Enquanto não nos livrarmos destas pessoas do eduquês, que pensam que as crianças são burras e à pala disso elaboram as mais rebuscadas teses de mestrados, doutoramentos e quejandos, a Educação no 1º Ciclo, nomeadamente a artística, estará entregue, tal como aconteceu já este ano, conforme há um ano alertei, a pessoas sem habilitações adequadas nem experiência, contratadas à peça e remuneradas à hora!
A Educação Artística para esta gente continua a ser um apêndice lúdico, esquecendo, ou não sabendo, que a expressão artística é mais antiga que a matemática, a física ou a escrita e não pode ser encarada como uma actividade de lazer! Deve, como saber e conhecimento fundamental para a construção da narrativa pessoal de cada aluno, ou se preferirem, como instrumento basilar para a formação da(s) identidade(s), estar a par e conjugada com os demais saberes! (link)
São pessoas como a sra. Prof.ª Dr.ª Lucília Salgado da Escola Superior de Educação de Coimbra, a qual apresentou uma comunicação sob o título Emergência de conhecimento a partir de práticas: apresentação do Estudo sobre o Enriquecimento Curricular em escolas apoiadas pela ESEC, inserida no encontro promovido pela ESEC, Aprender em Tempo de Lazer: o Enriquecimento Curricular que, ao não compreenderem tal necessidade, amputam as crianças de uma parte substancial dos instrumentos necessários ao seu desenvolvimento. Defendeu a senhora:
As actividades de enriquecimento curricular dos alunos do 1º ciclo devem ser realizadas em perspectiva lúdica e não como mais horas de aulas (…)
(…)
O problema são os tempos de lazer das crianças. Têm 25 horas de aulas por semana, mais dez horas de aulas de enriquecimento curricular, mais trabalhos de casa.
(…)
Lucília Salgado defendeu uma pedagogia “próxima do brincar, actividade em que a criança aprende imensas coisas”, que tem por base a teoria do lazer: descansar, divertir e desenvolver.
(…)
A criança deve aprender de forma lúdica. Não deve ser carregada com mais trabalhos escolares formais, mas ter uma aprendizagem através de actividades culturais.
(excertos retirados do Público)

Isto só pode ser brincadeira! Continuo, francamente, sem perceber para que servem estas Escolas Superiores de Educação, em especial, no que à educação artística diz respeito e que cada vez cativam menos alunos para os seus politécnicos cursos!

É a estes especialistas, sejam os das Escolas Superiores de Educação sejam os das Ciências da Educação que o Ministério da Educação se agarra para, paulatinamente, ir empobrecendo a educação das crianças e adolescentes e desmotivando (não tenho a mínima dúvida) os bons professores! Esta é a lógica do Professor Único, assunto sobre o qual também escrevi (aqui e aqui) muito do agrado do Sr. Secretário de Estado Valter Lemos!
Num momento em que sobre tudo e todos recaem suspeições, seria prudente que o Governo evitasse de alguma forma que se possa pensar que há estudos encomendados à medida dos interesses do Ministério da Educação!


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7 Respostas to “Educação Artística e o enriquecimento curricular”

Comentários (6) Pingbacks (1)
  1. ana diz:

    ola quero apenas dizer que concordo com o que acabou de referir. estudo um curso de ensino artístico e garanto que a pedagogia que nos ensinam é tudo menos que a arte serve apenas para enriquecimento. mais do que tudo ela é necessária para desenvolvermos seja que aprendizagem for. todavia é pena que os nossos “superiores” achem apenas que a arte é “uma coisa gira”.

  2. Estimada Ana
    É isso, uma coisa muito gira, mas que em regime de enriquecimento curricular até os professores de artes, avençados e contratados à peça, são menorizados pelos seus colegas professores do 1º ciclo!
    Muito obrigado pelo comentário.

  3. ana c. diz:

    Oh Carlos, isto das actividades de enriquecimento curricular mexe-me com os nervos.
    Tenho o conhecimento de uma aluna que frequenta o 3º grau numa escola de ensino especializado está a dar as ditas cujas numa escola de ensino regular – são estes os currículos de mérito! E como esta muitos outros espalhados por este país fora. Sempre gostaria de saber se para dar o inglês que também é contemplado nessas actividades, é suficiente ter conhecimentos equivalentes ao 7º ano de escolaridade.
    Mas não é só contra as habilitações exigidas que me insurjo, já aqui comentei sobre este assunto noutro post.

    Um abraço

  4. Estimada Ana C.

    Há um ano, mais precisamente a 14 de Junho de 2006, quando o Ministério da Educação anunciou essa coisa de enriquecimento curricular, escrevi um post com o título Enriquecimento Curricular e Urticária Aguda que, atendendo às suas palavras, agora lho dedico.

    Abraço

  5. Marta Correia diz:

    Não resisto a informá-lo que a informação que escreveu sobre a intervenção da Profª Lucília Salgado está completamente descontextualizada e não reflecte o pensamento da autora. Estive lá nesse dia e concordo 100% com ela. O que se passa é o seguinte: as Actividades feitas em tempo EXTRA-CURRICULAR, sejam em ATLs ou no Enriquecimento Curricular (Artes, português, matemática, desporto) têm que ser LÚDICAS.

    De facto é lamentável que as artes não sejam ensinadas também em tempo curricular e sejam remetidas para 2.º plano. É vergonhoso que não se valorize uma expressão humana, a artística. Mas isso é outra questão.

    A questão que foi falada naquele dia foi a das “AEC”, que muitas pessoas querem ver como autênticas aulas, em que os alunos têm mais manuais escolares e trabalhos de casa e lhes são retirados os momentos de lazer.

    Creio que devia corrigir o seu comentário.
    Grata pela atenção.

    • Estimada Senhora Marta Correia

      Não tenho nenhuma razão para duvidar das suas palavras, mas o que escrevi estava (não sei se ainda estará ‘online’) no jornal Público, pelo que a haver reparo deverá ser feito à fonte que utilizei.

      De qualquer forma, gostaria mesmo de ter lido a referida Sra. Professora Doutora, em vez de dizer o que disse, mesmo em contexto de ‘AEC’s’, defender o que Marta Correia defende, e permita-me que a cite:

      (…) é lamentável que as artes não sejam ensinadas também em tempo curricular e sejam remetidas para 2.º plano. É vergonhoso que não se valorize uma expressão humana, a artística.

      Muito obrigado pelo comentário que aqui fica registado para dar outra versão sobre o acontecido.

      ps: antes deste texto escrevi um outro, ‘Enriquecimento curricular e urticária aguda‘, sobre o que o pensava sobre as AEC’s se pretender consultar.

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