A propósito de um diálogo sobre Chopin e pianistas preferidos que se iniciou no Art&manha, passou pela Teresa, pelo Paulo e pela Sónia, pelo Ricardo, pelo Heitor, pelo César Viana, não pelo Henrique mas sei que ouviu e leu, por um(a) anónimo(a) zangado(a) com a gente, pela minha tímida arrogância de confessar não ser sensível às Mazurkas até a Teresa me dar a conhecer o Moravec, aqui vos deixo a Heróica, a Polaca n.º 6 em Lá b M. op. 53, interpretada por mais famosos, mais ou menos famosos, ainda pouco famosos, para se deliciarem e, se quiserem ousar, elegerem as vossas preferências.
Seis interpretações diferentes dispostas por ordem alfabética do primeiro nome do intérprete: Artur Rubinstein, DongMin Lim, Elena Kuschnerova, Gyögy Czifra, Rafal Blechacz e Vladimir Horowitz. O último vídeo endereço àqueles que não pretendam a tão exaustiva maçada de ouvir interpretações da mesma peça, une petite nuance, um momento único, um exemplo do que querem fazer ao nosso ensino artístico – 10 marmelos a tocar a heróica ao mesmo tempo formados em piano pelo método Suzuki!
Bom fim de semana.
adenda: A interpretação de Pollini foi acrescentada a posteriori.
ps: as minhas desculpas aos fãs por não ter encontrado no YouTube versões de Lipatti, Michelangeli e Richter
há 4 anos no Memória Virtual! Parece que foi ontem…, mas também se sente que, de tão de nós ser, dura há uma vida!
é o que afirma Vital Moreira e pronto, eu até acho que sim, foda-se, desde que não mije para cima de mim!
É que o problema da liberdade e das respectivas incontinências é mesmo esse – tudo bem desde que não sobre para gente! Nos outros, ò pá, prontos, paciência, é chato, pá, mas agora na gente é que não!
A este propósito, das incontinências e do mandar calar, ler o post do Francisco Nunes no Planície Heróica.

A 8.ª edição do Festival MusicAtlântico contará como é habitual com a direcção artística de Gabriela Canavilhas e terá como tema principal A Voz no Tempo.
A edição deste ano vai ser dedicada à VOZ e ao riquíssimo repertório escrito para aquela que é a expressão musical mais “original”?, de entre todas – a voz humana. Com uma componente vocal destacada, o Festival apresenta-se nas nove ilhas dos Açores com propostas musicais diversificadas, onde a voz é o veículo artístico principal.
(…)
Um total de 17 concertos de 28 de Junho a 9 de Julho, nas nove ilhas dos Açores, 12 dias de celebração da voz como instrumento primordial da história da música.
Programação (link):
- The Swingle Singers ;
- Orquestra Metropolitana de Lisboa (5 concertos: 2 com Elisabete Matos e 3 com Ana Ferraz);
- Mediae Vox Ensemble (5 concertos);
- L’Arpeggiata (2 concertos);
- King’s Singers;
- Barbara Furtuna (3 concertos);
Citando o cineasta alemão Wim Wenders, numa sua recente declaração, a realidade é que ninguém ama um país pela sua economia, por mais forte e estável que ela seja, mas pela sua Cultura! Isabel Pires de Lima no discurso de inauguração do Museu Colecção Berardo (lido no ALI_SE entre outros excertos)
Pois é, senhora Ministra, mas os contabilistas e os agiotas que mandam na economia não querem saber disso para nada e, enquanto os empresários não virem que a cultura como um investimento de futuro, pouco ou nada poderemos almejar para lá dos gritos que de nossa alma conseguirmos fazer rugir!
Gabriela Canavilhas anunciou hoje (ontem) a sua demissão do cargo de presidente da Academia de Educação, Música e Cultura (AMEC), que tutela, entre outros organismos, a Orquestra Metropolitana de Lisboa. A demissão tem efeito a partir de 1 de Setembro. (notícia Público)
Excelente timming, diria mais, timming excelente!
ps: textos relacionados por ordem cronológica inversa.
O presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, António Gomes Pinho, defendeu hoje a extinção do Ministério da Cultura e a sua substituição por uma secretaria de Estado, autonomizando as instituições actualmente dependentes da tutela.
(…)
“Teria outro significado: iria promover a libertação de um conjunto vastíssimo de instituições da tutela do Estado”, acrescentou.
(…)
Com “as poupanças resultantes da extinção do Ministério da Cultura”, o administrador de Serralves defende a constituição de um fundo — gerido profissionalmente — e que contratualizaria as funções culturais definidas como prioritárias, a longo prazo, com as várias instituições. (via Público)
De repente, como que por artes mágicas, apareceu primeiro o Dr. Rui Rio e agora o Dr. António Gomes de Pinho a defender que o mal da cultura é a existência de Ministério dedicado e que a sua passagem a Secretaria de Estado tudo resolveria!
É muito mau que pessoas com tanta responsabilidade saiam a terreiro a defender que uma mera cosmética administrativa – a passagem de Ministério a Secretaria de Estado – resolve os problemas de que padece a cultura em Portugal! Dá a ideia de que ouviram umas coisas aqui e outras ali e colam-nas sem nexo!
Por outro lado, pasme-se, não advoga e muito menos reivindica que o Estado deva, antes de mais, estabelecer uma política e modelos de gestão cultural assumidos, transversais e transparentes.
Inusitado é, para mais, não apelar ao investimento privado e sustentar que o importante é que o Estado constitua um fundo para financiar várias instituições, prioritárias no seu entender, e no entender de cada governo que em sorte nos calhe, ou seja, continuar com a subsídio-dependência, mas só para alguns, os eleitos de cada governo! Nada há de mais perigoso neste momento do que deixar ao critério dos aparelhos partidários a distribuição de fundos sejam eles para a cultura, educação ou outra qualquer área!
Estimado Dr. A. Gomes de Pinho, o que o senhor defendeu só viria favorecer o que neste momento é o cancro do sistema – o financiamento do Estado ser feito a bel-prazer dos governantes, sem uma missão, objectivos nem modelos de gestão e de controlo definidos e transparentes!
Volto ao que venho defendendo na tese Educação em Cultura, o estabelecimento de uma política cultural do Estado orientada para as escolas, que terá de ser, forçosamente, transversal a várias tutelas dispersas por vários Ministérios, i.e., uma Gestão Global e Integrada da Cultura, onde as tutelas da cultura, da educação e do audiovisual tenham uma única missão, objectivos complementares e articulados entre si, obrigando a uma reformulação profunda na constituição dos governos para que tal seja possível.
Passo a citar (link):
Sem esquecer a essência da escola – ensinar – o que está hoje em causa, em especial nos primeiros anos de escolaridade, diria até aos 16 anos, é dotar as crianças e adolescentes de uma vivência multidisciplinar integrada o mais abrangente possível, onde o habitat digital seja natural, permitindo-lhes adquirir uma consciência crítica que propicie a construção de identidades, com fundamentos éticos e morais, capazes de participar e interagir criativamente na construção deste novo mundo – a passividade na sociedade digital conduz, inevitavelmente, a fracturas na coesão social.
Neste contexto, as soluções não poderão continuar a ser um exclusivo do Ministério da Educação! A questão é educativa, é certo, mas antes do mais, é cultural, de gestão cultural, mais precisamente (política cultural se se preferir), onde a interdisciplinaridade será obrigatória, envolvendo, profissionais de educação, sim, mas sociólogos, antropólogos, psicólogos, artistas, especialistas de audiovisual e media digital e, necessariamente, de gestores capazes de traçar objectivos precisos e objectivamente quantificáveis e avaliáveis.
O 33.º Festival Internacional de Música de Espinho decorrerá entre os dias 6 e 29 de Julho, sendo organizado pela Academia de Música de Espinho (link), que engloba no seu projecto a Escola Profissional de Música de Espinho (link) e a Orquestra Clássica de Espinho – OCE (link), estando a direcção artística este ano a cargo de Alexandre Santos e João Pedro Mendes dos Santos. Todos os concertos terão lugar no novíssimo Auditório de Espinho-Academia.
Apesar de não estarem já directamente ligados ao Festival, aproveito para enaltecer o trabalho de décadas da família Neves em prol da música em Espinho, do fundador e de seus filhos Fausto e Gisela.
Hoje é toda uma equipa que vem consolidando uma posição de particular relevo nacional no que à música clássica diz respeito, a qual se pode constatar pela riqueza e equilíbrio da programação do Festival deste ano. Serão 15 concertos (ver programação em detalhe) onde poderemos escutar:

- Augustin Dumay / Violino, Alexei Eremine / Piano
- Quarteto Ysaye
- Festival Junior – “À volta do mundo”
- Tânia Achot / Piano
- Bernardo Sassetti / piano
- João Paulo Esteves da Silva / Piano
- Mario Laginha Piano / Trio
- Festival Junior – “Contos musicais”
- Stacey Kent
- Quarteto com Piano de Moscovo
- Festival Junior – “Musicando os animais”
- François Leleux / Oboé Ensemble do Festival
- Romain Garioud /Violoncelo, Andreas Frolich / Piano
- Orquestra Clássica de Espinho, Coro de Lisboa Cantat, Ana Quintans / Soprano, Miguel Bernat, Rui Sul Gomes / Percussão, Cesário Costa / Maestro
- Ivo Pogorelich / Piano
Parabéns a toda a equipa que vem conseguindo, de ano para ano, elevar a qualidade deste evento e, por que não, à Câmara Municipal que nunca recusou os apoios necessários para que ele aconteça.
A propósito de alguns comentários colocados no youtube sobre a paródia que fiz a propósito da ante-esteria da encenação de La Féria no Rivoli, gostaria de lembrar alguns factos e partilhar algumas memórias sobre o Jesus Christ Superstar de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice.
Jesus Christ Superstar começou por ser apenas um LP, editado em 1970. Só depois de encenado, primeiro em 1971 no “Mark Hellinger Theatre” em Nova Iorque e dpois no “Palace Theatre” de Londres, em 1972, é que se tornou no espectáculo que hoje conhecemos e recebeu a designação de Opera Rock, tendo passado para filme só em 1973 já com outro elenco.
É curioso saber que John Lennon pretendia o papel de Jesus, mas os autores entenderam não lho entregar por terem receio que a sua presença abafasse o todo da peça. Consta que os nomes de Mick Jagger e David Cassidy também foram equacionados, mas a escolha recaiu sobre Ian Gillan, o vocalista dos Deep Purple.
E foi com um Jesus moreno de longos e ondulados cabelos pretos (Ian Gillan) que eu tive a sorte de assistir levado pelos meus Pais sem saber ao que que ia, em Agosto de 1972 em Londres, tendo comprado o respectivo LP.
Nessa altura o elenco era o seguinte:
Murray Head – Judas; Ian Gillan – Jesus; Yvonne Elliman – Maria Madalena; Victor Brox – Caifás; Brian Keith – Anás; John Gustafson – Simão Zelotes; Barry Dennen – Pilatos; Paul Davis – Pedro; Mike d’Abo – Herodes.
O VI Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães decorrerá de 7 a 15 de Julho sob a direcção artística de Pedro Caldeira Cabral. Apesar de não beneficiar do castelo como palco para os concertos por se encontrar em obras de recuperação, conta com um programa de qualidade, dando um especial enfoque nos autores galego-portugueses e também nas tradições sefardita e árabe segundo nas palavras do músico organizador.
Concertos:
07 de Julho – Mediae Vox Ensemble na igreja de Parambos;
08 de Julho – Amar contra o Silêncio na igreja de Zedes;
14 de Julho – Ensemble Amadis na igreja de Pombal de Ansiães;
15 de Julho – La Batalla no Centro Cívico.
ps: informações mais detalhadas ver notícia do Diário de Trás-os-Montes.





















