O tom conciliador da senhora Ministra da Educação que evoquei no post anterior não durou sequer 24 horas! Agora lemos no “Portugal Diário” (aqui e aqui):
- A ministra da Educação acusou esta terça-feira o Conservatório de Lisboa de «arrogância»
(…) a contestação de alunos, pais e professores da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, reflecte «uma resistência muito profunda à mudança» e também a «arrogância» de quem pensa que o trabalho que está a desenvolver «está muito bem feito»

1 – Arrogância, minha senhora? Arrogância de alunos, pais e professores? Assim todos, pimba, aí vai tudo de uma só assentada?

- «A história e a memória não justificam o trabalho que fazemos hoje. Temos que fazer o nosso trabalho e não viver do trabalho que os outros fizeram no passado»

2 – A história e memória não justificam o trabalho que fazemos hoje e é exactamente por isso, senhora Ministra, que devemos tentar compreender por que é que nunca jamais em tempo algum houve tantos e tão bons músicos em Portugal como hoje!

- Maria de Lurdes Rodrigues lembrou que o regime supletivo é «excepcional» e que é preciso fazer prevalecer o regime normal de funcionamento (…)

3 – O que é o “regime normal” de funcionamento, minha Senhora? Fui correr toda a legislação e documentos do seu Ministério e não encontrei essa terminologia em lado algum. O que pretende V. Ex.ª ao certo dizer?

- Sublinhou que a mudança proposta «não é radical» e, em jeito de recado ao Conservatório de Lisboa, referiu que «as reformas não se fazem na rua mas sim no gabinete».

4 – as reformas fazem-se no gabinete? Pois com certeza, Senhora Ministra, e se possível sem consultar os especialistas em cada matéria. Isso todos sabemos!

- «Houve um sinal crítico de que tínhamos debilidades no sistema de ensino artístico na área da música quando foi necessário recrutar professores para o 1º ciclo. Não havia professores em número suficiente. Isso significa que o nosso país falhou na componente de formação de profissionais para o ensino. Falhámos na formação de professores na área da música», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.

5 – Não havia professores para o enriquecimento curricular no 1º ciclo? Não sabia que V. Ex.ª acumulava as funções de Ministra da Educação com as de Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior! Assim sendo tudo ganha sentido, a “refundação” que pretende é certificar os alunos que concluem o ensino complementar numa escola de ensino artístico especializado com uma licenciatura em Ensino de Música! Não tinha atingido…, peço desculpa.

Não há novidade! A estratégia é conhecida e denuncia-a, Ex.ª Senhora Ministra da Educação. Enxovalhar publicamente professores e instituições de ensino parece ser o timbre que deixará do seu mandato! Já assim foi (e é) com os professores do Ensino Regular (ou genérico, como agora se diz).
Ao que isto chegou!


LEIAM e se estiverem de acordo ASSINEM e DIVULGUEM!

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6 Respostas to “Ensino Artístico – Ministra da Educação passa à agressão”

Comentários (5) Pingbacks (1)
  1. D. Sousa diz:

    Parabéns pelo blog!
    Já agora gostava de saber a sua opinião sobre o recente anúncio de alargar a “escola a tempo inteiro” ao 2º ciclo “sendo remetidas para o final do dia as actividades de enriquecimento curricular ligadas às expressões e ao estudo acompanhado, de forma a concentrar na parte lectiva o essencial das actividades associadas à aquisição de competências básicas”(como é referido numa noticia publicada no site Educare.pt em 12.02.2008).
    D. Sousa

  2. Nuno Góis diz:

    “A história e memória não justificam o trabalho que fazemos hoje”.
    Eis a frase mais acertada desta ministra: nada há que justifique o (péssimo)trabalho que está a fazer e como tal é certo que tal senhora nunca entrará para a história, e quanto à memória daqui por 10 anos vamos ver se alguém se lembra dela… E se sim, por que razões.

  3. Muito obrigado pelas palavras D. Sousa.
    Sobre o projecto “Escola a Tempo Inteiro” alargada ao 2º ciclo, parece-me que à boleia de uma escola de defende a não fragmentação do ensino se têm cometido (e pelos vistos irão cometer-se) os mais diversos disparates.
    Sou adepto, até me provarem o contrário, de que a diversidade de conteúdos e de contactos (neste caso professores) só pode ser benéfico para os alunos desde que sejam adequadamente contextualizados. Antes de mais a Educação deveria ter como sentido primo o desenvolvimento da pessoa, sendo que para a formação da sua identidade e cultura tudo o que ao Ser Humano em relação com os outros e com o mundo diz respeito é fundamental.
    Dentro desta linha não posso estar de acordo com uma valoração disciplinar onde se diz e pratica que uns saberes são mais úteis que outros – não há qualquer fundamento que sustente essa peregrina ideia.

    A desvalorização das humanidades e das artes terá a médio prazo efeitos muito nefastos a nível cultural e de inclusão social, uma vez que, ao demitir-se a escola desse desígnio de transmitir os valores e desenvolver um pensamento crítico (a ética, a estética, i.e., a cultura que nos une ou afasta), entrega essa tarefa aos meios audiovisuais que são já quem mais transmite valores às crianças e adolescentes (cerca de 70%) nos estudos europeus que se debruçaram sobre o fenómeno.

    Desculpe a rapidez da resposta, mas num comentário de um blogue dificilmente se poderá ir mais longe.

    Muito obrogado pelo comentário.

  4. Infelizmente, estimado Nuno Góis, tenho a ideia de que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues será lembrada durante muitos anos pelo facto de a maioria das medidas que está a tomar destruírem tudo (o que há de bom e o que há de mau) e, mais grave, sem possibilidade de retorno.

    Obrigado pelo comentário.

  5. Estimado Mário Pires, muito obrigado pela referência.

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