Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo de: Setembro 2007

A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes (…) (Direcção de Informação da SIC)
Não, basta! Que a vergonha do que se passa no PSD não é relevante para Portugal até posso aceitar; agora virem dizer que não faltaram ao respeito a Santana Lopes, isso ultrapassa tudo, desde logo a noção do que é respeitar os outros.

Há limites para tudo - devia haver - nesta palhaçada desta democracia “mediática”. Mais “merdiática” que mediática em que políticos, jornalistas e comentadores estão muito bem uns para os outros.
João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos.

Democracia merdiática? Ora, nem mais!!!

Ao que parece ontem a SIC Notícias interrompeu uma entrevista a Santana Lopes para emitir em directo a chegada de Mourinho à Portela. Santana Lopes considerou-se desrespeitado e abandonou o estúdio.
A atitude de Santana Lopes é perfeitamente compreensível e aceitável, mas o apoio que lhe foi dado por Pacheco Pereira, aduzindo que interromper uma entrevista política com um não-evento, sem notícia, nem conteúdo, merece esta resposta, se bem que política e culturalmente correcto, induz-me algumas interrogações, atendendo até ao que a Cristina Vieira escreveu no Contra Capa sobre a indignação de Pacheco Pereira em relação à quantidade de tempo de antena que os canais de televisão estão a dedicar ao futebol:

1 - Não fora o momento de eleições internas no PSD insurgir-se-ia Pacheco Pereira da mesma forma?

2 - o que levará Pacheco Pereira a considerar que uma entrevista a Santana Lopes é socialmente mais relevante que a chegada de um homem que é um dos mais bem sucedidos no mundo na sua profissão e leva o nome de Portugal onde o PSD todo inteiro nunca levará?

3 - se Pacheco Pereira gostasse de futebol ou do fenómeno percebesse alguma coisa reagiria da mesma forma?

4 - Em que é que as tramóias que se passam no PSD interessam ao país?

5 - Não será até benéfico que as notícias relativas aos vícios dos cadernos eleitorais do PSD sejam apenas transmitidas em horário de adultos de modo a evitar que os adolescentes adensam o descrédito a que já votam os partidos políticos?

Emmanuel Demarcy-Mota foi o escolhido pelo conselho de administração do Théâtre de la Ville de Paris para seu director, sucedendo a Gérard Violette que durante os últimos 22 anos empurrou a fasquia da qualidade e diversidade da programação bem a nível muito elevado.
A responsabilidade que Emmanuel Demarcy-Mota aceitou é tarefa de grande exigência embora a sua vasta experiência, no Centre dramatique national de Aubervilliers, no Forum do Blanc-Mesnil e na direcção do CDN de Reims, bem como as diversas colaborações internacionais, ateliers de escrita para teatro e a abertura para a música e a dança, tenha sido o motivo para que Gérard Violette afirmasse: il mène une politique culturelle pluridisciplinaire qui séduit.
A reputação internacional do Théâtre de la Ville na dança e músicas do mundo será para respeitar, segundo o novo director, e implementar uma identidade mais enraizada no domínio do Teatro, é pretensão do conselho de administração.

ps: Gestão cultural em Portugal? Teatro Nacional de S. Carlos, Rivoli, teatros municipais, já ouviram falar em gestão cultural, em conselhos de administração que decidem as missões e objectivos dos directores artísticos e programadores?

Museu do Relogio - Os melhores relogios do mundo Começa amanhã a exposição 200 anos dos Melhores Relógios do Mundo, em Évora, levada a cabo pelo Museu do Relógio.
Estarão expostas algumas das mais belas e raras peças do museu como um Vacheron Constantin de 1755, um Baume & Mercier de 1830, um Jaeger le Coultre de 1833 e um Patek Philippe de 1839.
O Museu do Relógio é único do seu género em toda a Península Ibérica (cinco em todo o Mundo!) contando já com mais de 300.000 visitantes.
A exposição estará patente na Igreja de S. Vicente entre os dias 26 e 30 de Setembro das 10:30h às 12:30h e das 14:00h às 18:00.

Se os primeiros são conotados com apoiantes de Marques Mendes, os segundos são vistos como “cacicados” por Filipe Menezes. (Leonete Botelho no Público)

Uns são apoiantes enquanto outros são cacicados? Ora aí está como um jornal de referência nos ensina dois novos sinónimos, mas dá-me ideia que será o mesmo que designar corno ou vítima de adultério consoante mais jeito der?
Ele há cada uma…

Paulo Fontesad majoorem Dei gloriam, exposição de Ecoarte de Paulo Fontes, decorre na Livraria Vício das Letras, na Feira, mais concretamente no n.º 59 da Rua Dr. José Correia de Sá.

Segundo o autor trata-se de uma exposição de Ecoarte, já que todas as obras expostas foram construídas aproveitando materiais que poderiam ir parar ao lixo ou à reciclagem.
Para mais informações vejam, por favor o sítio de Paulo Fontes, deixando aqui um poema seu que ilustra o que sente e motiva para o acto criativo.

Para a humanidade cega que caminha em direcção ao precipício…
Recolham lixo ou arte, a minha arte é feita de lixo,
Do nosso lixo faço a minha arte…
A luz que atravessa telas, objectos, tinta….
Flúi da natureza que há em mim, selvagem…
Da selva que criámos e que devora a natureza e os seus recursos.

seja uma questão de quotas! Antes talvez uma questão de ‘cotas’, da sua fuga à enxurrada de arrivistas que há anos vem assomando e do aparelho tomou conta!

Em Junho passado alertei para o facto de Gabriela Canavilhas ter apresentado a sua demissão da AMEC - Associação Música – Educação e Cultura e da Orquestra Metropolitana de Lisboa, com efeito a partir de 1 de Setembro, adiantando o Público que a gestora afirmou que cabe agora ao Estado, representado na associação por vários ministérios e organismos, encontrar uma nova equipa directiva e dotá-la dos meios indispensáveis para salvaguardar e dar continuidade à obra da AMEC.
Através do Expresso chega agora a notícia de que o Conselho Superior de Promotores e a Assembleia Geral deverá reconduzir Gabriela Canavilhas no cargo.

Gabriela Canavilhas, presidente demissionária da AMEC (Associação de Música, Educação e Cultura) deve ser reconduzida no cargo, como ficou expresso nas reuniões de hoje do Conselho Superior de Promotores e da Assembleia-geral, afirmou à Lusa fonte oficial.
“Foi a vontade expressa de todos os fundadores de que a actual presidente demissionária, Gabriela Canavilhas, seja reconduzida e se mantenha à frente da AMEC”, disse.
Segundo a mesma fonte, “foi consensual, entre os fundadores, de que é uma obrigação de todos contribuírem financeiramente para repor a verba retirada pelo Ministério Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, ainda em este ano, e nos anos seguintes”.
Os fundadores foram também consensuais no sentido “de que é necessário proceder a um aumento financeiro anual significativo, durante quatro anos (de 2007 a 2010), para pagamento das dívidas que a actual direcção herdou em 2004″ da gestão do maestro Miguel Graça Moura.

De todo este processo realço o facto de os Promotores, em especial a nova Presidência da Câmara de Lisboa, unirem-se em torno do essencial - assumir as dívidas antigas da AMEC e suprir a verba que o Ministério da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior deixou de contribuir.
No entanto, por omissão de informação, fica por esclarecer se terá sido desta vez que os promotores públicos fixaram uma missão e objectivos particulares no que às prioridades e critérios de gestão da AMEC dizem respeito.

ps: textos relacionados por ordem cronológica inversa.

Jordi Savall há dias, em entrevista a Ana Sousa Dias no programa Noutro Lado da RTP 2, reafirmou o seu empenho em tocar ao lado de músicos de outras origens e culturas como forma de aproximar as pessoas.
Parece uma blague, mas Jordi Savall acrescenta logo a seguir mais ou menos assim:
A música consegue comunicar, interagir e entender-se com outras culturas de uma forma que é inviável através da palavra, porque não há palavras que cheguem para dar significado a todo um turbilhão de emoções.


Jordi Savall, os Nederlands Blazers Ensemble (NED) e alguns músicos turcos a interpretar um arranjo de Onno Tunç de uma canção popular turca

De facto, pensando apenas nesta constatação insofismável, o despertar, o desenvolver e o aprender a lidar com essas emoções, que são afinal parte integrante e prima da condição humana, não podem ser conseguidas através de uma educação vocacionada essencialmente para a tecnologia e para o desenvolvimento de competências.
Esta é mais uma razão, se não uma das principais, para que não possamos permitir que a educação artística seja um menosprezado adereço no seio do sistema educativo, tal como está a ser implementada através da já redutora designação de actividade de enriquecimento curricular (link) (ver aqui e aqui), leccionada por professores contratados à peça directamente pelos conselhos Directivos das escolas (ver), nem um privilégio de uma pequena meia-dúzia de estudantes que optem por um ensino especializado conducente à profissionalização artística, como se pretende através do que se preconiza no Relatório de Avaliação do Ensino Artístico encomendado pelo Ministério da Educação (link), ao defender que o ensino artístico deverá ficar reservado a algumas escolas de ensino integrado em todo o país, chegando ao ponto de aconselhar o fim do financiamento do Estado dos regimes articulado e supletivo! (ver caracterização dos regimes de ensino artístico).
Se outras razões não houvessem (ver arquivo Educação Artística), as palavras de Jordi Savall apontam bem o caminho - o do despertar, desenvolver e aprender a lidar com emoções - o qual só através da inserção da educação artística nos planos curriculares desde o 1.º ciclo poderá ser percorrido, cumprindo uma missão fundamental de um sistema educativo: formar jovens em diversas competências, sim, mas em ambiente que lhes proporcione a necessária informação e convivência artística e humanística bastantes para propiciarem e despertarem a busca da sua própria identidade enquanto Pessoas.

Bom fim de semana.

Tendo a UEFA decidido aplicar o castigo der 4 jogos de suspensão a Scolari na sequência da agressão a Dragutinovic, pronto, o Dr. Gilberto Madaíl já pode tomar uma decisão - igual, certamente, mais uns trocos de multa para a Federação Portuguesa de Futebol.

Polícia norte-americana imobiliza jovem com choque eléctrico quando, pacificamente, colocava questões a John Kerry numa conferência de imprensa.
Segue vídeo da Sic Notícias sem mais comentários.

Tratar de saber o que fazer diante do que aconteceu parece não ser nada connosco. Afinal foi só tentativa, afinal o sérvio até insultou antes; afinal o sérvio afastou-o antes com uma pancada na mão; afinal é tudo boa gente; afinal, olhem, afinal até que se não fossem os malvados dos canais de televisão até não se tinha passado nada e é por isso que, em conformidade, nada deveremos fazer se não aguardar, humildemente e bem à portuguesa, que a UEFA decida por nós, em vez de obrigar o Dr. Madaíl a essa maçada e, afinal, amanhã já a UEFA dirá o que a Federação Portuguesa de Futebol deverá fazer!
Decidir por nós tem sido o timbre deste país desde que entramos para a CEE! Não sabemos de outra maneira.
À falta de um qualquer Sebastião ou ditador que por nós decida, a gente delega tudo à Europa e aceita e procede em conformidade, só que já não é a bem da nação…

Já sabíamos e não é de agora (a imigração devido ao centralismo que desertifica o país tem custos), mas com uma greve nem quero pensar no lixo que por lá irái!!!

Catorze pacientes de Vila Real de Santo António partem sábado para Cuba para serem operados, no âmbito de um acordo de geminação da autarquia com a cidade Playa, nos arredores de Havana. (…)
Segundo o autarca, grande parte dos doentes que viajam para Cuba “estavam há anos em listas de espera” (…)
“Graças a este protocolo, os tempos de espera não excedem as duas semanas, entre o momento da inscrição e o momento da operação”, garantiu. (via Jornal de Notícias)

Em Cuba…, a do Fidel…? Ah…, já não há democratas como outrora! Gente que em vez de aguentar a agonia ou até a morte lenta junto do nosso glorioso Serviço Nacional de Saúde, prefere ir tratar-se para um país comunista, terceiro mundista e embargado e não alinhado e enchavezado!!!

Ninguém se entende com o novo Código de Processo Penal (CPP). Polícias, funcionários judiciais e magistrados queixam-se de não terem tido tempo para consultar e adquirir os conceitos básicos do novo documento. (via Público)

Os resultados imediatos são catastróficos no que concerne à libertação de criminosos devido, especialmente, à incapacidade logística do Ministério Público em atender em simultâneo a tantas demandas. No entanto, permitam-me duas perguntas:

1 - Há quanto tempo conhecia o Sr. Procurador Geral da República o teor do novo código e que é que fez desde então para estar preparar os serviços que dele dependem para responder consentaneamente ou, se sabia ser impossível responder, que diligências tomou junto da Assembleia da República e do governo para alertar para o facto?

2 - Informou-se o Governo e a Assembleia da República junto dos Tribunais e polícias se a aplicação do novo Código de Processo Penal era viável e, se não o era, informou-se de que necessitaria para que a sua aplicação fosse profícua? E, se se informou, que diligências tomou o Governo, para apetrechar os serviços em causa?

O que ressalta é que, mais uma vez, as coisas foram feitas bem à portuguesa - toca a legislar, coisa em que somos abundantemente pródigos, e quem tiver que aplicar a Lei que se desenrasque!

Já hoje menos se fala de educar preferindo o objectivo de ensinar no que à escola diz respeito, mas para quê? Para saber? Sim, para saber mas, gostaria eu, que ensinar fosse antes do mais cultivar o gosto de aprender, de fazer da vida um caminho de aprendizagem que possa ser transmitido.
Não a este propósito, mas encaixando que nem luva de cetim, a Catarina escreveu no 100nada um texto deslumbrante sobre o caminho e a chegada a ler e sorver na íntegra.

No meio de muitas tão in blogosféricas correntezas, uma me chega, via Zazie, que achei engraçada - quais os livros que mudaram a minha vida? Engraçada a ideia? Talvez nem tanto, mas o que me deu para rir foi pensar nisso e constatar que, afinal, os que me mudaram não foram os melhores, nem os que mais recordações guardo, nem sequer os que mais releio. Mudaram-me e mudaram a minha forma de estar e pensar, é (foi) assim!
Aqui vai, então uma lista por ordem cronológica:

- Cartilha Maternal de João de Deus, por onde a minha tia-avó me ensinou as primeiras letras e a ler;

- Os Cinco na Ilha do Tesouro de Enid Blyton (de quem se comemora este ano o centenário do nascimento), o primeiro da colecção dos cinco que me despertou para a leitura;

- A Queda de um Anjo de Camilo Castelo Branco, livro que me apresentou o encanto da arte de bem escrever em português;

- O Capital de Karl Marx que marcou definitivamente o meu pensamento e que durante alguns anos (poucos felizmente), devido à apropriação ideológica de outros autores e políticos, implicou que o viesse a reler por ter induzido conclusões apriorísticas que lá não se encontravam;

- Uma Família Inglesa, Os Fidalgos da Casa Mourisca, A Morgadinha dos Canaviais e As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Diniz, cuja releitura me valeu mais para compreender os quadros mentais de oitocentos do que todos os livros, manuais, sebentas e resenhas de historiadores;

- A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber, livro que me obrigou a reler e a compreender o que Marx, afinal, escreveu e quis dizer em O Capital;

- O Paradigma Perdido de Edgar Morin por me centrar naquilo que o Homem pode e deve fazer em vez da indignação e revolta sobre aquilo que de mau fez e continua a fazer e sempre fará;

- A Era do Vazio de Gilles Lipovetski por me desamarrar de prisões ideológicas e me colocar nos dias que correm.

Bom, segue a corrente para o António Costa Amaral, para o Francisco Nunes, para o Piotr Korpotkine, para a Alice Valente, para a Gi, para o Tiago Barbosa Ribeiro, para a Maria do Rosário Fardilha, para o HVA, para o Paulo Bastos e para o Rui Rebelo.

Mais um, mas este bateu-me mais um pouco - o mais novo entrou para o 1ª classe (1º ano, agora).
Lá fui, como gosto e é hábito, vê-lo entrar na sala com aquele material todo (uuffff, quanto material… - lembro-me deste meu primeiro escola e de como cabia tudo num estojo de madeira cuja tampa servia de régua…), pouco menino de si, mas muito assenhorado.
Certo é que, sem conta nos darmos da erosão do tempo de que falam, este, sem remissão, avança e leva-nos mesmo sem disso querermos saber.

Deixo-vos um dos expoentes máximos do swing no piano - Errol Garner. Bom fim-de-semana.

O meu maior receio, infelizmente, concretizou-se: o Sr. Madaíl, como tem sido sempre seu hábito, não tomou posição nem iniciativa em relação à agressão de Scolari, deixando-se antecipar pela UEFA. Esta manda instaurar um inquérito e só depois é que Madaíl vem a reboque anunciar que a F.P.F fará o mesmo.
Enquanto que a atitude de Scolari poderá, com um pouco de esforço, entender-se fruto de uma momentânea exaltação, a espera de Madaíl envergonha o Portugal, em geral, e o futebol português, em particular e, por outro lado, abre caminho a um período de instabilidade na selecção nacional, num momento em que o apuramento se encontra difícil de atingir!
Para colocar a cereja em cima do bolo só faltaria Gilberto Madaíl apresentar a sua demissão para paralisar a selecção! A ver vamos…

Agressao de Scolari É perfeitamente compreensível que Scolari afirme que não tocou num só cabelo de Dragutinovic, pois todos devem fruir do direito de preparar o melhor que puderem a sua defesa.
No entanto, não poderá Gilberto Madaíl cair no ridículo de, através da Federação Portuguesa de Futebol, pactuar com esta atitude pública de arruaça!
O Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, logo no final do jogo condenou, e muito bem, o que se passou após o jogo entre as Selecções de Futebol de Portugal e da Sérvia e entende que a Federação tem de tirar consequências (…) (via Bola), sendo que, nesta conformidade, muito mal andaremos se a F.P.F. não despedir, com justa causa, Scolari, antes que a UEFA e a FIFA tomem posição, e exigir-lhe uma indemnização, consentânea com os ganhos do actual seleccionador, pelos danos causados à imagem da Selecção Nacional, do futebol português e de Portugal, em geral.

No Portugal x Sérvia de ontem não houve azar; sorte, antes, num segundo de grande inspiração de Simão. O resto foi mau demais.
A equipa que Mourinho formou no F C Porto e que Scolari, depois de perder o primeiro jogo com a Grécia, foi obrigado a adoptar para a selecção, acrescentando Figo, Pauleta, Cristiano Ronaldo e Ricardo, acabou no final do campeonato do mundo.
Impunha-se construir uma nova desde então, mas, hélas, convém saber um pouco de bola para isso; não basta a demonstração de ódio contra Pinto da Costa, ser idolatrado pelas massas nem protegido por jornalistas e comentadores, até porque serão esses mesmos, os que o idolatraram, os primeiros a transformá-lo em besta a abater!

Todos os hospitais e serviços centrais de saúde serão obrigados a ter um controlo electrónico de assiduidade até ao fim do ano. (via Agência Financeira)

Sempre considerei que se deveria controlar a assiduidade dos médicos nos hospitais públicos, mas esta medida agora anunciada sempre me colocou algumas reticências, nomeadamente, se um médico deve interromper um acto, cirúrgico que seja, para ir picar o ponto à hora de saída ou, caso não o faça como manda o bom-senso, as horas que permanece em serviço até terminar o acto médico deverão ou não ser automaticamente consideradas como extraordinárias?
Que deve haver controlo, parece ser consensual; agora este tipo de controlo não me parece ser o mais adequado para os profissionais de saúde.

Belo post, este da Alice Valente no Ali_se, sem palavras!

Joe Zawinul

Faleceu hoje Joe Zawinul. (via Público)
A melhor homenagem que posso dedicar a este fundador dos Weather Report já foi concretizado no post Weather Report com dedicatória, onde apus um vídeo com o tema Birdland.

A Cristina Vieira no Contracapa pega no assunto do excerto do artigo de Pacheco Pereira (que atrás abordei) e abre portas ao que sinto que poderá estar por trás não só daquela passagem, como doutros ataques desferidos contra a blogosfera - uma campanha orquestrada e desesperada dos media tradicionais devido à drástica quebra de vendas e as virtualidades abertas pela Web 2.0 (vulgo Web Social), nomeadamente à criação de redes específicas e especializadas e seu inter-relacionamento digital.
O excerto em causa tem provocado alguma polémica, nomeadamente através do escritos de Fernando Venâncio, do José (aqui e aqui), da Zazie, do Paulo Querido e do Dragão, mas foram Paulo Querido e Fernando Câncio que me incitaram a procurar ler na íntegra o artigo de Pacheco Pereira.

Afinal, deduz-se, que o artigo tem por base a leitura de The Cult of the Amateur de Andrew Keen que não li mas, socorrendo-me da Wikipédia, dou conta de que este autor tenta alertar para os perigos da Web 2.0, identificado-a como um grande movimento utópico similar à sociedade comunista, pelo facto de todos, mesmo os que não receberam educação adequada, poderem usar a tecnologia digital para se tornarem realizadores cinematográficos, músicos e escritores autodidactas. No seu entender este processo empobrece a criatividade, democratiza os media e nivela por baixo tanto amadores como profissionais. Propõe ainda como solução que os media tradicionais elitistas se constituam como inimigos da Web 2.0.

Sendo sensível à preocupação que Pacheco Pereira tenta manifestar - o tal empobrecimento cultural - não me parece defensável a tese de Andrew Keen, muito menos num mundo que diz defender a liberdade individual e cujo poder se sustenta no sufrágio universal e no apelo a uma cidadania activa, seja de professores catedráticos, seja de analfabectos! Regular a liberdade para que a de cada qual não colida com a do próximo, parece-me evidente em lugares que prezam o Estado de Direito; agora limitar a liberdade de expressão (de opinião ou de criação) parece-me, isto sim, muito mais próprio de uma ditadura, comunista ou de qualquer outra adjectivação. ( leia-se a crítica sugeria por Paulo Querido de Lawrence Lessig no Lessig 2.0)
Se seguíssemos à letra a solução preconizada por estas profecias apocalípticas e pelo calar dos tais amadores autodidactas, nunca teríamos tido um Torga, um Eugénio de Andrade, um Fernando Namora, um Carlos Paredes, uma Amália…

Continuo, afinal, com a impressão primeira que formei, a de que está constituído um poderoso lobbie global que colocou em marcha uma campanha contra a rede da blogosfera, nomeadamente a proporcionada pela Web 2.0 (vulgo Social Web), por parte dos media tradicionais, desesperados que estão com a drástica redução das suas vendas, contando com o apoio dos comentadores contratados pelo facto de sentirem diluir o seu poder enquanto opinion makers, buscando sustentação teórica nas inusitadas opiniões escritas de Andrew Keen.

A apoiar o que defendo, vejo o que a Cristina adiantou sobre a campanha contra os blogues que o Estadão lançou há cerca de um mês, criada pela empresa Talent, onde se lê e passo a citar, todos os blogs, ou melhor, todo o conteúdo gerado por não profissionais, não presta. A tónica da campanha estava em duas ou três ideias: blogs limitam-se a copiar informação, blogs não são fidedignos (…).. A Resposta não tardou através de Cristiano Dias no blogue Brainstorm#9 onde se lê o óbvio: Obviamente, existe muito lixo na internet. Falando especificamente de blogs, dos milhares que aparecem todos os dias, poucos se aproveitam, é verdade. Mas a lei da sobrevivência é a mesma: apenas os com conteúdo relevante e/ou divertido permanecem. A tecnologia avança, mas isso não muda.

Assim sendo, para além do artigo do Dr. Pacheco Pereira não acrescentar novidade dentro deste estratagema, a sua motivação para o escrever deverá ter sido bem mais elaborada e alargada que a nobre defesa da cultura e de uma elite de qualidade que a lidere, como insinua, enquadrando-se, antes, num lobbie global que ataca os blogues por considerar ser a melhor defesa para travar a tendência de redução de vendas dos media tradicionais e a não diluição do poder de opinion makers dos comentadores lá instalados.

Via Zazie do Cocanha descubro este excerto de um artigo de José Pacheco Pereira no Público:

(…) múltiplos aspectos do nosso saber e da nossa cultura milenar estão a ser postos em causa pela potenciação que as novas tecnologias associadas à rede estão a dar à ignorância presumida de saber, ao “amador” que pensa que pode competir com o profissional (seja jornalista, seja crítico literário, seja cientista, seja especialista de qualquer área do saber), apenas porque pode livremente e sem edição colocar num blogue o que lhe vem à cabeça; pela erosão do direito de autor pela pirataria generalizada na rede, com o consequente desinvestimento em produtos culturais caros. (José Pacheco Pereira no Público de 8/09/2007)

Do alto da minha presumida ignorância, enquanto bloguista e amador, ciente de que não posso competir com o profissional, eu, Carlos Araújo Alves, sinto-me suficientemente especializado para avalizar que esta opinião do Sr. Dr. Pacheco Pereira revela uma qualidade, fineza, capacidade de observação e raciocínio e lisura consentâneas com muitas outras que este insigne e mediático autor e Professor Auxiliar Convidado do Departamento de Sociologia do ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, tem proferido e abundantemente escrito como profissional e como amador.

Palavras Andarilhas - Biblioteca de BejaA IX edição de Palavras Andarilhas promovido pela Biblioteca Municipal de Beja e pela Associação de Defesa do Património de Beja arranca já no próximo dia 17 e decorrerá até 22 de Setembro.
O Palavras Andarilhas é um Encontro/Festival de Contadores de histórias ou, como a organização gosta de designar, um Encontro de Aprendizes do Contar.
Este ano abrem-se outras portas de Beja - a Praça da República, a Igreja da Misericórdia e A Casa - e mais eventos:
- Festival da Narração Oral;
- Estafeta de Contos;
- Feira do Livro e da Leitura;
- Oficinas (oficinas de narração e oficinas sobre mediação leitora);
- Momentos Musicais.

O programa completo pode ser descarregado a partir do sítio da Câmara de Beja (LINK directo).