Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Um hospital novo em Sintra assim tão pertinho de Lisboa? 30 kms?
Não, não me acredito! De certeza que tal como em Chaves, Mirandela, Anadia, Elvas, etc, o Sr. Ministro da Saúde vai mandar uma ambulância do INEM! Só pode ser!


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  1. Rui MCB Said,

    Tiro ao lado Carlos.
    Quanto tempo demora um doente a ser atendido se viver em Cascais? E em Elvas? E Évora? E que tipo de cuidados pode receber em cada caso? É por aqui que deve fazer a comparação. Em muitos aspectos o litoral tem estado muito pior servido que o interior. O que este ministro tem tentado fazer é garantir que isso deixe de ser assim: acabando com os serviços no interior! Mas como lhe disse, vá visitar o hospital de Cascais ou o “Amadora-Sintra” ou tente chegar a Lisboa (aos tantos hospitais que por lá há) percorrendo o IC 19 (mesmo numa situação de emergência). Um hospital para quase 750.000 (o amadora sintra) mais “aquilo” que hoje há em Casais é uma vergonha secreta que subsiste há anos a fio.
    Quanto ao Hospital de Faro (anunciado na mesma altura) acho que já é a 235ª vez que é anunciado. Da última vez anunciaram um pre-fabricado para alargar as urgências, não foi?

  2. Carlos Araújo Alves Said,

    Totalmente ao lado, Rui, numa interpretação literal. Também aprendi, e não me custa a acreditar que os resultados esperados não demorem a surgir na saúde, de que a concentração de recursos e meios é a estratégia de gestão indicada para a melhor eficiência de processos e a eficácia de resultados, mas …

    1 - um a gestão de um Serviço Nacional de Saúde não se compadece sem integrar esses princípios no de serviço aos cidadãos e, nesta perspectiva, a eficácia deveria ser medida não só pela qualidade dos serviços e sua eficácia mas também pela proximidade dos utentes/clientes.

    2 - a separação das partes do todo leva-nos a conclusões estatísticas - de que faz mais falta um hospital em Sintra (e eu até acho que faz falta) do que uma maternidade em Chaves. Esta perspectiva leva-nos, a majorar diferentemente o que não pode ser (ou não deve) quantitativa nem qualitativamente medido - cada pessoa e a sua saúde.

    3 - Tentei escrever com sarcasmo, mas talvez não tenha conseguido porque para mim é tão importante construir um hospital em Sintra, como colocar em funcionamento, com idêntica eficiência e eficácia, um em Chaves, outro em em Elvas, outro em Anadia, outro em Mirandela, outro em Barcelos…, etc

    O que coloco em causa, Rui, não é a melhoria dos hospitais centralizados (parece-me óbvio), mas sim a visão economicista de gestão do Serviço Nacional de Saúde que se alheia de 2 princípios básicos, um da cultura europeia que nos enforma, o da solidariedade e outro, eminentemente empresarial, de prestação de todos os serviços contratados em tempo útil aos clientes que os pagam obrigatória e antecipadamente.

    Ainda deixo uma outra reflexão, Rui, até que ponto não se estará a fomentar como “bola de neve” um efeito de “peixe de rabo na boca” através da construção de infra-estruturas na área da grande Lisboa. Por um lado, temos o fenómeno de atracção migratória da grande metrópole e por outro, nada fazendo para o combater, assumimo-lo e usamos as contribuições de todos para o intensificar! É um interrogação, mesmo, Rui, sobre a qual reflicto, mas não tenho certezas para além das expostas no enunciado.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  3. Nuno Góis Said,

    Gostei bastante de ler, não tanto o artigo, mas a resposta e passo a explicar: é evidente que todos queriamos hospitais em toda a parte e que o nosso S.N.S é das maiores vergonhas que nos oferece este país( há tortura em Portugal basta frequentar os nossos hospitais), mas não será uma grande incoerência estarmos ou estarem sempre a falar em descentralizar e só centralizam tudo o que há de essencial( até hospitais e maternidades )sempre que podem?
    E não é que podem sempre?
    Um abraço

  4. Carlos Araújo Alves Said,

    Essa é uma questão pertinente que vai para além da gestão do Serviço Nacional de Saúde, caro Nuno Góis: porque não cessam de falar em descentralização e continuam a agir no sentido da centralização?

    Obrigado pelo comentário.

  5. congeminações Said,

    A discussão por aqui está interessante e eu vou dar a minha achega. Que nos interessa a nós a construção de novos hospitais muito bem equipados se depois os técnicos de saúde não são suficientes ou se são não têm capacidade de resposta para as necessidades das populações que a eles ocorrem. Um abraço do Raul

  6. Carlos Araújo Alves Said,

    É verdade, amigo Raul, mas apesar de ser um problema diverso, aí acho que a política de concentração em curso poderá ter melhores resultados na gestão de recursos humanos. A ver vamos…

    Abraço e obrigado pelo comentário.

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