Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Junho, 2007

A propósito de um diálogo sobre Chopin e pianistas preferidos que se iniciou no Art&manha, passou pela Teresa, pelo Paulo e pela Sónia, pelo Ricardo, pelo Heitor, pelo César Viana, não pelo Henrique mas sei que ouviu e leu, por um(a) anónimo(a) zangado(a) com a gente, pela minha tímida arrogância de confessar não ser sensível às Mazurkas até a Teresa me dar a conhecer o Moravec, aqui vos deixo a Heróica, a Polaca n.º 6 em Lá b M. op. 53, interpretada por mais famosos, mais ou menos famosos, ainda pouco famosos, para se deliciarem e, se quiserem ousar, elegerem as vossas preferências.
Seis interpretações diferentes dispostas por ordem alfabética do primeiro nome do intérprete: Artur Rubinstein, DongMin Lim, Elena Kuschnerova, Gyögy Czifra, Rafal Blechacz e Vladimir Horowitz. O último vídeo endereço àqueles que não pretendam a tão exaustiva maçada de ouvir interpretações da mesma peça, une petite nuance, um momento único, um exemplo do que querem fazer ao nosso ensino artístico - 10 marmelos a tocar a heróica ao mesmo tempo formados em piano pelo método Suzuki!
Bom fim de semana.

adenda: A interpretação de Pollini foi acrescentada a posteriori.
ps: as minhas desculpas aos fãs por não ter encontrado no YouTube versões de Lipatti, Michelangeli e Richter

há 4 anos no Memória Virtual! Parece que foi ontem…, mas também se sente que, de tão de nós ser, dura há uma vida!

é o que afirma Vital Moreira e pronto, eu até acho que sim, foda-se, desde que não mije para cima de mim!
É que o problema da liberdade e das respectivas incontinências é mesmo esse - tudo bem desde que não sobre para gente! Nos outros, ò pá, prontos, paciência, é chato, pá, mas agora na gente é que não!
A este propósito, das incontinências e do mandar calar, ler o post do Francisco Nunes no Planície Heróica.

Festival MusicAtlantico

A 8.ª edição do Festival MusicAtlântico contará como é habitual com a direcção artística de Gabriela Canavilhas e terá como tema principal A Voz no Tempo.
A edição deste ano vai ser dedicada à VOZ e ao riquíssimo repertório escrito para aquela que é a expressão musical mais “original”?, de entre todas – a voz humana. Com uma componente vocal destacada, o Festival apresenta-se nas nove ilhas dos Açores com propostas musicais diversificadas, onde a voz é o veículo artístico principal.
(…)
Um total de 17 concertos de 28 de Junho a 9 de Julho, nas nove ilhas dos Açores, 12 dias de celebração da voz como instrumento primordial da história da música
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Programação (linK):

- The Swingle Singers ;
- Orquestra Metropolitana de Lisboa (5 concertos: 2 com Elisabete Matos e 3 com Ana Ferraz);
- Mediae Vox Ensemble (5 concertos);
- L’Arpeggiata (2 concertos);
- King’s Singers;
- Barbara Furtuna (3 concertos);

Citando o cineasta alemão Wim Wenders, numa sua recente declaração, a realidade é que ninguém ama um país pela sua economia, por mais forte e estável que ela seja, mas pela sua Cultura! Isabel Pires de Lima no discurso de inauguração do Museu Colecção Berardo (lido no ALI_SE entre outros excertos)
Pois é, senhora Ministra, mas os contabilistas e os agiotas que mandam na economia não querem saber disso para nada e, enquanto os empresários não virem que a cultura como um investimento de futuro, pouco ou nada poderemos almejar para lá dos gritos que de nossa alma conseguirmos fazer rugir!

Gabriela Canavilhas anunciou hoje (ontem) a sua demissão do cargo de presidente da Academia de Educação, Música e Cultura (AMEC), que tutela, entre outros organismos, a Orquestra Metropolitana de Lisboa. A demissão tem efeito a partir de 1 de Setembro. (notícia Público)

Excelente timming, diria mais, timming excelente!

ps: textos relacionados por ordem cronológica inversa.

O presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, António Gomes Pinho, defendeu hoje a extinção do Ministério da Cultura e a sua substituição por uma secretaria de Estado, autonomizando as instituições actualmente dependentes da tutela.
(…)
“Teria outro significado: iria promover a libertação de um conjunto vastíssimo de instituições da tutela do Estado”, acrescentou.
(…)
Com “as poupanças resultantes da extinção do Ministério da Cultura”, o administrador de Serralves defende a constituição de um fundo — gerido profissionalmente — e que contratualizaria as funções culturais definidas como prioritárias, a longo prazo, com as várias instituições. (via Público)

De repente, como que por artes mágicas, apareceu primeiro o Dr. Rui Rio e agora o Dr. António Gomes de Pinho a defender que o mal da cultura é a existência de Ministério dedicado e que a sua passagem a Secretaria de Estado tudo resolveria!
É muito mau que pessoas com tanta responsabilidade saiam a terreiro a defender que uma mera cosmética administrativa - a passagem de Ministério a Secretaria de Estado - resolve os problemas de que padece a cultura em Portugal! Dá a ideia de que ouviram umas coisas aqui e outras ali e colam-nas sem nexo!
Por outro lado, pasme-se, não advoga e muito menos reivindica que o Estado deva, antes de mais, estabelecer uma política e modelos de gestão cultural assumidos, transversais e transparentes.
Inusitado é, para mais, não apelar ao investimento privado e sustentar que o importante é que o Estado constitua um fundo para financiar várias instituições, prioritárias no seu entender, e no entender de cada governo que em sorte nos calhe, ou seja, continuar com a subsídio-dependência, mas só para alguns, os eleitos de cada governo! Nada há de mais perigoso neste momento do que deixar ao critério dos aparelhos partidários a distribuição de fundos sejam eles para a cultura, educação ou outra qualquer área!
Estimado Dr. A. Gomes de Pinho, o que o senhor defendeu só viria favorecer o que neste momento é o cancro do sistema - o financiamento do Estado ser feito a bel-prazer dos governantes, sem uma missão, objectivos nem modelos de gestão e de controlo definidos e transparentes!
Volto ao que venho defendendo na tese Educação em Cultura, o estabelecimento de uma política cultural do Estado orientada para as escolas, que terá de ser, forçosamente, transversal a várias tutelas dispersas por vários Ministérios, i.e., uma Gestão Global e Integrada da Cultura, onde as tutelas da cultura, da educação e do audiovisual tenham uma única missão, objectivos complementares e articulados entre si, obrigando a uma reformulação profunda na constituição dos governos para que tal seja possível.
Passo a citar (link):

Sem esquecer a essência da escola – ensinar – o que está hoje em causa, em especial nos primeiros anos de escolaridade, diria até aos 16 anos, é dotar as crianças e adolescentes de uma vivência multidisciplinar integrada o mais abrangente possível, onde o habitat digital seja natural, permitindo-lhes adquirir uma consciência crítica que propicie a construção de identidades, com fundamentos éticos e morais, capazes de participar e interagir criativamente na construção deste novo mundo – a passividade na sociedade digital conduz, inevitavelmente, a fracturas na coesão social.
Neste contexto, as soluções não poderão continuar a ser um exclusivo do Ministério da Educação! A questão é educativa, é certo, mas antes do mais, é cultural, de gestão cultural, mais precisamente (política cultural se se preferir), onde a interdisciplinaridade será obrigatória, envolvendo, profissionais de educação, sim, mas sociólogos, antropólogos, psicólogos, artistas, especialistas de audiovisual e media digital e, necessariamente, de gestores capazes de traçar objectivos precisos e objectivamente quantificáveis e avaliáveis
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Festival Muisca EspinhoO 33.º Festival Internacional de Música de Espinho decorrerá entre os dias 6 e 29 de Julho, sendo organizado pela Academia de Música de Espinho (link), que engloba no seu projecto a Escola Profissional de Música de Espinho (link) e a Orquestra Clássica de Espinho - OCE (link), estando a direcção artística este ano a cargo de Alexandre Santos e João Pedro Mendes dos Santos. Todos os concertos terão lugar no novíssimo Auditório de Espinho-Academia.

Apesar de não estarem já directamente ligados ao Festival, aproveito para enaltecer o trabalho de décadas da família Neves em prol da música em Espinho, do fundador e de seus filhos Fausto e Gisela.
Hoje é toda uma equipa que vem consolidando uma posição de particular relevo nacional no que à música clássica diz respeito, a qual se pode constatar pela riqueza e equilíbrio da programação do Festival deste ano. Serão 15 concertos (ver programação em detalhe) onde poderemos escutar:

Festival Musica Espinho-FIME 2007

- Augustin Dumay / Violino, Alexei Eremine / Piano
- Quarteto Ysaye
- Festival Junior - “À volta do mundo”
- Tânia Achot / Piano
- Bernardo Sassetti / piano
- João Paulo Esteves da Silva / Piano
- Mario Laginha Piano / Trio
- Festival Junior - “Contos musicais”
- Stacey Kent
- Quarteto com Piano de Moscovo
- Festival Junior - “Musicando os animais”
- François Leleux / Oboé Ensemble do Festival
- Romain Garioud /Violoncelo, Andreas Frolich / Piano
- Orquestra Clássica de Espinho, Coro de Lisboa Cantat, Ana Quintans / Soprano, Miguel Bernat, Rui Sul Gomes / Percussão, Cesário Costa / Maestro
- Ivo Pogorelich / Piano

Parabéns a toda a equipa que vem conseguindo, de ano para ano, elevar a qualidade deste evento e, por que não, à Câmara Municipal que nunca recusou os apoios necessários para que ele aconteça.

A propósito de alguns comentários colocados no youtube sobre a paródia que fiz a propósito da ante-esteria da encenação de La Féria no Rivoli, gostaria de lembrar alguns factos e partilhar algumas memórias sobre o Jesus Christ Superstar de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice.

Jesus Christ Superstar começou por ser apenas um LP, editado em 1970. Só depois de encenado, primeiro em 1971 no “Mark Hellinger Theatre” em Nova Iorque e dpois no “Palace Theatre” de Londres, em 1972, é que se tornou no espectáculo que hoje conhecemos e recebeu a designação de Opera Rock, tendo passado para filme só em 1973 já com outro elenco.
É curioso saber que John Lennon pretendia o papel de Jesus, mas os autores entenderam não lho entregar por terem receio que a sua presença abafasse o todo da peça. Consta que os nomes de Mick Jagger e David Cassidy também foram equacionados, mas a escolha recaiu sobre Ian Gillan, o vocalista dos Deep Purple.
E foi com um Jesus moreno de longos e ondulados cabelos pretos (Ian Gillan) que eu tive a sorte de assistir levado pelos meus Pais sem saber ao que que ia, em Agosto de 1972 em Londres, tendo comprado o respectivo LP.
Nessa altura o elenco era o seguinte:
Murray Head - Judas; Ian Gillan - Jesus; Yvonne Elliman - Maria Madalena; Victor Brox - Caifás; Brian Keith - Anás; John Gustafson - Simão Zelotes; Barry Dennen - Pilatos; Paul Davis - Pedro; Mike d’Abo - Herodes.

O VI Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães decorrerá de 7 a 15 de Julho sob a direcção artística de Pedro Caldeira Cabral. Apesar de não beneficiar do castelo como palco para os concertos por se encontrar em obras de recuperação, conta com um programa de qualidade, dando um especial enfoque nos autores galego-portugueses e também nas tradições sefardita e árabe segundo nas palavras do músico organizador.

Concertos:
07 de Julho - Mediae Vox Ensemble na igreja de Parambos;
08 de Julho - Amar contra o Silêncio na igreja de Zedes;
14 de Julho - Ensemble Amadis na igreja de Pombal de Ansiães;
15 de Julho - La Batalla no Centro Cívico.

ps: informações mais detalhadas ver notícia do Diário de Trás-os-Montes.

Guilhermina Suggia - casaDa Associação Guilhermina Suggia, em boa hora formada e mantida por Virgílio Marques, autor do blogue Guilhermina Suggia, recebemos um convite que é expansível a toda a população do Porto e, em particular, a todos que, como eu, acham que ainda muito há a fazer para manter viva a memória desta nossa insigne violoncelista.

A Associação Guilhermina Suggia e a Câmara Municipal do Porto têm a honra de o convidar a assistir à colocação de uma placa evocativa na casa onde viveu e morreu a Grande Violoncelista – Rua da Alegria, n.º 665, Porto. A placa, da autoria da Escultora Irene Vilar, será descerrada no próximo dia 27 de Junho, às 18.30 horas.

Enquanto não nos livrarmos destas pessoas do eduquês, que pensam que as crianças são burras e à pala disso elaboram as mais rebuscadas teses de mestrados, doutoramentos e quejandos, a Educação no 1º Ciclo, nomeadamente a artística, estará entregue, tal como aconteceu já este ano, conforme há um ano alertei, a pessoas sem habilitações adequadas nem experiência, contratadas à peça e remuneradas à hora!
A Educação Artística para esta gente continua a ser um apêndice lúdico, esquecendo, ou não sabendo, que a expressão artística é mais antiga que a matemática, a física ou a escrita e não pode ser encarada como uma actividade de lazer! Deve, como saber e conhecimento fundamental para a construção da narrativa pessoal de cada aluno, ou se preferirem, como instrumento basilar para a formação da(s) identidade(s), estar a par e conjugada com os demais saberes! (link)
São pessoas como a sra. Prof.ª Dr.ª Lucília Salgado da Escola Superior de Educação de Coimbra, a qual apresentou uma comunicação sob o título Emergência de conhecimento a partir de práticas: apresentação do Estudo sobre o Enriquecimento Curricular em escolas apoiadas pela ESEC, inserida no encontro promovido pela ESEC, Aprender em Tempo de Lazer: o Enriquecimento Curricular que, ao não compreenderem tal necessidade, amputam as crianças de uma parte substancial dos instrumentos necessários ao seu desenvolvimento. Defendeu a senhora:
As actividades de enriquecimento curricular dos alunos do 1º ciclo devem ser realizadas em perspectiva lúdica e não como mais horas de aulas (…)
(…)
O problema são os tempos de lazer das crianças. Têm 25 horas de aulas por semana, mais dez horas de aulas de enriquecimento curricular, mais trabalhos de casa.
(…)
Lucília Salgado defendeu uma pedagogia “próxima do brincar, actividade em que a criança aprende imensas coisas”, que tem por base a teoria do lazer: descansar, divertir e desenvolver.
(…)
A criança deve aprender de forma lúdica. Não deve ser carregada com mais trabalhos escolares formais, mas ter uma aprendizagem através de actividades culturais.
(excertos retirados do Público)

Isto só pode ser brincadeira! Continuo, francamente, sem perceber para que servem estas Escolas Superiores de Educação, em especial, no que à educação artística diz respeito e que cada vez cativam menos alunos para os seus politécnicos cursos!

É a estes especialistas, sejam os das Escolas Superiores de Educação sejam os das Ciências da Educação que o Ministério da Educação se agarra para, paulatinamente, ir empobrecendo a educação das crianças e adolescentes e desmotivando (não tenho a mínima dúvida) os bons professores! Esta é a lógica do Professor Único, assunto sobre o qual também escrevi (aqui e aqui) muito do agrado do Sr. Secretário de Estado Valter Lemos!
Num momento em que sobre tudo e todos recaem suspeições, seria prudente que o Governo evitasse de alguma forma que se possa pensar que há estudos encomendados à medida dos interesses do Ministério da Educação!




Acredita, estimada Teresa, que andei estes dias todos às voltas para conseguir dizer mal desta interpretação do Ivan Moravec da Mazurca em La min. op. 17/4 de Chopin que me enviaste! Ele não toca o Chopin que eu defendo - um romântico não melado de arrebatadas paixões com contrastes bem marcados; ele toca isto muito lento, demasiadamente lento para uma Mazurca que se quer uma dança, num andamento e ambiente quase de nocturno; utiliza, diria, 5 f’s em vez de 3, bem, um não sei quantos defeitos tentei arranjar, mas a verdade é que esta interpretação é de uma consistência irrepreensível, onde cada nota, uma a uma e todas elas, são cantadas diversamente num contexto global muito coerente, dentro de uma profunda interioridade que será, necessariamente, a do próprio Moravec.
Nestas coisas da arte e da música, em particular, o que sentimos é bem mais importante do que o que racionalmente possamos ou não defender e a capacidade de sermos surpreendidos é característica que nunca devemos perder. Esta interpretação de Ivan Moravec é, talvez, a melhor que conheço desta obra, sendo que foi o primeiro intérprete que conseguiu que eu gostasse de uma Mazurca de Chopin!
O meu obrigado.

desta vez endereçado pelo Kicker do Pontapé na Lógica! Pronto, agradeço, mas confesso que tantos pares até pode ser um estorvo…

O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre as coroas de Portugal e de Castela, e que definia a partilha do Novo Mundo entre os dois reinos, e cujo original português se encontra no Arquivo Geral das �ndias, em Sevilha, estando o castelhano na Torre do Tombo, foi um dos inscritos no registo Memória do Mundo da Unesco, representando Portugal e Espanha.
Portugal está ainda representado com o Corpo Cronológico – uma colecção que reúne mais de 80 mil documentos em papel e pergaminho datados dos séculos XV e XVI, existente na Torre do Tombo, em Lisboa. (título e notícia do Público)

Porra, tivemos sorte pelo facto da UNESCo não colocar estas maravilhas a votos!

Mais um texto, este de Rogério Matos no Insustentável, sobre a preocupação face às intenções do Ministério da Educação em relação ao Ensino Artístico. Deixo um pequeno excerto:

Essa escola irá, já no início do próximo ano lectivo, transformar-se no Conservatório de Música de Cascais, coincidindo com a sua mudança para as instalações de raiz que entretanto ficarão prontas. Mas entretanto, fomos já informados que, pese embora vir a tratar-se de um Conservatório, o Ministério da Educação não apoiará de modo nenhum, e em percentagem por mínima que seja, as propinas dos seus estudantes. (…) Estes serão para já os efeitos práticos das novas ideias do governo a propósito do ensino especializado da música. Deve ser para isto que se fazem as grandes reformas (ou refundações).

Em memória da memorável ante-estreia da encenação de La Féria de Jesus Cristo Superstar no Rivoli não queria deixar passar este elevado momento sem ofertar à selecta clientela deste blogue algo de apropriado e inesquecível.
Aqui vos deixo o meu singelo tributo, uma montagenzita com as imagens constantes no sítio da Câmara do Porto com uma música que me pareceu adequada às personagens, à circunstância e ao mui cultural e performativo ambiente.

ps: Como seria devido gostaria de divulgar o(s) autor(es) das fotografias, mas depois de muito procurar no sítio da Câmara do Porto não encontrei as devidas referências.

Ver o que a Teresa Cascudo escreve a propósito do relambório relatório encomendado pelo Ministério da Educação. Deixo um excerto mas, por favor, vão lá ler na íntegra:

(…) fiquei particularmente satisfeita, quase comovida, quando, folheando o dito Relatório, os autores me informaram de que, lá no fundo, o que eu tenho é mania de grandeza e a suspeita esperança da minha filha vir a pertencer à elite.

Ainda a propósito do famigerado relatório sobre o Ensino Artístico ler no Tónica Dominante a muito assertiva análise que o Paulo Bastos editou da autoria de Cláudia Nelson.
Deixo um excerto:

O facto de se tentarem induzir medidas que melhorem o actual estado das coisas é absolutamente crucial e pertinente o que, por outro lado, não parece ser correcto é tentar fazê-lo partindo da premissa negativista, à custa exclusiva da visibilidade do que não funciona ou o que está a funcionar mal, ignorando uma das vertentes mais pertinentes e pedagógicas da própria avaliação: “tornar também visível o que funciona, o que já funciona bem, para que daí se possam retirar ensinamentos para que o que ainda não funciona passe a funcionar melhor”.

A Procuradoria Geral da República, a instituição presidida pelo tal senhor que, em plena Assembleia da República, ofendeu a honra e o bom nome de todos que em blogues escrevem, convocou António Balbino Caldeira, autor do blogue Do Portugal Profundo, para prestar declarações como arguido. Transcrevo excerto:

Acabo de ser convocado para prestar declarações como arguido no âmbito de inquérito judicial relativo ao assunto do percurso académico (e utilização do título de engenheiro) de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa - além de outra convocação para depoimento como testemunha noutro inquérito relativo ao mesmo Dossier Sócrates. Desconheço o(s) crime(s) de que sou arguido - tendo sido eu que investiguei e publiquei este Dossier, depois desenvolvido na blogosfera e nos media. (excerto de post de Do Portugal Profundo)

Onde é que isto vai parar? E afinal, o Sr. Procurador lê ou não lê blogues?
ps: ler o que Paulo Querido escreveu a propósito no Cibercidadania

Nota prévia: ler textos anteriores - aqui e aqui

Não tendo o Ministério da Educação nem recursos financeiros, nem humanos, nem logísticos para implementar uma Educação Artística integrada curricularmente no ensino regular, de forma universal e gratuita como aconselha o Documento da Conferência Mundial sobre Educação Artística, que pretende dizer quando afirma pretender a refundação do ensino artístico especializado, particularmente nos domínios da Música e da Dança? (link)
Atente-se que o Ministério da Educação não apresenta uma política de educação artística por ténue que seja e, para cúmulo, despreza em absoluto o ensino do Teatro, das Artes Plásticas, do Cinema, enfim, demonstra através das suas próprias palavras apenas pretender mexer no que já existe, talvez fazer mais uma remodelaçãozita muito ao seu jeito de actuação nos últimos 30 anos, preconizando, contudo e sem explicações nem bases de suporte, que o regime de frequência dos alunos em todas as escolas públicas do ensino artístico especializado deve ser essencialmente o regime integrado, o que permite (no seu douto entender) a melhoria do trabalho pedagógico e a redução das taxas de retenção e de abandono por parte dos alunos.
Não, não é brincadeira de 1 de Abril, é mesmo o que lá está escrito, mas permitam que abra aqui um parêntesis para precisar alguns conceitos que venho utilizando os quais, conforme por email já me fizerem notar, poderão não ser inteligíveis se não os precisar.

Ora então aqui vai o que entendo por:
1 - Ensino Regular - o ministrado pelas escolas normais, primárias, 1.º, 2.º e 3.º ciclos;
2 - Educação Artística - ensino curricular obrigatório das diversas artes (música, teatro, dança, artes plásticas, cinema, ou seja, todas aquelas cujas obras clássicas ajudem as nossas crianças a conhecer quem fomos, a descobrir quem somos e porquê e, estimulem a sua criatividade própria) desde o pré-escolar inserido nos currículos das Escolas de Ensino Regular;
3 - Ensino Artístico Vocacional - ensino especializado numa daquelas áreas prestado em escolas preparadas para o ministrarem, vulgo Conservatórios;
4 - Regimes de frequência no Ensino artístico Vocacional:
4.1 - integrado - escola regular mais artístico na mesma escola;
4.2 -
articulado - ensino genérico na escola de ensino regular e ensino artístico nas escolas de ensino vocacional com currículos, horários e avaliações articulados entre as duas escolas;
4.3 -
supletivo - Ensino genérico nas Escolas de Ensino Regular e Ensino Artístico nas Escolas de Ensino Vocacional, sem qualquer género de articulação, seja de currículos, de horários ou de avaliação.

Ora atente-se que das praticamente 100 escolas de ensino artístico existentes e reconhecidas pelo Ministério da Educação às quais foi conferido paralelismo pedagógico, o Ministério da Educação pretende, pelos vistos, refundar o ensino artístico mexendo em (não vale rir) apenas 6 (SEIS), tantas quantas as que são públicas, já que todas as restantes ou são privadas ou cooperativas ou associações sem fins lucrativos!
Refundar o Ensino Artístico? Quem se acreditará nessa tão modesta intenção? Não, ao mexer, certamente nos currículos, o Ministério da Educação irá, seguramente, operar uma revolução sem paralelo em qualquer paralelo do terrestre globo!!!
E mais, conforme atrás provámos, pretende investir sem recursos financeiros, humanos nem especialistas das áreas no seu quadro de inspectores! Isto vai ser um case study a nível universal!

Falemos a sério porque estes senhores não pretendem brincar, mas sim atacar ferozmente ou mesmo liquidar o precário Ensino Artístico Vocacional que temos e em várias frentes de um só vez! Enumerem-se algumas das intenções curriculares já conhecidas:

1 - Pretendem liquidar o regime supletivo;
2 - pretendem matar de imediato o regime articulado;
3 - pretendem reduzir drasticamente a subvenção devida pelo estatuto de paralelismo pedagógico;
4 - pretendem interferir na autonomia das escolas ao preconizarem a praticamente abolição do currículo das chamadas disciplinas anexas do Ensino Artístico, nomeadamente a História da Música, a Análise a Técnicas de Composição, Acústica, Coro e Classes de Conjunto;
5 - pretendem destruir o ensino do instrumento porque alguém muito ligado às Ciências da Educação lhes terá dito que as aulas de instrumento em grupo são mais profícuas, assim do tipo, sei lá, escolinha Yamaha, Roland e afins!

Vejam estes dislates que o Ministério prepara já para o próximo ano lectivo apenas a nível curricular! Alguém tem dúvidas de que o que o Ministério da Educação pretende é destruir o Ensino Artístico e não refundá-lo, nem tão pouco melhorá-lo?
Vamos ponto a ponto demonstrar a total desonestidade intelectual que orienta quem semelhantes medidas preconiza:

1 - Para o bem e para o mal o regime supletivo é o que tem dados mais e melhores frutos, seja em Portugal seja nos países da Europa mais desenvolvida. Não é que eu o defenda, mas continua a ser o regime preferido por ter uma tradição europeia muito enraizada, a qual permite aos Encarregados de Educação controlar a evolução dos seus filhos separadamente, nas Escolas Regulares e nos Conservatórios, podendo a qualquer momento decidir se a sua vocação e empenho são bastantes para receberem dois tipos de ensino paralelos, se a sua vocação será mesmo a de enveredar pelo Ensino Artístico e, porque não, por entenderem que os seus filhos devem obter uma educação artística básica que o Ensino Regular não fornece, sendo que todas estas possibilidades são legítimas. E sendo legítimas, não pode o Ministério da Educação nem nenhum especialista da educação do ensino, apurar com um mínimo de rigor, se as desistências não são devidas ao facto de os Encarregados de Educação ou os próprios alunos entenderem que o grau de conhecimento que atingiram é suficiente!

L’objectif de l’éducation artistique n’est pas de former des artistes mais de promouvoir chez l’enfant et l’adolescent une sensibilité esthétique, d’initier les uns et les autres aux pratiques et aux langages artistiques et développer leur créativité. (Conferência Mundial sobre Educação Artística)

Por outro lado, a tradição do regime supletivo tem conseguido manter uma vantagem muito significativa no que ao Ensino Artístico diz respeito - a escolha do professor, do mestre. Não vai há muito tempo que o César Viana aqui lembrou, e muito bem, que passo a citar: O tipo de relação mestre/discípulo que conduz aos resultados de excelência está mais do que tipificada por esse mundo fora, não é preciso inventar nada (haverá sim que adaptar às realidades locais, tendo em conta a experiência acumulada). A escolha e adaptação recíproca entre o mestre e o discípulo é, no ensino artístico e julgo que noutras áreas também, a base de um caminho de sucesso partilhado, que o regime integrado, seguindo as regras do ensino regular não permite!

2 - Curiosamente o Ministério nada adianta em relação ao regime articulado! Porque será, terá vergonha? Duvido, parece isento a tal estado! Mas então qual a razão de tão ruidoso silêncio?
Simples, muito simples! Apesar de o regime estar há muito legalmente previsto só no decorrer do governo de Durão Barroso é que regulamentou a sua gratuitidade, embora não se tivesse vislumbrado publicidade a tão nobre medida, nem por parte do seu governo e seguintes nem por parte das escolas de Ensino Artístico!
De facto, enquanto no regime supletivo as Escolas de Ensino Artístico são livres de praticar o preço que entenderem, sendo que a subvenção do Estado é de 50% das despesas com professores, enquanto que o regime articulado preconizava a gratuitidade obrigatória para todos os estudantes sendo a subvenção do Estado 100% do vencimentos dos professores (note-se, apenas do vencimento, não contemplando despesas de deslocação e estadia)!
Apesar deste grande avanço, pelo facto de os alunos poderão auferir das mesmas condições curriculares que o regime supletivo contempla, pelo facto de as Escolas de Ensino Regular terem de articular com as de Ensino Artístico os horários e as avaliações, pelo facto de os Encarregados de Educação não despenderem nenhum cêntimo para que os seus filhos beneficiassem de uma Educação Curricular mais completa, o certo é que o sucesso não foi o previsível! Porquê?
Porque:
1 - Como as Escolas de Ensino Artístico das grandes metrópoles estão sobrecarregadas de alunos e com listas de espera intermináveis, para quê obrigar os professores (coitados) a terem a maçada de contactar e articular-se com os seus colegas do Ensino Regular?
2 - Porque as Escolas de Ensino Regular, muito organizadas e senhoras das suas competentes rotinas burocráticas, não estiveram para atender as necessidades de articulação dos seus alunos que pretendiam inscrever-se no regime articulado! Criar turmas especiais? Alterar o horário dos professores, era o que faltava! Ensino de Música…, puff…
3 - Porque rapidamente as administrações das Escolas de Ensino Artístico viram que a gratuitidade lhes dava prejuízo ao não receberem do Estado as despesas de deslocação e estadia que tinham por obrigação entregar aos professores!

Ainda assim, o crescimento dos alunos em regime articulado cresceu exponencialmente, em especial nas zonas menos urbanas, onde a capacidade de entreajuda parece ser mais fácil. Tudo parecia correr bem quando…, quando vem o golpe fatal donde menos se esperava - O Ministério da Educação, através das suas Direcções Regionais começou logo, no ano seguinte ao da implementação, a impedir as Escolas de Ensino Artístico de inscreverem no regime articulado mais do que x% da totalidade dos alunos inscritos! No ano seguinte chega às Escolas a notícia de que não aceitar nem mais uma inscrição no regime articulado para além dos que transitavam do ano anterior. De há 2 anos a esta parte as instruções são pura e simplesmente de não aceitar nem mais um aluno no regime articulado! Os que estão, estão, mas não podem aceitar nem mais um!!!

É por este último motivo que o Ministério da Educação não fala sequer do mais adequado dos 3 regimes de frequência do Ensino Artístico! O próprio Ministério da Educação é o principal responsável pela fraca adesão ao regime articulado e pelas desistências que tanto gosta de falar, uma vez que, apesar de subvencionado, o regime supletivo não é assim tão barato, para mais para quem tiver vários filhos!

É preciso de facto não ter o mínimo pudor para atirar para o as Escolas de Ensino Artístico a responsabilidade pelo grau de desistências que existe! O regime articulado é fundamental para se conseguir, organizadamente e com tempo, a passagem do regime supletivo para o universalmente integrado, para aqueles que não pretender enveredar por um Ensino Artístico Especializado, cumprindo o que a Conferência Mundial sobre a Educação Artística recomendou aos governos europeus:

(…) l’éducation artistique permet de contribuer de manière significative à l’amélioration des performances des élèves pour les acquisitions des capacités de lecture, d’écriture et de calcul, et d’apporter les bénéfices susmentionnés sur le plan social et humain, nous invitons les gouvernements à accorder à l’éducation artistique une place centrale et permanente dans les programmes scolaires, un financement adapté et un personnel enseignant présentant les qualités et les compétences requises, à intégrer au cÅ“ur du processus d’apprentissage les partenariats entre écoles, artistes et organismes culturels (…) (Document de Travail)

Como por aqui se comprova o comportamento do Ministério da Educação é deplorável - não se vislumbra outra intenção que não seja a de destruir o pouco que temos no que ao Ensino Artístico diz respeito!

Faltam ainda alguns pontos a esclarecer, mas apelo à vossa benevolência para continuar mais tarde.

Lindo, lindo esta coisa da cultura Rio / Féria! Cenas do Rivoli ontem fotografadas por Estela Silva.
As superestares da Caras lá estiveram como figuras incontornáveis do Porto.
Rivoli nSuperstarRivoli Superstar

ps: as fotografias foram sacadas, gentilmente, do Art&manha.

A Presidência da República enviou ontem uma queixa ao Conselho de Administração da RTP, por considerar “incompreensível que a transmissão daquelas cerimónias haja sido interrompida, contrariando uma prática há muito estabelecida e sem que quaisquer razões de programação o justificassem”. (via Diário de Notícias)

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o conselho de administração da RTP afirma ter apresentado «as devidas desculpas» à Casa Civil do Presidente Cavaco Silva, que, adianta, foi «esclarecida sobre o ocorrido» com a transmissão das comemorações oficiais do dia de Portugal, Camões e Comunidades.
A parte não emitida das comemorações, que este ano decorreram em Setúbal, será transmitida no domingo, 17 de Junho, à mesma hora. (via Agência Financeira)

Ainda há pouco tempo o governo foi chamado e acusado de tudo, e bem, por tentar manipular os serviços noticiosos da RTP, e agora, nada? Nadinha mesmo? É natural comó Compal ou será antes comó Melhoral que nem faz bem nem faz mal?

O cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício do Vaticano para a Justiça e Paz, defende que os indivíduos e as organizações que se sintam identificados com os princípios católicos devem retirar o seu apoio à Amnistia Internacional, depois de esta organização se ter declarado a favor da prática do aborto em certos casos, como violações e risco de vida para a mulher. (via Público)

Ò senhor Cardeal, que tal empenhar-se em denunciar às autoridades competentes todos os padres católicos pedófilos juntamente com a entrega de todas as provas que o Vaticano possui?

Lançado pela Emiele, o amigo Raul envia-me a comenda, mas o alzheimer não me ajuda a lembrar de tanta coisa! Aqui vão, no entanto, os livros que estou a ler e a reler:

- Complexity and Innovation in Organizations de José Fonseca;
- A Embriaguez Democrática de Alain Minc;
- O Crepúsculo do Dever de Gilles Lipovetsky;
- In Memoriam Bernardo V. Moreira de Sá de vários;
- Lettres à un jeune Pianiste de Jean Fassina;
- À Queima-Roupa de Dragão;
- Que é Arte? de Abel Salazar;
- A Corrosão do Carácter de Richard Sennet em boa hora oferecido por este amigo.

A vontade de Rui Rio concessionar o Rivoli a La Féria, bem como o respectivo inviezado processo, já por aqui foi por demais debatido, neste post e numa série deles ligados à polémica.
Que aconteceu de novo de então para cá? Aconteceu que La Féria entendeu vir para os órgãos de comunicação social dizer que a manifesta onda de má vontade existente quanto ao projecto de concessão de exploração (…) resultaria num “nível de risco superior” ao previsto e que, em calhando, até não aceitaria a concessão, embora aceitasse o convite para apresentar a sua nova produção, Jesus Cristo Superstar, que estreia hoje!
Mais tarde ainda voltou ao palco mediático para dizer que encontrou o espaço tecnicamente obsoleto embora houvesse muitos computadores nos escritórios, tendo sido obrigado a investir um milhão de euros em equipamento de som e luz, importado de Londres! Para quem ainda não aceitou a concessão investir 1.000.000,00€ é coisa de um autêntico mecenas!!! Qual encenador ou criador, o homem é um verdadeiro mecenas da cidade! Medalha de ouro, impõe-se ou cidadão honorário e benemérito!!!
Neste contexto o seu protector Rui Rio, através de uma coisa chamada Comissão Liquidatária de Gestão do Rivoli criou a figura de Criador Convidado, quiçá inspirado, precisamente, no título da encenação.
E assim somos chegados à estreia da peça de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice encenada por La Féria que ontem vem avisar que afinal a sua decisão sobre se aceita ou não a concessão do Rivoli dependerá do êxito do espectáculo “Jesus Cristo Superstar”, que estreia amanhã à noite no Porto. “Eu não posso arriscar a ter fiascos. As empresas privadas vivem sempre desta angústia. Tenho 122 salários para pagar no final de cada mês”, sublinhou, ontem, o encenador em conferência de Imprensa. Deixou claro que só assumirá a gestão do teatro municipal, se o público aderir ao musical, que funcionará como um “teste”. (via Jornal de Notícias).
Eu não tenho dúvidas sobre o sucesso desta encenação de La Féria, nem muito menos o Criador Convidado, mas confesso o nojo que me assola quando ouço e vejo estas tricas de marquetingue barato! Não há pachorra!
O Criador Convidado terá sucesso, Rui Rio evitará despesa, o Porto ficará culturalmente mais pobre, não por permitir que La Féria lá apresente as suas produções, mas por o fazer em concessão exclusiva!
Entretanto, via Ana C. tomo conhecimento de que está programado um protesto silencioso junto ao Rivoli, mas para mais pormenores o melhor é ler no Art&manha.
Bon voyage messieurs Rio e La Féria!

Apesar de não ser pessoa avalizada para me pronunciar com substância sobre o futuro aeroporto da área Metropolitana de Lisboa, recomendo vivamente a leitura da exaustiva reflexão que a Cristina escreveu no seu Contra Capa, a qual subscrevo na íntegra sem o mínimo rebuço.

Tomates Musicais Agora são os enlaces Blog com Tomates que está a dar!
Ora, apesar de outros já endereçados não resisto a agradecer este com que a Gi me brinda pela inclusão do violino em sugestiva imagem! As penas é que não estou certo sobre a significância, se é de pena ou mero adereço! :)
Não sei se isto dará problemas cá em casa…, é que tangê-lo com um arco é que não permitirei!
A ver vamos!

Como atrás se demonstrou o Ministério da Educação não tem poderes nem competências para levar a cabo a implementação do estipulado na Conferência Mundial sobre Educação Artística, nomeadamente:

1 - o estabelecimento de uma política cultural e educativa para o país sem envolver outras tutelas como parceiras, em especial, o Ministério da Cultura, a tutela do audiovisual, artistas, instituições culturais, Teatros Nacionais e Municipais;

2 - a universalidade da inclusão da Educação Artística nos currículos do ensino pré-escolar, 1.º, 2.º e 3.º ciclos, por falta de recursos financeiros, seja para apetrechar todas as escolas do país com o material didáctico essencial, seja para a contratação de professores devidamente habilitados;
3 - a insuficiência de recursos humanos com habilitação adequada para exercer essas funções docentes em todo o país;

4 - a inexistência de especialistas em artes e gestão cultural e pedagógica nos quadros do Ministério que assegurem e fiscalizem o regular funcionamento das escolas, seja as de ensino regular seja as de ensino vocacional;

5 - a recente “despromoção�? da educação artística para o regime de enriquecimento curricular no 1º ciclo denota o desconhecimento, desinteresse ou incompetência do Ministério face à necessidade da mesma.

Se assim é (se o Ministério da Educação pretender desmentir o que aqui vai sendo escrito poderá fazê-lo que publicarei na íntegra os seus esclarecimentos e contraditórios) com que legitimidade afirma o Ministério que pretende a refundação do ensino artístico especializado, particularmente nos domínios da Música e da Dança? (link)
Afirma ainda que esta refundação pressupõe, para além da definição de uma política global, uma intervenção integrada e concertada, no plano mais prático, segundo três vertentes principais: administração, escolas e professores. Com base em quê? Onde está a política global que apregoa se ninguém a conhece? E que política global é essa que restringe apenas e tão-só às áreas da Música e da Dança e apenas ao seu Ensino Especializado?

Continua ainda defendendo que do ponto de vista da administração, é necessário desenvolver mecanismos de acompanhamento e de avaliação úteis e rigorosos das escolas, bem como delinear estratégias de desenvolvimento do ensino artístico (…). Como(?), se o Ministério não dispõe de quadros com a competência adequada, nem em número nem em qualidade?

A falácia prossegue ao defender que o regime de frequência dos alunos em todas as escolas públicas do ensino artístico especializado deve ser essencialmente o regime integrado, o que permite a melhoria do trabalho pedagógico e a redução das taxas de retenção e de abandono por parte dos alunos. Em que sustenta o Ministério semelhante afirmação?
Bem ou mal o regime supletivo é o que tem dado mais frutos em Portugal e na Europa no que ao Ensino Vocacional diz respeito! Conhece o Ministério a percentagem de músicos formados por cada regime? Sendo eu, como qualquer pessoa de bom-senso, defensor, se tal fosse possível de imediato, do regime integrado desde universal, gratuito e obrigatoriamente inserido no currículo geral do ensino regular, a verdade é que para além de ser impossível colocar em prática a amostra que possuímos é escassa para podermos assumir conclusões sólidas e definitivas!
Quantas escolas de ensino artístico integrado temos no nosso país? Academia de Santa Cecília, a primeira (celebrou há pouco o seu 40.º aniversário, cujo projecto saiu da cabeça da Senhora D. Gilberta Paiva), a Escola de Dança do Conservatório Nacional, o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, a Escola Profissional Artística do Vale do Ave - ARTAVE e a Escola Profissional de Música de Espinho (peço desculpa se de alguma me esqueci). Ora isto são 5 escolas com êxito, admito, mas como comparar a sua performance com as outras 100 restantes que funcionam nos regimes supletivo e articulado ou apenas supletivo?

O texto do Ministério conclui com o seguinte texto:
Os resultados do estudo sugerem que existem condições para que os cursos do ensino artístico especializado e os cursos de natureza artística em geral possam estar ao alcance de um maior número de alunos dos ensinos básico e secundário.
Assim, a definição de uma política para o desenvolvimento do ensino artístico deverá considerar a possibilidade real que existe em aumentar o número de alunos que estudam arte nestes níveis de ensino.

Como é que é possível semelhante atrevimento? Nada há que indique que o regime articulado aumente o número de alunos dos ensinos básico e secundário!!! Onde está o suporte para uma afirmação desta natureza? Em que se baseia o Ministério da Educação para sustentar que haverá mais desistências nos regimes supletivo e articulado do que no integrado?
Nenhuma, rigorosamente nenhuma, porque o Ministério não possui dados sobre as causas das desistências e coloca-se totalmente à margem de que a esmagadora maioria dessas desistências são da sua inteira responsabilidade, nomeadamente, no que ao regime articulado diz respeito!

Isto de facto não parece um Ministério, mas um mistério da educação no que às artes concerne! Não sabe, não procura saber, não tem quadros competentes para avaliar, mas ousa decidir, decidir mal, sem bases e sem medo, sim, sem medo de destruir o precário equilíbrio que as escolas de ensino artístico vocacional especializado foram conseguindo construir perante o marasmo legislativo da tutela que já dura há quase 30 anos!

ps: defendido o regime integrado, embora consciente da sua impraticabilidade universal a curto e médio prazo, analisarei amanhã os regimes articulado e supletivo.

Ainda não recebi a dita cuja programação da Casa da Música, mas a avaliar pelo que o Heitor vai adiantando no desNorte só espero que a Sra. D. Gabriela Canavilhas continue a comentar uns concertozitos porque é uma grande mais valia para a instituição!
É caso para perguntar: que seria da Casa da Música sem a Sra. D. Gabriela Canavilhas?