O Ensino Artístico e o Eduquês
texto de César Viana sobre o relatório de avaliação do Ensino Artístico deixado em comentário a este post.
O objectivo do ensino artístico é formar uma comunidade de profissionais cuja capacidade e qualidade permitirá o florescimento deste tipo de excelência. Os objectivos não podem ser as carreiras, nem a sensibilização nem todo esse chorrilho de correcção política que nos querem impingir. Assistimos ao regresso dos especialistas em cultura geral, como no tempo da famigerada educação pela arte. Ora acontece que há receitas que já falharam por todo o lado (inclusivamente em Portugal!!!) e não podemos retroceder décadas.
O tipo de relação mestre/discípulo que conduz aos resultados de excelência está mais do que tipificada por esse mundo fora, não é preciso inventar nada (haverá sim que adaptar às realidades locais, tendo em conta a experiência acumulada). E o principal e incontornável é que são os artistas quem pode formar artistas, não os funcionários do ensino. É isso que esta cambada de frustrados das artes que se viram para estas carreiras paralelas não pode suportar, embora o saiba. São uma praga, uma catástrofe para a música em Portugal.
Assusta-me verdadeiramente que possamos vir a ser o único país da Europa sem uma estrutura de ensino artístico séria e eficaz. Não basta ter cursos superiores, todo o percurso desde os graus mais básicos tem especificidades incompatíveis com a transformação das escolas de música em liceus.
O facto de estar ausente e fora do ensino há alguns anos rouba-me o tempo para poder contribuir de um modo mais positivo com propostas, mas aqui deixo um grito de revolta conta a cambada do eduquês que, desta vez, parece finalmente ter poder para lixar isto tudo.
Não estou de acordo com muitos aspectos do que tem sido o ensino artístico em Portugal, mas o que se passa neste momento nada tem a ver com opiniões ou discordâncias, tem a ver com carreiras de licenciados em cursos sub-pseudo-musicais; tem a ver com mediocridade; com inveja; com ignorância irresponsável.
No ensino artístico há coisas que estão bem e coisas que estão mal, mas o que está a pretender-se com este relatório é a acabar com as primeiras e a promover as segundas.
tags: Educação Artística, Ensino Artístico, Gestão Cultural, Indignações, Relatorio Avaliação Ensino Artístico
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Nem mais, isto é que é importante! Não interessa a formação dos “doutores” que lavraram um relatório às arrecuas, que ia com as conclusões já tiradas, mas sim aquilo que ele preconiza. Assusta-me o rumo que as coisas estão a tomar, com a complacência de todos nós, silenciosos e passivos, a ver o que vai dar.
Excelente esta análise de CÉSAR VIANA, em que aproveito para salientar a comentar estes dois excertos :
E o principal e incontornável é que são os artistas quem podem formar artistas, não os funcionários do ensino. É isso que esta cambada de frustrados das artes que se viram para estas carreiras paralelas não pode suportar, embora o saiba. São uma praga, uma catástrofe para a música em Portugal.
Na Arte em toda a extensão do que é a ARTE, na Música, na Poesia, na Pintura, na Escultura, na Dança e em sua Arte Coreográfica, nas Artes Performativas e Artes Cénicas, etc., só se pode verdadeiramente APRENDER com o autor ou com o Artista em toda a sua OBRA Artística e, jamais o contrário ou nesta nova moda da inversão de papéis e funções…
(…) mas o que se passa neste momento nada tem a ver com opiniões ou discordâncias, tem a ver com carreiras de licenciados em cursos sub-pseudo-musicais; tem a ver com mediocridade… com ignorância irresponsável.
E toda esta situação tem a ver com um medo do insucesso, com o MEDO de não serem bem sucedidos, e assim antecipam-se numa qualquer inteligente-esperteza em novas fórmulas (em cursos e mais cursos e formatadas formações da preguiça da não-criação) em tentativas da fabricação da pseudo-obra em curriculares, livrescas e novelescas da construção da Não-Obra, acabando inevitavel e posteriormente por se auto-defraudarem… que é o que já está a suceder em Portugal, pois! É que já estão a dar demasiadamente nas vistas com estas tão estupidificantes formas (que se poderão um dia serem de consideradas de criminosas) de se arrogarem a não possibilitarem o desenvolvimento dos valores e dos talentos artísticos no Ensino e no nosso país, tornando-o cada vez mais pobrezinho e miserável em todos os sentidos……
Um abraço
Alice
Complacência, silêncio e passividade, Sónia A., é deveras assustador, bem mais do que o que a malandragem com assento no M. E. anda a obrar e lavrar!
Obrigado pelo comentário.
Pois é, Alice, mas também é verdade que isto tudo está a acontecer (citando a Sónia A.) com a complacência de todos nós, silenciosos e passivos, a ver o que vai dar.
Obrigado pelo comentário.
Isto está a ficar tão aterrador que até custa comentar.
Parece que está a chegar a hora de fazer uma recolha de assinaturas para obrigar os senhores deputados a pronunciarem-se sobre o assunto.
Nesse dia marcamos um encontro com a Caras para o Sr. Santana Lopes não aparecer, não vá ele lembrar-se dos concertos de violino do Chopin…
Abraço
Aterrador, sim Ricardo, é o termo adequado, mas encontros…, debates e conferências isso é mais para os senhores do Ministério da Educação!
Abraço
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