Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Janeiro, 2008

O Ministério da Educação ultima uma Portaria para destruir a Educação Artística em Portugal, a única que funciona, a única que já produziu e produz resultados - as Escolas de Ensino Artístico Especializado, segundo informou o Prof. Wagner Diniz após reunião no Ministério da Educação!
Já o tentaram no ano transacto o que me motivou a escrever sobre: Relatório de Avaliação do Ensino Artístico Especializado (estudo encomendado a um Professor Doutor com Agregação em Ciências da Educação de seu nome Domingues Fernandes que fez o frete de obrar um estudo sem qualquer fundamento científico, uma vez que da sua equipa não constava ninguém ligado às artes e sua educação, nem trabalho de campo relevante efectuou); sobre o perigo de entender que se tratava de um ataque ao Conservatório Nacional quando há perto de 100 escolas de ensino especializado, englobando cerca de 30.000 alunos; o despautério que foi a realização da Conferência Nacional de Educação Artíistica, encenação para o que aí viria; coloquei à disposição de quem quisesse (ou queira) escrever, mesmo sob pseudónimo, sobre o que se adivinhava, o Educação Artística FORUM!

Basta! Não me atafulhem a caixa de correio! Não sou artista nem arte para professor tenho! Estou cansado de estar só, da cobardia de esperarem pelo incêndio em vez de o prevenirem! E estou incomodado … (desculpem o tom deste post).

Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação - música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.


LEIAM e se estiverem de acordo ASSINEM e DIVULGUEM!

O anterior Presidente da Câmara do Porto tinha celebrado um protocolo que previa a cedência de terrenos com a empresa Soares da Costa. Rui Rio baseou a sua campanha eleitoral contra esse protocolo e não o cumpriu.
No site da Câmara do Porto, Rui Rio iliba-se de responsabilidades ao afirmar que não aprovou nem ratificou protocolo, mas não é por isso que os portuenses arcarão com o ónus de 6.000.000,00€, mas sim pelo facto de o actual Presidente não ter, por considerar ilegal, cumprido o estabelecido.
Das duas, uma, Sr. Dr. Rui Rio: ou cumpria o protocolo ou, se estava tão certo da sua ilegalidade, pedia um inspecção ao Tribunal de Contas e colocava o responsável em tribunal. Se assim não procedeu não vejo como poderá subtrair-se à responsabilidade da decisão do Tribunal já que, em nome dos portuenses, rompeu unilateralmente um contrato assinado.
Mas lembro-me, sim, que essa atitude foi mais uma daquelas que tomou em nome da tal promiscuidade entre o futebol e a política, trocado por miúdos, subjugado pelo ódio pessoal ao presidente do F. C. do Porto!
Não faz mal, não se preocupe, a Câmara paga!

Sócrates remodela. Compreende-se, voos da CIA, pois. Correia de Campos, não poderia deixar de ser, cai por cumprir com o que Sócrates pretendia, mas em ano de eleições… Ah, e cai Isabel Pires de Lima, que fez pouco é certo, sendo que a sua demissão vale muito para Sócrates - esconder a manutenção de Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação. Porquê? Ora, porque os professores por si pouco agem, blasfemam sim, muito, mas pouco agem, a bem da nação, pois então…, são assalariados, não subsidiados, assalariados, a bem da nação, pois então!
Compreende-se a euforia que em certos meios está a provocar a demissão de Isabel Pires de Lima diante do impressionante currículo de José António Pinto Ribeiro no que à cultura diz respeito! Compreende-se, a bem da nação, pois então…
Isto agora é que vai, vão ver…

Lisonjeias-me, Henrique Silveira, eu não mereço tal atenção! Longe de mim pensar que seria capaz de te estimular a escrever o que talvez pudesses ter escrito antes. Cuida, no entanto que o que escrevi, não te era dirigido particularmente, mas a um uníssono rol de dizer mal do qual ressalta uma constante - desacreditar não Das Märchen, mas o próprio Emmanuel Nunes, para relembrar o Sr. Pinamonti.
Não leves a mal este “gonzo” tecer algumas considerações sobre o que agora escreves, e sabes porquê? Por ser bem mais interessante para análise, por teres tocado onde se pode tocar, ou seja, estás certo de que eu disse que não se pode criticar uma obra de arte musical como Das Märchen? Mesmo seguro?
Não me lembro de ter escrito isso! Lembro-me, isso sim, de falar do tempo necessário para se reflectir sobre a arte moderna! Sabes porquê? Porque nem sequer estou certo de que se possa considerar Das Märchen um obra de arte? Tens já tu essa certeza? Eu não, de momento ainda é um muito elaborado artefacto proposto para obra de arte.
A obra de arte impõe-se-nos esteticamente ou por deslumbramento sensitivo-emocional (que tal como em ti Das Märchen em mim não despoletou) ou pela abordagem criteriosa de um produto de matiz eminentemente racional e logicamente reflexivo. Neste contexto (se não estiveres de acordo diz) se o artefacto não te tocou emocionalmente, dever-se-ia ou não dar-nos algum tempo? No teu caso, pelo que escreves, fico com a ideia (corrige-me se estiver enganado) de que poderias ter escrito porque descreves sensações que viveste durante a sua estreia e cito-te: Já senti, à náusea, a repetição exaustiva do mesmo material, manipulado computacionalmente, repetido friamente e sem emoção. Sinto o corte e costura marcado nos ouvidos e ressoando no cérebro. Sinto a artificialidade sem vontade, sem nada para dizer, criando efeitos e mais efeitos, fazendo chocar permutações.
Tens toda a legitimidade em exprimir o que sentiste, mas constituir a partir desta premissa toda uma retórica crítico-reflexiva parece-me pulo inverosímil!

Para além disto, Henrique, sobre o que escreves? Sobre IRCAM, o Boulez, o Stockhausen e sobre Nunes? Que tem a ver esta amálgama que te atiça? Pego nas tuas palavras exactas sobre o IRCAM aplicadas a outro contexto e vê se não se encaixam mesmamente:
Infelizmente muitas das criações saídas de Mozart (substituí IRCAM por Mozart), apesar destes rótulos geniais (substituí intelectuais por geniais), acabam por ser Intestinais. Pode ou não aplicar-se?
Outro exemplo a propósito de Bach? Não vale a pena, pois não, são suficientes os quase 100 anos que decorreram após a sua morte para descobrirem que existiu o génio criador que hoje reconhecemos.

Há um acordo entre nós (não sei se te passou despercebido) em relação ao modernismo se atentares na citação de Lipovetsky, a qual repito por em parte me identificar:

O dispositivo modernista que se incarnou de modo exemplar nas vanguardas encontra-se hoje exausto, tal é a sua condição desde há meio século. As vanguardas não param de girar no vazio, incapazes de inovação artística maior. A negação perdeu o seu valor criador, os artistas mais não fazem do que reproduzir e plagiar as grandes descobertas do primeiro terço do século (XX).

A obra de Emmanuel Nunes é ainda um produto deste modernismo que quis rasgar com o passado (com a tradição) e embuído de uma, digo eu, quase paranóica tentativa de invovação, a qual, muitas vezes, não passou disso mesmo, de uma coisa nova! Ainda com Lipovetsky:

O impasse da vanguarda liga-se ao modernismo, a uma cultura radicalmente individualista e extremista, no fundo suicidária, que afirma a inovação como único valor.
(…)
A inovação modernista tem de particular o facto de se aliar ao escândalo e à ruptura: surgem obras em contradição com a harmonia e o sentimento, divorciadas da nossa experiência familiar do espaço e da linguagem. Numa sociedade assente no valor do insubstituível, último, de cada unidade humana, a arte organiza figuras deslocadas, abstractas, herméticas; surge como inumana.

No entanto, e apesar disto, se incorporasse este conceito de forma fundamentalista, equivaleria a fechar-me a qualquer manifestação de natureza artística, correndo sério risco de me tornar mesmo no tal gonzo, “luxo” que eu, arrogantemente, recuso !

Conhecemo-nos há tempo suficiente, Henrique, para saberes que a música para mim ou me toca emocionalmente ou desinteressa-me, mas precisamente por isso me obriguei, não a uma exegese ou hermenêutica do texto musical (deixo esse empreendimento para os analistas), mas a repetidas audições do período moderno, ou se preferires, a partir de Schöenberg e esta experiência ensinou-me que esta exposição aberta a estéticas para mim até então estranhas, modificou o meu sentir em relação a muitas obras, por exemplo e sucintamente: Le Marteau sans Maître, Répons (sublime) de Boulez, Concerto de câmara para 13 instrumentos de Ligeti, Il Ritorno degli Snovidenia de Berio, Al gran sole Carico d’Amore de Nono…

Estou (…), fora do meio musical e dou-me ao luxo de dizer o que penso (não é só citação, estou mesmo fora), mas dizendo o que penso não digo tudo. E tal como tu, um dia voltarei a ler estes textos e vou divertir-me com aquilo que pensava há uns anos atrás. Talvez até mude de opinião, o que será normal, em nítida atitude pós-modernista, o da incerteza, da perenidade e da pequenez do conhecimento racional no contexto de constructo da compreensão cosmológica humana.

Jackon PollockAntes de qualquer consideração sobre a estreia da ópera Das Märchen de Emmanuel Nunes, sossegue quem me possa ler, porque não será ainda desta vez que ousarei aventurar-me pelo caminho do imediatismo crítico. Primeiro porque não possuo a necessária bagagem para o ser, por outro lado, a arte moderna impõe (-me) uma necessária distanciação temporal que permita viajar pelos caminhos da incerteza da reflexão. Três citações, antes de mais, sobre o modernismo do qual Nunes é ainda filho adoptante:
A Arte não se apresenta pelo que é óbvio. Arte vai para além das fronteiras de tudo o que é óbvio. Por sua vez, tudo o que é óbvio jamais está inserido no que é Arte e por isso, esta só conseguir assomar-se nas margens das impositivas regras e amarras do que lhe é óbvio.(…)
E uma obra de arte estima-se enquanto arte se o óbvio não se verificar. A partir do momento em que o óbvio transpareça numa obra de arte, imediatamente a peça que tida de obra deixará de o ser e reduz-se assim a uma qualquer situação de não-comunicação
.
[Alice Valente em Ali_se (link)]

O modernismo ganha toda a sua amplitude com o abalar do espaço da representação clássica (…). Os artistas não param de destruir as formas e sintaxes instituídas, insurgem-se violentamente contra a ordem oficial e o academismo: o ódio à tradição e raiva de renovação total.
O modernismo não se contenta com produzir variações estilísticas e temas inéditos, quer romper a continuidade que nos liga ao passado, instituir obras absolutamente novas.
O dispositivo modernista que se incarnou de modo exemplar nas vanguardas encontra-se hoje exausto, tal é a sua condição desde há meio século. As vanguardas não param de girar no vazio, incapazes de inovação artística maior. A negação perdeu o seu valor criador, os artistas mais não fazem do que reproduzir e plagiar as grandes descobertas do primeiro terço do século (XX).
Como falar acerca de obras cujas construções insólitas, abstractas ou deslocadas, dissonantes ou minimais, que provocam o escândalo, confundem a evidência da comunicação, desordenam a ordem reconhecível da continuidade espaço-temporal e levam por isso o espectador a receber menos emocionalmente a obra do que a interrogá-la de modo crítico?

[Lipovetsky]


Toda a arte moderna, devido às suas preocupações experimentais, baseia-se no efeito de distanciação e provoca espanto, suspeição ou recusa, interrogação sobre as finalidades da obra e da própria arte!

[Brecht]

Presente o citado, é com alguma perplexidade que leio as críticas a Das Märchen, sem aguardarem, prudentemente, em si, pelas interrogações que o que viram e ouviram poderá suscitar, uma vez que a arte moderna (não ainda a pós-moderna) não está construída para nos tocar sensitiva-emocionalmente, embora o possa fazer, mas sim para questionar e reflectir! Que crítica é esta que tem uma ânsia de dizer antes de deixar a obra exalar todo o intrincado simbólico de referências e interrogações?
Ultrapassa-me, de todo, este imediatismo, esta social necessidade de no dia seguinte ter de ter, porque é de bom tom ter, que dizer, qual comentador desportivo, seja para dizer bem ou nem por isso ou mais ou menos!
Constato, contudo, duas ideias constantes, não ingénuas, em quase todas as leituras que corri - a desertificação da sala após o intervalo e a referência ao facto de a encomenda ter sido efectuada por Pinamonti (anterior director do S. Carlos). As neblosas, sim, fantasmas erguidos quais penadas almas, sobre certas colegiadas “bem-pensantes” cabeças pairam! Ah, Pereira Leal, o que a tua anunciada aposentação anda por Lisboa a arrebatar de enredos em putativas consciências!

Qual é o mais duro dos críticos? O amador malogrado.
[Goethe]

De meu deixo uma nota: o S. Carlos não está (nunca esteve) talhado para as “aventuras” da modernidade. Esses “devaneios” há muito estão comprometidos com a Gulbenkian e seu público específico.

Marco Ferreira Marco Pereira, um dos nossos jovens violoncelistas mais promissores, aluno de Paulo Gaio Lima na AMEC e depois, como bolseiro, na Escuela Superior de Música Reina Sofía, em Madrid, apresenta-se hoje em concerto no Auditório 2 da Gulbenkian, incluído no ciclo Jovens Músicos, às 19:00h, com Ofelia Montalván ao piano.

Programa:

Ludwig van Beethoven - Sonata para Violoncelo e Piano Nº 5, em Ré maior, op.102 nº 2

Luís de Freitas Branco - Sonata para Violoncelo e Piano.

Olivier Messiaen - Louange à l’Eternité de Jésus (do Quatuor pour la fin du temps)

Sergei Rachmaninov - Sonata para Violoncelo e Piano em Sol menor, op.

O que conta e fica para a história é o resultado: 2 - 0!
Parabéns ao Sporting e aos sportinguistas.

Emmanuel NunesDas Märchen, a primeira ópera de Emmanuel Nunes, é hoje estreada no Teatro Nacional de São Carlos, às 16:30h. Encomenda conjunta do Teatro Nacional de São Carlos, Fundação Calouste Gulbenkian e Casa da Música no contexto de uma co-produção sem precedentes com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Casa da Música e o Ircam-Centre Pompidou (Paris), tem a direcção musical assegurada por de Peter Rundel, a encenação por Karoline Gruber, a coreografia por Amanda Miller e realização Informática Musical por Erica Daubresse elaborada no IRCAM, uma conjugação que indicia uma qualidade elevada na representação cénica / músical da ópera que hoje assistiremos, com libreto de Emmanuel Nunes baseado no conto homónimo de Goethe (disponibilizo PDF com descrição, ficha técnica e sinopse).
De parabéns está o Ministério da Cultura pelo arrojo (ideia que teimosamente tenho vindo a defender da gestão implicada dos meios audiovisuais do Estado, da cultura e da educação) de transmitir, via RTP e PT Multimedia, em directo em 14 teatros do País e Ilhas, cumprindo, assim o desígnio que enforma o conceito de Rede Nacional de Teatros.
Pena tenho que o Ministério da Educação não se tenha aliado a esta iniciativa, assegurando a transmissão em todas as escolas do país, englobado, quiçá, no aberrante conceito de enriquecimento curricular!
Bom fim-de-semana.

ps: imagem gentilmente sacada do Miso Music.

Todos temos uma ideia do que transmitimos no nosso blogue, mas diverso é o que, para os outros, através dele, somos. Por vezes temos surpresas, outras, constatações, embora a maioria revele insuspeitadas novidades.
A técnica do critical friend revela resultados muito positivos em vários domínios, no da compreensão particularmente, de modo que, de quando em vez, dá-me para perguntar a leitores amigos: o que sentes do Ideias Soltas?
Hoje deu-me para transcrever uma resposta, em assumida narcisa atitude de afago do ego:

ui isso é complicado.
o que eu sinto, como? tu deves saber bem o que pretendes e como conseguir ser percebido!
bom eu acho que na linha do “chatinho profissional”, o ideias soltas é um sítio onde estão ideias que contrariam a voz e o senso comum e procuram ir além do que parece, nas coisas públicas
depois também tem coisas pessoais, que eu acho que só compreende bem que te conhece
e tudo com piada

Ainda a propósito da ausência de integração dos princípios de proximidade e de solidariedade no processo de tomada de decisões na gestão do Serviço Nacional de Saúde, baseadas, unicamente, no conceito de que a concentração de prestação de serviços é via suficiente para assegurar uma maior eficiência de processos e uma maior eficácia de resultados, segue link para outro texto do Besugo cuja leitura é pertinente para a reflexão sobre esta problemática.

Ricardo QuaresmaA desautorização de Fernando Póvoas, o anúncio do prolongamento do contrato de Quaresma e colocá-lo a transmitir oralmente aos media que o Porto ensinou-me muita coisa e fez-me crescer (…) e (…) amo o Porto e estou contente por estar aqui (…), revela que o F. C. Porto geriu a comunicação no respeito pela identidade própria que foi construindo nos últimos anos, através de atitudes inequívocas que respondem, em simultâneo, a quem assobia Quaresma, aos media que tentaram desestabilizar o relação Quaresma / F. C. Porto e ao próprio jogador.
O facto de a qualidade da comunicação estar cada vez mais associada à oralidade do que às atitudes, provoca em muitos aprendizes de feiticeiros, ávidos de projecção mediática, a ânsia de dizer coisas, muitas e a ritmo assinalável. Por outro lado, os próprios media alimentam e amplificam, focados nas audiências, o insólito e o grotesco - a projecção, afinal, da frivolidade e do voyerismo em enlatados de entretenimento que caracterizam a sociedade que vivemos hoje.
Contudo, a gestão da comunicação institucional, não podendo marginalizar-se deste contexto, deve resguardar-se do aproveitamento e natural amplificação de factos menos positivos, através de um comportamento revelador de atitudes coerentes e eticamente comprometidos com a defesa da própria instituição.
É por tudo isto que mesmo será muito difícil o F C Porto manter este registo de qualidade, que Pinto da Costa construiu e inteligentemente preserva, quando chegar o dia em que for obrigado a encontrar alguém que o substitua.

A fragmentação extrema da divisão social corresponde (…) à nova tendência tecnológica para o «ligeiro» (…)
Têm-se apontado (…) os aspectos risíveis das inovações tecnológicas modernas, a sua proliferação de acessórios, as suas aberrações de funcionalidade absoluta (…)
O tecnológico tornou-se porno; o objecto e o sexo entraram, com efeito, no mesmo ciclo ilimitado da manipulação sofisticada, da exibição e da proeza, dos comandos à distância, das interconexões e comutações de circuitos, de «teclas sensitivas», de combinatórias livres de programas, de existência visual absoluta.

Gilles Lipovetsky, A Era do Vazio (1983)

uma criação de Zs2 Creative

Um hospital novo em Sintra assim tão pertinho de Lisboa? 30 kms?
Não, não me acredito! De certeza que tal como em Chaves, Mirandela, Anadia, Elvas, etc, o Sr. Ministro da Saúde vai mandar uma ambulância do INEM! Só pode ser!

A vida assim é outra coisa! Saber que há gente que sabe quais são os meus interesses, os dos outros e os de todos em conjunto dá-me uma segurança…, uma tranquilidade…uma paz de espírito…

Para mim, o importante é o interesse nacional e interesse nacional aconselha a que o Tratado de Lisboa seja aprovado por 27 Estados membros (Cavaco Silva no Público)

Adoro a Europa que não conheço!

A propósito da actual gestão do Serviço Nacional de Saúde, que aposta na concentração de serviços sem preocupações sócio-antropológicas como a da proximidade proponho, para reflexão, a leitura deste post do Francisco José Viegas e este outro do Besugo onde o primeiro se inspira.
O acto de gerir serviços públicos essenciais aos cidadãos deve contar os princípios de rentabilidade e eficiência, sim, mas contextualizados com as identidades e culturas locais das comunidades. Gerir bem é gerir de forma rentável, garantir a eficiência de processos e a eficácia de resultados, mas sempre, sempre com o primo fundamento de servir. Servir, aliás, é uma atitude cada vez menos presente nas tomadas de decisão dos gestores da coisa pública. Este erro de apreciação, i.e., o desprezo pelo pulsar dos potenciais clientes, numa empresa privada seria fatal!

Ontem, Domingo, Leonel Vicente (autor de Memória Virtual, Carreira da Índia e Tomar) foi o convidado de Pedro Rolo Duarte no seu programa da Antena 1. O tema foi a blogosfera e convido a ouvir as suas opiniões assertivas e isentas de maniqueísmos axiológicos sobre estes quase 5 anos de blogosfera portuguesa. (clique para ouvir aqui)

A primeira medida no campo da inovação não tardou:

Entre os países da zona euro, nenhum, excepto Portugal, arrisca inscrever uma taxa de crescimento do PIB em 2008 superior à de 2007. (via Público)

Ora nem mais. Prontidão na acção é o que distingue!

Em Straight Ahead Joshua Redman glosa sobre St. Thomas de Sonny Rollins de forma sublime. Defunto o Free Jazz, Joshua Redman representa um dos expoentes máximos da nova geração de saxofonistas tenor que busca inspiração na tradição afro-americana da sua música - o Jazz.


Joshua Redman - saxofone tenor, Jonny King - piano, Christian McBride - contrabaixo, Brian Blade - bateria

Bom fim-de-semana.

A confirmar-se a notícia de que o Banco de Portugal conhecia as jogatinas do BCP em “off shores” desde 2001 (coisa que, de facto, ninguém falava nem tão pouco suspeitava…), em que posição fica Vítor Constâncio?
Ora, na mesma, na de que conhecia! É esta “mão invisível” que nos vai governando! Não é, afinal a mesma opaca mão que resolveu o desenlace da OPA sobre a PT?
Não sei mesmo sobre a visibilidade da mão, mas que se trata de negócios conduzidos por mão firme, isso ninguém me tira a ideia!

LaranjasSó desta.
A da laranja. Mesmo só.
Quanto a outras, tipo casca grossa de bicho que mexe como bípede e fala, foi ela que, em boa hora, me fez optar por viver em Beringel. Aqui há pouca! Também pouca instrução; parca erudita bagagem. Mas culta, culta na sabedoria de saber viver em comunidade, onde somos diferentes entre iguais. Gente educada, sem casca grossa, e pouca, muito pouca gente fina!

Vem isto a propósito de quê? Ah, sim, já me recordo! Foi 2ª feira passada, numas conferências públicas a que fui assistir numa instituição de ensino superior de Lisboa, quando, no final de uma delas, me preparava para cumprimentar o conferencista, alguém, se acercou de nós e disse:

- “Quem não é daqui faz favor de sair!”

E eu saí!
Sabia que não era o porteiro (tinha-me tratado com a maior gentileza), tendo mais tarde sido informado que a tal insolente personagem é professor da instituição, por acaso o conferencista seguinte que, também por acaso, não tinha assistido às conferências anteriores dos seus colegas e, também com toda a certeza por mero acaso, costuma enviar resmas de emails para divulgação das suas iniciativas!
Tomo, assim, a invulgar iniciativa neste Ideias Soltas de mandar um link para o caralho! Casca grossa só mesmo a da laranja, porque é doce, depois de descascada, claro está! Gente finória fina, dispenso. Há muito! Não por acaso, mas por uma questão de higiene e saúde mental!

Estou ansioso por deitar a mão ao CD dos A Imagem da Melancolia, com o título A Arte da Usurpação, com o seguinte alinhamento:

La Ragione (pavana e saltarello) P. HessenA Imagem da Melancolia
La Morte della Ragione Anon

Batalha P. Arauxo
Tiento A. Cabezon
Canção A. Carreira

Daphne Anon
Almaine A. Holborne
The Fairie Round A. Holborne

Pavane, Galliarde, Basse Dance, Branle Simple, Branle Double, Branle Gay, Tourdion P. Attaignant

Fantasia Super Io Son Ferito Lasso S. Sheidt
Paduana, Allemade, Courante, Balletto, Sarabande J. Rosenmüller

Canzona Sopra la Bassa Fiaminga G. Frescobaldi
Sonatella A. Bertali

Os A Imagem da Melancolia é um “consort de flautas” que se dedica à música antiga, composto por: Inês Moz Caldas, Marco Magalhães, Paulo Gonzales, Pedro Castro e Pedro Sousa Silva. Lembrem-me hoje deles por estarem, neste momento, a actuar na Casa da Música, em concerto inserido no festival “À Volta do Barroco”.

Bom, há que aguardar…

O Paulo Bastos teve a gentileza de me enviar o resumo da conferência que proferirá na 2ª feira, às 14 horas, na Escola Superior de Música de Lisboa, sob o título A teoria das notas atractivas - Elementos metodológicos e aplicação analítica nas Seis Peças, op. 19 de Arnold Schöenberg. Aqui ficam:

A Teoria das Notas Atractivas – metodologia analítica em fase de experimentação – assenta nos ideais e fundamentos harmónicos que Edmond Costère começou a apresentar no início dos anos cinquenta, os quais se regiam pela natureza dos próprios sons, sendo que as “leis de atracção” entre uma determinada altura e as suas frequências próximas revelavam que a harmonia era o campo essencial e vital de toda a construção musical.

Paulo Bastos

Na próxima 2ª feira, dia 14, ocorrerão três interessantes conferências abertas ao público no salão da Escola Superior de Música de Lisboa, incluídas na iniciativa “Ciclo de Conferências”, proferidas por 3 compositores: Paulo Bastos, Sérgio Azevedo e Carlos Marecos.

11 horas: Carlos Marecos
Interacção entre estruturas intervalares e estruturas espectrais - Reflexões e Exemplos Musicais;

14 horas: Paulo Bastos (blogue Tónica Dominante)
A teoria das notas atractivas - Elementos metodológicos e aplicação analítica nas Seis Peças, op. 19 de Arnold Schoenberg;

16 horas: Sérgio Azevedo (blogue Tonalatonal)
Léos Janacék: a música dos últimos anos, 1915-1928.

Quando algo acontece de mediaticamente penoso para José Sócrates e seu governo logo no dia imediato ele trata de arranjar um facto positivo que alimente os órgãos de comunicação social!
Assim foi com o anúncio do Director Executivo para as escolas após a divulgação dos resultados do PISA 2006 e assim foi agora com o anúncio do aeroporto para Alcochete após a opção de ratificação do Tratado ontem.
Inteligência política para governar a partir da comunicação social, é um facto.
Pena é que tanta arte e engenho não tenham sido bastantes para governar de forma a que nos governemos!

José Sócrates, ao assumir a ratificação do Tratado de Lisboa em detrimento do referendo, juntou-se a outros políticos que colocam a utopia de uma união política da Europa acima do primo conceito de uma “Europa dos Cidadãos” que nos foi sendo vendida durante décadas, com especial enfoque nos tempos de Jacques Delors.
Essa ideia de uma Europa dos Cidadãos está moribunda, erguendo-se agora uma Europa de políticos para políticos sustentada na ideia de que o que fazem é para o bem dos cidadãos. E esta é a questão ética. E de responsabilidade!
Responsabilidade perante os cidadãos? Não, de todo; perante o escasso escol elitista dos políticos do bloco central europeu. Essa responsabilidade corporativa impõe uma ética (sim, ética, claro) de estreita colaboração e consenso elitista (em prol dos cidadãos), mesmo que colida com aquela outra ética de cumprir os programas eleitorais sufragados pelos cidadãos ou aquela outra da soberania popular agora em rota de colisão com a soberania, não já nacional, mas europeia.
Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus não tomaram uma opção ética, antes optaram por uma ética - aquela que reemerge das brumas dos utopistas de novecentos de que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas bem intencionadas utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussulini e Salazar, os tais que nunca precisaram de auscultar a opinião dos cidadãos para saberem, de seguro saber, o que era melhor para eles.
Adeus Europa dos cidadãos! Adeus democracia?

A Sony BMG, useira e vezeira em bloquear o acesso aos seus produtos sem curar de aprender a livre circulação deles é o melhor meio publicitário, por um lado e, por outro, que o canal de distribuição de música via net está para ficar, anunciou que retirará os códigos “DRM” (Digital Rights Management) por si inventados.
A protecção contra cópias da Sony BMG - DRM - consiste num software inserido no CD que se instala automaticamente nos computadores de secretária que usam o sistema operativo Windows, criando problemas sérios de segurança, pelo facto de interferirem na protecção contra vírus e spywares.
Mas o mercado falou mais alto (ainda se lembram na guerra no início do vídeo entre o sistema VHS e o Beta da Sony nos anos 80?) obrigando a Sony BMG a anunciar que irá retirar esse software dos seus CD’s e abrir-se à venda online. (ver notícia na Folha de S. Paulo)
Com efeito, a WEB 2.0 abriu (e continua a abrir) possibilidades de edição (ver Web 2.0 coloca mercado da música em ebulição), difusão e venda directa de música directamente pelos músicos, sendo que quem está em causa e a perder espaço são precisamente as editoras como avisou, atempadamente, o Paulo Gomes:

(…) a história do “coitadinhos dos músicos que estão a ser tão prejudicados..”? não pega!! Não é bem assim! A industria discográfica (das grandes editoras/distribuidoras/lojas) que abusou durante anos e anos é que está a sofrer.
(…)
As regras do jogo estão alteradas. Os músicos de alguma maneira vão continuar a publicar o seu trabalho.
Os músicos vão continuar a fazer música …. os outros ….. não sei !!!

Após um fim de 2007 bastante atribulado que me impediu o acesso à net, regresso com uma remodelação gráfica do Ideias Soltas baseada na ideia do Google-zero (poupança de energia - ver aqui) e não na utilização das cores que mais gosto.
Aliás, sempre evitei os fundos negros que não são do meu agrado, mas, hélas, eis-me ecologicamente rendido para compensar a nova condição de excluído que a nova lei do cigarro de tabaco me atribuiu!
De regresso, então e, embora tardiamente, bom Ano de 2008.