O relatório de avaliação do Ensino ArtÃstico em Portugal elaborado por uma equipa de académicos de Ciências da Educação incentivou o Ministério da Educação a proceder a uma série de mudanças a ocorreram já no próximo ano lectivo de 2007/2008.
As mudanças que se ouvem nos bastidores sustentadas no referido relatório revelam mais uma vez que o Estado não sabe, porque não compreende ou porque não o ajudam a equacionar, que o ensino artÃstico vocacional se insere numa dimensão muito mais vasta da educação – a educação artÃstica.
Com efeito, o ritmo do desenvolvimento tecnológico verificado a partir dos anos 60 do século passado, por um lado, e a democratização do ensino por outro, introduziram nos sistemas educativos ocidentais ajustamentos que revelam hoje não serem os mais apropriados para preparar as crianças, os adolescentes e os jovens na busca de uma identidade que os oriente no mundo globalizado que vivemos, nomeadamente a regressão acentuada da exigência e a preponderância, se não a quase exclusividade, de sistemas de educação baseados no ensino da matemática e da tecnologia.
As humanidades e as artes são hoje praticamente vistas como meros enriquecimentos curriculares ou até como meras actividades de carácter lúdico, se jeito não der, elitista! Ora a ausência de uma aprendizagem não sustentada nos alicerces que diferenciam e enraÃzam como a lÃngua, a história, a ética, a filosofia, a estética, a música, o teatro, as artes plásticas ou a dança nas suas vertentes clássicas, isto é, no que fomos e no que somos, a aprendizagem, seja de técnicas abstractas como a matemática ou as novas tecnologias, implicarão, inevitavelmente, a que no maravilhoso mundo da robótica o Ser Humano seja o ele o próprio robô, um ser produtivo e competitivo, é certo, mas sem referências, desenraizado, desorientado numa aldeia global onde o individualismo impera.
Ponhamos de lado considerações de Ãndole ideológica que já nada têm para nos dizer neste novo mundo e detenhamo-nos na aniquilação dos valores éticos e morais a que esta recente evolução capitalista nos conduziu, uma vez esgotada a fé na “mão invisÃvel” e dissipada a crença nas leis escatológicas da história, seja de matiz religioso ou ideológico (Lipovetsky, O Crepúsculo do Dever), é imperioso encontrar novos alicerces éticos, uma ética inteligente, menos preocupada com intenções puras do que com resultados benéficos para o homem, menos idealistas do que reformistas, menos adeptas do absoluto do que de mudanças realistas, menos injuntivas que responsabilizadoras.
Ora, é esta urgente busca de uma nova ética que alie o individualismo já irreversÃvel a uma ética da responsabilidade social (Paul Ricoeur) que obriga a que as humanidades e as artes tenham uma presença cada vez mais forte nos currÃculos dos sistemas educativos. São estas áreas do saber e da percepção que permitem (re)construir uma narrativa coerente do passado e do presente (Sennet, Richard, A Corrosão do Carácter), imperativa para que se possam continuar a criar laços sociais sólidos.
Esta nova etapa do capitalismo saÃdo de Davos, (continuando a seguir Sennet), onde o longo prazo foi abolido por um capital impaciente que acredita que o rápido retorno do mercado se gera melhor por meio de uma rápida mudança institucional, onde a gestão aplana as organizações, transformando-as de piramidais em redes múltiplas, a lealdade, a confiança, a entrega mútua, a cumplicidade corroem-se avassaladoramente.
Ora, se tudo é efémero, se tudo está em constante transformação, se os laços sociais e comunitários tendem a desvanecer-se como é que um Ser Humano consegue desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida numa sociedade composta de episódios e fragmentos?
Esta é a questão a que a aprendizagem das humanidades e das artes, ou seja, das referências, consegue dar a resposta que a aprendizagem abstracta e tecnológica não atinge embora dela necessite, pois é através daquela que se adquirem competências e aptidões transversais que propiciam a reflexão e o pensamento crÃtico, conducente a uma necessária ligação e interacção entre os conhecimentos adquiridos e a sua utilidade individual e social.
Centrando-me agora no objecto que me move, a Educação ArtÃstica, pergunto, será que é necessário inventar algo? Ainda há um ano decorreu em Portugal a Conferência Mundial sobre Educação ArtÃstica onde participaram centenas de especialistas de todo o mundo. Permitam que transcreva com alguma abundância do Document de travail no que à Europa diz respeito:
(…) les liens fondamentaux qui unissent la créativité et les pratiques créatives ne sont toujours pas reconnus, et l’art continue d’occuper une place marginale dans les programmes scolaires.
La conception de l’art et sa définition varient selon les pays et les cultures. La Conférence générale de l’UNESCO de 1999 a permis de donner une définition de l’éducation artistique (englobant la littérature, les arts plastiques, la musique, le théâtre, la danse et le cinéma) et a encouragé la participation des institutions culturelles, des communautés et des familles dans ce domaine.
(…) il existe un manque de reconnaissance fondamentale de l’importance d’une éducation artistique de qualité comme élément primordial pour le développement de la créativité.
Des différences considérables existent entre les pays quant à la répartition claire des responsabilités en matière d’éducation artistique entre le Ministère de la culture et/ou de l’éducation et les différents mécanismes qui régissent la mise en œuvre et l’évaluation des programmes d’éducation artistique.
L’innovation en matière d’initiative politique dans le domaine de l’éducation artistique et culturelle est l’une des priorités de la région et prend principalement la forme d’un partenariat avec les institutions culturelles. Dans la majorité des cas, la décision de toute visite d’une institution culturelle revient à l’école ou à l’enseignant. Par conséquent, le niveau de soutien et d’engagement de la part des institutions culturelles et des écoles est essentiel pour assurer le succès de cette collaboration.
L’une des principales recommandations émises lors de la Conférence régionale préparatoire concernait une participation accrue des organismes culturels dans l’enseignement de l’éducation artistique dans le cadre des programmes scolaires. Les institutions culturelles disposent d’informations précieuses et d’un potentiel énorme pour des pratiques d’enseignement collaboratives et concrètes. Dans l’enseignement primaire principalement, où les enfants réagissent très bien à l’apprentissage visuel, une collaboration actives entre les institutions peut offrir des possibilités de méthodes pédagogiques renforcées et un élargissement de la vision du cadre d’apprentissage.
Les artistes expérimentent de nouvelles idées, de nouveaux matériaux et de nouveaux modes d’expression. Bien que les programmes faisant intervenir des artistes professionnels dans les classes aient prouvé leur efficacité, ces derniers restent en général une ressource inexploitée dans l’éducation artistique. Le contact de l’artiste professionnel offre aux élèves la possibilité de d’expérimenter de nouveaux concepts et matériaux et de bénéficier d’un point de vue différent de celui de leur enseignant. Les enfants obtiennent le soutien nécessaire à l’éveil de leur créativité, et au développement de nouvelles idées et perspectives. La présence d’un artiste professionnel dans la classe est aussi une sorte de récompense pour les élèves talentueux et particulièrement intéressés. La présence d’artistes s’avère également profitable pour les enseignants quine disposent pas parfois du degré de spécialisation nécessaire.
Recommandations à l’intention des gouvernements :
Au vu des délibérations menées lors de la Conférence régionale préparatoire (Europe, Amérique du Nord) qui s’est tenue à Vilnius, Lituanie, du 8 au 11 septembre 2005 sur le thème « Synergies entre les arts et l’éducation » en vue de la Conférence mondiale sur l’éducation artistique qui sera organisée au Portugal en mars 2006, nous, participants des 25 pays cités ci-après : Allemagne, Autriche, Belgique, Biélorussie, Canada, Chypre, Croatie, Espagne, Estonie, Etats-Unis, Finlande, France, Grèce, Hongrie, Islande, Lettonie, Lituanie, Norvège, Portugal, Roumanie, Royaume-Uni, Slovénie, Suède, Suisse, Ukraine, sommes convenus que :
attendu qu’il peut être clairement démontré que l’éducation artistique permet de contribuer de manière significative à l’amélioration des performances des élèves pour les acquisitions des capacités de lecture, d’écriture et de calcul, et d’apporter les bénéfices susmentionnés sur le plan social et humain, nous invitons les gouvernements à accorder à l’éducation artistique une place centrale et permanente dans les programmes scolaires, un financement adapté et un personnel enseignant présentant les qualités et les compétences requises, à intégrer au cœur du processus d’apprentissage les partenariats entre écoles, artistes et organismes culturels, à enjoindre aux autorités responsables de l’éducation de prendre en compte la recherche dans les décisions concernant le financement et les programmes, et à définir de nouvelles normes pour l’évaluation de l’impact de l’éducation artistique ;
à faire de la formation et de la préparation des enseignants dans les matières artistiques une nouvelle priorité dans le système d’enseignement afin de permettre à ces derniers de contribuer plus efficacement au processus d’apprentissage et au développement culturel de l’élève, et à intégrer la sensibilisation à ces questions dans la formation des enseignants et autres acteurs participant à l’éducation ;
à rendre l’éducation artistique accessible à chacun au sein de l’école et hors de l’école, quelles que soient ses capacités, ses besoins et sa situation sociale, physique, mentale ou géographique ;
à permettre, en vertu des principes établis par la Déclaration de l’UNESCO sur la diversité culturelle, aux peuples indigènes, notamment aux enfants, d’accéder à une éducation artistique respectant leurs méthodes culturelles d’enseignement et d’apprentissage, et accessible dans leurs langues.
A transcrição destes excertos, apesar de longa, demonstra sem qualquer margem de dúvida que o relatório de avaliação do Ensino ArtÃstico não faz qualquer sentido diante das preocupações e recomendações aqui prescritas e partilhadas por centenas de artistas de todo o mundo e, não se enquadrando neste contexto, pergunto que sentido fará debater um estudo e respectivo relatório que não aborda o essencial? Como se poderá levar a sério quem não tentou, ou se tentou não conseguiu, conhecer o pensamento dos diversos especialistas e confunde, de princÃpio a fim das suas oitocentas e tal páginas, educação artÃstica com ensino artÃstico, ensino vocacional com regimes de ensino especializado e até os diferentes, complementares ou não, objectivos no ensino regular e no vocacional?
Meus amigos, já perdi muito tempo a lê-lo…
Mas que pensar do Ministério da Educação que está já a enviar directrizes para as escolas de ensino artÃstico sem cuidar de saber o que faz, sem respeitar que o Sistema de Educação ArtÃstica não pode ser da sua exclusiva tutela, tentando apenas destruir o único sistema que temos e que vai produzindo alguns resultados?
O Ministério da Educação ou tem pessoas tolas (o que não ouso sequer admitir) ou quer fazer de nós tolos!
Está o Ministério preparado para oferecer gratuitamente no regime integrado uma educação artÃstica de qualidade em todas as escolas do paÃs? Está o Ministério em posição de fazer uma parceria com as Escolas de Ensino Vocacional públicas e privadas de modo a que estas assegurem esse serviço? Pode o Ministério da Educação rever o regime de apoio à s artes há pouco instituÃdo pelo Ministério da Cultura de forma a conseguir financiar a presença de artistas e espectáculos nas escolas conforme o preconizado na Conferência Mundial? Tem o Ministério da Educação poder para providenciar a ida à s escolas de alguns dos espectáculos financiados pelo Ministério da Cultura? Tem o Ministério da Educação autoridade para obrigar os Teatros Nacionais e Municipais a levarem à s escolas alguns dos espectáculos que agendam? Se o Ministério da Educação não tem uma polÃtica para a Educação ArtÃstica em geral como se poderá atrever a alterar o que quer que seja no Ensino ArtÃstico Vocacional?
Não podendo avançar com nenhum destes pontos, com que legitimidade o Ministério pretende alterar o currÃculo das Escolas de Ensino Vocacional públicas e privadas, ainda para mais sem o mÃnimo apoio de uma larga base de conhecimento dos vários domÃnios das artes?
O Ministério da Educação ou tem pessoas tolas (o que não ouso sequer admitir) ou quer fazer de nós tolos! Mas como, mesmo sendo-o, não o seremos assim de todo, o único caminho que me parece aconselhável trilhar é o de, pelo facto de não se poder atribuir ao Relatório de Avaliação do Ensino ArtÃstico um mÃnimo de credibilidade, não reconhecer ao Ministério da Educação a mÃnima competência para alterar o que quer que seja relativamente à Educação ArtÃstica, em geral, e ao Ensino ArtÃstico vocacional, em particular, sem que antes cumpra o estipulado pela Conferência Mundial sobre a Educação ArtÃstica e que, para o efeito, constitua uma alargada equipa de especialistas que elabore um estudo e defina as estratégias necessárias para o cumprir.
ps: continua amanhã e peço o vosso feedback nos comentários ou por email. Grato.
Tags: Educação ArtÃstica, Ensino ArtÃstico, Gestão Cultural, Relatorio Avaliação Ensino ArtÃstico






















Bem! As tuas últimas questões têm a ver com o facto de termos gente a dirigir o que não sabe , não é bem tolas mas quase…
Li tudo de um fôlego só, por isso preciso também mais tempo para comentar melhor mas fico à espera da continuação.
Fico à espera da continuação, em férias a disponibilidade é menor e a net por estas bandas também não ajuda. Entretanto tenho um prémio para lhe dar, se quiser fazer o favor de o ir buscar agradecia
Um beijinho Carlos
O ensino artÃstico? Ainda existe algum com credibilidade? Agora é mais computadores, parece-me…
Antes do mais, as minhas desculpas por isto não ser exactamente um comentário a este importante post. Fá-lo-ei com certeza mais tarde. Por agora apenas algumas ideias que me ocorreram a propósito de toda a discussão em torno do ensino artÃstico.
Há dois problemas que considero graves e que se poderiam resolver de uma penada, sem gastar um tostão: o abandono precoce dos conservatórios e a quantidade de pessoas a frequentar cursos superiores de música sem uma preparação prévia minimamente aceitável.
Tal medida – que nem sempre defendi, devo confessar – seria obrigar a que todos os candidatos ao ensino superior tivessem de ter um curso do conservatório completo na área a que se candidatam. (ou pelo menos fazer os exames correspondentes, o que na prática é o mesmo)
Por um lado, deixaria de existir um dos problemas mais desestruturantes das carreiras dos conservatórios: o abandono precoce para entrar de imediato em cursos superiores que por necessidades orçamentais ‘aceitam tudo’; por outro, asseguraria que nos cursos superiores – e muito epecialmente nos cursos de ‘ensino da música’, musicologia, etc., houvesse candidatos com a preparação musical adequada, o que, como todos sabemos, não é o caso na generalidade das instituições, mesmo nas mais respeitáveis.
Susana
Fico à espera que tenhas algum tempo para pegar no assunto.
Obrigado pelo comentário.
Gi
Já lá irei…, hum, estou curioso…
Obrigado pelo comentário.
Estimada Manha
Julgo que joga com o humor…, e porque não? Claro que há bom, mau e regular ensino artÃstico vocacional como em qualquer outra área, embora tenha razões para duvidar da Educação ArtÃstica que é prestada no Ensino Regular por diversos motivos.
Obrigado pelo comentário.
Estimado César Viana
Lá irei! Sem dúvida alguma. Quando o Estado reconhece ao ensino ministrado pelas escolas de ensino vocacional os nÃveis de básico, geral e secundário não é admissÃvel que a sua certificação não seja obrigatória para a admissão nas escolas de ensino superior!
Sempre considerei um absurdo e é, entre muitas outras, uma das trapalhadas provocadas pela legislação avulsa e incompetente que os diversos Ministérios da Educação nos vêm brindando desde o famoso 310!
É que desde o pós 25 de Abril a trapalhada administrativa só tem uma origem – o Ministério da Educação! Não fora as escolas de ensino vocacional terem avançado, per si, com algumas adaptações e tudo estaria um completo caos!
É evidente que os cursos de música ministrados nas Escolas Superiores de Educação foram outro embuste com que o Ministério nos brindou!
Fico por aqui para não ser mais maçador!
Abraço e obrigado pelo comentário.
Caro Carlos A. A.,
a coisa promete, já li, por mais do queu uma vez, os dois momentos desta promissora petição e estou pasmo com a forma segura e fundamentada com que aborda esta complicada questão.
Esta petição vai ser apresentada como? Online? Espero ansiosamente pela continuação deste documento.
Um abraço.
Faço minhas as palavras do Paulo Bastos.
Agora vou ler a 2ª parte…
Um abraço
Estimados Paulo Bastos e Ana Cancela
Grato pela força que me endereçam para prosseguir.
Os passos que se seguirão? Anunciei, mas reformulo: como não sou iluminado, estes textos são apenas um organizar de ideias e reflexões, mas carecem do feedback dos profissionais para conseguir prosseguir, passo a passo, reformulando e corrigindo sempre que necessário, até atingirmos um texto final, preciso, conciso, de fácil compreensão e assimilação e que seja um denominador comum para quem se preocupa com a Educação ArtÃstica, em geral, e com o Ensino ArtÃstico Vocacional, em particular.
Conseguido esse texto ele será posto em petição online não sem antes criar um blogue dedicado, onde só estarão estes textos, os respectivos comentários, eventualmente emails recebidos e links para outros textos relevantes online.
Isto é o que penso fazer, mas estou aberto a sugestões e enriquecimentos, mas o que será muito importante para o sucesso desta nossa petição será a divulgação que todos nós possamos fazer junto dos nossos contactos, junto dos Conselhos Executivos das Escolas de Ensino Vocacional, junto dos encarregados de educação e até dos próprios alunos.
Muito obrigado pelo vosso apoio e comentários.
Carlos,sabes que contas comigo para este árduo e urgente trabalho.
E irei relevar e dar continuidade ao pretendido…
PARABÉNS pelos textos na tua forma sempre tão precisa e única de como pretendes ver esclarecidas estas matérias num contributo engrandecedor para com a Cultura e a Educação de um paÃs cada vez mais assistido por responsáveis tão descaradamente irresponsáveis.
Mãos à OBRA e FORÇA!
Obrigado, Alice, sim, eu sei que posso contar contigo e com outros amigos que, felizmente, têm vindo a ajudar-me seja via caixa de comentários seja via email.
Obrigado pelas tuas palavras.
Beijinho.
A questão levantada pelo César Viana é importante: há já mais de uma década que a qualidade do ensino artÃstico tem vindo a decrescer, em grande parte devido à má preparação que trazem os “professores profissionalizados” dos cursos de “ensino de música”. Estes cursos estão estruturados para preparar, bem, penso eu, professores de música do ensino regular – têm uma forte componente pedagógica,têm um carácter generalista e não têm uma parte de prática instrumental relevante! Como a música no ensino regular não é obrigatória e há poucas escolas que optam por esta “oferta de escola”, as universidades que ministram os cursos de “ensino de música” conseguiram colocar o seu produto no ensino especializado!! É um assunto confrangedor, que fere susceptibilidades, mas é necessário por os pontos nos iiis. O especializado aos especialistas, o geral aos generalistas! Um bom músico pode ser um mau pofessor, mas um mau músico nunca pode ser um bom professor. O resultado está à vista!
Lá irei Sónia! É assunto que não pode passar em branco e serei muito mais severo! Esses cursos, se o Ministério quer poupar, devem ser encerrados de imediato!!! Qualquer aluno com um mediano 5º grau de um Conservatório (vamos chamar assim para que todos compreendam), o equivalente a um 9.º ano, sabe mais do que qualquer licenciado nos Escolas Superiores de Educação se nunca recorreram a instituições onde possam aprender música!
É o embuste total! Cursos cheios de pedagogia, mas sem um mÃnimo de curricular de música não conferindo qualquer competência, nem como professor e muito menos como músico!
Abraço e obrigado pelo comentário.
Oh Carlos! Eu não me estava a referir à s Escolas Superiores de Educação, que pelo menos não metem o nariz onde não são chamados!! Embuste total são os cursos de “ensino de música” das universidades de Aveiro e Évora! Não formam músicos, obviamente, nem professores capazes para o ensino especializado, mas é aà que eles andam!!
Confusão minha, Sónia, desculpe, mas vamos por partes:
1 – as ESE’s metem e bem o nariz, não nas escolas de ensino vocacional, mas nas do ensino regular! Sabia que um licenciado da ESE está legalmente mais habilitado para dar aulas no ensino regular aos 1º, e 2º ciclos do que alguém que tenho o antigo curso superioor de um Conservatório, mas que já está atrás dos mesmos para o 3º ciclo? Isto é um disparate que não lembra o diabo!
2 – Os cursos de Ensino da Música leccionados por Aveiro e Évora até poderiam ser bons se exigissem como condição de admissão o certificado de 8º grau de uma escola de ensino vovacional (como disse o César Viana, seja para estas como para qualquer outra superior, e que eu sempre defendi) Como tal não acontece, mesmo que elas funcionassem bem, este detalhe deita tudo a perder.
No entanto sónia, a qualidade do ensino prestado em Aveiro e em Évora é muito dÃspar – èvora é mesmo muito, mas muito mau!
Por outro lado tenho muita pena por ver pessoas que como músicos muito respeito a assaltar (é o termo que me ocorre) os lugares de assistentes, professores convidados, associados e catedráticos nestas escolas!
Obrigado e abraço.
Mesmo concordando com a ideia de que concorrer ao ensino superior deve pressupor um percurso académico completo (curso do conservatório todo), isso não significa por si mesmo nada, porque não invalida o facto dos estudantes que concorrem para essas universidades não sejam aquilo que normalmente são – os mais fracos dos mais fracos. Não é o percurso académico, completo ou não, que faz subir o nÃvel de qualidade de ensino duma universidade, mas sim, e antes de qualquer outra coisa, os critérios de exigência de entrada nessas universidades serem realmente exigentes. Mas como todos sabemos, os números clausulus dessas instituições têm que ser alcançados, vai daÃ, dá no que dá…
A acrescentar à questão dos critérios de exigência ainda temos outro aspecto que é o dos objectivos de cada curso. E é aà que reina a total e completa “javardiceâ€? uma vez que temos, no terreno, “professoresâ€? com formação geral a leccionar no ensino especializado e professores de formação especializada a leccionar no ensino geral – uma vez que os “lugaresâ€? do ensino especializado estão ocupados pelos primeiros!!!
As Escolas Superiores de Educação, o seu nÃvel de qualidade, e os seus objectivos são, embora legislado, outro problema, efectivamente…
Plenamente de acordo, Paulo, quanto à falar de exigência na admissão nos cursos superiores de música, falta de exigência essa que se vem agravando de ano para ano. Mas talvez por isso mesmo, a obrigação de um certificado do curso complementar de uma Escola de Ensino ArtÃstico ajude as instituições de ensino superior a travar essas admissões estratégicas.
Em relação ao que o Paulo mais adianta apenas cito para subscrever por baixo:
Para completar o que está acima,
é como eu disse uma vez no Tónica Dominante (1ª versão) querer “endireitar a sombra da vara torcida� colocando o pedreiro a fazer o trabalho do engenheiro e vice-versa!
Concordo plenamente com a Sónia quando se refere aos cursos de ensino de música.
É também importante referir que não existe legislação que defina quais as disciplinas que os licenciados pela U. A. poderão leccionar no ensino especializado. Como conseguiram lá chegar? é simples, através dos estágios realizados nos conservatórios criando um vinculo ao ensino especializado.
Concluindo-se daqui que podem leccionar todas ou nenhumas disciplinas, dependendo da vontade de quem está à frente do departamento do Ensino ArtÃstico nas Direcções Regionais de Educação.
No entanto as habilitações conferidas pela U. A. constam e bem noutra portaria, a que regulamenta o ensino geral.
É a confusão total!
Só existe um único curso na Universidade de Aveiro – Licenciatura em Ensino de Música – dentro deste existem pequenas variantes, são as chamadas áreas especÃficas que podem ser de instrumento (piano, violino etc) ou composição. Segundo informação que tive dos serviços académicos da Universidade qualquer aluno que termine o curso tendo frequentado a área especÃfica de piano (suponhamos) poderá dar aulas em escolas de ensino especializado a qualquer disciplina que lhe apeteça – violino, formação musical etc. Isto tudo porque a lei que rege as habilitações do ensino especializado (portaria 593/98) é omissa.
A legislação não é omissa, a Universidade de Aveiro é que não a cumpre.
É verdade, a confusão é total e estou em absoluto acordo com o que a Sónia A. disse e o que a Ana C. escreveu.
No entanto recordo, apesar de abordar este tema em posts futuros, o objectivo prioritário é impedir que o Ministério da Educação mexa no Ensino ArtÃstico conforme pretende, ou seja parafraseando o Paulo Bastos, endireitar a sombra da vara torcida, colocando o pedreiro a fazer o trabalho do engenheiro e vice-versa!
No entanto, estimada Ana C. o tema é muito pertinente uma vez que outra coisa que o Ministério pretende é que todo e qualquer professor com habilitação própria em qualquer área do Ensino ArtÃstico Vocacional leccione qualquer disciplina!!!
Leu bem? Parece brincadeira, não?
Definitivamente penso que o caminho será o de impedir que esta gente que nada percebe de Ensino ArtÃstico mexa seja no que for!
Obrigado pelas muito pertinentes achegas!