Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Novembro, 2007

Já por diversas vezes divulguei o projecto Música nos Hospitais promovido pela Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade - APMHIS em parceria com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (link). Vejam a reacção das crianças nesta reportagem da SIC no Hospital de Santo António e

comprem, vá lá, comprem um cachecol para financiar o projecto.

Transcrevo email da APMHIS:

A Modalfa e a RTP, através do concurso Operação Triunfo, associaram esforços e decidiram apoiar a Associação Portuguesa de Música nos Hospitais e Instituições de Solidariedade - APMHIS, lançando um produto cujas receitas revertem para a Música nos Hospitais, permitindo assim que a sua acção se possa estender a mais instituições
(neste momento estamos no Hospital Garcia de Orta- Almada e no Hospital Geral de Santo António-Porto - serviços de pediatria, na Maternidade Júlio Diniz-Porto - serviços de maternidade e obstetrícia, no Hospital Nossa Senhora do Rosário-Barreiro e Hospital de São Bernardo-Setúbal - nos serviços de hospital de dia oncológico adultos, na Santa Casa da Misericórdia de Almada e no Lar Mansão de Marvila-Lisboa - lares de idosos e no Lar de Santa Catarina-Casa Pia-Lisboa - residência de crianças e jovens).

O produto consiste num cachecol (muito giro, com várias combinações de cores), produzido pela Modalfa, que foi lançado pelo programa Operação Triunfo e que tem vindo a ser promovido pelos concorrentes. Pode-se encontrar em várias lojas por todo o país, custa 4,95€ revertendo 2€ por peça para a Música nos Hospitais.

Deixamos aqui o nosso convite para que se associem a esta iniciativa e que, aproveitando o frio que parece ter-se instalado, adquiram o cachecol, para uso próprio para oferta, …, sabendo que estão a unir esforços para que o nosso trabalho possa chegar a mais pessoas.

Ler na íntegra o desgosto ou a mui justa indignação do Henrique Silveira face ao alheamento ou desprezo da nossa suposta “intelligentia” face aos eventos musicais e, acrescento eu, à educação artística, onde a musical se inclui.

Deixo um excerto:
Portugal é um país onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique às moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.

Lembrando a “posição tradicional da União Europeia, que continua a reconhecer a política de uma só China”, defendendo uma solução “pacífica e de diálogo” para o conflito no estreito de Taiwan, o presidente em exercício da União Europeia afirmou que “o referendo pode alterar de forma negativa o status quo” na região. (via Diário de Notícias)

Ética? Qual ética qual carapuça! Isto é estratégia pura - estar de bem com a China e, claro, não esquecer, apoiar, nos bastidores, a existência de Taiwan para continuarmos a comprar componentes baratos.
Viva a democracia pragmática, viva o cinismo pragmático, viva toda esta tão, mas tão pragmática gente!
O mundo é vosso, creiam! Creiam e não temam! Mas só vosso!

Por motivos de ordem técnica o Educação Artística FORUM esteve offline durante uns dias.
Graças ao precioso trabalho de Paulo Querido, responsável pelo projecto editorial TubarãoEsquilo, foi possível recuperar todos os textos que lá tinham sido colocados e recolocá-lo online com mais funcionalidades e melhor protegido.
A todos os participantes peço desculpa pelo incómodo e agradeço a paciência pela espera e interesse demonstrados.

Maurice Béjart
un minimum d’explication, un minimum d’anecdotes, et un maximum de sensations - em Un instant dans la vie d’autrui

Inconsolável

«(…) il exige de ses interprètes une parfaite maîtrise de la danse académique et une grande faculté d’adaptation aux courants néoclassiques. Adepte d’un spectacle total, il mêle les univers musicaux, lyriques, théâtraux et chorégraphiques, mettant en valeur les qualités individuelles de ses solistes, tout en étant très exigeant pour les mouvements d’ensembles.» (via Wikipédia)

atrás tinha dado notícia da rejeição de 4 dos 5 recursos entregues no Supremo Tribunal do Paquistão contra a reeleição de Musharraf, de forma indirecta, pelo Parlamento.
Hoje chega a notícia de que o quinto e último recurso foi igualmente rejeitado pelo mesmo Tribunal, cuja composição Musharraf refez a seu favor durante o estado de emergência que decretou.
O silêncio das democracias ocidentais mantém-se como sinal claro de conivência com o feroz regime ditatorial de Musharraf que chegou ao poder, recorde-se, há 8 anos através de um golpe de Estado!
Vergonhoso!

Quaresma e Cristiano RonaldoDe há cerca de um ano a esta parte não há jogo de futebol transmitido pela televisão com Ricardo Quaresma em campo onde este não seja achincalhado na sua profissão pelos jornalistas e comentadores de serviço.
Desconheço o que estará por trás desta campanha difamatória, mas constato que este comportamento começou a verificar-se desde que tem sido titular na selecção e que os contornos são muito idênticos à perseguição implacável que sofreu durante anos Vítor Baía.
Ainda ontem, apesar da qualidade da a sua exibição ter estado ter estado aquém das suas possibilidades, mostrou ser o atacante português mais inconformado com o empate e, olhando para as estatísticas, foi o jogador que mais ataques concretizou, o que mais centrou para a área, o que mais assistências para golo fez e o que mais rematou.
Mas não bastou! Os jornalistas televisivos enxovalharam-no do princípio ao fim e hoje os jornais desportivos trataram de lhe dar a pontuação mais baixa que atribuíram aos jogadores intervenientes.
Execrável, é o mínimo que se pode dizer desta campanha orquestrada pelos jornalistas desportivos portugueses!

ou qualidade versus estatística da qualidade

Ler este post do Piotr Kropotkine no Infelicidade ao Alcance de Todos.

Espanha está a ferro e fogo a propósito ao aniversário de Franco. É verdade que todos os anos acontecem algumas exibições de apoio ao ditador fascista e contra-manifestações, mas não há memória de tão violentas e territorialmente desde a conquista da democracia.
Tenho para mim que a maior beatificação em massa (498) que Bento XVI entendeu fazer de padres falangistas, perseguidos e mortos pelos republicanos na guerra civil e a sua elevação à condição de mártires, funcionou como o lancetar de purulento quisto que muito demorou a apaziguar. No entanto, a iniciativa do Parlamento espanhol de ordenar que os governos locais exumem corpos de vítimas da ditadura franquista das fossas comuns e lhes proporcione um enterro digno também contribuiu para reavivar esta chaga ainda não curada.
É no mínimo sórdido que, após beneficiar de uma bem conseguida e pacífica tentativa de reconciliação, conduzida primeiramente por Adolfo Suárez, Espanha se veja agora a braços com um Papa que deita tudo a perder numa encenação de santinhos, porque ao hiperbolizar os perseguidos falangistas (que o foram, é certo, mas numa guerra civil onde não houve inocentes em nenhum das partes), mais não fez que alinhar-se por um regime que, mesmo depois de vitorioso, assassinou milhares de cidadãos e atirou-os para valas comuns, sem esquecer que Franco foi dos poucos europeus que nunca reconheceu o holocausto perpetrado pelos nazis?

Mas que intenções terá o Vaticano para reabrir apaziguados ou/e contidos ódios em Espanha?
Duma impressão não me livro, a de que esta moda do Vaticano de fazer santinhos por tudo quanto é lado nada tem a ver com religião, com um caminho pra a Salvação e muito menos com Deus, antes com fins políticos precisos, muito terrenos e velhacos.

Ler as impressões da Gisela Cañamero sobre a Oratória Fátima sinal de esperança para a Humanidade de António Cartageno, encomenda do Santuário de Fátima e estreada a 11 de Novembro na Igreja da Santíssima Trindade em Fátima.
No Domingo passado, dia 18, foi apresentada em Beja e são dessa récita as impressões que Gisela Cañamero escreveu.

ps: ver a este propósito entrevista de António Cartageno à Agência Eclesia.

Muito justamente, fomos lestos a etiquetar Hugo Chávez como promitente ditador, especialmente após ter conseguido que o Parlamento da Venezuela, eleito por sufrágio universal, aprovasse uma revisão constitucional que, entre outras mudanças, deixa de limitar o número de mandatos presidenciais.
No entanto, Musharraf, eleito indirectamente pelo Parlamento do Paquistão a 6 de Outubro, decreta o estado de emergência a 3 de Novembro, manda os seus aviões lançar bombas sobre a população à pala do terrorismo, demite os juízes do Supremo Tribunal e nomeia outros, tribunal esse que indefere 5 dos 6 recursos contra a validade da eleição presidencial, parece continuar a beneficiar de uma complacência, conivência passiva até, por omissão de firma condenação, destas democracias nossas ocidentais e das pessoas em geral.
Estas atitudes não alicerçadas em princípios éticos e morais que deveriam ser inalienáveis, mas em interesses económicos muito particulares e pontuais, conduzem à crescente descredibilização de todo o Ocidente, nomeadamente daquilo que mais caro nos é e apregoamos aos quatro ventos: a democracia, a liberdade individual e o respeito integral pelos direitos humanos.

Vital Moreira criticou sexta-feira à noite o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, por defender que o novo tratado europeu devia ser ratificado através de uma «consulta popular», considerando que isso «não tem sentido democrático» (via Diário Digital)

Acho naturalíssimo que para Vital Moreira uma consulta popular não faça sentido democrático. Afinal, o que separa Jorge Sampaio de Vital Moreita é toda uma vida, uma vida inteira dedicada à luta por uma vivência democrática e participada.

Por questões de ordem técnica foi necessário iniciar um processo de profunda renovação deste blogue, incluindo o Educação Artística FORUM, o qual contamos repor no ar já na próxima semana.
Pelo facto agradeço a compreensão e paciência de todos.

De tenra idade aprender as técnicas e a tradição, para que esse conhecimento intra e interpessoal vá construindo e continuamente resedenhando uma identidade própria, propiciadora da livre e inovadora manifestação artística.
Obrigado, Michael Brecker e Ray Brown, pelo que nos ensinaram e ensinam!


Michael Brecker e Ray Brown em 2000 - Round Midnight de Monk

Bom fim-de-semana.

Deus não é um objecto de conhecimento, donde não faz qualquer sentido alguém arengar que pretende conhecer ou desconhecer Deus. Ou, o mesmo é dizer-se, “gnóstico” ou “agnóstico”. Porque, na verdade, um tipo munir-se do “conhecimento” para ir à procura de Deus é o equivalente a armar-se duma cana de pesca para ir à caça de elefantes. E quem diz Deus, diz um mero indivíduo - um Chico, Manel ou Francisco quaisquer. Ou seja, desde o “Indivíduo por Excelência” ao “indivíduo por existência”. Já Aristóteles o explica detalhadamente - Livro Zeta, da Metafísica, para quem se quiser dar ao trabalho. Não obstante, o que mais por aí abunda é gente que afirma conhecer tudo e mais alguma coisa - desde o parto do Universo até às ínfimas privacidades galácticas - e nem a si próprio se conhece. Querem um exemplo flagrante: nós todos.

Todos os sistemas lógicos baseados estritamente no conhecimento - como, por exemplo, a Ciência Moderna -, apenas alcançam o nível das espécies: escapam-lhes os indivíduos. Precisamente, porque não têm como finalidade saber “o que as coisas são”, mas apenas “aquilo para que as coisas servem”. Não espanta pois que operem e porfiem pela uniformização, pela massificação, em suma: pela “standardização”. Aquilo que não atingem, não compreendem e, por conseguinte, terraplanam. O que escapa à “média” - dada pela “estatística”, pela “lei geral”, pelo “mito autorizado”, enfim, pela “moda gnoseológica” da berra - amputa-se ou tortura-se até não restar mais que um puré de factos e invólucros normalizados.

Dragão no Dragoscópio

O que é dito neste texto pelo Dragão deveria ser obrigatório antes da catequese, depois do crisma e sempre, em especial nos centros de educação e investigação, sendo que o que aqui é dito, da paranóia de que só existe, só é, como facto, como verdade, o que o método experimental consegue comprovar, é exactamente a mesma premissa que está a enfermar os cientistas da educação, de que só o que pode ser aferido por um dos cinco sentidos do cânone, ou capaz de ser abstractamente compreensível, poderá ser passível de ser ensinado ou aprendido.

Como as manifestações artísticas, em geral, escapam a este espartilho cientista, já que nos impressionam através de formas de percepção que ainda desconhecemos, ditas de sensitivas (coisa que ao certo ninguém sabe precisar de que se trata), as confusões e os mais descarados dislates podem ser ditos e autoritariamente prescritos sobre a educação artística como se, mesmo atendendo às múltiplas e desconhecidas formas por que a arte nos pode impressionar, não existissem conteúdos passíveis de ser transmitidos, ensinados e aprendidos, como por exemplo a tradição, a cultura, mais exactamente.

Aos cientistas convinha terem consciência de que o conhecimento humano é ainda um grão de areia no que há para conhecer no cosmos e, por analogia, no Ser Humano, da mesma forma de que os artistas e educadores especializados nas mais diversas artes, deveriam respeitar, transmitir e ensinar o que é sabido, o currículo, para que a criatividade individual, possa, então sim, revelar-se e manifestar-se com a liberdade que a plenitude do Ser permite, mesmo que explorando o desconhecido, como convém.

A treta da libertação pela criatividade e a paranóia de não coarctar psicologicamente a iniciativa artística desde tenra idade com a transmissão e aprendizagem de conteúdos, fez (e faz) proliferar uma série de estudos, investigações e cursos que mais não são que umas mezinhas desgarradas da tradição e da cultura, correndo o risco de que em inusitado dia, um notável menino, em denso transe criativo, abanando o rabiosque ao som de um gig de um jogo da playstation, pegue em dois seixos e invente a pedra lascada, num autêntico produto refinado de uma qualquer performance multidisciplinar de artes plásticas, música e dança…, ao som do Lou Reed, YEAH!!!

É baseado neste embuste intelectual, onde o conhecimento recusa admitir a sua ignorância (coisa estranha para a sabedoria), transmitido por diversos investigadores muito atreitos a elaborar estudos para o Ministério da Educação com conclusões previamente contratadas, que a educação artística não é inserida curricularmente no sistema educativo, coarctando, aqui sim, e indelevelmente, as crianças e os adolescentes de fruirem de uma educação muito mais próxima do Ser, que cada uma é, e que necessitam de conhecer e explorar para, livre e interactivamente criativa, conseguirem construir e ir redesenhando a sua identidade.

Francamente de acordo com a frase de João Gonçalves de que o Parlamento parece um condomínio fechado (ver post anterior), mas menos lamentável não é o modo como os media, em geral, tratam o Orçamento de Estado para 2008 - manchetes, títulos, leads chamam a atenção para a um “espectacular combate” entre Sócrates e Santana Lopes, enquanto que sobre o orçamento, nada, nem uma linha!
Curioso é que tanto Sócrates como Santana Lopes agarram a ideia e exploram-na em seu benefício mediático!
Quem ganha com isto? Não faço a mínima ideia! Só sei quem não ganha - Portugal!
É o país que temos…, está visto, e o que merecemos, claro está!

O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Santos Ferreira, esteve reunido na semana passada com o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para o informar de que discordava da proposta de fusão do Banco Comercial Português (BCP) com o Banco Português de Investimento (BPI). (via Público)

A Caixa Geral de Depósitos começa a ser assunto sério! Vetou a OPA da SONAE.com sobre a PT; sobre a OPA do BCP sobre o BPI nada disse; agora pronuncia-se publicamente contra a fusão do BCP com o BPI!
Estranho, tanto mais por não se compreender qual a diferença, para o banco do Estado, entre o resultado de uma OPA bem sucedida do BCP sobre o BPI ou a fusão dos dois bancos. Isto, supondo, é claro, que a CGD não está a defender, e muito menos a representar, interesses privados, coisa que nem pela cabeça me passa, bem entendido!

CINANIMA 2007Inicia hoje, prolongando-se até Domingo, a 31.ª edição do CINANIMA - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho (link), um dos mais conceituados festivais de cinema de animação europeus, parceiro do Cartoon d’Or, organizado pela Cooperativa Cultural Nascente em parceria com a Câmara de Espinho.
A concurso estão mais de 800 candidatos divididos pelas categorias:
A - Curtas Metragens (até 15 minutos);
B - Médias Metragens (mais de 15 minutos e até 50 minutos);
C - Longas Metragens (mais de 50 minutos);
D - Primeiro Filme ou Filme de Fim de Estudos;
E - Séries ou Filmes de Animação para Televisão.

A edição deste ano oferece ainda a possibilidade de frequentar 2 workshops: um sobre ILUSTRAÇÃO - “Expressão & Criatividade”, orientado pelo professor e ilustrador João Caetano; outro sobre ANIMAÇÃO “Animação com Flash”, orientado pelo professor Nuno Cardoso.

ps: para mais detalhes consulte o programa