Transcrevo uma resposta a um excelente desafio que o Rui Rebelo me lançou neste post.
Não posso garantir que Mega Ferreira tenha por objectivo ser Ministro da Cultura, estimado Rui! O que escrevi é que só consigo entender a razão dos shows mediáticos de que tem sido protagonista se for essa a sua pretensão.
Trata-se de uma dedução e não de uma certeza! Certeza só o próprio poderá ter.
Sobre as trapalhadas do Ministério da Cultura, Rui, tento acompanhar dentro do possível, denunciando sempre o que não me parece bem e apoiando o que de bem foi feito mas, não fugindo à sua questão, não sei se há mais trapalhadas da Ministra do que entre esses tais agentes culturais de Lisboa que aponta!
Não ouso generalizar o que entendemos por agentes culturais porque dentro deste conceito incluo uma grande maioria de gente capaz, íntegra e empreendedora, mas se olhar para aqueles que detêm certos poderzitos clientelares muito espartilhados, ò Rui, estamos conversados! Que dizer da programação do Centro Cultural de Belém e dos que estão a girar em torno de Mega Ferreira, do projecto Estado do Mundo da Gulbenkian, da programação deste trimestre da Casa da Música, de algumas iniciativas da Culturgest (algumas, note, porque considero, de uma forma global, a programação exemplar)? Sente-se ou não uma rede estabelecida no mainstream de se apoiarem uns nos outros em projectos de qualidade e interesse, no mínimo, muito duvidosos e muito menos proveitosos?
Torno a ressalvar, estimado Rui, que estes são uma minoria e que em Lisboa acontecem eventos de muita qualidade e interesse mas, infelizmente, esses são os que menos se conseguem fazer ouvir, talvez, precisamente, pela sua integridade intelectual.
Regressando às trapalhadas, Rui, será que não estaremos de acordo que as do Ministério da Cultura estão muito longe do número e da gravidade das que têm acontecido e estão para acontecer no Ministério da Educação, como por exemplo a liquidação que preparam do ensino artístico, público e privado, em Portugal?
É pela conjugação de todas estas constatações, Rui, que estou absolutamente de acordo consigo no que concerne à existência de um Ministério para gerir a Cultura, só que não considero solução a sua transformação numa Secretaria de Estado - nada mudaria, seria uma mera alteração administrativa!
A tese que venho defendendo e insistindo sob o título Educação em Cultura aponta, como sabe, para uma Gestão Global e Integrada da Cultura, onde as tutelas da cultura, da educação e do audiovisual têm uma única missão, objectivos complementares e articulados entre si, tese que, até ao momento, nada conheço que a osbte, que demonstre a sua inviabilidade nem que mostre não ser este o melhor caminho a trilhar.
Abraço e muito obrigado, estimado Rui Rebelo, por me obrigar a reflectir.
tags: Audiovisual, Cultura, Educação, Educação Artística, Ensino Artístico, Gestão Cultural
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Caro Carlos,
Obrigado eu pois muito me honra que o Carlos faça um post em resposta ao meu singélo comentário, no seu blog que tanto aprecio.
Quando me referia aos “bastidores dos agentes culturais” não me referia aos ditos agentes mas sim às pessoas que lá trabalham, gente de uma forma ou de outra ligada profissionalmente às artes e que vai sabendo de trapalhadas que não chegam aos jornais. Da Ministra, do Secretário de Estado, dos diversos institutos, etc. Do IA então dava para escrever um livro de anedotas.
Estou totalmente de acordo consigo em relação “aqueles que detêm certos poderzitos clientelares muito espartilhados” como disse o Carlos “estamos conversados”.
Na minha opinião a única função do MC é gastar dinheiro em institutos inúteis e incompetentes e por isso (apesar de não ser solução), no actual estado das coisas, mais vale termos só uma Secretaria de Estado pois sempre se poupa dinheiro e se pode concentrar mais facilmente num único serviço gente qualificada e independente.
Gostaria de poder reflectir melhor sobre estas questões e fazer um comentário mais fundamentado mas as minhas vindas a Portugal são muito curtas e tenho sempre mil coisas para fazer. Felizmente lá fora o estado das artes e da educação anda melhor de saúde. É triste é que tenhamos de ir para fora para termos reconhecimento e condições de trabalho
Desculpem o meu escasso conhecimento acerca destes assuntos, quando falam do ensino artístico estão a falar das escolas que o têm integrado com o curriculo normal, ou em programas que possam existir nas escolas “normais” salvo seja ?
passei, li, com calma voltarei
Abraço
Em relação à sentença de morte que o Ministério da Educação pretende aplicar ao Ensino Artístico Especializado, tudo já aqui foi dito. Só me resta expressar o meu apoio.
Sobre o Ensino Artístico que deveria fazer parte integrante dos currículos das escolas ditas de Ensino Regular, nem vale a pena fazer qualquer referência porque é completamente inexistente.
Não se pode conceber que a Ministra da Educação nos tente convencer que, ao dotar as escolas de ensino regular com as chamadas actividades de enriquecimento curricular, o ensino dos conservatórios e escolas particulares de ensino especializado seja considerado dispensável na formação de cada individuo.
Convém frisar aos mais desatentos, que as ditas actividades não fazem parte do currículo, já que são facultativas, e podem ser orientadas por qualquer pessoa desde que tenha algum “jeitinho” para a música, já que não existe uma norma que regule as qualificações mínimas exigidas para se exercer tal função - o de enriquecer ou “desenriquecer” (talvez seja mais adequado o termo)os mais interessados.
Entristece-me muito verificar a apatia dos pais, por ignorância, dos profissionais- professores, músicos- por preguiça,comodismo e talvez até por alguma ingenuidade.
Entretanto já percebi que fiz mal em chamar ao ensino regular, “normal” e pelo facto aqui me penintencio. Eu gostava que no ensono regular houvesse um cv integrado, mas não posso deixar de notar pela minha experiência presente, que há problemas bem grande com o resto das disciplinas do curriculo, problemas esses que já me mobilizam em demasia para o tempo que tenho disponível.
Sobre a questão das habilitações para a “leccionação” das actividades de aquecimento canicular têm-me contado coisas extraordinárias. Professores de Educação Física ou de outras áreas a trabalharem Música. Jovens que estão a estudar música em Escolas Superiores e que começam a trabalhar com os alunos do 1º Ciclo sem qualquer preparação pedagógica e sem a mínima ideia sobre o que é espectável fazerem. Nenhuma ou quase nenhuma coordenação.
Mas está a ser um “sucesso”.
Quando escrevi esta resposta a um comentário seu, Rui, sabia bem que o nosso pensamento confluía embora houvesse alguns termos e significados a precisar.
Obrigado e abraço.
Estimado Mário Pires
Quando eu falo de ensino artístico referi-me à globalidade dos regimes em que ele é desenvolvido em Portugal sob a designação de ensino vocacional: integrado, articulado e supletivo.
A educação artística prestada nas escolas de Ensino Regular (as que o Mário Pires designou de normal) não se inclui no ensino vocacional e são o que o Estado entende prestar integrado nesse mesmo tipo de ensino, como seja as disciplina de Educação Musical no 2º ciclo, ministrada por professores com habilitações específicas para o efeito, mas diversas das exigidas no Ensino Vocacional prestado nas escolas de música, vulgarmente chamadas de Conservatórios e, algumas poucas, Escolas Profissionais públicas (uma minoria) ou privadas com paralelismo pedagógico reconhecido pelo Ministério da Educação.
Há outras escolas, muito poucas, onde o chamado Ensino Regular se transforma em Ensino Integrado, pois alia-se o o vulgo do Ensino Regular com o Ensino Vocacional. Este modelo é o que defendo (e julgo que também a maioria das pessoas que se importam com a Educação Artística), embora seja com este pretexto que o Ministério da Educação pretende, agora, dizer que a Educação Artística ou é praticada no regime integrado ou passará a ser considerada como enriquecimento extra-curricular facultativo, desobrigando-se o Estado de o subsidiar por considerar ocupação de tempos livres.
Este pensamento inviesado é o que suporta o que o Ministério da Educação pretende - deixar de subsidiar o ensino artístico ministrado pelas escolas de música em regime supletivo, ou seja, o regime que se praticada há mais de um século e que é o que mais alunos inscritos tem!
O que o Ministério da Educação pretende, dito assim a direito, é pura e simplesmente deixar de financiar os chamados Conservatórios e condená-los à falência imediata, pois o modelo integrado que propõem funcionará por opção dos pais e em muito poucas escolas - quatro em Lisboa (três de Música e uma de Dança), uma no Porto, uma em Braga, uma em Espinho, uma em Famalicão e talvez uma em Coimbra!
Poucos professores serão integrados nesses escolas e uma esmagadora maioria de crianças e adolescentes ficará sem acesso a qualquer tipo de Educação Artística Vocacional ou Integrada, uma vez que o outro regime que ainda não abordei, o articulado (aulas na escola de Ensino Regular e aulas na escola de Ensino Vocacional) agora que começa a dar os primeiros frutos também será abandonado pelo Ministério da Educação!
Penso que respondi à sua dúvida, estimado Mário Pires, mas poderá dar uma voltinha por este post antigo onde enuncio os regimes de Ensino Artístico.
Muito obrigado e abraço cordial.
Muito obrigado pelo visita e comentário, estimado Delfim Peixoto.
Estimada Ana Cancela
Não deixou espaço algum para comentar o que escreveu! Está tudo dito e bem escrito!
Obrigado pelo comentário.
Sobre o 1º Ciclo, estimado Carlos Semedo, em Lisboa…, e no Porto? As histórias são por demais caricatas!
Mas a verdade é que o que o Ministério da Educação é aplicar estes princípios e critérios às Escolas de Ensino Vocacional, vulgo Conservatórios, sob o pretexto de ser uma actividade lúdica!
Abraço e obrigado pelo comentário.
Fiquei mais a par do problema, vou ver o post antigo e já aqui voltarei.
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