No final da reunião, o director do Conservatório Nacional, Wagner Diniz, apontou como positiva a garantia dada pela tutela de que quaisquer que sejam as orientações para o ensino artístico haverá sempre um período de transição. (Público)

Assim não, Prof. Wagner Diniz! Assim não vale mesmo a pena!

Coloco aqui o texto da uma petição Defesa do Ensino Artístico em Portugal para lerem, LEREM, LEREM!

Ex.º Senhor
Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Ex.º Senhor
Primeiro-Ministro de Portugal
Engenheiro José Sócrates

Nós, abaixo assinados, vimos, por este meio, sensibilizar Vs. Exs., enquanto representantes máximos de Portugal, para travarem, dentro do estrito respeito pela Vossas superiores competências, a pretensão do Ministério da Educação de alterar o Sistema Educativo Português, no que à Educação Artística diz respeito, nomeadamente ao Ensino Artístico Especializado, pelo facto de se basearem no relatório final de Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, que carece, por falta de rigor metodológico, de validada científica, seja por não englobar, na equipa que o elaborou nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamento junto das cerca de 100 Escolas de Ensino Especializado de música, dança e teatro, públicas e privadas, reconhecidas e financiadas pelo próprio Ministério da Educação.

Considerando que entre as recomendações dos participantes da Conferência Mundial de Educação Artística promovida pela UNESCO, ocorrida em Lisboa de 6 a 9 de Março de 2006, podemos ler:

- Reconhecer o valor das práticas e projectos de sucesso na área da Educação Artística, desenvolvidos a nível local e culturalmente pertinentes. Reconhecer que os projectos futuros devem reproduzir as práticas de sucesso até agora aplicadas;

- Dar prioridade à necessidade de uma melhor compreensão e de um reconhecimento mais profundo por parte do público das contribuições essenciais dadas pela Educação Artística aos indivíduos e à sociedade;

- Traduzir a crescente compreensão da importância da Educação Artística na alocação de recursos suficientes de modo a traduzir os princípios em acção, criar um reconhecimento acrescido dos benefícios das artes e da criatividade para todos e apoiar a concretização de uma nova visão das artes e da aprendizagem;

- Estimular o desenvolvimento de estratégias de aplicação e de controlo com vista a garantir a qualidade da Educação Artística;

- Dar à Educação Artística um lugar central e permanente no currículo educativo, financiando-a adequadamente e dotando-a de professores competentes e de qualidade;

- Conceber políticas de investigação nacional e regional no domínio da Educação Artística, tendo em conta as especificidades das culturas ancestrais e dos grupos de populações vulneráveis;

- Garantir uma continuidade que vá mais longe do que os programas governamentais nas políticas públicas dos Estados sobre Educação Artística;

- Integrar as artes no currículo escolar e na educação informal;

- Tornar a Educação Artística disponível dentro e fora das escolas a todos os indivíduos, independentemente das suas aptidões, necessidades e condição social, física, mental ou situação geográfica.

Parece-nos que:

1 – Sem prejuízo da validade de outras formas de educação artística, as Escolas de Ensino Especializado representam, no seu todo, o projecto de sucesso mais bem conseguido em Portugal na área da Educação Artística, seja qualitativa seja quantitativamente;

2 – A retirada do financiamento prevista pelo Ministério da Educação ao ensino especializado no 1º ciclo às Escolas de Ensino Especializado é uma inadmissível medida socialmente discriminatória, que contribui para a não inclusão social, e que reduzirá drasticamente a qualidade da Educação Artística;

3 – a extinção prevista do regime supletivo pelo Ministério da Educação e a adopção do regime integrado não promove, de imediato, a almejada interacção de saberes e conhecimento pelo facto de, nem Pais, nem docentes de outras áreas de saber, nem alunos estarem preparados para valorizar a Educação Artística como tão fundamental para a formação de identidades nem para o desenvolvimento da Pessoa, exigindo-se por isso a manutenção do regime supletivo e uma aposta no regime articulado como preparação para um futuro regime integrado pleno de convicção e adesão social.

Nesta conformidade, vimos solicitar a V. Exs. para travarem qualquer alteração ao Ensino Artístico Especializado sem um prévio, mas cientificamente válido e profundo, estudo da Educação Artística em Portugal, elaborado por uma equipa com relevante experiência na área específica, que corresponda e dê resposta aos quesitos acima mencionados transcritos e internacionalmente aceites.

Atentamente

De V. Exs.

os abaixo assinados


LEIAM e se estiverem de acordo ASSINEM e DIVULGUEM!

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4 Respostas to “Ensino Artístico Especializado – assim não vale a pena”

Comentários (4)
  1. Pianoman diz:

    É melhor não acreditarmos em tudo o que lemos. Estive na reunião e de acordo com o que ouvi o Prof. Wagner Diniz dizer lá dentro, não me parece que tenha dito isso cá fora aos jornalistas.

  2. Eu não queria acreditar, mesmo, estimado PianoMan! Só espero que o Prof. Wagner Diniz desminta, rapidamente, o que está no “Público” e, por outro lado, convém, já agora desculpe, ler o alcance do texto de cada uma das petições.
    Como já disse, concorrem, mas são complementares: uma está vocacionada para a defesa da Escola de Música do Conservatório Nacional enquanto outra está dirigda para assegurar que não haja qualquer alteração sem que seja feito um estudo rigoroso, uma vez que aquele em que o Ministério se baseia que não tem validade científica bastante.

    Aguardemos, então, que o Prof. Wagner Diniz desminta o que o “Público” via “Lusa” escreveu.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  3. Helena Lima diz:

    Caros senhores
    Sou professora na EMCN e estive ontem na reunião. Foi evidente a vontade de dividir para reinar, tendo o secretário de estado proferido várias declarações tanto falsas como injuriosas, quer em relação à direcção como aos professores e pelos vistos o “vírus” propagou-se à imprensa! Quem esteve na reunião poderá dizer o mesmo que eu: foi negada pelos docentes, pais e direcção da escola – inclusivé professor Wagner (COMO É ÓBVIO) qualquer período de transição, e estamos a falar especificamente do regime supletivo. O secretário de estado disse igualmente que nos outros conservatórios está tudo a correr às mil maravilhas, só nós estamos a dar problemas – e, por exemplo, as declarações que a imprensa divulgou do professor Manuel Rocha (direcção do Conservatório de Coimbra) corroboram esse aspecto – mas trata-se de novo de manipulação, pois quem falou com ele sabe o que ele pensa – e diz, e não corresponde ao que saiu escrito nos jornais. Em contacto com colegas de Coimbra pude-me certificar de que também eles estão deveras preocupados com a possibilidades de extinção das iniciações e do supletivo – estão contra.
    Mais do que nunca este é o momento de estarmos unidos e de termos consciência de que o que está a ser divulgado para a imprensa é manipulado e, muito provavelmente, controlado, de alguma forma, pelo ministério, com o objectivo de dividir, de desmobilizar. A reunião de ontem tinha como objectivo anular a manifestação que se está a preparar para segunda-feira à porta do Conservatório assim como outras iniciativas que virão a ser realizadas, e a imprensa está também a “querer” dar uma ajuda. É preciso estarmos unidos e termos a certeza de que estamos todos “afinados” para o mesmo propósito! Helena Lima

  4. Estimada Prof.ª Helena Lima

    Perante as suas palavras e as do estimado PianoMan aceito a tese de manipulação dos órgãos de comunicação social por parte do Ministério da Educação.
    Peço ainda à estimada professora se autoriza a utilizar este seu comentário num post que denuncie isso mesmo – a intoxicação dos media.

    Muito grato ficaria com uma resposta.

    Obrigado pela sua pronta atenção

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