A facilidade com que os profissionais da política e os media associados insistem em escamotear a abstenção é hoje patético. Vital Moreira, em jeito de quem terá sido apanhado desprevenido, pede ajuda para explicar o fenómeno, enquanto Medeiros Ferreira afirma que A abstenção é uma vergonha para os lisboetas e seus candidatos.
Uma vergonha para os lisboetas?
Despudor é continuar a purgar os resultados eleitorais do valor da abstenção, isso sim!
Dizer que António Costa ganhou com 29,6% quando, na verdade, vai ser Presidente da Câmara da Lisboa através da vontade expressa de apenas 11% dos eleitores de Lisboa, mais concretamente, 57907 votos em 524248 possíveis, é anedótico, embora o mesmo suceda com os outros candidatos e em outras quaisquer eleições!
Para cúmulo desta legal vergonha os candidatos das listas vão assumir mandatos para os quais ninguém os mandatou! Se em questão estavam 17 mandatos e se 64% dos eleitores não mostraram vontade de eleger qualquer um deles (uns abstiveram-se, outros votaram em branco e outros nulamente), apenas 6 candidatos foram mandatados e apenas esses deveriam exercê-los.
É esta verdade que se quer escamotear, seja nestas eleições seja noutras e de outra carácter, seja neste país e por essa Europa fora, que desprestigia cada vez mais os políticos e a política, uma vez que, das duas uma, ou os candidatos não serviam ou os eleitores não quiseram cuidar da democracia representativa. Ora em qualquer destes casos convém que os eleitores e os políticos tenham consciência clara de que a sua atitude poderá muito bem representar, a curto prazo, o fim da democracia representativa, o menos mau dos sistemas, como sói dizer-se!
Manter a camuflagem da abstenção, dos votos brancos e nulos é a mesma coisa que dizer a um moribundo que ele está a melhorar…
Mais grave ainda do que este despudor foram as declarações da generalidade dos candidatos que, ao saudarem apenas os que foram votar, tentaram colocar-se (ou sentem-se mesmo) numa posição de superioridade moral sobre quem não foi e, por outro lado, alguns ainda assumiram entusiasticamente vitórias, quando, de facto, todos perderam, uma vez que juntos (nem sei ao certo quantos eram) somaram apenas 36% de votos expressos. Isto é de uma arrogância anti-democrática inconcebível!
Adenda: O CAP fez as contas certas seguindo o método d’Hont e dá 4 mandatos sufragados.
Tags: Abstenção, Cidadania, Democracia, Partidocracia, Política






















Se vires aqui:
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Descobres que só deviam ter sido eleitos 4 vereadores. Devia ser bonito de ver aquelas reuniões.
Li, há um par de horas, no livro “Foi assim” da Zita Seabra, a história do movimento estudantil que ajudou muitas famílias a recuperar a normalidade depois uma tromba de água que devastou algumas zonas de Lisboa (no final dos anos sessenta) e que provocou centenas de mortos. Salazar discursou uns dias depois e nem uma só referência à catástrofe. Assim, como se não tivesse acontecido.
Esta gente pensa que pode enganar tudo e todos mas estão equivocados. Arrisco que a grande maioria dos que não votaram, no fundo quiseram enviar uma mensagem. Se estão assim tão acima da populaça, pelo menos respeitem e, se conseguirem, compreendam estes sinais. Não é preciso ser engenheiro.
Ora aí está, Cap, boas contas e bem feitas.
Coloquei um link para o post do Blog Operatório em adenda ao post.
Abraço
Mas eles compreendem, e bem estimado Carlos Semedo, mas recusam-se a respeitar.
O problema vem de trás e de fora, de França e depois da Europa. Com medo de não conseguir governar os franceses inventaram essa coisa da 2ª volta e mais tarde, os eurocratas, com Maastricht, começaram a fazer uma Europa por eles e, pelos vistos, só para eles.
Abraço e obrigado pelo comentário.
Concordo inteiramente consigo e também bati nesta tecla o que não é demais lembrar os políticos que é errado considerarem ser uma vergonha para os lisboetas o que efectivamente não é. É sim para a classe política que cada vez mais nos dá motivos para desistir-mos de exercer o nosso direito de cidadania porque assim insistimos na ideia de que os políticos representam cada vez mais a si próprios e menos aqueles que os elegem. Como é possível falar-se na vitória duma lista que ganha com um número de votantes inferior ao número de recenseados duma freguesia de Lisboa. Simplesmente ridículo.
E nós todos temos de fazer sentir estes maus profissionais da política que eles não servem e se devem dedicar a outra actividade. Um abraço do Raul
Isto é de facto surreal, Raul, mas mais grave do que umas meras eleições municipais em Lisboa é que é um fenómeno generalizada a toda a Europa, onde os políticos, entre eles, querem muito fazer sem querer saber dos cidadãos ou à sua rebelia.
Abraço e obrigado.
Como o Método de Hondt tem variantes, não sei se aquele é exactamente o mesmo que se usa por cá, mas as diferenças devem ser residuais.
Para os descontentes (os Não votos), somei os brancos e nulos (que só por si já são mais que os votos no CDS!) à abstenção.
Abraço.
xacaver….agora acho que tá bem.
completamente de acordo, a cara-se-pau não tem tamanho! de facto, isto significa que o que interessa é o poder tenha ele a expressividade que tiver. perigoso…
beijos, ja consegui escrever wow!!
Vês, Cristina, à primeira é sempre mais difícil, mas depois de se apanhar o jeito a coisa até que vai…
Bjinho e obrig…, posso, já tinha saudades de te ver por aqui.