Aprovado o Tratado Europeu pelos senhores que teimam em, sozinhos, construir uma Europa melhor para todos, não nos espanta que Cavaco Silva seja contra o referendo, nem que Sócrates mande às malvas mais uma promessa eleitoral ao preferir a ratificação parlamentar. Inusitado é Luís Filipe Menezes, que ganhou a liderança do PSD através do plebiscito universal do seu partido, contra a vontade do aparelho e da ‘malta’ dos congressos, fazendo até questão de o sublinhar, apostar agora numa posição alinhada com esses mesmos notáveis, optando pela ratificação. Até compreendo a sua jogada de antecipação em relação a Sócrates, mas estou farto de compreender jogos de poder sempre em prejuízo da democracia.
O problema das elites europeias é que de facto não o são! Em democracia, da elite deveriam fazer parte aqueles que os cidadãos reconhecem e suas opiniões seguem; hoje, a intitulada elite, tem apenas por sustentação os media e tem pavor, desdém em alguns casos, da vontade popular expressa.
Uma elite elitista é, em democracia, a absoluta negação da sua condição de elite, uma vez que esvazia a substância do conceito, ao purgá-lo da condição de ouvir e cumprir a vontade dos cidadãos.
Uma elite é indispensável; absolutamente desaconselháveis são os elitistas porque, ao desprezarem a vontade dos cidadãos, negam a essência da democracia, sendo perniciosos para a subsistência do próprio regime.


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9 Respostas to “Tratado Europeu – o regime da partidocracia e as elites”

Comentários (4) Pingbacks (5)
  1. rajodoas diz:

    Pois é por isso caro amigo abordei hoje assim:

    Todos nós damos conta
    De não viver em democracia
    Ela está sofrendo afronta
    Hoje, ontem, em qualquer dia

    O poder instituído
    Pela vontade popular
    Afronta-nos está corroído
    Persiste e está para durar

    Estão-nos pois a encurralar
    Com medidas legislativas
    Não há vontade popular
    Nem atitudes impeditivas

    Para suster toda esta acção
    Que está sendo concertada
    Numa ou noutra reunião
    Fica a liberdade ameaçada

    Estamos pois a retroceder
    Nos direitos e liberdades
    Está-me por isso a parecer
    Haver muitas más vontades

  2. diz:

    Um tratado de tratantes…
    Numa democracia cada dia mais cleptocrata.

  3. Não me parece que seja a liberdade que está ameaçada, amigo Rajodoas, mas sim a democracia, aquele que está no pensamento dos democratas, aquela em que os cidadãos são ouvidos e tidos em conta.

    Abraço e obrigado pelo comentário

  4. Tratantes, amigo Zé? Não diria tanto, mas mandantes sem mandatados terem sido pelos cidadãos, dessa não escapam.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

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