Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Maio, 2007

Ler e reler o texto do Dragão sobre o “progresso” e a “modernização”. Deixo um pequeno excerto:

(…) em que consiste realmente essa tal “modernização que canta”? Bem, tudo indica que consiste, fisicamente, em acantonar a população num imenso subúrbio (excepto, naturalmente, a nomenklatura jet-seita reinante, mais a sua insaciável corte de serviçais e bobos de serviço); e, psicologicamente, em terraplenar toda a cultura, justiça ou tradição (ou mera hipótese de qualquer uma delas) a uma pardacenta - e sórdida - mentalidade suburbana.

(…) por crime de participação económica em negócio no caso de uma permuta de dois terrenos nas Antas com quatro lotes da frente urbana do Parque da Cidade, na freguesia de Aldoar. (via Jornal de Notícias)

Acho bem, corrupção e compadrio, cadeia com eles mas, ainda assim, pergunto-me se não padecerá o Ministério Público de falta de pessoal lá para os lados de Lisboa…
Ou se calhar não, poderá ser uma política de poupança de energia (ao preço que está a electricidade!!!) que o impeça de ter alguma luz…

Noticia o Diário Digital.
Compreende-se, deve haver muito poucos internados. A gente vê-os todos aí à solta inclusivamente a desempenhar funções de relevo social e administrativo!

Ainda a propósito do concerto de Lang Lang escreve a Teresa Cascudo assim:
A diversão é uma das marcas da cultura do nosso tempo, tal como a mistura de nobreza e vulgaridade e a incapacidade de seguir uma ideia (musical) durante mais de, digamos, 5 segundos…
Desenquadrei o texto do contexto, mas mesmo noutro contexto, que enorme texto, Teresa!

A ler atentamente o que Francisco José Viegas vem escrevendo a propósito dos critérios de avaliação das provas de português dos 4º e 6º anos (aqui, aqui, aqui e aqui, até ao momento). Deixo um excerto:
Não entendo como os alunos podem mostrar «que compreenderam» um texto, explicando-o através de uma amostra de erros ortográficos. Sempre pensei que escrever mal era pensar mal, interpretar mal, explicar mal..

Em declarações à agência Lusa, o director do Gabinete de Avaliação Educacional, Carlos Pinto Ferreira, explicou que a prova de Língua Portuguesa dos 4º e 6º anos testa a compreensão de texto, o conhecimento da língua e a expressão escrita, competências avaliadas em separado para permitir aos serviços da tutela identificar as lacunas dos alunos em cada uma. (Público)

Trata-se de um método de avaliação, diz quem sabe, mas eu que não sou especialista permitam-me a pergunta em português escorreito e sem erros ortográficos:
Se os meninos não sabem ler nem escrever querem que compreendam o quê, o caralho?
Dasssss, não há mais pachorra para esta gente que teima em não deixar ensinar!!!

A Beleza - Filo Cafe IncomunidadeNo próximo Sábado, dia 2 de Junho, o Incomunidade promove mais um Filó-Café dedicado ao tema A Beleza, no Clube Literário do Porto, na Rua Nova da Alfândega, n.º 22, no Porto, pelas 17:30h.
O Alberto Augusto Miranda tem concretizado um trabalho notável na realização e difusão destes muito interessantes encontros culturais através do blogue Incomunidade.
As inscrições estão ainda abertas (inscrições para o email: incomunidade@gmail.com) , embora haja já bastantes participantes para a iniciativa que conta com a apresentação do livro de Rogério Carola, A Beleza da tua Alma faz-me Tremer:

Alberto Augusto Miranda (porto, teatro), Alexandre Teixeira Mendes (porto, pensamento), Alice Valente (lisboa, artes), Amilcar Mendes (porto, poesia), Ana Marta Fortuna (Porto, teatro), António Pedro Ribeiro (braga, poesia), Artur Alonso Novelhe (ourense, poesia), Belém Andrade (Compostela, poesia), Carlos Lourenço (sto antonio dos cavaleiros, performance), Conceição Paulino (porto, poesia), Concha Rousia (Xinzo de Lima, poesia), Henrique Dória (porto, pensamento), Hugo Veloso (rio tinto, performance), Isabel Rosas (matosinhos, poesia), Jorge Taxa (porto, pensamento), José Manuel Barbosa (braga, poesia), Pedro Estorninho (lisboa, teatro), Peter Jensen Silva (braga, música), Rogério Carrola (tortosendo, poesia), Salviano Ferreira (oliveira do douro, poesia).

ps: fotografia de Sabine Leve

texto de César Viana sobre o relatório de avaliação do Ensino Artístico deixado em comentário a este post.

O objectivo do ensino artístico é formar uma comunidade de profissionais cuja capacidade e qualidade permitirá o florescimento deste tipo de excelência. Os objectivos não podem ser as carreiras, nem a sensibilização nem todo esse chorrilho de correcção política que nos querem impingir. Assistimos ao regresso dos especialistas em cultura geral, como no tempo da famigerada educação pela arte. Ora acontece que há receitas que já falharam por todo o lado (inclusivamente em Portugal!!!) e não podemos retroceder décadas.
O tipo de relação mestre/discípulo que conduz aos resultados de excelência está mais do que tipificada por esse mundo fora, não é preciso inventar nada (haverá sim que adaptar às realidades locais, tendo em conta a experiência acumulada). E o principal e incontornável é que são os artistas quem pode formar artistas, não os funcionários do ensino. É isso que esta cambada de frustrados das artes que se viram para estas carreiras paralelas não pode suportar, embora o saiba. São uma praga, uma catástrofe para a música em Portugal.
Assusta-me verdadeiramente que possamos vir a ser o único país da Europa sem uma estrutura de ensino artístico séria e eficaz. Não basta ter cursos superiores, todo o percurso desde os graus mais básicos tem especificidades incompatíveis com a transformação das escolas de música em liceus.
O facto de estar ausente e fora do ensino há alguns anos rouba-me o tempo para poder contribuir de um modo mais positivo com propostas, mas aqui deixo um grito de revolta conta a cambada do eduquês que, desta vez, parece finalmente ter poder para lixar isto tudo.
Não estou de acordo com muitos aspectos do que tem sido o ensino artístico em Portugal, mas o que se passa neste momento nada tem a ver com opiniões ou discordâncias, tem a ver com carreiras de licenciados em cursos sub-pseudo-musicais; tem a ver com mediocridade; com inveja; com ignorância irresponsável.
No ensino artístico há coisas que estão bem e coisas que estão mal, mas o que está a pretender-se com este relatório é a acabar com as primeiras e a promover as segundas.

César Viana

Tomo conhecimento através do Francisco José Viegas.
O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação deu ordens para que nas primeiras partes das provas de aferição de Língua Portuguesa do 4.º e 6.º anos, os erros de construção gráfica, grafia ou de uso de convenções gráficas não fossem considerados. (Diário de Notícias)
Eu bem perguntei…

A propósito do relatório lavrado sobre o Ensino Artístico por especialistas em Ciências da Educação leia-se a análise que a Alice Valente escreveu sobre o currículo da licenciatura destes excelsos especialistas, cuja finalidade, transcrevo:
A Licenciatura em Ciências da Educação não tem por finalidade habilitar para o exercício de funções docentes, mas sim, proporcionar uma formação de base para especialistas e técnicos superiores com capacidade para desenvolverem actividades de educação e formação (…)
Gosto disto, em especial, definir o objecto começando por: não tem por finalidade (…)!!! Deve ser um curso assim, tipo…, deixa ver…, A Educação da Educação!
Depois queixam-se que Nuno Crato foi muito mauzinho quando escreveu o Eduquês

Depois de ler o que o Henrique Silveira escreveu a propósito do pianista Lang Lang e do que a Teresa Cascudo contrapôs só me resta um coisa: ouvi-lo ao vivo!
A música (e a arte em geral) tem destas coisas…, não emociona de igual forma nem há formatação que lhe resista.
Anotar, então: assistir a um concerto de Lang Lang.

O Paulo Bastos faz uma citação de Wagner no Tónica Dominante muito apropriada para estes tempos que se fala sobre o Ensino Artístico a propósito do relambório relatório de avaliação. Começa assim:

UTOPIA! UTOPIA!? Já oiço gritar os nossos sábios e os que tratam de adocicar a barbárie do Estado e da arte contemporâneos (…)

Merece a pena ir lá ler o resto…

Aguardo, sentado que a idade não perdoa, que os excelsos Doutores em Ciências da Educação elaborem um estudo e lavrem respectivo relatório que explique aos professores do ensino artístico, com ciêntífico rigor, como se deve ensinar música para atingir os patamares que Cecilia Bartoli e os solistas do Il Giardino Armonico aqui exibem e, se não for pedir muito, se nos mostram o caminho para encher salas com um público interessado e exigente, que sabe o que ouve e o que quer ouvir.
Não se precipitem que a gente tem tempo…


Vivaldi, Antonio, aria Agitata da due Venti da opera La Griselda, RV 718

Ora aí está, pessoal, estamos na vanguarda, o que é preciso é criatividade, nem mais, assim do tipo, ou me dás uma nota decente ou boto-te um mau na avaliação!
E isto parece ser apenas um começo, atendendo ao ânimo do Sr. Reitor
Aguardo, com a maior das expectativas, que o desenlace seja passarem os alunos a darem as aulas porque assim assegurar-se-ia, dignamente, a competitividade e a produtividade bem como estimularia a livre concorrência!
Eu, francamente, até iria mais longe, acabava com todos os maniqueístas processos de contratação de professores com uma medida icontornavelmente democrática - os alunos é que elegeriam os professores para cada cadeira!
Poderíamos muito bem vir a ter…, eu sei lá, por exemplo, o Major Valentim a dar Ética, o Dr. Pina Moura a dar Gestão de Carreiras ou até a Sra. D. Cinha Jardim a dar Moral num curso de Teologia!
Criatividade, calma e…, e o resto já temos que sobeje!

É suposto um gajo agradecer prendas para mais quando se trata de bálsamos para a alma. Obrigado Susana e permite que aqui exiba a prenda por ser um dos meus filmes preferidos.

As Time Goes By de Herman Hupfeld, tema que se celebrizou pela voz de Billie Holiday e eternizou-se no filme Casablanca, aqui com Dexter Gordon, Herbie Hancock, John Mclaughlin, Ron Carter e Billy Higgins no filme Round Midnight de Bertrand Tavernier de 1986.

Penhoras e hasta pública, nada? O Estado não tens bens para pagar o que deve ou está acima da lei? (notícia Fábrica de Conteúdos)

Tal como a maioria das pessoas de bom-senso, quando dei com a notícia, senti que a censura e a perseguição política estavam de volta. E de facto assim é, mas mal o perseguido vem exibir o cartão de militante de um partido político, a minha indignação esmoreceu.
Problema meu? Talvez, mas o certo é que as pessoas que insistem em manter-se arregimentadas num qualquer desses polvos clientelares merecem-me cada vez maior desconfiança!
Problema meu, eu sei, mas acho mesmo que a questão não me diz respeito: a directora da DREN e o perseguido de hoje, que poderá ser o perseguidor de amanhã, que se entendam.

No processo de, para já, veladas intenções do Ministério da Educação de destruir o Ensino Artístico em Portugal com base num relatório apresentado, duas vulnerabilidades de monta sofrem as Escolas de Ensino Artístico, para além das oriundas de cerca de 30 anos de estupidez legislativa por parte tutela, que poderão revelar-se fatais para se defenderem deste ataque grosseiro:

1 – muito poucas a têm uma Associação de Pais instituída ou, se a têm, não a acarinharam nem promoveram uma interacção suficientemente forte para que, como parceira educativa, saia agora a terreiro para defender o ensino que os filhos beneficiam;

2 – as escolas particulares e cooperativas de ensino artístico nunca trataram de organizar-se numa associação específica que conhecesse os seus problemas e as representasse com propriedade, estando inseridas na AEEP – Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, que representa praticamente todas as escolas privadas de Portugal, sendo as de ensino artístico uma muito pequena minoria.

Em relação a esta segunda vulnerabilidade nada poderá ser feito em tempo útil, mas quanto à primeira ainda as escolas estão a tempo de contactar directamente os pais para esclarecer as alterações já anunciadas pela tutela e pedir o seu apoio para a manutenção dos serviços prestados, caso seja do interesse dos seus clientes.
Nas escolas de ensino artístico onde como consultor de gestão presto colaboração já esta urgente medida foi ou está a ser tomada.

Se estas provas não foram para classificar os alunos (como deveriam ter sido) nem foram para avaliar professores (como deveriam ter sido se as escolas tivessem gestores profissionais com objectivos atribuídos para a escola e os professores com objectivos atribuídos por aluno e por turma) será que alguém do Ministério da Educação me saberá explicar para que servem, afinal?

ps: sobre o assunto ver este post da Cristina Vieira no Contra Capa.

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou hoje, no final de um almoço promovido pela Ordem dos Economistas sobre a Ota, que “a Margem Sul é um deserto”? e por isso seria uma “obra faraónica”? fazer aí o futuro aeroporto de Lisboa.
“Na Margem Sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio”?, discursou o governante, acrescentando que, de acordo com um estudo recente, “seria necessário deslocar milhões de pessoas”? para essa zona para justificar a construção do novo aeroporto.
Segundo Mário Lino, fazer um aeroporto “no Poceirão ou nas Faias”? seria o mesmo “que construir Brasília no Alto Alentejo”?
. (via Público)

Há dias foi o Sr. Procurador-Geral a insultar-me na Assembleia da República quando afirmou que isto dos blogues é uma vergonha, agora vem este senhor dizer que afinal o Alentejo é uma região para esquecer!
Sabem o que eu vos digo, meus senhores, vão à bardamerda e agora ponham-me um processo!!!

Neste post no Indústrias Culturais o Rogério Santos relata as participações dos conferencistas no Colóquio sobre Televisão e Crianças que ocorreu na Universidade Católica por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais. Estupefacto (ver adenda), leio o que Sara Pereira, investigadora da Universidade do Minho com ensaios publicados que muito prezo, e o que Quintino-Aires, presidente do IPAF - Instituto de Psicologia Aplicada e Formação, disseram:

(…) os educadores são a família e os pedagogos (escola, professores), não devendo competir esse papel à televisão. Sara Pereira

(…) nada na televisão influencia uma criança se o que ela vê não se relaciona com um adulto (o mediador, como Sara Pereira se referiu). Quintino Aires argumenta que, para se formar uma opinião ou ter uma reacção, é preciso construir um símbolo do que se vê. Para ele, vive-se no século XXI com demasiados medos quando se fala da construção da criança. Quintino-Aires

Conhece-se e sabem com toda a certeza estes conferencistas, até porque até têm estudos publicados que o referem, que a televisão é hoje quem mais valores consegue transmitir às crianças e adolescentes (cerca de 70% na Catalunha e 74% na Califórnia), positivos e negativos, é certo, mas todos eles importantes para a formação da sua identidade, não necessitando de qualquer adulto mediador para serem assimilados, desde que sejam aceites pelo grupo - os colegas de referência.
E é, a meu ver, nesta conformidade que se deve reequacionar o mainstream de considerar que à televisão não compete educar uma vez que o faz, mesmo que não seja essa a pretensão dos editores, e de forma anárquica por desregulada estar!
Hoje, atendendo ao facto de a televisão ser o mais poderoso meio de comunicação junto das crianças e adolescentes, dever-se-ia equacionar que papel poderia o audiovisual desempenhar na Educação e na Formação de Identidades de forma articulada, até curricular com as escolas, e que sentido faz, neste enquadramento, continuar a insistir numa definição de Serviço Público de Audiovisual que é omissa quanto à sua responsabilidade educativa.

adenda: o que aqui escrevi deve ser analisado em consonância com as clarificações que Rogério Santos deixou na caixa de comentários.

Em 1956 Lopes-Graça já se insurgia contra a iliteracia musical em Portugal devido ao desinteresse em aumentar o número de escolas. Fica aqui o link para a muito apropriada citação que a Ana C. fez no Art&manha, deixando eu uma outra do mesmo livro:

O ensino da música acha-se em Portugal reduzido a quatro escolas: (..). Não será necessário entrar em largas considerações para se deduzir quanto estas quatro únicas instituições estarão longe de satisfazer às necessidades do País e de poderem, só por si, contribuir para uma vasta e eficiente educação musical da nossa grei. A difusão e descentralização do ensino da música seria assim uma das medidas a encarar por uma política cultural de visão ampla. Diga-se o que se disser, Portugal não é um país musical, quer dizer que a música não ocupa um lugar de grande relevo, nem se considera devidamente o papel que ela pode representar como elemento de educação e cultura.

Lopes-Graça, Fernando, A Música e os seus Problemas III, Sobre o Problema do Ensino da Música em Portugal, pags. 145 e 146, Edições Cosmos, reed. de 1973

Hoje, a descentralização do Ensino Artístico é uma realidade, com perto de 100 escolas a funcionar por todo o pais com resultados à vista em termos de número de músicos profissionais no activo, mas eis que um relatório feito certamente por mui iluminados académicos pretende liquidar, sumariamente, o que a muito custo se conseguiu construir nas últimas décadas!
Que crédito poderá merecer um relatório que apenas, e só, aponta para o desinvestimento do Estado na Educação Artística?
Nenhum, de facto! Não sabe do que fala, faz tábua rasa da história recente do Ensino Artístico e nem sequer procurou conhecer a realidade existente, in loco, escola a escola, do país!

Muito concreta, sucinta e assertiva a reflexão de Magna Ferreira que demonstra o profundo desconhecimento da realidade por parte dos autores do relatório sobre a avaliação do Ensino Artístico no Para lá das Paredes. Deixo um excerto, mas aconselho vivamente a leitura integral:

«(…) os próprios autores do documento agora sujeito a discussão pública, não assumem o seu relatório como conclusivo, pelo que nenhuma iniciativa legislativa poderá ser promovida validamente por invocação das intuições que aí se plasmam.
Pelo contrário, antes de qualquer iniciativa legislativa, urge antes uma discussão pública efectiva de todos os actores do ensino artístico nacional, sem descuidar a participação activa do Ministério da Cultura, dos representantes do Ensino Superior – das Artes em particular - e, no contexto possível, da sociedade Portuguesa e da sua administração. Não podemos isolar a avaliação e disparar argumentos sem que contextualize e se faça a interacção entre os diversos responsáveis e agentes educacionais e culturais do país (…)»

César Viana sobre o Ensino Artístico em comentário deixado atrás:

A ausência de especialistas tem sido uma constante em praticamente todas as propostas de reforma do ensino artístico. Parece existir uma desconfiança básica por parte do funcionalismo do ME em relação aos que poderiam dar contributos decisivos. Também é verdade que em alturas cruciais do passado os especialistas se perderam em questões corporativas e de carreira, perdendo assim oportunidades preciosas, mas o seu lugar é incontornável. O ensino artístico está a ser tratado ao nível da formação de vendedores de telemóveis. Nas artes, a relação mestre/discípulo (no que ela presume de exemplo, lealdade, intimidade, respeito…) é insubstituível e tem de ser a base de qualquer regulamentação.

César Viana

A ler o que Paulo Bastos escreveu no Tónica Dominante donde retiro o excerto:
Nada tenho contra o regime Integrado como modelo a seguir, mas (…) esta ambição de mudança de um sector que precisa de ser mexido, não pode ser fruto de uma encomenda cara (essa sim, foi cara com certeza!) a uma equipa de pretensos “especialistas”?, porque afinal de contas fomos nós todos que pagámos este enfadonho e malévolo relatório.
Começamos a convergir no essencial!

Esta coisa de que o cigarro mata, que o sexo oral provoca cancro da boca, preservativo até em casa, um gajo começa a sentir-se tão encurralado que, porra, tem de fugir em frente, sei lá, para o charro, pá…, um gajo assim é que não…
E daí…, não, não é para mim! A erva tudo bem, meu, e a ganza até pode dar boa trip! Agora passar a vida a enrolar é que não é para a minha paciência!

de Alice Valente

Estou a ler (só agora) com todo o cuidado o Relatório Final (Fev.2007) do Estudo de Avaliação do Ensino Artístico e estou muito compreensivelmente estupefacta! E porquê assim tão admirada? Basta começar a saber quem é quem pela formação profissional-académica dos responsáveis do Relatório.
Isso mesmo: há que dar trabalho aos teóricos do nosso país e aí estão eles contentinhos por bem teorizarem sobre tudo e mais alguma coisa. Trabalham para os currículos, é uma fartura de curriculares vidas… Belo país este!… O que é um psicólogo entende de educação artística, tem por acaso sensibilidade ou algum conhecimento nalguma das áreas artísticas? É que a psicologia não lida bem com a arte e o artístico, é um «outro» que lhe é extremamente estranho e por isso se distancia em suas formulações de referências de seus especialistas autorais…
Afinal que esperamos destes avaliadores ? NADA, claro está!!!… 3 da área da Psicologia e 3 Anas que serão o quê, professoras ou também psicólogas? E há o principal o coordenador que diz que os responsáveis são os outros: a sociedade! É fácil psicanalizar o que nos rodeia, é só apontar o dedo não o apontando directamente (assim escondidinho), ou seja, é-se bem educadinho, fazendo que faz, não fazendo, por ora assim ser, o que acontecerá é em que hábitos ensinados e aprendidos, mais um recém-chegado às lides com obrigatoriedades para estragar o pouco que ainda está… Pois!
Palavras psicológicas do coordenador: Já não temos um país para este tipo de ensino artístico… Aliás, se me perguntar quem é o responsável pelo preocupante cenário, respondo-lhe: a sociedade em geral.
É esta a forma conveniente e generalizada, sempre tão típica dos discursos dos psicólogos e do psicologicamente correcto… Mas que malandragem que anda para aí assim tão freudo-conscientemente aceite!
Não nos preocupemos mais, basta assistir à derrocada total! Serão eles próprios os 3 x 3, ou seja, os não conhecidos e os desconhecidos, seguindo-se-lhes depois e também os ministeriais dos pacotes encomendais que virão, muito brevemente, pedir socorro ao povo (dos pais e alunos mal sucedidos) não porque os julgais mas que ainda assim os culpais!
Sim a Escola, o Ensino, a Família… estão todos Mal, todos doentes e com tantos especialistas que curam! Não será por todos se terem entregue, necessária e lascivamente, no divã cómodo dos estudos e mais estudos freudo-psicológicos e psico-lacanianos de aconselháveis relatórios e mais relatórios desaconselháveis a nada admitirem ao Fazer pelo Pensar e Sentir?

Alice Valente

Passei este comentário para post por ser um dos poucos textos com o qual me identifico na totalidade.
Antes de qualquer dissertação sobre o Ensino Artístico é fundamental denunciar a paupérrima qualidade, a ausência de sensibilidade e falta de seriedade deste relatório de burocratas que não faz a mínima ideia do que diz, nem procurou apurar o que se passa, de facto, no Ensino Artístico em Portugal!

Quando um gajo anda por aqui há um certo tempo desabitua-se de felicitar os aniversários dos blogues amigos. Contudo, dois há que nunca esqueço por terem sido os responsáveis por esta torrente de asneirada que por aqui venho jorrando: o desta Senhora e o deste Professor - 4 anos!!!
Para a menina, mais requintada, claro, dedico esta versão do Joe Cocker de 1969 do tema dos Beetles:


Para ele, mais solto e desempoeirado, deixo esta, também pelo Joe Cocker, do mesmo tema:

Um grande abraço para ambos!

e sem Paixões nem Lucílios, ò rapaziada, amanhã toca mas é a ganhar e deixem as tremideiras para depois!

Ficamos ontem a conhecer os administradores executivos que o Secretário de Estado da Cultura nomeou para o OPART, Organismo de Produção Artística, E.P.E., que tutelará a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro de São Carlos.
O Henrique Silveira, através de quem tomei conhecimento, entendeu dar para já o benefício da dúvida por entender que a direcção parece ser técnica e competente na sua área, mas eu não posso pactuar com o que atrás anunciei àcerca do estatuto da empresa - o facto de os administradores executivos não terem autonomia de gestão no que concerne à nomeação dos directores artísticos nem, consequentemente, à avaliação do seu desempenho, pelo facto de Mário Vieira de Carvalho reservado para si tal responsabilidade, com força de Decreto Lei (ponto 2- do Artigo 16.ª da SECÇÃO III do ANEXO ESTATUTOS DO ORGANISMO DE PRODUÇÃO ARTÍ?STICA, E. P. E. do Decreto-Lei 160/2007).
Este ponto impede que o OPART (ver arquivo) seja uma empresa na sua verdadeira acepção, nem pública nem privada, não é uma empresa, pois a sua administração executiva não está autorizada a executar na sua plenitude, contradizendo até o prescrito tanto no Decreto Lei que estabelece Estabelece o Regime Jurídico do Sector Empresarial do Estado e das Empresas Públicas, onde o ponto 3 do Artigo 15.ª estipula que, cito, Sem prejuízo das obrigações definidas no presente diploma ou em legislação especial, os administradores disporão de independência técnica no exercício das suas funções, como no Decreto Lei que regula o Estatuto do Gestor Público, nomeadamente com todo o Artigo 5.º sobre os Deveres dos Gestores, especialmente no prescrito na sua alínea c), passo a citar, Acompanhar, verificar e controlar a evolução das actividades e dos negócios da empresa em todas as suas componentes, publicado apenas um mês antes deste relativo ao OPART!
Nesta conformidade, estimado Henrique, não se trata de uma questão de pessoas (se bem que desconheço currículo relevante nas áreas que importam - gestão cultural e empresarial), mas da própria forma! Não deixa de ser, como direi, notável, que sendo Pedro dos Santos Moreira um reputado académico na área de Gestão de Recursos Humanos, lhe esteja vedada essa vertente no que aos Directores Artísticos do OPART diz respeito!
Insisto, porque não vejo razão para alterar o que atrás afirmei, que a forma como Mário Vieira de Carvalho constituiu o OPART, E.P.E. foi muito pouco transparente para não dizer que terá sido um descarado embuste!