Domingos Fernandes defende o ensino democratizado da música. O ex-secretário de Administração Educativa do Governo de Guterres foi autor do estudo, divulgado há um ano, sobre o ensino artístico especializado que está na origem da reforma que o Ministério da Educação quer pôr no terreno em Setembro. O professor defende o ensino integrado. Afinal, “os conservatórios são escolas secundárias”?, justifica. (Público de 12 de Fevereiro de 2008)
Que esperar de um estudo coordenado por uma pessoa que afirma uma coisa destas na comunicação social? Fazer comparações entre o plano de estudos de uma escola de ensino artístico especializado com uma de ensino regular generalizado é muito próximo, já agora que estamos em comparações, que afinal ser mãe e pai é a mesma coisa pois ambos são pais!
Continua o Sr. Professor Doutor no mesmo jornal:
Os protestos estão muito centrados no Conservatório de Lisboa. Os outros estão a manter um diálogo construtivo com o Ministério da Educação e a procurar ajustar, com serenidade, as mudanças. Depois do estudo, de que sou autor, ter sido divulgado, houve um debate alargado, bastante participado e praticamente ninguém falou dos alunos ou das aprendizagens. Falavam de manter determinada situação… O relatório é “uma”? avaliação, não é “a”? avaliação. E não se refere apenas a Lisboa, mas a todo o país. Portanto, a perspectiva de desenvolvimento vai além de Lisboa. Custa-me ver instituições públicas com dificuldade em participar num processo que visa alargar o acesso ao ensino da música.
1 – Afirma o Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes, e bem, que o estudo não se refere só ao ensino da música. De facto o que lá está é um conjunto de orientações para a Educação Artística em geral sem qualquer suporte de base científica, mesmo no que à avaliação diz respeito. Como pode o Sr. Professor Doutor defender um estudo de avaliação do Ensino Artístico sem incluir no seu grupo de trabalho um único experimentado especialista das diversas áreas – música, dança, teatro, artes plásticas e multimedia…? Como pode o estudo ser válido se a equipa constituída não fez o trabalho de campo que se exigiria para uma correcta avaliação? Quantas escolas de ensino artístico especializado (das quase 100 existentes) visitou o grupo de trabalho?
2 – Praticamente ninguém falou dos alunos e das aprendizagens, Sr. Professor Doutor? Basta correr este blogue na secção Relatório de Avaliação do Ensino Artístico para se constatar que a sua afirmação carece de rigor. Se considerar o arquivo insuficiente ainda poderá visitar o Educação Artística FORUM.
3 – Com que base de rigor é que o Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes sustenta a afirmação de que a intenção é alargar o acesso ao ensino da música? Se a intenção fosse essa bastaria o Ministério da Educação permitir o crescimento das matrículas no regime articulado que é coisa que as Direcções Regionais de Educação durante largos anos impediram no que às escolas particulares e cooperativas diz respeito Coisa que não consta do seu relatório)! Por que razão é que o crescimento das inscrições no regime articulado foi congelado se a intenção será, parafraseando o Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes, alargar o acesso ao ensino da música?
4 – O que é para o Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes alargar o acesso ao Ensino Artístico? Desenvolver uma política de divulgação junto dos pais no sentido de aproveitar as boas práticas das escolas de ensino especializado ou meter tudo nas escolas de ensino regular na tontice do regime facultativo de “Enriquecimento Curricular”??
5 – Com que base científica pode o relatório do Ensino Artístico e o Professor Doutor Domingos Fernandes sustentarem que o regime integrado é melhor (para o desenvolvimento da Educação Artística em Portugal) do que o articulado ou o supletivo? Não se encontra no referido relatório qualquer base de sustentação rigorosa para essa afirmação, nem encontramos por essa Europa fora nenhuma prática que corrobore o que defende, sendo, afinal e tão-só, uma impressão!
Há condições físicas e humanas para esse alargamento? (pergunta jornalista)
Estamos num país que demora 30 anos a discutir isto e aquilo. Nunca há condições, porque as pessoas querem manter-se instaladas nos seus postos. A ideia do ministério é alargar a base de crianças que têm acesso ao ensino especializado, abrindo a possibilidade de mais meninos e meninas terem lugar nas escolas públicas a aprender música. O projecto visa ter um conjunto de conservatórios que funcionem como âncora – os que já existem e os que venham a ser criados, públicos ou parcerias público/privado – a outras escolas públicas com condições para ter cursos básicos de música. Esses conservatórios devem ser escolas de excelência, espalhadas pelo país. O que propusemos é que o ensino seja potencializado para que mais alunos tenham acesso.
6 – Tem razão o Professor Doutor Domingos Fernandes ao afirmar que andamos há 30 anos a discutir, mas em boa verdade, agora não se discutiu – entregou-se o assunto ao parecer de um grupo que nada tem a ver com o Ensino Artístico Especializado, não o conhece, nem desenvolveu o necessário trabalho para o conhecer! Será que precisaremos de outros 30 anos para que seja constituído um grupo de trabalho com especialistas experimentados para que um estudo de rigor científico seja conseguido? Será que a constituição muito à pressa de um Grupo de Trabalho para Reestruturação do Ensino Artístico Especializado que da área do ensino artístico especializado apenas conta com o director do Conservatório de Coimbra e com o Sr. professor de Português director do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga lhe parece suficiente?
7 – A ver se nos entendemos com as terminologias, Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes:
a) Afirma o Sr. Professor Doutor acima que o estudo que não é a avaliação, é uma avaliação;
b) O Relatório designa-se e passo a citar “Estudo de Avaliação do Ensino Artístico – Relatório Final“?;
c) O projecto visa ter um conjunto de conservatórios que funcionem como âncora;
d) A ideia do ministério é alargar a base de crianças que têm acesso ao ensino especializado, abrindo a possibilidade de mais meninos e meninas terem lugar nas escolas públicas a aprender música.
O que devemos aceitar como certo, Sr. Professor Doutor? O estudo coordenado por V. Ex.ª é apenas mais uma avaliação? O Relatório é final ou não é? Se é uma avaliação entre outras como se pode afirmar que o projecto visa…? A ideia do Ministério? Fico perplexo Sr. Professor Doutor, trabalha-se sobre uma avaliação entre outras, mas que afinal é final, aponta para um projecto definido mas, apesar disso, e Ministério da Educação trabalhará com base em ideias? Não lhe parece um pouco confuso?
Ideias, ideias sobre o quê? O Relatório é ou não final? Tem ou não rigor e validade científica? O Ministério da Educação tem um projecto de intenções e de firmes e rigorosas certezas? Ou, ainda, Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes, será mais uma de entre as milhares de experiências pedagógicas que tem sido implementadas?
8 – Se a ideia do Ministério é alargar a base de crianças que têm acesso ao ensino especializado, abrindo a possibilidade de mais meninos e meninas terem lugar nas escolas públicas a aprender música, o que todos achamos muito bem e louvamos tão elevada preocupação, o que é que isso tem a ver com as Escolas de Ensino Especializado? Alguma vez essas escolas impediram qualquer inscrição a qualquer aluno? Em que que os regimes supletivo, articulado e integrado obstam a que os alunos possam aceder às Escolas de Ensino Artístico Especializado?
A não ser que o Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes defenda junto com o Ministério da Educação que, pelo facto de as crianças deverem beneficiar todas da qualidade do ensino das escolas de ensino especializado, dever-se-á obrigá-las todas a frequentar os exigentes planos de estudos dessas instituições e fazer de cada escola do ensino regular uma escola de artes. Se assim for, Sr. Professor Domingos Fernandes, sinto-me na obrigação de retirar tudo o que desde que publicou o seu relatório venho defendendo.
Agora se o intuito é substituir a exigência de qualidade de ensino das Escolas de Ensino Artístico Especializado por 2 ou 3 “aulinhas”? de artes (assim tipo caldo de artes) até ao secundário, estamos conversados!
Actualmente, apenas um por cento tem acesso. Os conservatórios são escolas secundárias, não podem dar umas aulas avulsas, têm de ter turmas, não podem ser centros de explicações. Não vejo por que é que os meus impostos têm de financiar o ensino supletivo a adultos que já tocam e vão ao conservatório aperfeiçoar-se.
Por que é que os conservatórios não podem manter o ensino para os alunos do 1.º ciclo? (pergunta jornalista)
Essa questão merece ser amadurecida. Haverá boas razões para que esse ensino possa ter lugar nos conservatórios. É uma questão a ser trabalhada.
9 – Visão segura de quem visitou e conhece profundamente as Escolas de Ensino Artístico Especializado e a educação artística! Eloquente, diria! Aulas individuais de instrumento são para o Sr. Prof. Doutor aulas avulsas do género explicações!!! Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes, aulas colectivas de instrumento até ao complementar? Que poderei dizer… Confesso a minha incapacidade para lhe responder! Entramos numa dimensão onde a razão não é operacionante…
Por que é que os conservatórios não podem manter o ensino para os alunos do 1.º ciclo? (pergunta jornalista)
Essa questão merece ser amadurecida. Haverá boas razões para que esse ensino possa ter lugar nos conservatórios. É uma questão a ser trabalhada.
10 – Em que ficamos Sr. Professor Domingos Fernandes, está preocupado com as criancinhas ou com os adultos? Se está preocupado com o acesso a uma educação artística de qualidade para as crianças não há necessidade de mexer em regimes de frequência, mas tão só incentivar os alunos a inscreverem-se nas Escolas de Ensino Artístico, financiá-las para que este seja gratuito para assegurar a igualdade de oportunidades e, por outro lado, trabalhar junto dessas escolas para que elas promovam o ensino de outras artes para além da música (como algumas já o fazem) porque a educação artística quer-se o mais abrangente possível e para todos.
11 – Não podemos nunca defender a “refundação”? que o Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes, colegas do estudo e Ministério da Educação defendem tão-só porque existem alguns adultos (e, entenda-se, que são uma muito pequena minoria) a beneficiar da prestação de serviços que as escolas de ensino artístico especializado promovem.
Assim, Sr. Professor Doutor Domingos Fernandes, não me resta outra solução que não seja a que defendo na petição que elaborei dirigida ao Senhor Presidente da República e ao Senhor Primeiro-Ministro, aqui on line, que defende, por um lado, que nada seja feito no que ao Ensino Especializado diz respeito com base no relatório do estudo que V. Ex.ª coordenou pelo facto de carecer de validade científica e, por outro, que seja encomendado um outro entregue a especialistas de experiência comprovada nas áreas que se pretende estudadas.
Tags: Domingos Fernandes, Educação Artística, Enriquecimento Curricular, Ensino Artístico, Ensino Artístico Especializado, Ensino Artístico Especializado petição, Jorge Ramos do Ó, Ministerio da Educação, Petição, Relatório de Avaliação do Ensino Artístico, Relatorio Avaliação Ensino Artístico























É preciso descaramento, vir esse senhor Domingos Fernandes falar para os jornais e com esse tom completamente descabido, desconhecedor e sem fundamentos nenhuns.
Sobre o INAPTO Relatório para o Ensino Artístico em Portugal da responsabilidade desse tal senhor, que por sinal até assumiu a sua incompetência na Conferência Nacional de Educação Artística, deixo-vos estes excertos do que a seu tempo escrevi:
[1] – (LINK)…E assim, no dia 29 de Outubro 2007 na sala Suggia da Casa da Música na 2ª Sessão, assisti ao ser desmascarado mais depressa do que eu estava à espera, o tal presidente e responsável do Relatório do Ensino para a Educação Artística em Portugal, Dr. Domingos Fernandes. E que envergonhado perante toda a plateia, assumiu peremptoriamente a sua total incapacidade e incompetência, após as violentas palavras de indignação de Rui Vieira Néry dirigidas ao responsável desse mesmo relatório e porque se encontravam na mesma mesa…
(…) porque é que um senhor como o Dr. Domingos Fernandes lá porque gosta muito de Educação como o disse na conferência, em tom de quem se quer desculpar sem mais nem menos, aceita levianamente fazer um trabalho daquela responsabilidade e para a qual não tem competência? É porque agora a autoridade máxima da Educação e até do Artístico em que o Ministério da Educação entregou unicamente nas mãos dos doutos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, e pensam que podem passar por cima de tudo e de todos? Quem os arroga a tanto? Toda esta situação até pode ser considerado de grande assalto e gatunagem a toda uma cidadania que é, como que obrigada a aceitar este tipo de gente incapaz, mentirosa e «mal intencionada»!
[2] – (LINK) As artes não podem ser apresentadas nas Escolas, assim levianamente, por esta gente que tira cursos em faculdades para se verem nesta remediável agência de ministeriais empregos. Estes tipos de cursinhos e em que mezinhas, têm de ser proibidos enquanto antes! É que as crianças, só pelo nome nem se inscrevem, e se são obrigadas pelos seus pais para estarem ocupadinhas com qualquer coisinha que as entretenha e até de bonitinho, depois basta-lhes ir a uma primeira aula, que ficam logo vacinadas, para nunca mais repetirem a dose, é que aquilo é de arrepiar, é que é demasiadamente medíocre. E se aos encarregados de educação ligados às artes, lhes fosse permitido assistirem aquelas aulinhas e, até tivessem a possibilidade de as avaliar, dariam com certeza: nota zero!
E como é que a arte pode ser tida de terapia, é que se a arte é levada por estes caminhos remediados nas escolas, deixa imediatamente de cumprir os seus objectivos enquanto ARTE.
Excelente, fica tudo dito neste post!
vai já o link da petição para a minha loja artística!
abraço
teresa
Excelente! ´
Porque é que eu ainda não vi ou ouvi uma argumentação estruturada como esta nos grandes meios de informação? Porque é que os entrevistados sobre esta questão não respondem desta forma clara e concisa?
A movimentação à volta destas questões está a ver-se!!!
Incrível, nunca esperei…
Caro Carlos, se calhar esta era a altura para dar a voz às pessoas no Fórum? Afinal andamos a escrever tanta coisa no Fórum, e sempre os mesmos, mas deu-me a impressão de que a coisa nunca chegou ao resto do pessoal interessado – alunos, encarregados, professores, etc.! Se calhar o Fórum, ou qualquer outra coisa, um blog por ex., devia existir de forma autónoma do Ideias Soltas. Para a maior parte das pessoas ainda é confuso entrar num site, fazer a inscrição num Fórum (com aviso de virus) e só depois pensar em ler e participar em tudo. Pense nisso.
Abraço.
Olá Laura!
E antecipando-me à resposta do Carlos, concordo quando diz que será altura de dar voz ao FORUM, já eu o tinha sugerido em comentário num dos últimos post’s aqui do Ideias Soltas. Mas perante esta problemática que o Ministério da Educação criou à volta do Ensino e da Educação, por interesses de gentes que se querem agarrar a esta nova forma de fazer dinheiro através da construção de cada vez mais ignorância, muito ainda está para vir, pois não esqueçam que isto ainda é o começo…
Temos a Educação Artística e o Ensino dessa Educação Artística que pelos senhores que são tidos como os maiores conhecedores, os maiores especialistas, os maiores cientistas, afinal é uma grande fraude, que por variadíssimos interesses, nos querem impingir tais pessoas como as tais de Ciências da Educação, que eu não aceito de forma nenhuma e que portanto não irei compactuar com esses estares. E por isso tenho criticado em post’s que oportunamente tenho colocado em meu blogue ali_se ou comento por aqui no Ideias Soltas neste belíssimo trabalho de investigação que o nosso amigo Carlos nos tem já habituado com todo o rigor e respeito para as Artes e o que é artístico.
Quero com isto dizer, que a Educação e a Cultura sempre foram, são e continuarão a ser do domínio público e que por isso mesmo, jamais alguém conseguirá encaminhá-las para âmbitos do foro economicista, mercantilista ou então nesta agora moderna, nova era ou onda do psico-analiticamente correcto de gente oportunista, de pretensões a imediatos êxitos, viradas para a mesquinhice de apontarem o dedo a tudo e todos e sempre sem solução para nada, a obrigarem assim com suas novas leis e estares a que tudo e todos (e já está a acontecer um pouco por todo lado e até nas escolas como se vê…) a uma aceitação de regras de sistemas que são contrárias à nossa existência. Ora vejamos, a exclusão torna-se uma das armas fundamentais, mas encapotadas por uma tal de mentira a ser tida de verdadeira em para esses tais dos instauradores do psico-analiticamente correcto pretendem posteriormente, serem então, considerados de salvadores. Salvadores ou curadores de pátrias, de gentes, de pessoas, de trabalhadores, de aprendizes, enquanto que as bases dessa construção foi baseada numa destruição, porque a tudo e a todos estão dispostos, no apontar de dedos, no arranjar doença para tudo, sem excepção, a facultarem-nos uma nova e única escola e em que aprendizagem no “andar-se sistematicamente à roda de uma nora”.
Assim o que eu pretendo sugerir ao Carlos será que todos estes textos sejam passados para o FORUM, com os respectivos títulos e em seus comentários. E depois a seu tempo, lá iremos dar continuidade. É que FORUM que o Carlos criou e que eu tenho acompanhado e até muito antes de sair cá para fora, deu imenso trabalho, é que ninguém calcula!… E criar um outro blogue, não é a mesma coisa! Depois a seu tempo, veremos, o porquê e a necessidade de tudo isto! E porque muito aí vem, estejam e PARTICIPEM o mais possível!
Um abraço
Alice Valente
Os teus textos Alice, sobre este assunto. É sempre bom relembrá-los porque continuam o tempo não lhes retirou nem actualidade nem pertinência.
Obrigado pelo comentário.
Muito obrigado pelas palavras estimada Laura Pires.
Estimada Sónia A.
O que escrevo está disponível aqui, precisamente em http://ideias-soltas.net
Por outro lado, como se pode constatar, não tenho, propositadamente, nenhuma protecção de direitos de autor, podendo ser aproveitados, transcritos por quem bem entender, louvando apenas o bom-senso que eu uso, de divulgar a origem.
Obrigado pelo comentário.
Estimadas Laura Pires e Ali_se
Com todo o respeito pela vossa ideia e até concordância, não me é de todo possível abalançar-me a esse empreendimento por manifesta falta de tempo. Lamento.
Muito obrigado pela sugestão e empenho.
Obrigado pela referência, estimado Mário Pires.