Nunca entendi que razão haverá para que os baixistas e contrabaixistas sejam dos menos enaltecidos entre os músicos de uma banda, apesar de terem sob a sua quase exclusiva responsabilidade (juntamente com o baterista) o carácter da interpretação, o tempo, o swing, a inclinação, enfim o groove como hoje se diz.
Vem isto a propósito de uma interessante conversa entre o Paulo Bastos e o Paulo Mesquita no Tónica Dominante sobre Victor Wooten, um dos actuais gurus do baixo eléctrico.
A eles dedico Double Feature, da autoria de Stanley Clarke e Sonny Rollins e tocado em duo pelos dois, incluído no LP Love at the First Sight de Sonny Rollins, editado em 1980, que há 27 anos me acompanha como paradigma do diálogo perfeito (se é que a perfeição em música pode ser alguma vez conseguida) entre um saxofone e um baixo.


Tags: , , , ,

Textos Relacionados:


6 Respostas to “Sonny Rollins e Stanley Clarke – Double Feature”

Comentários (6)
  1. Susana Serrano diz:

    Pois é! Esta quase perfeição, que tenho também numa cassete velhinha, deixou-me com muitas saudades de ouvir jazz. Às vezes esquecemos-nos, com tanta coisa para ver, ler, ouvir e mesmo escrever, como é simples ligar a aparelhagem, pôs a cassete ou o disco e simplesmente ouvir.

    P.S. Não descobriste este tema no youtube? Se encontrares diz, ok?

  2. Nem no Youtube nem nos locais mais frequentados de mp3, Susana, mas posso colocá-la para sacares…, talvez no Gcast pois permite maior qualidade. Logo te informo.
    Obrigado pelo comentário.

  3. Espectáculo!!!
    Uma maravilha, mesmo!
    Carlos, um dia destes, ainda a propósito de baixos e contrabaixos vou-te dedicar uma autêntica obra-prima com 3 contrabaixos. Tenho que ver onde tenho o cd e para já não revelo mais nada…
    Um abraço.

  4. Fico à espera…, Paulo! Muito obrigado.
    Abraço.

  5. rui diz:

    belíssimo. não sabia que estes dois excelentes músicos tinham gravado em duo. Mas não sei se partilho da opinião de que os contrabaixistas sejam menos enaltecidos, veja-se o Charles Mingus, o Dave Holand~, o Charlie Haden, etc, etc…

    O que acontece é que a sua função de alicerce nem sempre os deixa brilhar e os instrumentos solistas por natureza gostam de brilhar por cima de “uma boa cama” feita pela secção rítmica.

    abraço

  6. Acho que em geral são menos enaltecidos mesmo, Rui, então por quem não tem conhecimentos musicais os bateristas, por exemplo, são bem mais facilmente notados. É claro que contrabaixistas e baixistas houve e há-os muito bons, como o que o Paulo Bastos falou e o Rui adiantou.

    Este Blue rui faz parte do tal album do Sonny Rollins, mas é o único tema em duo dos 6 que o compõem. Sonny estava ainda a atravessar a sua fase funky e, para esse género, o elenco é de excepção,para além dos dois conta Geoge Duke no piano, acústico e eléctrico, e Al Foster na bateria.

    Voltando ao tema, Rui, à cama, ao chão, é de facto notável a forma como Stanley Clarke com um baixo faz o chão harmónico, rítmico e percussivo, sem nunca deixar de ter parte activa na construção do todo.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

Deixe um comentário

(campo obrigatório)

(campo obrigatório)