Acredita, estimada Teresa, que andei estes dias todos às voltas para conseguir dizer mal desta interpretação do Ivan Moravec da Mazurca em La min. op. 17/4 de Chopin que me enviaste! Ele não toca o Chopin que eu defendo – um romântico não melado de arrebatadas paixões com contrastes bem marcados; ele toca isto muito lento, demasiadamente lento para uma Mazurca que se quer uma dança, num andamento e ambiente quase de nocturno; utiliza, diria, 5 f’s em vez de 3, bem, um não sei quantos defeitos tentei arranjar, mas a verdade é que esta interpretação é de uma consistência irrepreensível, onde cada nota, uma a uma e todas elas, são cantadas diversamente num contexto global muito coerente, dentro de uma profunda interioridade que será, necessariamente, a do próprio Moravec.
Nestas coisas da arte e da música, em particular, o que sentimos é bem mais importante do que o que racionalmente possamos ou não defender e a capacidade de sermos surpreendidos é característica que nunca devemos perder. Esta interpretação de Ivan Moravec é, talvez, a melhor que conheço desta obra, sendo que foi o primeiro intérprete que conseguiu que eu gostasse de uma Mazurca de Chopin!
O meu obrigado.
Tags: Chopin, Ivan Moravec, Música, Música Clássica, Podcast






















É realmente uma interpretação notável.
Se houvesse Mazurkas para saxofone se calhar gostavas de mais algumas.
Carlos
Será que estás a mudar?
Será que já se pode falar de Chopin à tua beira?
Será que nunca percebeste que a dança é um jogo de corpos que se bebe com o olhar?
A mazurka é um nome de uma dança que deixa sonhos a quem a viveu. O Chopin nasceu com isso. Eu estudei uma Mazurka de Chopin com a Maria Manuela Araújo e ela dançou para mim qualquer coisa para me lembrar a voz do corpo. Para eu sentir o corpo com o ritmo da mente, em suma, para me ligar a mim num todo.
Não há uma valsa de Chopin que seja para dançar. O que há são valsas do Chopin para lembrar a bebida dos olhos.
Parabéns à Teresa que valeu tudo
Abraço
Susana
A interpretação é invulgarmente bela e equilibrada, sem dúvida. Para saxofone? Chopin não seia…
Ricardo
Tens toda a razão no que dizes, até de forma poética, mas que diacho, gostando eu de Chopin (não foi colhido pela moda de dizer mal dele), nunca fui sensível às Mazurkas! Que é que eu possa fazer?
Olha, agradecer ao Moravec e à Teresa que mo apresentou para ficar a gostar de uma!
Abraço
Antes de mais parabéns pelo blog!
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