Neste post no Indústrias Culturais o Rogério Santos relata as participações dos conferencistas no Colóquio sobre Televisão e Crianças que ocorreu na Universidade Católica por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais. Estupefacto (ver adenda), leio o que Sara Pereira, investigadora da Universidade do Minho com ensaios publicados que muito prezo, e o que Quintino-Aires, presidente do IPAF – Instituto de Psicologia Aplicada e Formação, disseram:
(…) os educadores são a família e os pedagogos (escola, professores), não devendo competir esse papel à televisão. Sara Pereira
(…) nada na televisão influencia uma criança se o que ela vê não se relaciona com um adulto (o mediador, como Sara Pereira se referiu). Quintino Aires argumenta que, para se formar uma opinião ou ter uma reacção, é preciso construir um símbolo do que se vê. Para ele, vive-se no século XXI com demasiados medos quando se fala da construção da criança. Quintino-Aires
Conhece-se e sabem com toda a certeza estes conferencistas, até porque até têm estudos publicados que o referem, que a televisão é hoje quem mais valores consegue transmitir às crianças e adolescentes (cerca de 70% na Catalunha e 74% na Califórnia), positivos e negativos, é certo, mas todos eles importantes para a formação da sua identidade, não necessitando de qualquer adulto mediador para serem assimilados, desde que sejam aceites pelo grupo – os colegas de referência.
E é, a meu ver, nesta conformidade que se deve reequacionar o mainstream de considerar que à televisão não compete educar uma vez que o faz, mesmo que não seja essa a pretensão dos editores, e de forma anárquica por desregulada estar!
Hoje, atendendo ao facto de a televisão ser o mais poderoso meio de comunicação junto das crianças e adolescentes, dever-se-ia equacionar que papel poderia o audiovisual desempenhar na Educação e na Formação de Identidades de forma articulada, até curricular com as escolas, e que sentido faz, neste enquadramento, continuar a insistir numa definição de Serviço Público de Audiovisual que é omissa quanto à sua responsabilidade educativa.
adenda: o que aqui escrevi deve ser analisado em consonância com as clarificações que Rogério Santos deixou na caixa de comentários.
Tags: Audiovisual, Educação, Educação em Cultura

















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Eu espero ter sido fiel ao que esses dois elementos disseram. Contudo, se algum erro existe na transcrição das suas ideias, a responsabilidade é totalmente minha. Pelo que se ficou estupefacto, deve atribuir à minha interpretação do acontecimento e não às pessoas que supostamente disseram o que lhes atribui.
Habituei-me, ou melhor, habituou-me o próprio Rogério Santos, a considerar o Indústrias Culturais um blogue isento nas reflexões que produz e rigoroso na informação que reproduz.
No entanto, pela sua ressalva, nada me incomoda retirar o adjectivo de “estupefacto” até porque é dispensável neste contexto, onde não pretendo atingir ninguém particularmente, mas alertar que pode ainda haver pessoas que nos querem fazer acreditar que a televisão é inócua no que à transmissão de valores a crianças e adolescentes diz respeito. Este é o ponto que pretendia realçar.
É tempo de aproveitar esse facto, o de a televisão ser o canal de eleição para a transmissão de valores para esse grupo etário (o mais vulnerável no que à formação de identidade diz respeito), colocando-o ao serviço da educação, de forma articulada e harmoniosa com os currículos escolares.
Atendendo à sua clarificação deixarei uma ressalva e uma adenda no próprio post.
Muito grato pela sua precisão e comentário.
Abraço