Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Primeiro ler, depois mastigar bem e depois digerir…
Digerir?
Não acredito. A Senhora Ministra da Educação está muito bem alicerçada junto de José Sócrates e mais ainda de Cavaco Silva, que estão muito preocupados com os índices de “sucesso” escolar (leia-se passagens mais fáceis do que as administrativas do tempo do PREC), do que na aquisição de saberes e competências, nomeadamente na literacia em ciências, matemática e leitura, que é do que trata o PISA - Programme for International Student Assessment.
Esta ideia de aferir o conhecimento dos alunos de 15 anos veio causar um grande desarranjo nestes nossos líderes: só três países se saem pior que Portugal - Grécia, Turquia e México; 25 % contra uma média da OCDE de 19,3% têm um conhecimento científico muito limitado; apenas 3,1% dos alunos portugueses atingem os níveis 5 e 6 (numa escala de 1 a 6) contra a média de 9% da OCDE, sendo que só 0,1% atingem o nível máximo; no do custo por estudante, verifica-se, por exemplo, que a Eslováquia gasta menos de metade (do básico ao secundário) e os seus alunos têm desempenhos bem superiores aos colegas portugueses.
Depois de todas as pseudo-reformas que este governo tem levado a cabo através da senhora Ministra Lurdes Rodrigues, os resultados mostram bem o caminho - admitir a incompetência, o erro nas políticas de gestão escolar e cultural, enfim, assumir que erraram e entregar o assunto a quem saiba fazer melhor, em especial no que à organização, à gestão escolar e à aprendizagem diz respeito!
É absolutamente caricato ter encetado uma campanha cega contra o estatuto social dos professores quando, afinal, tudo o que está a montante é que não funciona, ou seja, o próprio Ministério da Educação! Para cúmulo, para entendermos melhor o resultado dessa campanha difamatória contra o professor podemos ainda ler, para nossa vergonha, a inevitável, apesar de ingénua, arrogância da ignorância:

Os alunos portugueses de 15 anos são dos que mais valorizam a importância do conhecimento científico. Em toda a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), são mesmo os que mais desejam seguir uma carreira nesta área, apesar de apenas dominarem as competências mais simples.
A maioria acredita que o seu desempenho é bom e que aprendem rapidamente o que é ensinado nas aulas, demonstrando uma atitude bem mais confiante do que os seus colegas finlandeses, que lideram o ranking. Mas na hora de mostrar as suas competências, só três países se saem pior - Grécia, Turquia e México.
(via RTP)


tags: , , , , , , , ,

Textos Relacionados

  doMelhor  
  1. Susana Serrano Said,

    Estes resultados não mostram nada de novo, nem era preciso! Basta olhar à nossa volta, ver como funcionam as coisas. Há pouco tempo estive uma hora à espera, numa esquadra de polícia, que três polícias, um a ensinar e dois a aprender, conseguissem, em frente a um computador e depois de consultar algumas listas sebentas de códigos para introduzir no pc, registar uma queixa de um furto do telemóvel e carteira do meu filho. Nem conto os pormenores, mas conto que depois de postar 4 assinaturas em 4 folhas de papel A4, tive de lá voltar no dia seguinte e assinar tudo de novo, porque se tinham enganado num código!
    Há pelo menos 20 anos que as escolas estão a formar iletrados e não pensantes. A culpa continua a ser do mexilhão. Quando aprovarem a extensão da escolaridade obrigatória até ao 12º ano vai ser ainda muito pior em termos de qualidade! Também não é por acaso que o ensino artístico é como é! Os dirigentes são os mesmos!

  2. João Norte Said,

    ” A culpa é dos professores” têm as costas largas.

  3. Carlos Araújo Alves Said,

    De facto, Susana, estes resultados mostram aquilo que, afinal, todos sabemos. No entanto, é bom que haja uma entidade estrangeira independente a aferir a aprendizagem e não o chamado “sucesso escolar”.
    Sucesso escolar não é ter qualificações académicas; é ter conhecimentos, competências, saber e, já agora convém não esquecer, conhecer-se, pensar-se e integrar-se num mundo inter-relacional!

    Obrigado pelo comentário.

  4. Carlos Araújo Alves Said,

    Não, não é dos professores, estimado João Norte, mas também, quanto mais não seja pela passividade que têm demonstrado diante da destruição, por parte deste Ministério da Educação, do precário sistema educativo que temos e do absoluto desrespeito com que têm sido, assídua e repetidamente, tratados.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  5. sonia a. Said,

    Tá bonito, tá!!
    Mas pelo andar da carruagem , ainda vai ficar melhor…

  6. Laura Pires Said,

    Eu nunca vi classe que tão depressa se deixe abater como a dos professores! Adaptam-se a toda a desgraça, comem tudo e ainda dão ares de muito activos e esclarecidos…
    uma vergonha esta classe a que, ainda e infelizmente, pertenço.
    Grande post o seu, Carlos, parabéns.

  7. Carlos Araújo Alves Said,

    Por acaso, Sónia a., dá-me ideia que Cavaco Silva, apesar de intrépido defensor da senhora ministra, ficou também horrorizado com estes resultados, a crer nas suas palavras desta fim-de-semana a exigir resultados na Educação!

    Mas o problema é de gestão, de política, de coragem, como sabemos Sónia a.: temos ou não coragem para nos borrifarmos nas médias de passagens (o que chamam sucesso escolar) e fornecer aos jovens uma bagagem identitária e cultural bastante para se moverem neste mundo globalizado e, simultaneamente, focar a aprendizagem na aquisição e assimilação de conteúdos (conhecimento), estimular saberes e fornecer competências?
    Se sim, há que arrepiar caminho, que é já tarde - gestão por objectivos precisos e particulares de toda a hierarquia do sistema educativo e, por outro lado, darem tempo e permitirem os ocupar-se disso, E SÓ DISSO, junto dos seus alunos!

    Beijinho e obrigado pelo comentário.

  8. Carlos Araújo Alves Said,

    Sinto uma grande tristeza, Laura Pires. Como é que pessoas tão lestas, em privado, a demonstrar que o rei vai nu no que à educação diz respeito, enquanto que pautam por uma passividade letárgica na escola e nas instâncias a quem deviam reclamar loud and clearly, em nome dos alunos!

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  9. Sócrates leva a Educação em números ao Parlamento | Ideias Soltas Said,

    [...] todos e de tudo a que número se possa reduzir, e número que não estiver a preceito, como os do PISA 2006, é evidente que o discurso será o de que é preciso dar tempo para que em conveniente número se [...]

Comente