Dia do trabalhador, sim, eu sei mas, preciso, o 1 de Maio de 1974 em Portugal.
Depois do 25 de Abril anterior, aquando do golpe militar para acabar com a guerra ultramarina e derrubar a ditadura, seguiu-se uma semana que muito poucos terão o privilégio de viver – a ingenuidade de um punhado de militares vitoriosos e a espontânea adesão popular de norte a sul do país.
Nessa semana o povo e os militares desmantelaram, sem sangue, a estrutura policial da ditadura, resgatando os presos políticos, acolhendo os exilados, destruindo os edifícios da Pide/DGS, perseguindo e denunciando (por vezes injustamente) os seus funcionários e informadores, desenvolvendo e consolidando uma livre aliança que culminou com a presença de milhões de pessoas na celebração do 1 de Maio.
A beleza de Abril, consubstanciada na espontaneidade do Povo e do MFA, durou uma semana, cujo auge se atingiu no 1 de Maio. A partir daqui as estruturas partidárias já montadas e outras que se foram formando, arregimentaram militares e pessoas que se deixaram, mais uma vez ingenuamente, acantonar sob a égide de ideologias paradisíacas e de religiões tuteladas e tutelares, que estavam ao serviço de interesses internacionais poderosos e bem prosaicos.
Foi uma semana, uma semana em que houve Povo, onde este livremente se exprimiu e os militares acolheram – uma semana que, apesar de irrepetível, recordo com alegria e sonho, também na minha própria e muda ingenuidade, que um dia, talvez, até poderia ser possível!
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“foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou”
abraço
Acho que não, Rui, não foi por engano…
Obrigado pelo comentário
Claro que não. O sonho está adormecido, quem sabe como o beijo do príncipe à Bela Adormecida. Estamos sem emprego, sem vida prória, tudo assusta, medo do abismo, medo de não ter pão, há-de haver o dia…