A Ministra da Educação fez saber que anulava a reunião que tinha agendada com a Escola de Música do Conservatório Nacional alegando falta de condições de trabalho.
Pois é Senhora Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, não há mesmo condições para continuarmos a ter de aceitar semelhante arsenal de atrocidades, soberba e inverdades.
Assuma as suas responsabilidades, minha senhora!
Entretanto o programa da concentração frente ao Conservatório Nacional continua conforme o anunciado.
Tags: Conservatório Nacional, Educação Artística, Ensino Artístico, Ensino Artístico Especializado, Ensino Artístico Especializado petição, Maria de Lurdes Rodrigues, Ministerio da Educação, Petição
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19 Respostas to “Ministra da Educação anula reunião com Conservatório Nacional”
Comentários (19)























o grito do teu blog devia espalhar-se por todos os blogs desse pais.
Sera assim tao dificil?
abraco
Pois eu estou muito divertido com esta reforma, aposto nos AEC’s, e anseio ser “mobilizado” para as escolas primárias.
Ora vejamos os seguintes pontos, oferecendo ao ME novas propostas de modo a enriquecer mais ainda, a nova reforma do ensino especializado da música e não só:
-Abordando primeiro o ensino especializado da música, pressinto um grande entusiasmo por parte das famílias do milhão e meio de alunos, o ter que investir em instrumentos tais como o violoncelo, a harpa, o oboé ou o fagote (etc), que rondam, numa fase inicial, custos entre os 1000 e 5000 euros por cada instrumento (tal como o ensino especializado da música exige). As crianças passarão a ter que estudar uma média de duas horas diárias em casa, de modo a garantir progressos, com um acompanhamento indispensável e rigoroso dos pais que ficarão, estou certo, encantados com a mudança. Confesso que observava com preocupação, mas de mãos atadas, o desequilíbrio emocional daquele um milhão e meio de alunos, perante a impossibilidade de vir a estudar um dia os maravilhosos concertos de Rachmaninov, as 6 sonatas e partitas de Bach e toda a vasta obra de Debussy. Com esta reforma, pais e filhos podem finalmente aliviar as suas angustias, pois graças à Sra Ministra, os vossos filhos, quer queiram quer não, com ou sem vocação, terão acesso ao ensino especializado da música.
Mas, de modo a não desequilibrar o ensino nas escolas, deveríamos aperfeiçoar todas as vertentes, seguindo o mesmo raciocínio da Sra Ministra que é, verdade seja dita, genial!
-A ginástica nos ginásios club, são destinados igualmente a uma elite restrita, desfavorecendo vergonhosamente um milhão e meio de alunos, que anseiam vivamente dar saltos em altura de 5 metros, fazer acrobacias no trapézio, e sempre que possível, correr a maratona. A primeira medida a tomar será exigir ao Sporting o ensino integrado para os alunos que queiram seguir desporto como profissão, e oferecer aos alunos da primária o mesmo tipo de ensino.
-O desenho é outra falha gravíssima do nosso ensino, e é aliás um assunto muito debatido entre os pais de um milhão e meio de alunos, como é possível não haver um ensino especializado de design nas escolas primárias. As crianças precisam de substituir os desenhos de patinhos e balõezinhos, pelo desenho, com toda a perfeição geométrica, da pirâmide do Louvre!
-E para terminar, o ensino especializado do teatro e cinema está muito aquém das expectativas, e é uma lacuna imperdoável! É urgente pôr aquelas crianças todas a decorar Shakespeare, Camões e Racine! Prevejo a euforia de um milhão e meio de alunos!
Acho que sim. Portugal está no caminho certo, e resta-me felicitar a Sra Ministra e seus conselheiros pela admirável reforma, dando provas de um total conhecimento do assunto, e um empenho formidável. Poderiam ter optado por ficar calados. Mas não. Optaram por, após longos estudos importantíssimos e que, sobretudo, faziam muita falta, abrir a boca. Bravo!
pois a mim fez-me muita impressão ver esses meninos e papás do conservatório nacional cantar (mal) o Acordai. Deviam ser proibidos já que FERNANDO LOPES GRAÇA nunca pôde ser professor nessa escola e não fora a ACADEMIA DOS AMADORES DE MÚSICA, talvez até fome. e já agora, sou só eu a achar a Academia dos Amadores, o conservatória da Metropolitana, o Vitorino Matono, a Liga dos amigos das crianças, a Academia de Santa Cecília, etc, etc, escolas muito, muito melhores que esse conservatório Nacional (que tem uma história quase miserável de subserviência e conservadorismo)? Usem os miolos! Deixem de se governar por ideias feitas por outros! MUDAR O CONSERVATÓRIO É PRECISO, E JÁ!
Épa! já não bastava o jornal Público a fazer fretes à ministra! agora até ao ideias soltas vêm largar fretes e atrocidades sobre aquilo que não sabem! por um lado é bom sinal, andam incomodados…
incomodados porquê? fique sabendo que os meus filhos frequentam uma escola pública de música no regime articulado, um privilégio pago pelo estado português. só que não andam lá para brincar…é mesmo para serem músicos
Obrigado, Ricardo, mas não grito, estou seguro da minha honestidade intelectual.
Abraço
Com ironia se diz tudo AEC’s! Vamos para o enriquecimento curricular! Os alunos não aprenderão, mas ficarão ricos…
Cara Isabel
Pelo que escreve não vejo, francamente, razões para que não possam coexistir os três regimes – o supletivo, o articulado e o integrado. Eu defendo os três porque respondem a carências de educação diversas. Não alcanço porque é que teremos de ser obrigados a optar por um.
Obrigado pelos comentários.
Cara Ana
Não encontro justificação para me desviar do que é essencial – a defesa de uma educação artística de qualidade para todos. Por isso estou sereno.
Obrigado pelo comentário.
Caro Carlos
Só que os resultados do regime suplectivo deixam muito a desejar, ou nao? Ou devemos fechar os olhos e perpetuar este sistema só porque sim? Porque o regime suplectivo foi importante para algumas pessoas: bem sei que os músicos das bandas militares (alguns dos melhores do mundo) fizeram assim os seus cursos, só que os tempos sao outros agora. E nem vou falar do meio social dos alunos do conservatório! Pessoas humildes vi-as no Vitorino Matono. Mas desses ninguém quer saber, nao é? O que interessa é vir para a televisao dizer que o conservatório vai fechar já em Setembro. Será má fé ou só ignorancia?
Ignorância, pela certa, pois o conhecimento é sempre, por natureza, um “constructo” inacabado.
Má fé, não, definitivamente. Não porque nada me move contra ninguém! A única coisa que peço, porque considero exigível para a tomada de decisões seja em que área for (peço desculpa mas assim aprendi a trabalhar) é que não se tomem mais medidas na Educação Artística (tem sido o que se tem feito desde o 25 de Abril até agora) sem antes apurar, com rigor, o estado em que se encontra para se poderem delinear políticas para o futuro.
Quantos aos resultados, pois, nada temos de credível. Há que apurá-los, mas sem ter receio de dizer (sem cair em demagogias fáceis de democraticidade porque o ensino artístico especializado é gratuito nos regimes articulado e integrado tanto nas escolas públicas como particulares e cooperativas e nunca elas se fecharam a esses regimes) que foi o regime supletivo que mais músicos formou. Aqui e em qualquer país da Europa ocidental. Não quero (porque seria falacioso) dizer que seja melhor que os restantes, apenas porque é o mais implementado.
Muito obrigado pelo comentário.
Caro Carlos
basta ver o trabalho que está a ser desenvolvido nas escolas profissionais de música para perceber o que um regime articulado/integrado poderia proporcionar! Porque eu estou a falar de formar músicos! a parte lúdica, o aprender a ser um melómano, etc, etc, não cabe na minha visão do que deve ser um conservatório. Para isso, há sempre a opção do professor particular como outrora nas casas os burgueses. Há que separar o ensino a sério da brincadeira. E um conservatório nacional não se pode dar ao luxo de ter alunos de tempos livres! Grata pela sua paciência
Cara Isabel
Eu tenho muita dificuldade, também, em associar o adjectivo “lúdico”, “entretenimento” ou “actividades extra-curriculares” à Educação”. Assim, educação artística é ensinar e aprender no quadro do desenvolvimento pessoal de cada e todas as pessoas. Se vão ser músicos profissionais, a seu tempo se verá, mas mesmo que de antemão não pretendam ser defendo uma educação artística de qualidade e curricular desde o pré-infantil. Seria até interessante ver quantos alunos não concluíram com êxito o 8º grau de uma escola de ensino artístico e não seguiram engenharia, medicina ou agricultura! O que é que eles perderam em aprender música, teatro ou dança com seriedade? A meu ver nada! Só ganharam, eles e todos os artistas, porque é também por essa via que se constroem os públicos necessários para que haja uma indústria cultural pujante que seja obrigada a recorrer cada vez menos ao subsídio público.
Colocadas as coisas nestes termos, é evidente o excepcional trabalho que algumas escolas profissionais têm desenvolvido (de repente lembro-me logo de Espinho da Artave e da AMEC), mas não podemos esquecer que se estas tiveram sucesso mais de 10 encerraram!
Por outro lado, quem alimenta aquelas boas escolas profissionais? O ensino regular? As escolas privadas de carácter lúdico-entretenimento que começam a aparecer um pouco por todo lado? Ou não serão os adolescentes que receberam uma educação artística de qualidade nas escolas de ensino artístico especializado, sejam elas públicas ou privadas?
Repito o que disse, é preciso apurar com rigor o que de bom está a ser feito com total abertura e vontade de conhecer e não apontar metas que ninguém entende por falta de fundamento científico.
Muito obrigado pelo comentário.
Estive a ler os vários comentários e em respeito pela opinião de cada um gotava de fazer as seguintes considerações:
é verdade que o “Acordai” poderá não ter sido muito bem cantado (embora como não vi a reportagem em que, segundo parece, passou, não posso avaliar). Mas o objectivo não era de todo que saísse musicalmente perfeito, o que seria complicado face às condições físicas do espaço e ao número de pessoas presentes, mas sim com verdade e intenção, e isso posso garantir porque estive lá: foi profundamente sentido. E adequado.
É certo que Fernando Lopes-Graça foi proibido de leccionar no Conservatório por um regime ditatorial que impediu igualmente vários opositores ao regime de leccionarem em tantas outras escolas (como Bento de Jesus Caraça, entre outros); mas não me parece que várias décadas depois o Conservatório, com os seus alunos e professores, tenha de continuar a expiar uma falta que não lhe é devida; devo lembrar inclusivamente que foi o mesmo regime ditatorial que anulou uma reforma nos anos 20 do director de então, Luís de Freitas Branco, que teria colocado o Conservatório Nacional entre as escolas mais modernas da Europa… Além disso Fernando Lopes-Graça é uma figura incontornável da cultura portuguesa e europeia, em que me revejo muitas vezes e que alimenta muitas das minhas reflexões. O facto do eu ser professora no conservatório não é impeditivo ou proibitivo desta minha, chamemos-lhe, apropriação. Nem dos alunos que o estudam e tocam (curiosamente há dois anos houve um concurso Lopes-Graça, que envolveu alunos das iniciações ao complementar);
não me parece igualmente que o mote desta agitação que se tem feito sentir em torno da “refundação” seja o confronto entre o conservatório e as outras escolas, particularmente as privadas (já que a Isabel cita só escolas privadas). E sobre esse respeito posso falar com alguma propriedade: leccionei no Instituto Vitorino Matono (do qual guardo muito boas recordações e amigos); na Escola de Música de Linda-a-Velha (da qual guardo muito boas recordações e muitos amigos, e que considero uma escola de referência);na Escola Profissional de Almada (embora tenha sido uma curta passagem de dois anos, que me deu também alguns amigos entre alunos que hoje são professores no Conservatório). E muito menos está em causa o bom trabalho que escolas particulares ou profissionais fazem. Mas convém que o nosso conhecimento se actualize! Convido quem quiser a saber o que se passa hoje em dia no Conservatório: vão assistir a algumas das audições; ou a apresentações dos seus alunos ao longo do ano em vários locais de espectáculos da cidade e proximidades(São Luís, Olga Cadaval, Jardim da Regaleira, …); vejam a constituição dos coros da Gulbenkian ou do São Carlos; vão assistir à próxima Semana Aberta (entre 10 e 15 de Março de 2008) onde todas as classes se apresentam… Vejam os vídeos dos espectáculos que temos realizado (por exemplo a Arca de Noé em Julho passado), ou os vários CD’s disponíveis de alguns recitais; ou leiam o Boletim do Conservatório (publicação anual das classes de História da Música, que vai na sua 5ª edição…)
Obviamente que estou a falar da minha dama, o que não me impede de poder dizer que é preciso fazer reformas e há muito que o conservatório as vem pedindo, nomeadamente no plano curricular, já que os programas que temos de seguir (embora muito acrescentados para permitir de facto actualização) tenham por base os anos 30. Nenhuma escola é perfeita e “quando tudo está bem, algo vai muito mal” – diz um amigo meu. Todas as escolas têm altos e baixos; mas a vitalidade e qualidade do ensino no Conservatório é notável, com projectos inovadores e audazes. Por isso queremos continuar com o nosso projecto escola e com os três regimes que nele coabitam – integrado, articulado e supletivo, melhorando-o; queremos continuar a desenvolver o ensino desde as iniciações ao complementar; queremos continuar a possibilitar o desenvolvimento das potencialidades artísticas de quem é admitido na escola – e não selecionado em termos económicos – o que cada um faz depois é com ele – se será músico profissional ou não. É por isto que nos batemos. E contrariamente ao que refere Domingos Fernandes nas respostas tristes que dá às questões que lhe são colocadas no jornal O Público de ontem, eu fico muito feliz por saber que o dinheiro dos meus impostos é aplicado no desenvolvimento musical, intelectual e artístico de quase um milhar de jovens que frequentam a nossa escola (dentro e fora das paredes da sede, já que desde há 5 anos o Conservatório tem dois pólos de ensino a funcionar um na Amadora e outro no Conselho de Loures, onde são leccionadas iniciações). Não é verdade que no Conservatório os alunos vão ter aulas “avulso”; não é verdade que o Conservatório seja um “centro de explicações”!
A altura é de estarmos unidos a nível nacional pela qualidade de ensino e pela diversidade que deve caracterizar qualquer projecto artístico, seja ele pedagógico ou não. E estivemos, com a presença de colegas do IGL, de Coimbra, e Aveiro (conservatório e universidade) e com a presença simbólica do Porto, cuja associação de pais do conservatório enviou um comunicado de solidariedade, não podendo estar fisicamente presente na concentração do dia 11. E não sei se será ingenuidade minha ou incapacidade, falta de inteligência, para entender o que se está a passar, mas considero que o discurso da senhora Ministra da Educação no próprio dia 11 na RTP2 mostra algumas brechas na inflexibilidade que tem caracterizado as suas posições: haverá de facto recuo sobre o fim das iniciações nos conservatórios? E sobre a impossibilidade de continuar com o supletivo? … Sobre a questão do supletivo convém não esquecer a importância da manutenção deste regime de frequência para a sobrevivência dos sopros (quantas crianças começam a estudar instrumento de sopro numa banda filarmónica e só alguns anos depois ingressam nos conservatórios e escolas de música? – em condições que não são compatíveis com o formato do integrado ou do articulado); ou a sobrevivênia do curso de canto (que por razões óbvias se inicia em fase mais tardia).
Fomos, particularmente o Conservatório Nacional, acusados de estarmos “equivocados”, e até de sermos “mentirosos” (Antena 1, TSF)pela senhora Ministra; eu quero entender que começamos a mover algumas pedras e que, agora mais do que nunca, não podemos desmobilizar as nossas energias e convoco todos a comparecer na Manifestação agendada para as 15h do dia 15 de Fevereiro, 6ª feira, frente à Assembleia da República, para continuarmos a exigir aquilo que é nosso por direito, por vontade, que pertence à nossa identidade cultural: “os conservatórios são o nosso património”; pela defesa do ensino especializado da música!.
Helena Lima
Cara Helena
A sua resposta deixa-me sem argumentos. Na verdade, só lamento que o ensino da música seja tão desvalorizado em Portugal. E vi, talvez sem razão, nas manifestações em torno do Conservatório Nacional, uma tentativa de perpetuar um sistema que, para mim, há muito devia ter mudado. Pela minha parte, enquanto educadora, quero que mais crianças e jovens tenham acesso à possibilidade que os meus filhos têm de frequentar o ensino de música especializado. E o meu contributo tem sido no dia a dia, explicando o que é, como funciona (e consegui 4 alunos para o articulado na escola dos meus filhos). Grata pela atenção
Muito obrigado pelo contributo, estimada Helena Lima.
Só algumas notas:
1 – não vejo confronto algum entre as escolas de ensino artístico especializado, mas não posso deixar de lamentar o silêncio de muitos e lembrar que não haver confronto é uma coisa, caminharmos juntos é muito mais do que isso;
2 – Não vi brechas na inflexibilidade e muito menos recuo algum. Vi uma diferença no tom e nos modos, mas a manutenção do fundamento das suas intenções manteve-se inalterável.
Aliás, nem passado 24 horas, a senhora começou a agredir verbalmente alunos, pais e professores da Escola de Música do Conservatório Nacional.
Obrigado pelo comentário.
Cara Isabel
Essa é que é uma constante que se tem vindo a agravar – a desvalorização do ensino das artes e das humanidades indispensáveis para uma sã formação da identidade e da cultura dos nossos jovens.
Obrigado pelo comentário.
Cara Isabel, caro Carlos
É a falar que nos entendemos. Só espero que estejamos juntos no dia 15. Já agora, convido-vos a consultar o blogue salvemosconservatorios.blogspot.com onde as propostas que a EMCN apresentou, a 27 de Julho de 2007, ao Ministérios, e relativamente às quais ainda não obtivemos resposta.
Helena Lima
Sempre achei, estimada Prof.ª Helena Lima, a falar e a aprender e a dominar dossiers e preparar intervenções públicas. Achei desde o início e acho agora, sendo por isso mesmo, que coloquei à disposição de quem quiser o Educação Artística FORUM para que todos, livremente e sem constrangimentos, se pudessem exprimir.
Sempre que pretender publicitar algo que entenda necessário e relevante tem sempre à sua disposição o meu email ideiassoltas@gmail.com
Obrigado pelo comentário.