Foi ontem entregue a Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa e a Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro de Portugal a petição “Defesa do Ensino Artístico em Portugal” (colocada neste endereço), a quem estava dirigida, elaborada em acto de cidadania por um cidadão que não é músico nem professor, mas gestor e investigador em política de gestão cultural, que vem há anos desenvolvendo parte do seu pensamento neste blogue. Na entrega estiveram presentes, por ordem alfabéctica: Alice Valente, Dina Resende, Eurico Carrapatoso, Filipa Taipina e Jaime Branco.
Alguns reflexos do acto de entrega da petição nos media:
- SIC Notícias “Jornal das 2″ de 20 de Fevereiro - procurar o sítio e ver
- Expresso de 19 de Fevereiro - seguir link
- Jornal de Notícias de 20 de Fevereiro - seguir link
- Público de 21 de Fevereiro - edição impressa (seguir link e procurar canto superior direito da pag. 11)
- Jornal de Notícias de 21 de Fevereiro - seguir link
Esta última é a notícia mais fiel ao texto da petição, juntamente com a peça da SIC, pretendendo transmitir que existe em Portugal um SISTEMA de Ensino Artístico Especializado com 101 escolas que leccionam música, dança, teatro, artes visuais e audiovisuais, públicas (apenas 6), particulares e cooperativas, que cobrem Portugal de Norte a Sul, e do litoral ao interior e regiões autónomas, tuteladas e supervisionadas pelo Ministério da Educação e, por consequência, afectadas de igual forma por qualquer alteração que o Ministério da Educação promova nesse sistema.
A petição entregue recolheu 4.600 subscrições em 17 dias e baseia-se no facto de denunciar a falta de validade científica do “Estudo de Avaliação do Ensino Artístico” no qual o Ministério da Educação diz fundamentar-se, por não ter integrado no grupo de estudo nenhum especialista das áreas de ensino artístico em análise - música, dança, teatro, artes visuais e audiovisuais - e, por outro lado, pelo facto de se ter fundado numa amostra muito reduzida, apenas 6 escolas, as públicas, num universo de 101 tuteladas pelo Ministério da Educação.
Atendendo a que, empiricamente, constatamos que nunca houve tantos bons músicos em Portugal como hoje, os subscritores da petição “Defesa do Ensino Artístico em Portugal” pedem ao Senhor Primeiro-Ministro e ao Senhor Presidente da República que nada seja feito de (des)estruturante no Sistema de Ensino Artístico em Portugal sem antes se apurar, com rigor, através de um estudo a fazer que inclua especialistas do ensino artístico, as boas práticas existentes, o que não está bem, pode e deve ser melhorado, para depois se poder estabelecer uma política de rigor que reduza o risco de destruir o Sistema existente, por falta de conhecimento.
Entregue ontem a petição aos seus destinatários com as subscrições constantes às 24:00 horas de 15 de Fevereiro, conforme anunciado, purgada daquelas que demonstravam óbvia irregularidade, tomei a iniciativa de juntar uma carta pessoal de apresentação onde aduzia as razões que me orientaram na elaboração do texto da referida petição.
Neste contexto, entregue a petição aos seus destinatários, anuncio que as subscrições serão encerradas amanhã, dia 22 de Fevereiro, às 24 horas, por deixar de fazer sentido prolongar um acto de cidadania que se encontra agora em fase de apreciação junto de Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro de Portugal e de Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa, respeitando, assim, de forma ascendente a hierarquia do Estado Português.
Beringel, 21 de Fevereiro de 2008
Carlos Araújo Alves
ps: neste percurso cabem muitos agradecimentos que, muito em breve, não me escusarei a referir.
tags: Cidadania, Educação Artística, Ensino Artístico, Ensino Artístico Especializado petição, Ministerio da Educação, Petição, Presidente da República, Primeiro-Ministro, Relatorio Avaliação Ensino Artístico
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Caro Carlos Alves:
Tenho visitado regularmente o seu Blog e queria dizer-lhe que é com muito prazer que o faço. Os momentos que aqui passo servem-me para, além de me manter informada com o que considero ser conteúdo sério e rigoroso, me encorajar nesta luta que tem de ser forçosamente participativa.
Parabéns pelo que tem feito pela música e por todos nós.
Até breve,
Cláudia Nelson
Muito obrigado pelas suas palavras, estimada Cláudia Nelson, mas eu é que estou grato a todos os subscritores que acreditaram na pertinência do texto constante da petição que escrevi.
Muito obrigado pelo comentário.
Louvo a forma como abraçaste esta causa. Já tive conhecimento de muitos nomes sonantes da nossa Praça que deram o seu contributo . Continuo porém a achar que nos envolvemos pouco com as coisas que directamente não nos afectam e isso é de lamentar. Espero que este esforço seja coroado de sucesso. As nossas crianças , a música, a arte, merecem-no.
Um beijinho
PS deixei-te um recado no meu canto, desobrigando-te desde já de lhe dares seguimento. Valores mais nobres se “alevantam”
Muito obrigado pelas palavras, Gi. O esforço…, o exercício, dentro da correcção da cidadania requer empenho, sim, mas estarmos vivos depende também disso.
Sei que estou em falta com o Pequenos Nadas, mas lá irei penitenciar-me, sem falta, amanhã.
Beijinho e obrigado pelo comentário.
Não estou mandatada por ninguém para agradecer em nome de todos os que estão envolvidos no ensino artístico especializado - alunos, professores, encarregados de educação e, em última instância, os públicos e os cidadãos em geral, pela petição em nome da defesa do ensino artístico; mas estou segura de que não será desfaçatez ou arrogância dizer-me porta voz desse sentimento colectivo de agradecimento a quem tem, com tanto empenho e rigor, dado uma contribuição fundamental para as questões da educação e da cultura. Bem haja
Helena Lima
Estimada Helena Lima
É claro que o ego regista o afago, mas creia que o importante mesmo é também ajudarmo-nos uns aos outros em atitude de cidadania participada e colaborativa mesmo com governantes que poderão (por que não?), por vezes, não estar a ver a real dimensão e alcance de determinadas realidades e consequências.
A nós compete-nos, cada um com o seu saber e na sua área específica, contribuir para ajudar, mas é evidente que todos, sem excepção, necessitam de reconhecer os seus erros, ter a abertura cívica e querer aprender.
Pelo que me toca sou ávido em aprender e neste processo que a morte concluirá cometi e, seguramente, cometerei muitas imprecisões e erros, louvando, por isso, todos aqueles que me possam ajudar a vê-los e a reconhecê-los.
Grato estou eu a todos, cada um à sua maneira, mas com empenho e rigor, que dão o seu contributo para que não se destrua uma educação artística de excelência por falta de conhecimento, rigor ou más intenções.
Muito obrigado pelo comentário.
Obrigado também, caro Carlos! Por mim falo, e só por mim.
Como não me deixa agradecer… Deixe ao menos elogiar-lhe por toda a força, coragem e capacidade de insistir naquilo que acredita e acreditamos ser essencial!
Bem haja e um grande abraço!
Obrigado sou eu, estimada Laura Pires.
Muito obrigado, estimado Nuno Góis. Neste momento, reconheço, vivo o sentimento de um dever cumprido, mas serenamente expectante da análise e respostas do Senhor Presidente da República e do Senhor Primeiro-Ministro.
Abraço cordial.
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