Educação Artística - Jordi Savall diz porquê | Ideias Soltas

Educação Artística - Jordi Savall diz porquê


Jordi Savall há dias, em entrevista a Ana Sousa Dias no programa Noutro Lado da RTP 2, reafirmou o seu empenho em tocar ao lado de músicos de outras origens e culturas como forma de aproximar as pessoas.
Parece uma blague, mas Jordi Savall acrescenta logo a seguir mais ou menos assim:
A música consegue comunicar, interagir e entender-se com outras culturas de uma forma que é inviável através da palavra, porque não há palavras que cheguem para dar significado a todo um turbilhão de emoções.


Jordi Savall, os Nederlands Blazers Ensemble (NED) e alguns músicos turcos a interpretar um arranjo de Onno Tunç de uma canção popular turca

De facto, pensando apenas nesta constatação insofismável, o despertar, o desenvolver e o aprender a lidar com essas emoções, que são afinal parte integrante e prima da condição humana, não podem ser conseguidas através de uma educação vocacionada essencialmente para a tecnologia e para o desenvolvimento de competências.
Esta é mais uma razão, se não uma das principais, para que não possamos permitir que a educação artística seja um menosprezado adereço no seio do sistema educativo, tal como está a ser implementada através da já redutora designação de actividade de enriquecimento curricular (link) (ver aqui e aqui), leccionada por professores contratados à peça directamente pelos conselhos Directivos das escolas (ver), nem um privilégio de uma pequena meia-dúzia de estudantes que optem por um ensino especializado conducente à profissionalização artística, como se pretende através do que se preconiza no Relatório de Avaliação do Ensino Artístico encomendado pelo Ministério da Educação (link), ao defender que o ensino artístico deverá ficar reservado a algumas escolas de ensino integrado em todo o país, chegando ao ponto de aconselhar o fim do financiamento do Estado dos regimes articulado e supletivo! (ver caracterização dos regimes de ensino artístico).
Se outras razões não houvessem (ver arquivo Educação Artística), as palavras de Jordi Savall apontam bem o caminho - o do despertar, desenvolver e aprender a lidar com emoções - o qual só através da inserção da educação artística nos planos curriculares desde o 1.º ciclo poderá ser percorrido, cumprindo uma missão fundamental de um sistema educativo: formar jovens em diversas competências, sim, mas em ambiente que lhes proporcione a necessária informação e convivência artística e humanística bastantes para propiciarem e despertarem a busca da sua própria identidade enquanto Pessoas.

Bom fim de semana.


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8 Responses to “ Educação Artística - Jordi Savall diz porquê ”

  1. nem mais Carlos.

  2. obrigado, coloca um bocado as coisas em perspectiva.

  3. Caramba! Sempre que falas deste assunto apetece-me dizer um montão de coisas: falar da minha experiência pessoal como pessoa em construção, mas também da minha experiência profissional. Mas realmente este não é o melhor sítio para o fazer, merecia “um tu cá tu lá” e não um comentário escrito, que se for demasiado longo ninguém lê até ao fim e se for curto pode ter vários sentidos.
    Fica então o comentário ao não comentário.

  4. Obrigado, Rui.

  5. Não sei se em perspectiva se noutra diversa: a de que através da arte comunica-se e é imperioso conhecer essa forma de interagirmos e vivermos.

    Obrigado e beijinho.

  6. Pena, Susana, a experiência trabalha em educação artística é muito relevante para o Ideias Soltas.

  7. Tem toda a razão em tudo o que diz.
    Este assunto toca-me particularmente porque estou no 3º ano do ensino artístico no regime supletivo e ando revoltada com tudo o que querem fazer. Como se já não estivesse tudo mau o suficiente…

  8. Muito obrigado pelo seu apoio, Helena Braga. É por si e seus colegas que que faz sentido falar de educação artística e ensino artístico vocacional.

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