Ninguém ama um país pela sua economia | Ideias Soltas

Ninguém ama um país pela sua economia


Citando o cineasta alemão Wim Wenders, numa sua recente declaração, a realidade é que ninguém ama um país pela sua economia, por mais forte e estável que ela seja, mas pela sua Cultura! Isabel Pires de Lima no discurso de inauguração do Museu Colecção Berardo (lido no ALI_SE entre outros excertos)
Pois é, senhora Ministra, mas os contabilistas e os agiotas que mandam na economia não querem saber disso para nada e, enquanto os empresários não virem que a cultura como um investimento de futuro, pouco ou nada poderemos almejar para lá dos gritos que de nossa alma conseguirmos fazer rugir!


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6 Responses to “ Ninguém ama um país pela sua economia ”

  1. Boa malha amigo Carlos. A mim o que me causa indignação é o facto deste senhor depois de ter tentado impingir a dita colecção contemporânea a um qualquer pais que esteve interessado nela e não o ter conseguido, veio para Portugal com os caixotes comprou a comunicação social e lançou o repto da mais valia para o nosso país para este tipo de investimento na cultura. Embora o governo inicialmente e quanto a mim bem não tenha embarcado no logro acabou por nele cair e ceder o espaço reservado a várias exposições algumas delas mundiais que ali tinham lugar, para se apropriar dele e transformá-lo no seu museu limitando-se apenas e só em termos de investimento a nele colocar a peças desencaixotadas, permitindo-se ter um museu com o seu nome e à copa do mesmo conseguir uma Fundação através da qual irá receber anualmente do Ministério da Cultura a módica quantia de 200.000,00 euros para conservação da sua colecção uma vez que não está neste subsídio contemplado a conservação do espaço que é pertença de todos nós que somos o Estado, mas muito mal representados por quem elegemos para o efeito. Este tipo de coisas provoca-me um mal-estar que não imagina meu caro amigo. Com abraço do Raul

  2. O que mais me incomodou, amigo Raul, foi ver a Ministra presente, dizer o que disse, engolir o comendador, aturar o Presidente do CCB!
    Cada vez compreendo menos que razões terá Isabel Pires de Lima para engolir tantos sapos e não se demitir?
    Abraço e obrigado pelo comentário.

  3. Porque é q ninguém ligou nenhuma ao António Gomes Pinto de Serralves? Será que doeu e é preciso apagar imediatamente o que ele disse??

  4. Devo dizer que discordo de algumas opiniões expressas em comentários acima sobre a colecção Berardo. Tive de ir a Portugal na noite da inauguração para um ensaio e resolvi ir visitar. A colecção é deslumbrante esteticamente, credível artisticamente e valoriza Lisboa e o CCB de um modo indiscutível. Não há em Portugal um único museu estatal (de arte antiga ou moderna) cuja colecção tenha a importância e a relevância desta porque o estado nunca soube ou quiz fazê-la. Joe Berardo tem esse mérito inegável: montou uma colecção coerente e isso é difícil e raro no nosso país.
    Informei-me sobre as condições de cedência: Berardo cede as obras e o Estado o edifício. O fundo de aquisições é pago a meias pelo estado e Berardo. (repare-se além disso na importância da simples existência deste fundo de aquisições para a arte e os artistas em Portugal)
    Na minha opinião, o governo deveria comprar desde já a colecção pelo valor da avaliação. Prestaria um serviço enorme ao país e as gerações futuras não duvido que nos agradecerão.
    Este é indiscutivelmente um museu importante, não duvidemos, e tem um potencial de crescimento impressionante. Trata-se sem dúvida de uma oportunidade para o país ’ser amado pela sua cultura’ e reflete, penso eu, o trabalho de um empresário que sem dúvida ‘viu a cultura como um investimento de futuro’.
    Garanto-lhe, caro Carlos A. A., que não simpatizo particularmente com o personagem Berardo, mas penso que neste caso ele demonstrou amor ao país e sentido de dever, embora aceite que possa haver também um lado de vaidade e auto-promoção. Mas afinal a democracia vive de vaidade e auto-promoção: ‘votem em mim porque sou bom e ele é mau’. Ou seja, esta vaidade pode produzir gestos que tragam um enorme benefício à comunidade, e creio sinceramente que este é um deles.
    No blogue ultraperiferico.blogspot.com li alguns posts interessantes sobre este assunto da parte de quem é um sábio conhecedor, embora utilize um pseudónimo.
    Um abraço forte de um leitor viciado deste blogue.

  5. Estimado Salgador da Pátria
    Não faço a mínima ideia de que por que razão não se deu grande importância! Eu dei porque me doeu, não a defesa da extinção do Ministério, mas a criação do tal fundo para distribuir apenas por algumas instituições seleccionadas, com certeza, a preceito…
    Abraço e obrigado pelo comentário.

  6. Estimado César Viana

    316.000.000,00€ pela colecção era de comprá-la já de caras! Uns quantos Picassos e Mirós que lá estão valerão muito mais do que isso daqui por bem pouco tempo e, sim, muito importante para a minha sensibilidade, não teríamos de aturar o sr. comendador por mais tempo! Estou em total acordo consigo, como vê!

    Ficaria, contudo, por resolver uma espinha que tenho atravessada na garganta: porque é que Mega Ferreira veio há 3 meses (mais coisa menos coisa) para os jornais dizer que se soubesse o que veio a saber não teria aceite a cargo de Presidente do CCB e não apresenta a sua demissão?
    Se calhar sou eu que sou mesmo do Restelo, mas uma pessoa que afirma publicamente uma coisa destas sem a respectiva carta de demissão na mão não é de todo compreensível!!!
    Abraço e obrigado pelo comentário… e pelo vício… :)

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