O Ministério da Educação ultima uma Portaria para destruir a Educação Artística em Portugal, a única que funciona, a única que já produziu e produz resultados – as Escolas de Ensino Artístico Especializado, segundo informou o Prof. Wagner Diniz após reunião no Ministério da Educação!
Já o tentaram no ano transacto o que me motivou a escrever sobre: Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado (estudo encomendado a um Professor Doutor com Agregação em Ciências da Educação de seu nome Domingues Fernandes que fez o frete de obrar um estudo sem qualquer fundamento científico, uma vez que da sua equipa não constava ninguém ligado às artes e sua educação, nem trabalho de campo relevante efectuou); sobre o perigo de entender que se tratava de um ataque ao Conservatório Nacional quando há perto de 100 escolas de ensino especializado, englobando cerca de 30.000 alunos; o despautério que foi a realização da Conferência Nacional de Educação Artíistica, encenação para o que aí viria; coloquei à disposição de quem quisesse (ou queira) escrever, mesmo sob pseudónimo, sobre o que se adivinhava, o Educação Artística FORUM!

Basta! Não me atafulhem a caixa de correio! Não sou artista nem arte para professor tenho! Estou cansado de estar só, da cobardia de esperarem pelo incêndio em vez de o prevenirem! E estou incomodado … (desculpem o tom deste post).

Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação – música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.


LEIAM e se estiverem de acordo ASSINEM e DIVULGUEM!

O anterior Presidente da Câmara do Porto tinha celebrado um protocolo que previa a cedência de terrenos com a empresa Soares da Costa. Rui Rio baseou a sua campanha eleitoral contra esse protocolo e não o cumpriu.
No site da Câmara do Porto, Rui Rio iliba-se de responsabilidades ao afirmar que não aprovou nem ratificou protocolo, mas não é por isso que os portuenses arcarão com o ónus de 6.000.000,00€, mas sim pelo facto de o actual Presidente não ter, por considerar ilegal, cumprido o estabelecido.
Das duas, uma, Sr. Dr. Rui Rio: ou cumpria o protocolo ou, se estava tão certo da sua ilegalidade, pedia um inspecção ao Tribunal de Contas e colocava o responsável em tribunal. Se assim não procedeu não vejo como poderá subtrair-se à responsabilidade da decisão do Tribunal já que, em nome dos portuenses, rompeu unilateralmente um contrato assinado.
Mas lembro-me, sim, que essa atitude foi mais uma daquelas que tomou em nome da tal promiscuidade entre o futebol e a política, trocado por miúdos, subjugado pelo ódio pessoal ao presidente do F. C. do Porto!
Não faz mal, não se preocupe, a Câmara paga!

Sócrates remodela. Compreende-se, voos da CIA, pois. Correia de Campos, não poderia deixar de ser, cai por cumprir com o que Sócrates pretendia, mas em ano de eleições… Ah, e cai Isabel Pires de Lima, que fez pouco é certo, sendo que a sua demissão vale muito para Sócrates – esconder a manutenção de Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação. Porquê? Ora, porque os professores por si pouco agem, blasfemam sim, muito, mas pouco agem, a bem da nação, pois então…, são assalariados, não subsidiados, assalariados, a bem da nação, pois então!
Compreende-se a euforia que em certos meios está a provocar a demissão de Isabel Pires de Lima diante do impressionante currículo de José António Pinto Ribeiro no que à cultura diz respeito! Compreende-se, a bem da nação, pois então…
Isto agora é que vai, vão ver…

Lisonjeias-me, Henrique Silveira, eu não mereço tal atenção! Longe de mim pensar que seria capaz de te estimular a escrever o que talvez pudesses ter escrito antes. Cuida, no entanto que o que escrevi, não te era dirigido particularmente, mas a um uníssono rol de dizer mal do qual ressalta uma constante – desacreditar não Das Märchen, mas o próprio Emmanuel Nunes, para relembrar o Sr. Pinamonti.
Não leves a mal este “gonzo” tecer algumas considerações sobre o que agora escreves, e sabes porquê? Por ser bem mais interessante para análise, por teres tocado onde se pode tocar, ou seja, estás certo de que eu disse que não se pode criticar uma obra de arte musical como Das Märchen? Mesmo seguro?
Não me lembro de ter escrito isso! Lembro-me, isso sim, de falar do tempo necessário para se reflectir sobre a arte moderna! Sabes porquê? Porque nem sequer estou certo de que se possa considerar Das Märchen um obra de arte? Tens já tu essa certeza? Eu não, de momento ainda é um muito elaborado artefacto proposto para obra de arte.
A obra de arte impõe-se-nos esteticamente ou por deslumbramento sensitivo-emocional (que tal como em ti Das Märchen em mim não despoletou) ou pela abordagem criteriosa de um produto de matiz eminentemente racional e logicamente reflexivo. Neste contexto (se não estiveres de acordo diz) se o artefacto não te tocou emocionalmente, dever-se-ia ou não dar-nos algum tempo? No teu caso, pelo que escreves, fico com a ideia (corrige-me se estiver enganado) de que poderias ter escrito porque descreves sensações que viveste durante a sua estreia e cito-te: Já senti, à náusea, a repetição exaustiva do mesmo material, manipulado computacionalmente, repetido friamente e sem emoção. Sinto o corte e costura marcado nos ouvidos e ressoando no cérebro. Sinto a artificialidade sem vontade, sem nada para dizer, criando efeitos e mais efeitos, fazendo chocar permutações.
Tens toda a legitimidade em exprimir o que sentiste, mas constituir a partir desta premissa toda uma retórica crítico-reflexiva parece-me pulo inverosímil!

Para além disto, Henrique, sobre o que escreves? Sobre IRCAM, o Boulez, o Stockhausen e sobre Nunes? Que tem a ver esta amálgama que te atiça? Pego nas tuas palavras exactas sobre o IRCAM aplicadas a outro contexto e vê se não se encaixam mesmamente:
Infelizmente muitas das criações saídas de Mozart (substituí IRCAM por Mozart), apesar destes rótulos geniais (substituí intelectuais por geniais), acabam por ser Intestinais. Pode ou não aplicar-se?
Outro exemplo a propósito de Bach? Não vale a pena, pois não, são suficientes os quase 100 anos que decorreram após a sua morte para descobrirem que existiu o génio criador que hoje reconhecemos.

Há um acordo entre nós (não sei se te passou despercebido) em relação ao modernismo se atentares na citação de Lipovetsky, a qual repito por em parte me identificar:

O dispositivo modernista que se incarnou de modo exemplar nas vanguardas encontra-se hoje exausto, tal é a sua condição desde há meio século. As vanguardas não param de girar no vazio, incapazes de inovação artística maior. A negação perdeu o seu valor criador, os artistas mais não fazem do que reproduzir e plagiar as grandes descobertas do primeiro terço do século (XX).

A obra de Emmanuel Nunes é ainda um produto deste modernismo que quis rasgar com o passado (com a tradição) e embuído de uma, digo eu, quase paranóica tentativa de invovação, a qual, muitas vezes, não passou disso mesmo, de uma coisa nova! Ainda com Lipovetsky:

O impasse da vanguarda liga-se ao modernismo, a uma cultura radicalmente individualista e extremista, no fundo suicidária, que afirma a inovação como único valor.
(…)
A inovação modernista tem de particular o facto de se aliar ao escândalo e à ruptura: surgem obras em contradição com a harmonia e o sentimento, divorciadas da nossa experiência familiar do espaço e da linguagem. Numa sociedade assente no valor do insubstituível, último, de cada unidade humana, a arte organiza figuras deslocadas, abstractas, herméticas; surge como inumana.

No entanto, e apesar disto, se incorporasse este conceito de forma fundamentalista, equivaleria a fechar-me a qualquer manifestação de natureza artística, correndo sério risco de me tornar mesmo no tal gonzo, “luxo” que eu, arrogantemente, recuso !

Conhecemo-nos há tempo suficiente, Henrique, para saberes que a música para mim ou me toca emocionalmente ou desinteressa-me, mas precisamente por isso me obriguei, não a uma exegese ou hermenêutica do texto musical (deixo esse empreendimento para os analistas), mas a repetidas audições do período moderno, ou se preferires, a partir de Schöenberg e esta experiência ensinou-me que esta exposição aberta a estéticas para mim até então estranhas, modificou o meu sentir em relação a muitas obras, por exemplo e sucintamente: Le Marteau sans Maître, Répons (sublime) de Boulez, Concerto de câmara para 13 instrumentos de Ligeti, Il Ritorno degli Snovidenia de Berio, Al gran sole Carico d’Amore de Nono…

Estou (…), fora do meio musical e dou-me ao luxo de dizer o que penso (não é só citação, estou mesmo fora), mas dizendo o que penso não digo tudo. E tal como tu, um dia voltarei a ler estes textos e vou divertir-me com aquilo que pensava há uns anos atrás. Talvez até mude de opinião, o que será normal, em nítida atitude pós-modernista, o da incerteza, da perenidade e da pequenez do conhecimento racional no contexto de constructo da compreensão cosmológica humana.

Jackon PollockAntes de qualquer consideração sobre a estreia da ópera Das Märchen de Emmanuel Nunes, sossegue quem me possa ler, porque não será ainda desta vez que ousarei aventurar-me pelo caminho do imediatismo crítico. Primeiro porque não possuo a necessária bagagem para o ser, por outro lado, a arte moderna impõe (-me) uma necessária distanciação temporal que permita viajar pelos caminhos da incerteza da reflexão. Três citações, antes de mais, sobre o modernismo do qual Nunes é ainda filho adoptante:
A Arte não se apresenta pelo que é óbvio. Arte vai para além das fronteiras de tudo o que é óbvio. Por sua vez, tudo o que é óbvio jamais está inserido no que é Arte e por isso, esta só conseguir assomar-se nas margens das impositivas regras e amarras do que lhe é óbvio.(…)
E uma obra de arte estima-se enquanto arte se o óbvio não se verificar. A partir do momento em que o óbvio transpareça numa obra de arte, imediatamente a peça que tida de obra deixará de o ser e reduz-se assim a uma qualquer situação de não-comunicação
.
[Alice Valente em Ali_se (link)]

O modernismo ganha toda a sua amplitude com o abalar do espaço da representação clássica (…). Os artistas não param de destruir as formas e sintaxes instituídas, insurgem-se violentamente contra a ordem oficial e o academismo: o ódio à tradição e raiva de renovação total.
O modernismo não se contenta com produzir variações estilísticas e temas inéditos, quer romper a continuidade que nos liga ao passado, instituir obras absolutamente novas.
O dispositivo modernista que se incarnou de modo exemplar nas vanguardas encontra-se hoje exausto, tal é a sua condição desde há meio século. As vanguardas não param de girar no vazio, incapazes de inovação artística maior. A negação perdeu o seu valor criador, os artistas mais não fazem do que reproduzir e plagiar as grandes descobertas do primeiro terço do século (XX).
Como falar acerca de obras cujas construções insólitas, abstractas ou deslocadas, dissonantes ou minimais, que provocam o escândalo, confundem a evidência da comunicação, desordenam a ordem reconhecível da continuidade espaço-temporal e levam por isso o espectador a receber menos emocionalmente a obra do que a interrogá-la de modo crítico?

[Lipovetsky]


Toda a arte moderna, devido às suas preocupações experimentais, baseia-se no efeito de distanciação e provoca espanto, suspeição ou recusa, interrogação sobre as finalidades da obra e da própria arte!

[Brecht]

Presente o citado, é com alguma perplexidade que leio as críticas a Das Märchen, sem aguardarem, prudentemente, em si, pelas interrogações que o que viram e ouviram poderá suscitar, uma vez que a arte moderna (não ainda a pós-moderna) não está construída para nos tocar sensitiva-emocionalmente, embora o possa fazer, mas sim para questionar e reflectir! Que crítica é esta que tem uma ânsia de dizer antes de deixar a obra exalar todo o intrincado simbólico de referências e interrogações?
Ultrapassa-me, de todo, este imediatismo, esta social necessidade de no dia seguinte ter de ter, porque é de bom tom ter, que dizer, qual comentador desportivo, seja para dizer bem ou nem por isso ou mais ou menos!
Constato, contudo, duas ideias constantes, não ingénuas, em quase todas as leituras que corri – a desertificação da sala após o intervalo e a referência ao facto de a encomenda ter sido efectuada por Pinamonti (anterior director do S. Carlos). As neblosas, sim, fantasmas erguidos quais penadas almas, sobre certas colegiadas “bem-pensantes” cabeças pairam! Ah, Pereira Leal, o que a tua anunciada aposentação anda por Lisboa a arrebatar de enredos em putativas consciências!

Qual é o mais duro dos críticos? O amador malogrado.
[Goethe]

De meu deixo uma nota: o S. Carlos não está (nunca esteve) talhado para as “aventuras” da modernidade. Esses “devaneios” há muito estão comprometidos com a Gulbenkian e seu público específico.

Marco Ferreira Marco Pereira, um dos nossos jovens violoncelistas mais promissores, aluno de Paulo Gaio Lima na AMEC e depois, como bolseiro, na Escuela Superior de Música Reina Sofía, em Madrid, apresenta-se hoje em concerto no Auditório 2 da Gulbenkian, incluído no ciclo Jovens Músicos, às 19:00h, com Ofelia Montalván ao piano.

Programa:

Ludwig van Beethoven – Sonata para Violoncelo e Piano Nº 5, em Ré maior, op.102 nº 2

Luís de Freitas Branco – Sonata para Violoncelo e Piano.

Olivier Messiaen – Louange à l’Eternité de Jésus (do Quatuor pour la fin du temps)

Sergei Rachmaninov – Sonata para Violoncelo e Piano em Sol menor, op.

O que conta e fica para a história é o resultado: 2 – 0!
Parabéns ao Sporting e aos sportinguistas.

Emmanuel NunesDas Märchen, a primeira ópera de Emmanuel Nunes, é hoje estreada no Teatro Nacional de São Carlos, às 16:30h. Encomenda conjunta do Teatro Nacional de São Carlos, Fundação Calouste Gulbenkian e Casa da Música no contexto de uma co-produção sem precedentes com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Casa da Música e o Ircam-Centre Pompidou (Paris), tem a direcção musical assegurada por de Peter Rundel, a encenação por Karoline Gruber, a coreografia por Amanda Miller e realização Informática Musical por Erica Daubresse elaborada no IRCAM, uma conjugação que indicia uma qualidade elevada na representação cénica / músical da ópera que hoje assistiremos, com libreto de Emmanuel Nunes baseado no conto homónimo de Goethe (disponibilizo PDF com descrição, ficha técnica e sinopse).
De parabéns está o Ministério da Cultura pelo arrojo (ideia que teimosamente tenho vindo a defender da gestão implicada dos meios audiovisuais do Estado, da cultura e da educação) de transmitir, via RTP e PT Multimedia, em directo em 14 teatros do País e Ilhas, cumprindo, assim o desígnio que enforma o conceito de Rede Nacional de Teatros.
Pena tenho que o Ministério da Educação não se tenha aliado a esta iniciativa, assegurando a transmissão em todas as escolas do país, englobado, quiçá, no aberrante conceito de enriquecimento curricular!
Bom fim-de-semana.

ps: imagem gentilmente sacada do Miso Music.

Todos temos uma ideia do que transmitimos no nosso blogue, mas diverso é o que, para os outros, através dele, somos. Por vezes temos surpresas, outras, constatações, embora a maioria revele insuspeitadas novidades.
A técnica do critical friend revela resultados muito positivos em vários domínios, no da compreensão particularmente, de modo que, de quando em vez, dá-me para perguntar a leitores amigos: o que sentes do Ideias Soltas?
Hoje deu-me para transcrever uma resposta, em assumida narcisa atitude de afago do ego:

ui isso é complicado.
o que eu sinto, como? tu deves saber bem o que pretendes e como conseguir ser percebido!
bom eu acho que na linha do “chatinho profissional”, o ideias soltas é um sítio onde estão ideias que contrariam a voz e o senso comum e procuram ir além do que parece, nas coisas públicas
depois também tem coisas pessoais, que eu acho que só compreende bem que te conhece
e tudo com piada

Ainda a propósito da ausência de integração dos princípios de proximidade e de solidariedade no processo de tomada de decisões na gestão do Serviço Nacional de Saúde, baseadas, unicamente, no conceito de que a concentração de prestação de serviços é via suficiente para assegurar uma maior eficiência de processos e uma maior eficácia de resultados, segue link para outro texto do Besugo cuja leitura é pertinente para a reflexão sobre esta problemática.