No meio de muitas tão in blogosféricas correntezas, uma me chega, via Zazie, que achei engraçada – quais os livros que mudaram a minha vida? Engraçada a ideia? Talvez nem tanto, mas o que me deu para rir foi pensar nisso e constatar que, afinal, os que me mudaram não foram os melhores, nem os que mais recordações guardo, nem sequer os que mais releio. Mudaram-me e mudaram a minha forma de estar e pensar, é (foi) assim!
Aqui vai, então uma lista por ordem cronológica:
- Cartilha Maternal de João de Deus, por onde a minha tia-avó me ensinou as primeiras letras e a ler;
- Os Cinco na Ilha do Tesouro de Enid Blyton (de quem se comemora este ano o centenário do nascimento), o primeiro da colecção dos cinco que me despertou para a leitura;
- A Queda de um Anjo de Camilo Castelo Branco, livro que me apresentou o encanto da arte de bem escrever em português;
- O Capital de Karl Marx que marcou definitivamente o meu pensamento e que durante alguns anos (poucos felizmente), devido à apropriação ideológica de outros autores e políticos, implicou que o viesse a reler por ter induzido conclusões apriorísticas que lá não se encontravam;
- Uma Família Inglesa, Os Fidalgos da Casa Mourisca, A Morgadinha dos Canaviais e As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Diniz, cuja releitura me valeu mais para compreender os quadros mentais de oitocentos do que todos os livros, manuais, sebentas e resenhas de historiadores;
- A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber, livro que me obrigou a reler e a compreender o que Marx, afinal, escreveu e quis dizer em O Capital;
- O Paradigma Perdido de Edgar Morin por me centrar naquilo que o Homem pode e deve fazer em vez da indignação e revolta sobre aquilo que de mau fez e continua a fazer e sempre fará;
- A Era do Vazio de Gilles Lipovetski por me desamarrar de prisões ideológicas e me colocar nos dias que correm.
Bom, segue a corrente para o António Costa Amaral, para o Francisco Nunes, para o Piotr Korpotkine, para a Alice Valente, para a Gi, para o Tiago Barbosa Ribeiro, para a Maria do Rosário Fardilha, para o HVA, para o Paulo Bastos e para o Rui Rebelo.
Tags: Leituras, Livros

















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Olha só, também começaste pelos Cinco…
ehehe
Nunca li o Capital todo. Nem metade. e o Weber idêntico.
Foi, Zazie, mas a seguir à Cartilha…
O Capital e a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo marcaram-me em fazes diferentes e não escondo que tudo o que O Capital tem de análise sociológica e de previsão do capitalismo ainda hoje considero notável. Já a solução que Marx aponta (longe contudo da que Lenine iniciou e Estaline e Mao prosseguiram) está enferma, mesmo negando-o, de uma concepção que Rousseau adiantou – a de que o Homem é bom e que a virtude prevalecerá – coisa que sabemos não ser de todo verdade.
Beijinho e obrigado.
Carlos, lá me desenrasquei desta…
Um abraço,
francisco nunes
Por acaso também li muito os cinco (e os sete), acho que foram comuns a muita gente da altura
Olá! Os Cinco, o que eu sonhei a ler…
Tenho que arranjar um bocado de tempo para reflectir sobre este desafio.
Um abraço.
E ‘desenrascaste-te’ na perfeição, Francisco, com um texto de fino humor.
Abraço e obrigado.
Estimado Mário Pires
Quase toda a nossa geração passou pelos Cinco e pelos Sete. Que belos livros escreveu Enid Blyton para a pré-adolescência!
Abraço e obrigado.
Até onde chegou a nossa imaginação, Paulo Bastos? Quantos adolescentes não terá Enid Blyton influenciado?
Tem tempo. Também demorei uns dias a preparar a encomenda da Zazie.
Abraço e obrigado.
Do seu texto, Rui, como lá escrevi, ressalta o mistério da busca e da inesperada aprendizagem:
- (…) as coisas que me mudaram realmente a vida não foram aquelas que procurei mas as que me procuraram sem eu pedir.
Obrigado e abraço.
Prezado Carlos,
Agradeço o desafio. Fez-me pensar um bom tempo nos livros que li (dos que me lembro). Mas cofesso que não consegui eleger uns entre outros. O factor “ler livros” por si só mdificou a minha vida e isso aconteceu pouco depois de aprender a ler. “Ler” é um alimento essencial à vida. É como respirar ou comer.
um abraço,
rui
aí é que está, o que muda a nossa vida são coisas simples ou pormenores. raramente são os grandes momentos. esses, vivem-se, lembram-se, e pronto.
É verdade, Cristina, que os livros, apesar de poderem mudarem alguma coisa aqui ou ali, não contêm a densidade de momentos que a vida do dia a dia proporciona e por vezes nos colhe.
Beijinho, grande, muito grande mesmo!
eu acho que já respondi a esta, mas como sou incapaz da mínima objectividade para responder à pergunta, posso responder outra vez, que sai post diferente.
)
parabéns pelo petiz – esses (meus) distúrbios emocionais aconteceram o ano passado
——e pelo 4º, disse bem!?, 4º aniv.!
Cá espero, estimada Maria do Rosário Fardilha.
Muito obrigado pela solidariedade.