José Sócrates, ao assumir a ratificação do Tratado de Lisboa em detrimento do referendo, juntou-se a outros políticos que colocam a utopia de uma união política da Europa acima do primo conceito de uma “Europa dos Cidadãos” que nos foi sendo vendida durante décadas, com especial enfoque nos tempos de Jacques Delors.
Essa ideia de uma Europa dos Cidadãos está moribunda, erguendo-se agora uma Europa de políticos para políticos sustentada na ideia de que o que fazem é para o bem dos cidadãos. E esta é a questão ética. E de responsabilidade!
Responsabilidade perante os cidadãos? Não, de todo; perante o escasso escol elitista dos políticos do bloco central europeu. Essa responsabilidade corporativa impõe uma ética (sim, ética, claro) de estreita colaboração e consenso elitista (em prol dos cidadãos), mesmo que colida com aquela outra ética de cumprir os programas eleitorais sufragados pelos cidadãos ou aquela outra da soberania popular agora em rota de colisão com a soberania, não já nacional, mas europeia.
Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus não tomaram uma opção ética, antes optaram por uma ética – aquela que reemerge das brumas dos utopistas de novecentos de que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas bem intencionadas utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussulini e Salazar, os tais que nunca precisaram de auscultar a opinião dos cidadãos para saberem, de seguro saber, o que era melhor para eles.
Adeus Europa dos cidadãos! Adeus democracia?


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7 Respostas to “Tratado de Lisboa – a Ética da União Europeia e a Democracia”

Comentários (7)
  1. Alice diz:

    É essa SIM a realidade, e parece que nos estamos a esquecer e a deixar-mo-nos levar para esse tão visível, próximo e eminente PERIGO:

    Sócrates, Cavaco Silva e companheiros europeus, não tomaram uma opção ética, antes optaram por …. que tem de haver elites charneira que indiquem aos cidadãos o que é melhor para eles. Só que estas… utopias levaram-nos até Hitler, Lenine, Estaline, Franco, Mussolini e Salazar…

  2. Nuno Góis diz:

    Sim de facto parece que nos deixamos levar…Mas o que é que podemos fazer?enquanto os que passam a vida a discutir nos cafés ao chegarem ao dia das eleições pensam que há apenas dois partidos e dali não saiem.

    Quanto a este tratado só vejo uma razão para não se referendar(posto que o sim ganharia facilmente com o apoio do bloco central):manter o povo ignorante em relação a este mesmo tratado, que só sabemos que é de Lisboa.
    Ou então com tantos novos empregos criados o nosso primeiro deve achar importante que a população passe os Domingos a descansar em casa…

  3. Sim, Alice, eles fazem o que entendem ser o melhor para a Europa que eles entendem ser melhor para os cidadãos e nós, para além de não termos sido tidos nem achados, também, amorfamente, nada fazemos para contrariar este status quo! Quando, um dia, começarmos a sair desta letargia poderá ser tarde…! Convém não esquecer que Hitler subiu ao poder através de eleições livres!

    Beijinho e obrigado pelo comentário.

  4. Caro Nuno Góis

    Não creio que o voto seja suficiente para mudar o estado das coisas, uma vez que, como bem diz, a ignorância ou o alheamento está já entranhado!
    Desenvolver uma atitude cívica interventiva e participada parece-me ser o melhor caminho. De momento a falta de uma atitude interventiva faz com que o descontentamento generalizado seja mera conversa de café!

    Obrigado pelo comentário.

  5. ricardo diz:

    as conversas de cafeh nao teem mal nenhum, costumam ser meros combates-de-egos mas tambem sao o pomo de muita cultura ( e as saudades que eu tenho de um bom cimbalino )
    o tratado de lisboa tambem nao tem mal nenhum, eh um mero esquico do que nao vai acontecer
    a guerra surda continua a ser a do dinheiro
    quem tem manda, quem nao tem resigna
    tudo o resto eh treta de quem arranja poder por uns anos
    ninguem vota porque estah tudo demitido
    aqui em inglaterra os escandalos sao mais que muitos
    tenho seguido as coisas porque eh aqui que estou e o cheiro a esturro eh o mesmo que em portugal
    a ideia do civismo eh muito boa quando se vislumbra um futuro seguro
    na selva, quando nao hah presas suficientes, os felinos matam-se uns aos outros
    o Homem nao se comporta muito melhor do que isso
    alias sempre se comportou pior

  6. A guerra surda continua a ser a do dinheiro. Quem tem manda, quem não tem resigna; tudo o resto é treta de quem arranja poder.
    Daqui por uns anos ninguém vota porque estará tudo demitido!

    Nem mais Ricardo! E a gente a vê-los passar…

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  7. ricardo diz:

    eh subtil mas merece registo

    eu escrevi:
    tudo o resto eh treta de quem arranja poder por uns anos
    ninguem vota porque estah tudo demitido
    e tu ah laia de subscreveres o que eu disse puseste isto:
    tudo o resto é treta de quem arranja poder.
    Daqui por uns anos ninguém vota porque estará tudo demitido!

    a diferenca eh obvia mas fascinante

    abraco

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