Ler e reler o texto do Dragão sobre o “progresso” e a “modernização”. Deixo um pequeno excerto:

(…) em que consiste realmente essa tal “modernização que canta”? Bem, tudo indica que consiste, fisicamente, em acantonar a população num imenso subúrbio (excepto, naturalmente, a nomenklatura jet-seita reinante, mais a sua insaciável corte de serviçais e bobos de serviço); e, psicologicamente, em terraplenar toda a cultura, justiça ou tradição (ou mera hipótese de qualquer uma delas) a uma pardacenta – e sórdida – mentalidade suburbana.

(…) por crime de participação económica em negócio no caso de uma permuta de dois terrenos nas Antas com quatro lotes da frente urbana do Parque da Cidade, na freguesia de Aldoar. (via Jornal de Notícias)

Acho bem, corrupção e compadrio, cadeia com eles mas, ainda assim, pergunto-me se não padecerá o Ministério Público de falta de pessoal lá para os lados de Lisboa…
Ou se calhar não, poderá ser uma política de poupança de energia (ao preço que está a electricidade!!!) que o impeça de ter alguma luz…

Noticia o Diário Digital.
Compreende-se, deve haver muito poucos internados. A gente vê-os todos aí à solta inclusivamente a desempenhar funções de relevo social e administrativo!

Ainda a propósito do concerto de Lang Lang escreve a Teresa Cascudo assim:
A diversão é uma das marcas da cultura do nosso tempo, tal como a mistura de nobreza e vulgaridade e a incapacidade de seguir uma ideia (musical) durante mais de, digamos, 5 segundos…
Desenquadrei o texto do contexto, mas mesmo noutro contexto, que enorme texto, Teresa!

A ler atentamente o que Francisco José Viegas vem escrevendo a propósito dos critérios de avaliação das provas de português dos 4º e 6º anos (aqui, aqui, aqui e aqui, até ao momento). Deixo um excerto:
Não entendo como os alunos podem mostrar «que compreenderam» um texto, explicando-o através de uma amostra de erros ortográficos. Sempre pensei que escrever mal era pensar mal, interpretar mal, explicar mal..

Em declarações à agência Lusa, o director do Gabinete de Avaliação Educacional, Carlos Pinto Ferreira, explicou que a prova de Língua Portuguesa dos 4º e 6º anos testa a compreensão de texto, o conhecimento da língua e a expressão escrita, competências avaliadas em separado para permitir aos serviços da tutela identificar as lacunas dos alunos em cada uma. (Público)

Trata-se de um método de avaliação, diz quem sabe, mas eu que não sou especialista permitam-me a pergunta em português escorreito e sem erros ortográficos:
Se os meninos não sabem ler nem escrever querem que compreendam o quê, o caralho?
Dasssss, não há mais pachorra para esta gente que teima em não deixar ensinar!!!

A Beleza - Filo Cafe IncomunidadeNo próximo Sábado, dia 2 de Junho, o Incomunidade promove mais um Filó-Café dedicado ao tema A Beleza, no Clube Literário do Porto, na Rua Nova da Alfândega, n.º 22, no Porto, pelas 17:30h.
O Alberto Augusto Miranda tem concretizado um trabalho notável na realização e difusão destes muito interessantes encontros culturais através do blogue Incomunidade.
As inscrições estão ainda abertas (inscrições para o email: incomunidade@gmail.com) , embora haja já bastantes participantes para a iniciativa que conta com a apresentação do livro de Rogério Carola, A Beleza da tua Alma faz-me Tremer:

Alberto Augusto Miranda (porto, teatro), Alexandre Teixeira Mendes (porto, pensamento), Alice Valente (lisboa, artes), Amilcar Mendes (porto, poesia), Ana Marta Fortuna (Porto, teatro), António Pedro Ribeiro (braga, poesia), Artur Alonso Novelhe (ourense, poesia), Belém Andrade (Compostela, poesia), Carlos Lourenço (sto antonio dos cavaleiros, performance), Conceição Paulino (porto, poesia), Concha Rousia (Xinzo de Lima, poesia), Henrique Dória (porto, pensamento), Hugo Veloso (rio tinto, performance), Isabel Rosas (matosinhos, poesia), Jorge Taxa (porto, pensamento), José Manuel Barbosa (braga, poesia), Pedro Estorninho (lisboa, teatro), Peter Jensen Silva (braga, música), Rogério Carrola (tortosendo, poesia), Salviano Ferreira (oliveira do douro, poesia).

ps: fotografia de Sabine Leve

texto de César Viana sobre o relatório de avaliação do Ensino Artístico deixado em comentário a este post.

O objectivo do ensino artístico é formar uma comunidade de profissionais cuja capacidade e qualidade permitirá o florescimento deste tipo de excelência. Os objectivos não podem ser as carreiras, nem a sensibilização nem todo esse chorrilho de correcção política que nos querem impingir. Assistimos ao regresso dos especialistas em cultura geral, como no tempo da famigerada educação pela arte. Ora acontece que há receitas que já falharam por todo o lado (inclusivamente em Portugal!!!) e não podemos retroceder décadas.
O tipo de relação mestre/discípulo que conduz aos resultados de excelência está mais do que tipificada por esse mundo fora, não é preciso inventar nada (haverá sim que adaptar às realidades locais, tendo em conta a experiência acumulada). E o principal e incontornável é que são os artistas quem pode formar artistas, não os funcionários do ensino. É isso que esta cambada de frustrados das artes que se viram para estas carreiras paralelas não pode suportar, embora o saiba. São uma praga, uma catástrofe para a música em Portugal.
Assusta-me verdadeiramente que possamos vir a ser o único país da Europa sem uma estrutura de ensino artístico séria e eficaz. Não basta ter cursos superiores, todo o percurso desde os graus mais básicos tem especificidades incompatíveis com a transformação das escolas de música em liceus.
O facto de estar ausente e fora do ensino há alguns anos rouba-me o tempo para poder contribuir de um modo mais positivo com propostas, mas aqui deixo um grito de revolta conta a cambada do eduquês que, desta vez, parece finalmente ter poder para lixar isto tudo.
Não estou de acordo com muitos aspectos do que tem sido o ensino artístico em Portugal, mas o que se passa neste momento nada tem a ver com opiniões ou discordâncias, tem a ver com carreiras de licenciados em cursos sub-pseudo-musicais; tem a ver com mediocridade; com inveja; com ignorância irresponsável.
No ensino artístico há coisas que estão bem e coisas que estão mal, mas o que está a pretender-se com este relatório é a acabar com as primeiras e a promover as segundas.

César Viana

Tomo conhecimento através do Francisco José Viegas.
O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação deu ordens para que nas primeiras partes das provas de aferição de Língua Portuguesa do 4.º e 6.º anos, os erros de construção gráfica, grafia ou de uso de convenções gráficas não fossem considerados. (Diário de Notícias)
Eu bem perguntei…

A propósito do relatório lavrado sobre o Ensino Artístico por especialistas em Ciências da Educação leia-se a análise que a Alice Valente escreveu sobre o currículo da licenciatura destes excelsos especialistas, cuja finalidade, transcrevo:
A Licenciatura em Ciências da Educação não tem por finalidade habilitar para o exercício de funções docentes, mas sim, proporcionar uma formação de base para especialistas e técnicos superiores com capacidade para desenvolverem actividades de educação e formação (…)
Gosto disto, em especial, definir o objecto começando por: não tem por finalidade (…)!!! Deve ser um curso assim, tipo…, deixa ver…, A Educação da Educação!
Depois queixam-se que Nuno Crato foi muito mauzinho quando escreveu o Eduquês