Ensino Artístico e Educação Artística

Parece que a imperiosa necessidade do ensino artístico não consegue, definitivamente, mobilizar as pessoas para defender a sua inclusão generalizada na educação, que artística deveria também ser e não embrulhada numa confusão chamada de enriquecimento curricular.
Sinto-me cansado de bater no ceguinho (desajustada expressão porque até um cego consegue ver), farto de Ministros e Secretários de Estado que pretendem varrer o pouco que há, entristecido com artistas e agentes culturais que apenas pensam nos subsídios estatais para dar espectáculos, mesmo que público não tenham; enjoado com programadores que vão despejando o que lhes dá na real gana, com maior ou menor qualidade, sem cuidarem do fundamental – o investimento na educação artística (a par dos demais saberes, é claro) é o único caminho seguro para a formação de novos públicos, uma vez que um público conhecedor é o retorno garantido para que cada vez mais espectáculos possam acontecer.
O conhecimento não faz com que as pessoas sejam melhores que outras nem as torna mais felizes! Trata-se de uma questão de Ser, de sermos mais plenos.
Para quem ainda não assimilou a premência da educação artística em contexto curricular desde a infância deixo um vídeo de Bobby McFerrin, captado em Leipzig, sem necessidade de comentários nem legendas! Para quem quiser continuar a não querer entender ou a fazer ouvidos de mercador, olhem, foda-se!

Bobby McFerrin e Público – Bach-Gounod, Avé Maria

ps: Este texto foi inspirado num comentário que a Alice Valente deixou num post atrás, num email que a Filipa Taipina me enviou onde estava o vídeo, os quais alicerçam a tese que venho defendendo Educação em Cultura.
Muito obrigado às duas pela inspiração, desobrigando-as, claro, do f*** que me saiu.


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  1. 7, Maio, 2007 a 16:18 | #1

    Ahh!
    Mas ele há gente que se vai mexendo!
    http://movarte.wordpress.com/

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  2. 7, Maio, 2007 a 16:15 | #2

    Caro Carlos,
    este assunto da educação artística, e da música em particular, é para mim demasiado penoso…
    A coisa funciona de tal forma mal em mim que não consigo sequer ler o tal documento na sua totalidade! Tenho uma série de partes deste texto seleccionadas com o objectivo de comentar mas a vontade não aparece. Já andei uns anos às turras com estas questões e tudo ficou na mesma, tive muitas vezes grandes expectativas, acreditei em algumas equipas orientadas pela tutela (com quem trabalhei no Encontro Nacional do Ensino Especializado da Música em 1998), enfim, um grande desgaste e uma falta de resultados desastrosa. Reconheço que este discurso derrotista é muito mau mas de momento é aquele que posso ter. Mesmo nos posts que costumo publicar (Ensino “muito pouco”? Especializado da Música) no meu blog, nem aí, a vontade de fazer um pouco de “ironia”? surge…
    A coisa está mesmo má.

    Responder

  3. 7, Maio, 2007 a 23:31 | #3

    Pois é, estimado Paulo Bastos, montes de estudos se fizerem para ficarem na gaveta, mas este, sim este que foi feito por alguém que nada percebe nem pretendeu procurar saber sobre o que se passa no ensino artístico em Portugal, é que vai ser levado em conta!
    Porquê?
    Ora, Paulo, porque permite que o Ministério da Educação reduza em muito os seus gastos!
    De facto, já quando atiraram a música no 1º ciclo para uma coisa chamada de enriquecimento extra-curricular ficámos logo a saber que para aquele Ministério o ensino artístico é encarado assim como uma coisita para ocupação de tempos livres, assim mais ou menos um sítio onde as crianças e adolescentes devem ir quando os pais não podem ou não estão para aturar os filhos!

    O Movarte vai-se mexendo, sim estimado Paulo Bastos, mas sempre com a Escola do Conservatório Nacional…!!! Ò Paulo, como é que será possível unir as pessoas se 84% das escolas vocacionais de ensino artístico são privadas e quase só se fala das públicas, quando não só do Conservatório de Lisboa?

    É difícil, muito difícil assim!

    Abraço e obrigado pelo comentário.

    Responder

  4. 8, Maio, 2007 a 00:25 | #4

    Pois é caro Carlos,

    Ver a Market Square de Leipzig cheia de gente, à chuva, a cantar o Ave Maria de Gounod, enquanto o Bob McFerrin canta o prelúdio do Bach, parece Marte mas fica a quatro horas de avião. O concerto está em DVD, chama-se Swinging Bach e aconselho vivamente a compra.

    Há muitos anos fui a Hamburgo dar um ceoncerto, às 9 da manhã estava cheio de gente e às 9.05 estavam a refilar comigo que já estava atrasado 5 minutos. Eu envergonhei-me e corri. Tinham sido todos muito profissionais e eu estava habituado aos horários portugueses…
    Mas o que mais me tocou foi a cultura musical daquele público. Todos sabiam um pouco de música e tocavam algum instrumento.

    É triste o atrofio mental em que o ensino se transformou. Tenho 3 filhos. Será que os tenho de tirar da escola e dar-lhes formação alternativa?

    abraço,

    rui

    Responder

  5. 8, Maio, 2007 a 16:35 | #5

    “É triste o atrofio mental em que o ensino se transformou.”, escreveu o Rui.
    Há quem diga que é uma consequência do crescimento muito rápido do sistema. Eu prefiro dizer que resulta de um crescimento sem qualquer objectivo que não passe pelos dígitos a subirem. Houve pouca reflexão, nenhuma visão e os resultados estão à vista. Tantas vezes que já pensei nessa do tirar a minha filha da escola. Tantas.

    Carlos,
    Eu já não trabalho em nenhum Conservatório mas acompanhei o processo de duas formas: além de ler todo o documento, estive a conversar com a minha esposa e outros professores, reflectindo sobre o labirinto que é aquele escrevinhado. Acabei por não ler o “parecer” resultante das reuniões do Pedagógico, na sua versão final, mas pareceu-me que as pessoas estão muito preocupadas mas pouco envolvidas. Muitas acham que, no final, alguma coisa se vai salvar. Este espírito, bem português, costuma acabar com maus resultados. Um ponto no qual creio que todos concordamos é o de que há que mudar alguma coisa. Na minha óptica, por exemplo, deverá dar-se maior autonomia às escolas e o ME poderá dar apoio, ao nível da estruturação dos planos de estudo e da criação e actualização dos programas. O ME deverá ficar confinado a um papel de regulador e de verificação do cumprimento das metas e objectivos a que as escolas se propõem. As Academias e Conservatórios deverão ser o coração das actividades musicais nas escolas de ensino básico. Estas deverão proporcionar o trabalho musical no horário lectivo e não nos “tempos livres”.

    Um abraço!

    Responder

  6. 10, Maio, 2007 a 14:42 | #6

    Ora aí está onde se prova, Rui, que o único caminho seguro e com resultados melhor garantidos (embora longo) para a formação de novos públicos é a educação artística generalizada e de qualidade e não o financiamento exagerado de espectáculos nem actividadezitas lúdicas extra-curriculares.
    Obrigado e abraço.

    Responder

  7. 10, Maio, 2007 a 14:53 | #7

    Estimado Carlos Semedo
    É para eu assinar ao lado? Claro, se ainda houver espaço!

    as pessoas estão muito preocupadas mas pouco envolvidas. Muitas acham que, no final, alguma coisa se vai salvar. Este espírito, bem português, costuma acabar com maus resultados.
    É o que está a acontecer! Pouco envolvimento dos professores, mas também dos Encarregados de Educação e sem o seu envolvimento…, nada feito!!! Por outro lado, os poucos que tentam fazer algo, é cada grupo à sua maneira, de costas voltadas uns para os outros, defendendo as suas capelitas, não querendo cuidar de saber que esse é o caminho para todos serem sacrificados!

    As Academias e Conservatórios deverão ser o coração das actividades musicais nas escolas de ensino básico. Estas deverão proporcionar o trabalho musical no horário lectivo e não nos “tempos livres”?.
    Pois deviam, mas não são! A Educação Artística no 1º Ciclo está entregue às Câmaras Municipais que contratam quem muito bem entendem, perdão, não contratam, pagam à peça e, para mais, tarde e a más horas!
    Mas é exactamente este esquema de avençados que o Ministério da Educação pretende alargar para as Escolas de Ensino Vocacional, para se livrar daquilo que entende fazer crer que se trata de mais uma actividade lúdica!
    Obrigado pelo comentário e Abraço.

    Responder

  1. 7, Maio, 2007 a 09:07 | #1
  2. 7, Maio, 2007 a 09:28 | #2
  3. 15, Maio, 2007 a 16:14 | #3
  4. 11, Fevereiro, 2008 a 19:48 | #4
  5. 11, Fevereiro, 2008 a 22:05 | #5
  6. 11, Fevereiro, 2008 a 23:10 | #6
  7. 13, Fevereiro, 2008 a 04:42 | #7
  8. 28, Março, 2008 a 01:18 | #8

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