exacerbado dos polÃticos que assumem o poder, que gostam todos de ter o gabinete próximo da residência, ainda que esta seja à custa do erário público se se tratar dum
elemento deslocado da zona onde antes residia.Um abraço do Raul
Já o poeta dizia que da sua aldeia via “quanto da terra se pode ver do Universo”.
Dizia também que: “Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.”
Será este apenas um caso de vistas curtas? Não creio! Até porque sei que “a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer�, acredito que
â€?sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura…â€? e aquilo que vejo, daqui da minha aldeia, não é nada de bom – E muito menos de ingénuo.
Cumprimentos
E, no entanto, se alguém aqui do Porto se atreve a dizê-lo com essas letras todas, num instante é insultado de bairrista e uns quantos outros “istas” pouco simpáticos.
A região norte já foi o motor económico do PaÃs. Neste momento, perde em todas as frentes. Cresce uma capital centralista, autista também. À rebelia, quase, ainda se implementam projectos geradores de riqueza. Ainda… A ver quanto tempo sobrevivem, por exemplo, as tentativas da Ikea para laborar ali para os lados de Paços de Ferreira antes de alguém se lembrar que, afinal, tem de ser deslocado o investimento para o Sul…
Mas sente-se, Ana, é isso, na pele, para mais!
Joadas
Seria muito cómodo para mim continuar a achar que tudo isto aconteceu por comodismo. Mas não, são coincidências a mais, é uma polÃtica muito bem engendrada pelos aparelhos partidários com a conivência activa dos meios de comunicação social.
Kicker
É exactamente isso: não é um problema de vistas curtas nem ingénuo! É concertado e rigorosamente aplicado.
Hipatia
É curioso o que se passou comigo. Desde que deixei de viver em grandes metrópoles enxergo esta realidade com outros olhos, precisamente como o Kicker escreve.
Muito obrigado a todos pelos comentários.
nao sei se o senhor é do norte, mas caso seja um nortenho interessado no noroeste peninsular aconselho-lhe http://redegalaica.blogspot.com
Lá irei, Galassa.
Muito obrigado pelo comentário.