Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Maria Manuela Araújo proporcionou a 1.ª audição em Portugal desta obra para piano depois de, durante alguns anos, a analisar e trabalhar com a preciosa ajuda de Dimitri Schostakovitch, da qual não restou qualquer das gravações efectuadas. Antes de a apresentar em Portugal, a sua interpretação foi aplaudida pelo público e pela crítica em Moscovo, Berlim, Leningrado (na época), Kiev, Budapeste e Varsóvia entre outras cidades europeias.
Deixo-vos durante uns dias a interpretação de Evgeny Kissin, ao vivo, para ouvir com calma e sem dar tempo ao tempo…
ps: volume baixo pois a gravação tem o audio saturado.



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  1. Ana Cancela Said,

    Não sabia que a Srª D. Manuela Araujo tinha estudado com Shcostakovich, sempre pensei que tivesse sido com Katchaturian (pelo menos era o que ela nos dizia nas aulas).

    Como ex aluna tenho alguma curiosidade em saber. Onde poderei ter acesso a tal informação?

    ana cancela

  2. Carlos Araújo Alves Said,

    Estimada Ana Cancela

    Maria Manuela Araújo privou de muito perto com Aaran Katchaturian com quem preparou a sua interpretação do Concerto para Piano, mas antes, em 1971, por ocasião do Encontro Mundial de Músicos no qual participou como representante de Portugal, conheceu e privou com Dimitri Schostakovitch, aproveitando para aprofundar a interpretaçao dos Quadros de Uma Exposição que já vinha trabalhando, assim como o Concerto para Piano deste compositor que veio a apresentar em Portugal em 1980.
    Saliente-se que Maria Manuela Araújo não estudou nem foi aluna de nenhum deles, apenas aproveitou a amizade com estes dois grandes músicos para conhecer melhor a interpretação das obras dos compositores russos.
    Discípula Maria Manuela Araújo foi de Vianna da Motta e, mais tarde, dpois da sua morte e a conselho do mestre, de Marie Levêque de Freitas Branco, uma personagem também “safada” da História da Música portuguesa, pessoa incontornável no que ao piano diz respeito. No estrangeiro, Maria Manuela Araújo trabalhou regularmente, nos anos 60, com Geza Anda, em Lucerne.
    Para mais informações, estimada Dra. Ana Cancela, poderá utilizar o meu endereço de email: ideiassoltas@gmai.com
    Muito obrigado pelo seu comentário e interesse.

  3. Ana Cancela Said,

    Muito obrigada

    Concordo consigo, “safada” da História da Música Portuguesa.

    Apesar do Conservatório do Porto ter uma sala com o nome de Manuela Araújo, nada mais fez em homenagem à sua memória. Bem … não só o Conservatório, o país inteiro como é costume.

    A informação que está a revelar é de extrema importância mas é infelizmente ignorada.
    Segundo diz, os portugueses tiveram o privilégio de ouvir em concerto pela primeira vez, a obra de Mussorsky em 1980 interpretada por Manuela Araujo. É fantástico como a História pode ser apagada sem darmos conta.

    Ana Cancela

  4. ricardo Said,

    Carlos

    Terá sido no S.Luís o concerto? Lembro-me de ter ido com a Manuela Araújo a Lisboa a convite dela, tu também foste.
    Ela nunca se esqueceu de pegar nos alunos e incutir uma cultura musical única. Cheguei com ela ao S. Luís durante a tarde para experimentar o piano e ela disse-me: senta-te e toca. Foi a primeira vez que me sentei a um “piano” daqueles e ela para me dar intimidade saiu para o camarim. Quando voltou tocou para mim de uma forma de tal maneira arrebatadora que entrei em sonho prolongado. O som dela ao piano era único, inacreditável, ela sentava-se e parecia outro instrumento. Tocou-me de cor um estudo de Czerny que eu na altura estudava para me dizer a música que aquilo tinha. Foi soberbo.
    Poderá ainda não estar na História, nossa, por todas as piores razões, provavelmente caberá a nós (os que estudaram com ela) essa obrigação.
    A minha cultura musical tem dois passos bem distintos, um antes de Maria Manuela Araújo e outro, depois.
    Que saudade
    Abraço

  5. lumife Said,

    Bom fim de semana e… venho informar que já abriram as inscrições para o 2º Encontro de Blogs em Alvito aos 21 de Abril.

    Gostaríamos de contar com a sua presença.

    Abraço

  6. Gi Said,

    Prende aos primeiros acordes. Vou ficar por aqui um bocadinho…
    A minha filha andou na Academia dos amadores de Música porque não conseguiu na altura entrar para o conservatório. O piano, centenário, depois de muitos anos de silêncio foi agora a afinar, tenho esperanças que o meu neto lhe devolva a vida e me empreste momentos de emoção como os que a mãe me deu. O fascínio ele tem-no, vamso a ver se tem jeito :) nem todos podem ser tão bons como este que se ouve :)

    Bom dia Carlos, boa semana

  7. Carlos Araújo Alves Said,

    Obrigado pelas palavras, estimada Ana Cancela no que à Maria Manuela Araúo dizem reseito.
    Quanto à História da Múisca Portuguesa devo conter o meu lado emocional para ter consciência de que muitos factos são feitos desaparecer ou violados do seu contexto, enganando mesmo quem tenta fazer História com letra grande e, por outro lado, lembrar o imenso rol de grandes figuras portuguesas esquecidas!
    Vianna da Motta continua um esquecido, um mestre que durante décadas se disse neste país do pior; Guilhermina Suggia só há muito pouco tempo e através da tenacidade de Virgílo Marques no blogue com o mesmo nome e na fudação da Associação Guilhemina Suggia se conseguiu fazer alguma coisa, embora pouco, porque as resistências são muito pesadas; Bernado Moreira e Sá está por descobrir e foi um dos músicos, pensadores e intelectuais mais brlhantes do seu tempo.
    Enfim a História precisa de tempo para ser feita (é minha convicção), sendo que o mais mportante será, de momento, preservar as fontes intactas, contextualizadas, catalogadas e preservadas. Se isto for feito já me dou por muito satisfeito.
    Obrigado elo seu comentário.

  8. Carlos Araújo Alves Said,

    Ricardo
    Quase que acertaste mas, ‘hélas’, a estreia em Portugal aconteceu mesmo no salâo Vianna da Motta do Conservatório de Música do Porto, tendo sido repetido várias vezes em diversas cidades portuguesas, até em Vigo, no Clube Náutico e gravado e difundido pela a RTP num prgrama de Cândido Lima, antes de ser apresentado no S. Luiz, em Lisboa, em 1981, num Concerto Comentado pelo José Atalaya ao qual fazes grata referência referência.
    Abraço e obrigado.

  9. Carlos Araújo Alves Said,

    Estimado Lumife
    Como estou fora e só venho à net muito espaçadamente ainda não fiz a divulgação do Encontro de Alvito. Mal regresse será dos primeiros assuntos a postar.
    Abraço

  10. Carlos Araújo Alves Said,

    Muito obrigado, Gi.
    De facto este Evgeny Kissin é, de momento, o meu pianista favorito, sem desprmor por outros que fui preferindo ao longo da minha vida. Acontece é que ele reune nesta sua fase uma solidez técnica muito invlgar e uma idade em que, colocando já a técnica ao serviço da música, da arte (é para isso que ela deverá servir para se distiguir do circo) ainda não se deixou moldar pelo ecletismo multiculturalista e universalista que tudo molda não ao serviço da ate, mas das particulares preferências de moda da crítica.
    Quanto à descendência, Gi, só mesmo eles é que saberão, ou não, da sua vida. :) A nós restam-nos a(s) esperança(s)… :) Obrigado pelo comentário e até breve.

  11. Paulo Bastos Said,

    Vi Evgeny Kissin há cerca de dois anos na Gulbenkian a tocar os Quadros de uma Exposição.
    Demorei umas largas horas a refazer-me do choque provocado! Não me lembro de ter ouvido outro pianista a tocar com tamanha intensidade, tamanho dramatismo, tamanha força…
    Inexplicável!

  12. Carlos Araújo Alves Said,

    Com muita pena minha não vi, Paulo Bastos, mas da próxima não me perdoarei.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

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