Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

A propósito de um diálogo sobre Chopin e pianistas preferidos que se iniciou no Art&manha, passou pela Teresa, pelo Paulo e pela Sónia, pelo Ricardo, pelo Heitor, pelo César Viana, não pelo Henrique mas sei que ouviu e leu, por um(a) anónimo(a) zangado(a) com a gente, pela minha tímida arrogância de confessar não ser sensível às Mazurkas até a Teresa me dar a conhecer o Moravec, aqui vos deixo a Heróica, a Polaca n.º 6 em Lá b M. op. 53, interpretada por mais famosos, mais ou menos famosos, ainda pouco famosos, para se deliciarem e, se quiserem ousar, elegerem as vossas preferências.
Seis interpretações diferentes dispostas por ordem alfabética do primeiro nome do intérprete: Artur Rubinstein, DongMin Lim, Elena Kuschnerova, Gyögy Czifra, Rafal Blechacz e Vladimir Horowitz. O último vídeo endereço àqueles que não pretendam a tão exaustiva maçada de ouvir interpretações da mesma peça, une petite nuance, um momento único, um exemplo do que querem fazer ao nosso ensino artístico - 10 marmelos a tocar a heróica ao mesmo tempo formados em piano pelo método Suzuki!
Bom fim de semana.

adenda: A interpretação de Pollini foi acrescentada a posteriori.
ps: as minhas desculpas aos fãs por não ter encontrado no YouTube versões de Lipatti, Michelangeli e Richter


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  doMelhor  
  1. Paulo Bastos Said,

    Ouvi todas! Não na totalidade mas…
    A minha preferida, sem dúvida Horowitz! Tudo parece fácil nas mãos dele.
    Em relação aos 10 pianos, a aplicar esse modelo por cá, vamos ter a coisa de outra forma: 10 pianos eléctricos Roland ou Yamaha, 10 pseudo-pianistas, e a música será o “Balão do João”.
    Agora a sério, adorei o post!

  2. cv Said,

    Ainda ninguém falou dos nocturnos pela Maria João… Bem sei que há discos que se tornam tão populares que quase ganhamos aversão. Por essas e por outras dei por mim no outro dia a ‘descobrir’ o Bolero de Ravel, e, PIOR!, o canon de Pachelbel quando ouvi a versão (já com uns anos…) de Reinhardt Goebbel.
    Mas voltando aos nocturnos pela MJ… bom, não digo nada que vão dizer que sou suspeito.

  3. Paulo Bastos Said,

    Concordo em absoluto CV! Quando penso nos nocturnos de Chopin, penso inevitavelmente nas interpretações de Pollini e, claro, da Maria João Pires. E mais ainda, mais do que tudo da Maria João Pires, a versão definitiva, a que mais gosto e pronto, é a sua interpretação das Sonatas de Mozart, e a que eu tenho há muitos anos, os 5 cds separados da versão de 1974 gravada para a Denon! SÃO PERFEITAS!!!

  4. Henrique Silveira Said,

    São deste tipo as conversas que não me interessam nada e que não interessam nem ao menino Jesus. Se um pianista do tempo da Maria Cachuca toca melhor que outro as mazurkas do Chopin! E MJP ao barulho como de costume.
    Um abraço e um bom F-d-S a todos…

  5. cv Said,

    É curioso como o ‘não interesse’ de hs o leva a deixar aqui a sua opinião. Será diletante a conversa, mas tal diletantismo é próprio de pessoas civilizadas que trocam opiniões sobre algo que, sim, tem interesse, mesmo a cronológica comparação. Este tipo de opinião sobre o que ‘interessa’ ou não revela uma visão utilitária da arte que desmascara algum provincianismo obssessivo e alarvemente auto-satisfeito… Como é que pode ocorrer a alguém insultar quem se limita a trocar opiniões sobre pequenos-grandes prazeres da vida. Ainda por cima da parte de quem na sua autista página não aceita sequer opiniões ou comentários em relação às suas saloias, interesseiras/adas e irrelevantes verdades definitivas. Por favor…

  6. ana c. Said,

    Apoiado! Concordo com CV em absoluto.

    A mim interessa-me bastante esta conversa que tem andado de blog em blog.
    Ao contrário do Sr. Henrique Silveira, são este tipo de discussões as que me dão mais prazer, a comparação de interpretações.
    E com esta já fiquei a ganhar, conheci a Mazurka de Moravec através da Teresa Cascudo e agora vou aproveitar para investigar a tal gravação do tempo da Maria Cachuca da Maria João Pires que o Paulo Bastos aconselha (só conheço a da DG).

    Está-se sempre a aprender…

  7. anónimo Said,

    Cabe-me o grato prazer de ter sido eu a espevitar as vontades de afirmação que cada um sente a divulgar conhecimentos e a investigar outros tantos.Mas o prazer não acaba aqui:a forma de os expor, não tem tido aquele carácter presunçoso exibicionista que foi o que me incomodou.De resto, meu caro C.a.a.eu não fui um anónimo zangado;é coisa que não sei ser. Assim como você não é tímido; muito menos quando confessa arrogâncias.

    Parabéns. Gostei muito

  8. Henrique Silveira Said,

    Não insultei ninguém, apenas disse que não me interessava, é giro ver como um pseudo intelectualóide se irrita quando alguém diz que o assunto não lhe interessa, não percebo como é que dizer que um assunto não me interessa é um insulto ao senhor César Viana. A arrogância do CV deve ser herdada do “saloio” do papá que conseguia atormentar centenas senão milhares de alunos da Faculdade de Ciências, eu incluído, quando não respondia nas aulas ou onde quer que fosse quando não tratado por “senhor professor doutor”. Pois caro César VIana, para si sou sr. professor doutor, e saloio e interesseiro são palavras que lhe farei engolir mal tenha o prazer de me cruzar consigo face a face, de forma civilizada claro.

  9. cv Said,

    Não sabia que conheceu o meu falecido pai. Sobre essa parte como imagina não vou fazer comentários.
    Peço-lhe desculpa por a irritação que me causou o seu comentário me ter levado a escrever palavras de que me arrependi em seguida, se não tanto pelo conteúdo, pelo menos pela forma (mas é verdade que a forma é (quase) tudo. Acho que sim, que o seu comentário era arrogante e insultuoso, mas lamento ter respondido de um modo também insultuoso.

  10. Henrique Silveira Said,

    Repare que o Carlos estava a pedir a minha opinião através do link, foi por isso que deixei o comentário, não me apetecia andar a escutar n interpretações no you tube, a qualidade de som não é nada boa e sobre o Rubinstein e o Horowitz que venha o diabo e escolha, gosto dos dois, criar uma tabela de preferências a esse nível não faz sentido, meter a MJP no meio dos dois é extemporâneo. Talvez não tenha sido claro, mas o comentário não foi para ofender ninguém, apenas que não me interessava responder ao link, não sei porque razão isso é alarve e etc…
    Sobre o seu pai: lamento que tenha falecido, não o sabia. Era um grande chato, e muito arrogante para os estudantes, uma época já passada, nomeadamente nas aulas e orais, mas foi um grande cientista e homem de grande generosidade na sua actividade social, haja justiça. Peço-lhe desculpa pelo comentário. Paz à sua alma.

  11. cv Said,

    Tem razão, a sua opinião foi pedida no link. Peço desculpa pela precipitação e pelas palavras descabidas.

  12. anónimo Said,

    opinião:os assuntos aqui expressos deveriam ser de interesse geral;os «quiproquós» muito pessoais tratem-nos em privacidade; até para não termos de perder tempo a lê-los

  13. Paulo Bastos Said,

    Ana: a gravação do tempo de “não sei quem” é mesmo muito melhor do que a da DG. Tudo mais simples, menos Piano, mais piano forte, com um excelente som para 1974 e pelos vistos foi tudo gravado ao primeiro take. Um assombro!
    Quanto ao diletantismo com que se aborda isto ou aquilo é próprio de quem gosta daquilo que fez, que faz ou que vai fazer. Por detrás de uma simples opinião sobre uma interpretação não há nada de científico, é certo, mas convenhamos que muitas vezes estas opiniões denotam uma série de experiências e vivências que a só a cada um diz respeito. Quem as não teve (as experiências e vivências) interpreta mal estas trocas de opiniões…

  14. Carlos Araújo Alves Said,

    Estou fora com acesso muito escasso à net, mas li com emoção todos os cometários.
    Houve desmandos? Com certeza, mas parece que as coisas regressaram à normalidade e, creiam-me muito honrado com todos (sem execepção mesmo o Henrique que afirmou não aceitar o desafio) os que até agora mostraram e demonstraram o que é a arte!
    Arte, no caso música, mesmo a interpretação de uma só peça, é emoção, é deixarmo-nos despertar e pelas formas de percepção sensitivas e muito menos as racionais. A razão vem depois, depois de já termos a impressão da sua música ou, se já vamos ouvir com preconceito, dificilmente nos deixaríamos emocionar assim.
    Ora acontece que quem manda numa coisa chamada educação não quer perceber a importância que o desenvolvimento da percepção sensitiva, fulcral para se Ser e até para relativizar percepções e assimilações de índole mais racional.
    Também tenho preferidos, como todos vós, mesmo os que não o confessaram, mas é imperativo termos presente que também as interpretações estão sujeitas à moda, como os intérpretes, como os compositores, sendo por isso sempre, queiramos ou não, datadas.
    Chopin é peixe frito, como tenho ouvido dizer? As suas Polonaises são obras menores? Para este tipo de discurso é que não tenho pachorra! Chopin, não eu nem o post, conseguiu colocar-nos todos a ouvir, a sentir, a pensar e a escrever! Chopin, como muitos outros, foi um grande compositor!
    Viva a Música, viva a Arte e vivam todos os que ainda conseguem dispor-se a ser tocados por ela e educar seus filhos nesse sentir!
    Continuem, sintam-se em vossa casa.
    Até breve.

  15. ricardo serrano Said,

    Carlos

    Estava a ver que ninguém falava do Chopin outra vez. É disso que se trata: Chopin.
    E para mim, como eu gosto mais de o ouvir, é, simplesmente como eu gosto mais de o ouvir. Esta polonaise é sobretudo Ele. Confesso que estou entre os vídeos que não encontras-te, até porque não ouço música a ver, mas a ouvir. Percebo perfeitamente que haja gente que sem ver não consegue ouvir, mas eu não sou assim.
    Já agora deixo aqui uma deixa, ouçam os estudos do Chopin pelo Pollini, é como trocar de alma.
    Abraço
    Ricardo

  16. Alice Valente Said,

    Carlos, obrigada pela escolha a proporcionares esta outra forma que não se poderá de chamar propriamente de comparativa de qual o melhor e porquê, mas talvez a criarmos aqui um entendimento para com a importância e relevância da sensibilidade manifestada por estes 7 interpretes de Chopin para com a arte da interpetação. E embora eu não seja desta vossa área, é com a música que se me fazem todos os meus bons dias. Quero com isto dizer que a música é uma constante no meu dia a dia e sobretudo o que ela nos permite «puxar» o que de revelador poderá se salientar a produzir outras tantas formas artísticas presentes e existentes em cada um das nossas próprias corporalidades musicais.
    Assim sobre estas escolhas poderia aqui quase que fazer uma dissertação sobre cada uma e ao pormenor, que até me daria muito prazer, mas deixo para uma outra oportunidade, ficando-me simplesmente pela escolha que mais me tocou, talvez pela melodia transformada num apaziguamento arrebatador e que me diz que a tecnicidade dominada aliada ao sentir interpretativo transforma-se numa outra forma de se ofertar com o desprendimento total da execução para com o que é agradável sem ter de agradar e foi com o DonMin Lin que senti essa capacidade que depois se associa com alguma eficácia ao sensível nas outras tantas e novas possibilidades da descoberta do que é o pungente sensitivo de cada um de nós a elevar-nos com todos os sentidos… Mesmo que eu não tivesse esta forma de visualizar, a escolha seria exactamente a mesma, precisamente porque essa escolha não a fiz pela diferente indiferença de fruir um momento mas o que está para além desse etapa que é, o que o momento nos faz «fazer».
    Beijinhos

  17. Carlos Araújo Alves Said,

    Há pouco chegado de fora confesso que ainda estou um pouco perplexo com o que para aqui aconteceu na caixa de comentários.
    Por aqui me fico, hoje, porque o travesseiro é sempre bom conselheiro e amanhã logo verei…, com a certeza, porém, que não retirarei nenhum comentário, nem na totalidade nem parcialmente.
    Somos todos adultos e por isso temos obrigação de saber quando temos momentos menos felizes. A elevação de cada qual não se medirá, talvez, pela quantidade desses momentos que a todos afectam, mas na sabedoria de os reconhecer, mesmo que no recolhimento de nós próprios.

    Quanto à Heróica de Chopin, peço desculpa a todos, mas não não me inibo de dizer quem é o meu preferido - Czifra (mesmos com as notas falhadas e trilhadas)! Sabem porquê? Eu não, nem pretendo vir a saber pois se o tentasse correria o sério risco de ir reduzindo a liberdade que pretendo manter na minha percepção sensitiva. Creiam, contudo, que considero a minha preferência tão válida quanto as vossas porque, quando se atinge determinado patamar, só a música deve ser ouvida porque é para isso que ela é feita.

  18. ricardo serrano Said,

    a tua perplexidade só se deve ao facto de teres posto as pessoas a ouvir
    criaste uma reputação, foste sério e não maniaquivelaste o teu espaço
    o resto é o teu suor
    um obrigado p’lo Chopin

  19. Pianoman Said,

    Só uma achega sobre as sonata de Mozart pela MJP. A mesma versão gravada para a Denon em 1974 está à venda editada pela Brilliant Classics com um preço abaixo dos 20 euros (já não me recordo quanto exactamente). São os mesmos 5 CDs que incluem as duas Fantasias e os dois Rondos. Uma verdadeira pechincha !

  20. Pianoman Said,

    E já agora, especificamente sobre a Polonaise Op.53, aqui fica mais uma interpretação (ou serão 10?) que gostava que comentassem…

    http://youtube.com/watch?v=KMyC1I9BdWc

  21. Carlos Araújo Alves Said,

    Tinha razão, dormir é um dos melhores remédios para o reequilíbrio da produção de bílis.

    E assim, porque sempre o tento fazer, manterei a linha com que tento manter no Ideias Soltas, respondendo ao que cada um de vós escreveu sobre o assunto.

    Estimado Paulo Bastos
    Horowitz a sua preferência para esta peça! Porque não? Mas as restantes, que lhe pareceram. O que é que o leva a identificar-se mais com a sua preferida?
    Os 10 paspalhos do método Suzuki? Que dizer daquilo? Mas convém divulgar, ai isso convém.
    Abraço e muito obrigado.

    Estimado César Viana
    Pois não, não falei dos nocturnos interpretados pela Maria João Pires: primeiro porque não postei sobre nocturnos; segundo porque, mesmo que postasse e inserisse a Maria João Pires nessa selecção, ela não seria a minha escolha!
    Adviria daí algum mal ao mundo? Suponho que não! No entanto, ser-me-ia muito penoso incluí-la e não ser a minha preferida. É que Maria João Pires é a melhor pianista portuguesa viva e uma das grandes a nível mundial (já o disse várias vezes aqui e em público) e sinto necessidade de a preservar neste tipo de posts. Se um dia vier a postar, dentro deste género, sobre os “Impromptus” de Schubert, por exemplo, ou sobre as “Sonatas para Piano” de Mozart, não terei dúvida em colocá-la e elegê-la, porque (lá está, coisas sempre do domínio da sensibilidade) é onde sinto que ela revela todo o seu génio, musicalidade, talento e alma.
    Com as devidas desculpas por não partilharmos da mesma opinião, espero não ter ferido a sua sensibilidade.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

    Henrique
    Não te interessa a conversa? Peço desculpa em ter-te incluído entre as pessoas que pensava que gostavam. Lamento, sinceramente, erro meu.
    Mas Rubinstein e Horowitz? Confesso que não te julgava ainda tão agarrado a outros tempos…
    Agora, quanto à qualidade e fundamentalismos, Henrique, comecei a ouvir Cortôt num “pick-up” de 78 rpm e ainda hoje me lembro de toda a família reinida, em silêncio, para o ouvir. Música é música, Henrique, e o génio pode ser encontrado quando menos esperamos, mesmo em vinil cheio de riscos ou em gravações muito antigas, numa sombria esquina de Nova Iorque ou junto a milhares de pessoas no Ganges. Hoje, semanalmente, ainda ouço Rachmaninov (não a versão digitalizada e remisturada) e não me sinto incomodado pela fraquíssima qualidade da gravação, antes grato por ter chegado até aos nossos dias.
    Abraço e desculpa ter-te incomodado.

    Anónimo
    Sim, terá sido sua a responsabilidade de espevitar, mas minha foi a arrogância de ousar pensar que as pessoas que escrevem sobre música gostam de ouvir música e falar sobre ela, apaixonadamente, sim, defender as suas preferências com toda a irracionalidade, pois é nela que a música se revê e é através dela que nos desperta e inquieta.
    Se sou arrogante, presunçoso e exibicionista? Confesso que não sinto, mas tenho arrogância suficiente pata achar que prosseguirei com este género de posts e que conseguiremos, todos, falar mais um pouco sobre música, mesmo que apaixonadamente, mesmo que em profunda discórdia, desde que a música nos una. Será isto arrogância? Sinto-me mais como teimoso e inabalável na defesa de causas que me, na arrogância do meu entender, me parecem merecer o exercício de uma cidadania activa e perseverante.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

    Ana C.
    Pois, faltava o Pollini…! Não encontrei mesmo, mas quem sabe noutras obras. Pretendo mesmo continuar com este género de posts. Com o hábito haveremos de conseguir falar mais… e melhor.
    Beijinho e obrigado pelo comentário.

    Paulo Bastos
    As Sonatas de Mozart por Maria João Pires? Ah, sim, absolutamente imperdíveis! E os Impromptus.??? Geniais!!!

    Ricardo
    Mais um a chorar pelo Pollini! Que poderei fazer se não o encontrei? E destas, gostaste de alguma?
    Ouvir música é ouvir música, Ricardo, vendo ou não, se bem que compreenda que são espectáculos diversos e que nos estimulam de diferentes maneiras.
    E, vá lá, rapaz, podes sempre fechar os olhos se não gostas do Youtube!
    Abraço e obrigado pelo comentário.

    Alice
    Afinal, sendo tu de outra área das artes, vens tocar no essencial da música - a sensibilidade de quem interpreta e de quem ouve. É quase tudo. Depois, sim poder-se-á sempre discutir o pormenor - a técnica, o respeito pelo texto, as diferentes abordagens no tempo, a consistência das interpretações - mas é da comunicação sensitiva donde tudo parte e de onde não poderemos nunca sair sem cairmos numa “musicografia” absolutamente desinteressante.
    Beijinho e obrigado.

    Pianoman
    Boa dica sobre a gravação para a Denon.
    A referência que faz para o Youtube é a mesma que está na 7ª interpretação que coloquei no post.
    Muito obrigado.

  22. cv Said,

    Quando disse ‘ainda ninguém falou…’ referia-me aos vários posts de diferentes blogues onde esta ‘tertúlia’ vinha decorrendo, não especificamente a este.
    Não tem de pedir desculpa por nada; como refere, são ‘coisas do domínio da sensibilidade’, é mais do que natural que nem sempre coincidamos nas preferências.

  23. Carlos Araújo Alves Said,

    Metendo a mão na consciência, estimado César Viana, sim, terá razão, e tem-na não só em relação à Maria João Pires! De facto, tendo eu ultimamente escrito e comentado em blogues amigos sobre pianistas, é injusto que nunca tenha feito uma referência a pianistas portugueses.
    É verdade e, por sê-lo, tentarei reparar essa minha lacuna de futuro, embora com menor utilização do Youtube porque são poucos os que lá estão. Vamos buscar os CD’s, fazer uploads e colocar online.
    Fica a promessa e um abraço.

  24. Pianoman Said,

    Carlos Araújo Alves: É verdade…não reparei que estava incluído esse vídeo dos 10 (concordo) paspalhos a tocar ao mesmo tempo no seu post inicial. Peço desculpa pela redundância.

    Alguém consegue encontrar algum sentido em pôr 10 (ou 3 ou 4 ou 20) pessoas a tocar a mesma obra de Chopin em piano? o método Suzuki aplicado a, por exemplo, violinos ainda compreendo. Instrumento melódico com necessidade e vantagens de aulas de conjunto onde até se aceita que alguns instrumentos toquem a mesma “melodia” (como numa orquestra), mas agora em piano? gostaria que alguém me indicasse uma vantagem, benefício, etc. de o fazer no piano…

  25. ricardo serrano Said,

    Carlos
    Eu não choro pelo Pollini, simplesmente gosto e, como tu dizes por outras palavras, sou suspeito nisso.
    Vejo imensos videos no YouTube e gosto de ver, se leres melhor o que escrevi referia-me a outra coisa.
    Se tenho preferência por algum dos videos, acho que já devias conhecer-me melhor, já ouvi 6 vezes todos os primeiros 6. Confesso que ainda não tive coragem de ouvir os 10 melros do fim porque acho redundante, é tão difícil só ouvir um sozinho a tocar mal quanto mais uma chusma.
    Se bem me conheces claro que para mim aqui só há uma pessoa a tocar Chopin: DongMin Lim.

    Há uma coisa lateral que tem sido comentada aqui. A Maria João Pires a tocar os Nocturnos. Vou começar por dizer uma coisa, li algures num jornal inglês uma entrevista com o Pollini (sem chorar) em que ele dizia que não gravava Bach porque não era para a alma dele. Eu não gosto da MJP a tocar Chopin, não está com ela, sei lá. Vi duas vezes ao vivo e simplesmente sou derretido por ela. É soberba. Ela tem um disco de Bach com suites francesas e inglesas simplesmente delicioso, único. Mas os nocturnos não. Santa paciência.

    Abraço, e mais uma vez parabéns por este delicioso post, dir-se-ia que estás como alguns vinhos: a idade ajuda

  26. Carlos Araújo Alves Said,

    Pianoman
    O método Suzuki até que é bastante bom e tem mostrado resultados, em especial ao nível do pré-escolar e no 1º ciclo e, como bem diz, nos cordofones. No entanto, se bem que os concertos em grupo sejam bem sucedidos, acontece que a partir do momento em que os professores notam que no grupo há meninos com “asas para voar”, deveriam ser eles os primeiros a encaminha-los para aulas individuais, onde conseguirão evoluir de forma muito mais personalizada, impondo-se (o que o César Viana já uns posts atrás disse) uma relação estreita mestre/aluno.
    Agora paspalhos em adolescência avançada no método Suzuki não lembra a ninguém com juízo!
    Obrigado pelo comentário.

  27. Carlos Araújo Alves Said,

    Ricardo
    O “chorar� é uma forma de expressão. Eu não sou fã de Pollini mas, para além de aceitar que haja quem seja, compreendo que se seja, afinal é um dos grandes pianistas da actualidade.
    DongNim Lim!!! É curioso, uma pessoa que não é da área da música (a Alice) e tu que o és, a escolhe recaiu sobre ele. Uma coisa que tentei ver se chegava com este post (ainda deixei uma dica no 1º comentário que fiz) são as alterações da visão sobre os compositores que foi sendo moldada no tempo! Quem conhece Rachmaninov, Prokofiev ou Vianna da Motta a tocar Chopin constatará facilmente que nada tem a ver com as interpretações mais antigas que estão no post como a de Rubinstein, Czifra ou Horowitz! É que entre eles entrepôs-se um outro grande intérprete, Alfred Cortôt, que entendeu que o romantismo na música era quase sinónimo de debilidade sentimental e até física (a historieta do Chopin coitadinho muito doentinho que só viveu mais uns anitos porque a George Sand tomou conta dele, é exemplo do mito que se instalou), transformou o Chopin numa “meladice� quase histérica! Mais grave foi estender essa visão a outros períodos da música, desde o barroco a Debussy.
    Cortôt, repito, foi um excelente pianista, mas a escola que dele saiu, ou melhor, quem se lhe seguiu, começou a (perdoem-me o termo) “abichanar� Chopin, Beethowen, Bach, Debussy e chegamos aos anos 60 em que a chamada escola alemã e russa quase desapareceram (diziam que os poucos que dela não abdicaram batiam no piano), para se instalar uma coisa que se começou a chamar de escola francesa - rubatos a torto e a direito, tempo lentos e adagios passaram a ser quase parados, e todo o período romântico se transformou numa “meladice� impossível de ouvir, embora continuasse a encher salas de gente aos urros com bravos, tão mais intensos quanto mais “meladice� houvesse!
    Felizmente que a partir dos anos 70/80 do século passado surge um movimento musical que reivindicava um rigoroso respeito pelo texto musical, tendo conseguido, por esse motivo, que hoje já consigamos ouvir interpretações e técnicas distintas para interpretar cada período e cada compositor e, até, cada obra.
    É evidente que retorno às origens também redundou nalguns fundamentalismos (só instrumentos da época, nenhuma liberdade ao intérprete que o texto não explicitasse, etc.), mas hoje conseguimos ouvir DongNim Lim e já agora, porque a interpretação também é excelente, Rafal Blechacz, que são os mais rigorosos destes 6 no que ao texto diz respeito, mas não deixam de tocar com SOM (valha-me Deus, SOM, não é bater, é tirar som de um piano sem bater, é dar-lhe profundidade, é utilizar muito mais o peso do corpo do que a alavanda do cotovelo), sóbrios nos rubatos e acelerandos, sem concessões lamechas, mas sem se inibirem do exagero passional que o romantismo exige (o exagero exacerbado dos sentimentos, todos eles, não só os de amores transviados ou perdidos!)
    Eu confirmo, Ricardo, que o meu preferido destes 6 é Czifra, mas sei bem que ele, tal como Rubinstein e Horowitz, não respeita o texto nem poderá ser exemplo, embora saiba tirar do piano o SOM que esta Polonaise obriga! É uma questão sentimental, mais uma vez, mas numa análise mais ponderada e racional DongNim Lim e Blechacz são os que mais se aproximam do que Chopin escreveu e pretenderia!

    Mas tocaste noutro ponto muito interessante, o Bach de Maria João Pires! Mas quem ousa dizer a muita gente que o Bach que a Sra. D. Helena Costa nos deixou está a anos de luz do Bach da Maria João? Quem ousa dizer que a Sra. D. Helena Costa e a maioria dos seus discípulos não conseguem tirar som de um piano porque foram instruídos no tal modelo de Cortôt, cujo gosto a Sra. D. Helena Costa herdou de seu pai, Luís Costa, afastando-se da escola alemã que Vianna da Motta, Luís de Freitas Branco e Bernardo Moreira de Sá tanto defenderem para tirarem este país do cinzentismo musical?

    Olha, desculpa, isto não foi uma resposta, foi um lençol mas, já está! É que era também sobre isto que eu gostaria de ter conseguido estimular os leitores a abordar.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  28. ricardo serrano Said,

    o SOM, claro, o SOM
    e o que é som
    o Pollini ao vivo levanta-se do banco todas as vezes entre os 2 efes e os 3, porque é o corpo e não qualquer articulação que comanda o peso e não um suposto ataque suícida do cotovelo com o pulso preso e dedos em riste. É preciso aqui lembrar que o piano é um instrumento de percussão demasiado subtil.
    E só há uma subtileza no piano, conseguir ouvir o que se está a tocar, se se pensar que é um martelo percutido numa tecla pela força da alavanca (tecla) que o faz disparar é esquecer o que em acústica se considera a “soma tímbrica”, assim uma tecla calcada não é supostamente a forma decente de percurtir o martelo, depende de tudo, com pedal, sem pedal, se outros abafadores estão soltos, em suma isto dava um douturamento…
    carlos, perdi-me com o teu lençol…

    P.S. a interpretação do DongLim simplesmente tirou-me da cabeça os pormenores de análise, de quem está a comparar, e fiquei a ouvir o Chopin
    não é justo é ele ter que tocar num Yamaha e os outros não, concerteza em Steinway soava melhor (para mim)

    obrigado pelo lençol

    abraço

  29. Carlos Araújo Alves Said,

    Claro Ricardo!
    Nada a acrescentar ou retirar ao que escreveste. Está lá tudo.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

  30. ana c. Said,

    É precisamente por essa razão - a qualidade e SOM - que me leva a preferir Horowitz, e não só, o andamento contido da parte intermédia (do ostinato da mão esquerda), o que se traduz numa intensidade que na minha opinião nenhum outro consegue.
    Dos pianistas mais novos a minha tendência é para Rafal Blechacz.

    Essa questão do SOM, é fundamental e estou plenamente de acordo, e posso lhe dizer que são raros os pianistas/professores em Portugal que abordam essa questão a saber o que andam a fazer.

    Tal como o Ricardo afirma não sou assim tão fanática pelo Pollini. No entanto acho que para os estudos op 10 e 25 ainda não ouvi ninguém que o superasse.

    Abraço

  31. Carlos a.a. Said,

    Ah sim, estimada Ana C., tem toda a razão, Horowitz sabe utilizar o corpo para conseguir produzir 3 f’s sem bater, coisa que, por exemplo, o Rubinstein, sendo quem é, não consegue. Estou absolutamente de acordo.
    O ostinato da mão esquerda, Ana, está numa passagem notável desta Polonaise à qual poucos dão atenção. De tal forma que anos mais tarde Liszt aproveitou a ideia (hoje seria mesmo plágio) e explorou mais profundamente nos “Funérailles�. É muito difícil fazer aquele ostinato na mão esquerda com um leggato na direita. Parece impossível para quem como eu não sabe tocar piano, e a verdade é que muito poucos conseguem reproduzir exactamente o que Chopin pretendia. Horowitz consegue-o, mas acho que Czifra e Rubinstein também, enquanto os dois mais novos conseguem-no mas sem o leggato na mão direita.
    Dos dois mais novos a minha preferência recai também sobre o Blechacz, é uma interpretação de uma consistência irrepreensível, embora reconheça que quando é necessário o tal SOM o DongNim consegue ser mais explosivo (repare-se no pormenor do levantar-se um pouco do banco para o conseguir o que tecnicamente é aconselhável, embora, lá está, hoje haja quem considere esse erguer do banco desnecessário…).

    Fanática por Pollini? Ora, Ana C, nunca o disse, mas se fosse por que não? Eu sou fanático por alguns pianistas, não por fanatismo, antes porque me tocam e não sei explicar, mas não ao ponto de não conseguir ver quando há interpretações melhores.
    De uma vez por todas, Ana (permita o tratamento), Pollini é enorme!!! Eu não me canso de o reafirmar e é necessário ter em conta o nível elevadíssimo dos intérpretes que aqui estão presentes. Todos eles são excelentes, estamos já a falar em nuances, por um lado e, por outro, em tentar deslindar por que razão uns nos tocam mais que outros nesta obra, porque noutra, se calhar, já assim não seria.
    Beijinho e muito obrigado pelo comentário.

  32. Carlos Araújo Alves Said,

    Conforme em post mais recente assumi, a descoberta do Ricardo de uma interpretação de Maurizio Pollini no Youtube alterou a minha preferência.
    Rendido, é o termo, a esta interpretação que adicionei ao post inicial, respeitando a ordem alfabética, em 5.º lugar.

    Felizmente que a música nos obriga a estes inesperados volte-faces e a perdermos alguma teimosia!

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    [...] // Horowitz A propósito de um desafio lançado pelo Carlos A. A. do Ideias Soltas, em que nos mostra 6 interpretações possíveis da Polonaise Heroica de [...]

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