Via Zazie do Cocanha descubro este excerto de um artigo de José Pacheco Pereira no Público:
(…) múltiplos aspectos do nosso saber e da nossa cultura milenar estão a ser postos em causa pela potenciação que as novas tecnologias associadas à rede estão a dar à ignorância presumida de saber, ao “amador” que pensa que pode competir com o profissional (seja jornalista, seja crítico literário, seja cientista, seja especialista de qualquer área do saber), apenas porque pode livremente e sem edição colocar num blogue o que lhe vem à cabeça; pela erosão do direito de autor pela pirataria generalizada na rede, com o consequente desinvestimento em produtos culturais caros. (José Pacheco Pereira no Público de 8/09/2007)
Do alto da minha presumida ignorância, enquanto bloguista e amador, ciente de que não posso competir com o profissional, eu, Carlos Araújo Alves, sinto-me suficientemente especializado para avalizar que esta opinião do Sr. Dr. Pacheco Pereira revela uma qualidade, fineza, capacidade de observação e raciocínio e lisura consentâneas com muitas outras que este insigne e mediático autor e Professor Auxiliar Convidado do Departamento de Sociologia do ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, tem proferido e abundantemente escrito como profissional e como amador.
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Pois é, o José também se atirou áquilo. A paranóia são os blogues. O resto é poeira. E são os blogues por tocarem no status quo. Isso é que o incomoda.
Beijocas
O medo é a raíz de todos os males. As pessoas deixam de pensar de forma racional. Soa uma campainha de alarme e levantam as defesas. Infelizmente para a maior parte , sem grande experiência em matéria de jogos de guerra. A melhor defesa é sempre o ataque.
Garanto-lhe que ri ao ler este post. Com gosto
beijinho Carlos
Zazie
Eu não tenho o prazer de conhecer pessoalmente o Dr. Pacheco Pereira para poder perguntar o que realmente o motivou a escrever semelhante coisa. No entanto, lido assim de repente este excerto, fico com a impressão de que a sua preocupação não será tanto com os direitos de autor, mas com o facto de se venderem menos jornais, de o próprio ser menos lido e, consequentemente, sentir que o oligopólio do mercado de comentadores profissionais estará a perder a sua influência enquanto opinion maker. É que já não é a primeira vez que Pacheco Pereira demonstra publicamente um profundo azedume relativamente à blogosfera.
Volto a ressalvar, contudo, que só o próprio poderá saber o motivo.
Beijinho
Medo, Gi, é exactamente o que me parece! De quê? Talvez, como disse na resposta à Zazie, do peso que muitos blogues começam a ter junto dos próprios media.
Este mundo em rede veio alterar em muito a forma de comunicarmos, de estarmos e até de nos relacionarmos, sendo que à blogosfera não pode estar aliada nenhuma apreciação de valoração qualitativa uma vez que cada autor/editor é único.
Aliás o mesmo se aplica a cada comentador e a cada jornal, sendo que o melhor será, dentro do estrito respeito pela lei, deixar o mercado funcionar livremente, como aliás julgo ser um princípio muito defendido pelo Dr. Pacheco Pereira.
Deu para rir? Bom, fico feliz por isso, mas eu ri-me muito mais ao ler o excerto do artigo em questão – é absolutamente hilariante!
Beijinho e obrigado pelo comentário.
Excelente post Carlos!
Hehe, pois eu também sorri e com um sorriso, daqueles que dá gosto, sabes assim, daqueles que perduram calmamente!
Um grande abraço
Pois. O Dr. Pacheco Pereira está a ler the cult of the amateur, do Andrew Keen. Fica-lhe bem.
Cara zazie, é minha convicção que acertou na mouche. O que incomoda as elites não é a concorrência dos amadores, mas sim a perda de privilégios. Que incómodo, um gajo deixar de ser o rei para passar a ser mais um.
has-de reparar que quando se deixa de falar no Pacheco, o Pacheco ataca outra vez..
Obrigado pelas palavras, Alice.
Beijinho
Estimado Paulo
Acho mesmo que o motivo que aponta poderá ser verdadeiro, mas redutor. Sinto mesmo uma campanha em andamento por parte dos media tradicionais, com lobbie montado, contra a comunicação digital na qual o Dr. Pacheco Pereita parece querer ter um papel a representar.
Aliás, ao susto provocado pela drástica redução de vendas registadas na imprensa a nível mundial, junta-se um outro representado pelas virtualiades que a Web 2.0 (vulgo Social Web) abriu, nomeadamente e as virtualidades da criação de redes específicas e especializadas.
Mas sobre isso virá o post seguinte.
Abraço e obrigado pelo comentário.
Será, Cristina? O post que escreveste no teu Contracapa está muito bem entrosado com uma campanha generalizada contra os blogues e será desse teu post que eu partirei para o meu próximo.
Beijinho
obrigada. é um alvo a abater por cá, por enquanto por parte do JPP, depois por parte dos jornais on line. verás, a guerra ainda nem começou..
beijos
Estou é que me sinto agradecido por me teres aberto as portas para outras dimensões deste assunto, Cristina.
Tens toda a razão ao afirmares que os blogues são um alvo a abater e que a guerra ainda mal começou. Mas repara que já se vem sentindo há uns tempo o medo que a liberdade que eles encerram provoca: quando o Procurador Geral da República em plena Assembleia da República afirma que os blogs são uma vergonha; quando o Primeiro Ministro diz não ler blogs, mas coloca um processo ao Balbino Caldeira, etc.
O certo, cara amiga, é que todos, mas todos os detentores de poderes são rectoricamente defensores da liberdade individual, mas no fundo têm um medo dela que se pelam!
Beijinho
Mas ainda ninguem estah farto dele???????????
Perguntem a ele proprio e ele vai dizer que jah nao se atura…
…estou a imaginar um suicidio com o fio do rato mas ele deve ter wireless
Sucks
Não se trata de estar farto ou não, Ricardo, porque só lê e ouve Pacheco Pereira quem quer. Trata-se de denunciar uma estratégia global por parte dos media tradicionais para descredibilizarem os blogues, da qual o comentador fez eco ou foi porta-voz.
Abraço e obrigado pelo comentário