INQUALIFICÁVEL EXCLUSÃO SOCIAL e PROFISSIONAL de ARTISTAS e PROFESSORES
Conclui-se hoje, penosamente, o último dia da Conferência Nacional de Educação Artística (link) que decorre desde 2ª feira na Casa da Música no Porto.
Impõe-se-me, antes do mais, repudiar veementemente o despautério (aguardado e denunciado, diga-se) de marginalizar generalizadamente os artistas e professores desta (dita) conferência nacional, organizada pelos Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (conforme Despacho n.o 23 572/2006), sob a égide da UNESCO.
Uma conferência nacional de educação artística que exclui artistas, pedagogos experientes e escolas de ensino artístico especializado é algo que nem um país no Terceiro Mundo ousaria!
Os responsáveis por este evento têm de ser responsabilizados por esta conduta, no mínimo, insultuosa, de total menosprezo, diria, até de exclusão social e profissional, de todos os que há anos vêm desenvolvendo actividade de reconhecido mérito nas artes e na sua educação.
Esta abjecta ostracização dos artistas, pedagogos e escolas de educação artística não é inocente nem virgem: precedentes deste teor já se vislumbravam no Roteiro para a Educação Artística (link) e no estudo encomendado pelo Ministério da Educação do Prof.º Doutor Domingos Fernandes que culminou no Relatório de Avaliação do Ensino Artístico (link).
O comportamento, continuado e cada vez mais assumido, das senhoras Ministras da Educação e da Cultura de absoluto menosprezo, senão desdém, pelos professores e pelas escolas de educação artística é demasiadamente grave para continuarmos como pacientes observadores, na esperança de que se trate de um equívoco!
Não é um equívoco nem é inocente – trata-se de um assumido despautério!!!
Duas Ministras, a da Educação e da Cultura que, sucessivamente, vêm ostracizando, pública e socialmente, os seus agentes educativos, das duas uma: ou todos os artistas e professores não servem, ou serão as senhoras ministras que não servirão para cumprir a prima missão que lhes é exigida – SERVIR a EDUCAÇÃO E A CULTURA!
ps: breve lista de artistas e professores (por ordem alfabéctica) de que me lembrei de repente, que não estiveram presentes neste Conferência Nacional de Educação Artística, nem tão pouco foram solicitados a prestar colaboração, pedindo, desde já perdão, pelas centenas ou milhares que me esquecerei com toda a certeza:
Música:
Adriano Aguiar, Alexandre Delgado, Álvaro Cassuto, Álvaro Salazar, Amílcar Vasques Dias, Ana Cancela, Ana Ester Neves, Ana Mafalda Castro, Ana Maria Valente, Ana Paula Russo, Ana Bela Chaves, Aníbal Lima, António Augusto de Aguiar, António Carrilho, António Chagas Rosa, António de Sousa Dias, António Pinho Vargas, António Rosado, António Saiote, António Victorino d’ Almeida, António Wagner Diniz, Antóno Toscano, Armando Possante, Artur Pizarro, Bernardo Sassetti, Cândido Lima, Carla Seixas, Carlos Alves, Carlos Azevedo, Carlos Barreto, Carlos Bica, Carlos Caíres, Carlos Fragateiro, Carlos Semedo, Carlos Voss, Carlos Zíngaro, Carmélia Âmbar, Cecília Fontes, César de Oliveira, César Viana, Cesário Costa, Christopher Bochman, Cláudia Nelson, Daniel Oliveira, Dina Resende, Elisabete Matos, Elsa Saque, Emmanuel Nunes, Eurico Carrapatoso, Eurico Rosado, Fátima Travanca, Fausto Neves, Fernanda Correia, Fernanda Wandschneider, Fernando Lapa, Filipa Taipina, Filipe Pinto-Ribeiro, Filipe Pires, Gerardo Ribeiro, Gisela Neves, Helena Lima, Helena Marinho, Inês Saraiva, Irene Lima, Isabel Delerue, Isabel Soveral, Jaime Branco, Jean-Marc Burfin, Joana Carneiro, João Madureira, João Pedro Oliveira, João Rafael, Joaquim Fernandes, Jorge Correia, Jorge Lima Barreto, Jorge Machado, Jorge Moyano, Jorge Sá Machado, José Atalaya, José Massarrão, José Pina, Luís Tinoco, Madalena Soveral, Magda Ferreira, Manuel Ivo Cruz, Manuel Morais, Manuela Gouveia, Marco Pereira, Maria Helena Pires de Matos, Maria João Pires, Maria João Serrão, Maria José Souza Guedes, Mário Laginha, Mário Mateus, Mário Santos, Mários Barreiros, Miguel Azguime, Miguel Borges Coelho, Miguel Henriques, Miguel Ivo Cruz, Miguel Rocha, Nancy Lee Harper, Nelson Cascais, Nuno Ivo Cruz, Nuno Pinto, Olavo Barros, Olga Prats, Palmira Troufa, Paulo Bastos, Paulo Ferreira de Castro, Paulo Gaio Lima, Paulo Gomes, Pedro Amaral, Pedro Burmester, Pedro Caldeira Cabral, Pedro Carneiro, Pedro Couro Soares, Pedro Guedes, Peter Rundel, Piñeiro Nagy, Roberto Perez, Rui Gama, Rui Pinheiro, Sara Carvalho, Sequeira Costa, Sérgio Azevedo, Sofia Lourenço, Tânia Achot, Teresa Cascudo, Tomás Henriques, Vasco Pearce de Azevedo, Virgílio Melo;
Teatro:
Ana Tamen, António Reis, Armando Nascimento Rosa, Carlos Avilez, Carlos J. Pessoa, Cristina Homem de Mello, David Antunes, Diogo Dória, Diogo Infante, Emmanuel-Démarcy Mota, Estrela Novais, Filipe La Féria, Gisela Cañamero, Isabel Alves Costa, João Lagarto, João Brites, Jorge Listopad, José Wallenstein, Júlio Cardoso, Lia Gama, Luca Aprea, Luís Lima Barreto, Luís Miguel Cintra, Márcia Breia, Ricardo Pais, Rui Pina Coelho, São José Lapa, Teresa Ricou, Vera San Payo de Lemos;
Dança:
Alexandre Fernandes, Ana Lacerda, Ana Sendas, Benvindo da Fonseca, Carlos Prado, Cecília Graço Moura, César Augusto Moniz, Clara Andernatt, Cláudia Nóvoa, Fátima Brito, Filipa Castro, Gil Mendo, Graça Bessa, Inês Amaral, Iolanda Ruas, Isabel Barros, João Costa, Jorge Salavisa, Maria Ruas, Mariana Paz, Olga Roriz, Paula Pinto, Romeu Runa, Rui Horta, Rui Lopes-Graça, Rui Pinto, Sílvia Real, Sofia Belchior, Susana Cecílio, Teresa Alves da Silva, Teresa Simas, Vasco Macide, Vasco Wellenkamp, Vera Mantero;
Cinema:
Ana Luísa Guimarães, António Pedro Vasconcelos, Fernando Fraga, Inês de Medeiros, Jacinto Lucas Pires, João Canijo, João Mário Grilo, João Milagre, Joaquim de Almeida, Joaquim Leitão, José Bogalheiro, José Fonseca e Costa, Lauro António, Manoel de Oliveira, Maria de Medeiros, Paulo Branco, Paulo Pires, Pedro Sena Nunes, Teresa Madruga, Teresa Villaverde;
Belas Artes:
Ângelo de Sousa, Graça Morais, Joana Vasconcelos, João Carqueijeiro, João Cutileiro, José de Guimarães, José Rodrigues, Júlio Pomar, Júlio Resende, Luísa Gonçalves, Manuel Cargaleiro, Paula Rego;
Arquitectura:
Aires Mateus, Alcino Soutinho, Alexandre Burmester, Eduardo Souto Moura, Filipe Oliveira Dias, João Mendes Ribeiro, Pedro Campos Costa, Pedro Ramalho, Raimundo Gomes, Rui Miguel Cruz, Sérgio Secca, Siza Vieira;
Fotografia:
Eduardo Gageiro, Fernando Guerra, Gérard Castello-Lopes, Mário Cabrita Gil, Sérgio Freitas.
Conferência Nacional de Educação Artística – o absoluto despautério!
Tags: CNEA, Conferência Nacional de Educação Artística, Educação, Educação Artística, Ensino Artístico, Gestão Cultural, Indignações






















Sabes Carlos, que havia possibilidade para se ter feito uma grande debate no dia 30, uma vez que as sessões das comunicações e as mesas-redondas terminaram às 17h00, como se pode ver no programa. Mas estava tudo preparado para que não houvesse forma de se debaterem as questões e que não se pudessem contestar a confrontar tudo o que estava já tão previamente decidido.
E o Ministério da Educação e até o da Cultura em seus ministros e secretários de estado ou mais alguém terá de esclarecer o país, as instituições, as escolas, os pais, os professores e os artistas, porque razão a «Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação» pensam que são a única autoridade para criar formadores na Educação Artística. Esta situação terá de ser esclarecida e ser discutida muito rapidamente.
E com tempo irei ao FORUM, e porque muito há para dizer e fazer!…
Beijinhos
Devo dizer que tentei inscrever-me, alguns dias antes do fim do prazo, mas recebi a resposta de que as inscrições estavam encerradas.
O Ministério está-se borrifando para os pedagogos e para os artistas, o que interessa são as “opiniões” de uns professores universitários teóricos que vão para lá elogiar o governo, para ficar tudo na mesma. Mas o que é sobretudo lamentável é a falta de atenção do nosso “jornalismo de referência” em relação a este assunto.
Entretanto, continuam os professores de Inglês a leccionar teatro e quase não há educação artística generalista´.
Pois, Alice, peço desculpa, mas não acredito!
Não acredito, muito francamente, que, mesmo que tempo houvesse para debate, se conseguisse dele algo de frutuoso se, logo à partida, se arredaram todos os nomes que enunciei, ou seja, os artistas, os experientes pedagogos de educação artística, as escolas com longa tradição e resultados na área.
Eu não sei se a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (link) são a única autoridade assumida pelo Ministério da Educação. Sei, no entanto, é que os denominados estudos que de lá saíram sobre educação artística até ao momento não são intelectualmente honestos, nomeadamente o Relatório de Avaliação do Ensino Artístico. Não é um estudo sério porque o coordenador do estudo violou as mais básicas regras científicas: a de incluir na equipa profissionais experientes na área, ou fazer investigação de campo visitando todas as escolas do educação artística especializada do país e ver o que de muita qualidade tem sido feito e, claro, tudo quanto pode ser melhorado.
No entanto, Alice, também não me parece que o caminho seja o de satanizar tudo o que os especialistas dessa instituição possam fazer, para não cairmos no mesmo erro que o Prof.º Dr. Domingos Fernandes (link) cometeu – o de ostracizar profissionais experientes e competentes.
Beijinho e obrigado pelo comentário
Estimado C.V.
Inscrições encerradas? Pois, é natural…, tão natural como ver discursar as senhoras Ministras para uma sala cuja lotação nem a metade chegava!
Abraço e obrigado pelo comentário.
Estimado Firmino Bernardo
Tristemente nem nisso acredito – que o Ministério da Educação esteja interessado na opinião de uns professores universitários teóricos.
Acho mesmo que o Ministério quer é deixar de financiar escolas de educação artística e contratar a muito baixo preço, em regime de prestação de serviços, alguém que vá dar umas “mèzinhas” de caldos de artes às escolas!
Para isso, consegue, pelos vistos muito facilmente, investigadores universitários que lhes fazem o frete com muita alegria! Não são estudos, são autênticos relambórios a corroborar as pretensões do poder!
Obrigado pelo comentário.
Pois é grande Firmino aqui te encontro para concordar contigo.
Que mais se pode dizer…
Apenas esta nota: Ainda hoje fui fazer um espectáculo para adolescentes em Vila Real de Santo António.Espectáculo já comprado(D.R.Educação do Algarve)e com as turmas marcadas.
Uma professora de português tentou por tudo não levar os seus alunos porque tinha muita matéria para dar, tratando-nos como umas pessoas que nada mais tinham para fazer que não fosse atrapalhar o normal funcionamento da instituição.
Que será deste país?
não desistamos e aquele abraço
Esse problema, caro Nuno Góis, tem a ver com o enquadramento da Educação Artística no quadro de uma coisa chamada de “Enriquecimento Curricular” conforme venho dizendo.
Os professores das disciplinas curriculares sentem as suas disciplinas mais importantes que as outras e os “coitados” dos avençados partem já diminuídos pelo seu estatuto contratual.
Obrigado pelo comentário.