Fora durante uns dias regresso a um país destroçado porque descobriu através de um vídeo amador que há gandulagem nas nossas escolas e, vai daí, ele é alunos com potencial e promissor futuro de sucesso a gozarem professores, professores a roubar telemóveis e mp3 a alunos, pais que não educam os filhos, morangos que educam, o ministério a dizer que nada tem a ver com este tipo de gandulagem, até o Procurador-Geral a dizer que o melhor é metê-los na cadeia já como medida preventiva.
Tudo isto por existir gandulagem!? Não, porra, que a coisa até tem de ser naquela idade, mas vê-la em vídeo, isso é que não, era o que faltava; a gandulagem quer-se no seu recato pois a sua banalização retira todo o gozo aos que a praticam.
Fiz as minhas gandulices na idade de ser gandulo, mas preocupo-me com gandulos que cresceram sem deixarem de o ser e, ainda mais, com aqueles doutos e redoutos “cientistas” de hoje que nutrem uma psíquica, psicológica e psiquiátrica compreensão e complacência com actos de gandulagem, os quais desconfio que, em idade própria, nunca tiveram tomates para ser gandulos, mas que não se inibem de nos arrolar, em regime de comandita, como “treinadores de bancada” se ousarmos ter a mais leve opinião sobre educação!
Ciente de que devemos evitar olhar para o presente com os olhos do passado, uma coisa é certa no meio disto tudo: no meu tempo o gajo que fez o vídeo e o expôs estava fodido! Levava um arraial de facho que não se endireitaria tão cedo.
Quanto ao resto, pessoal, isto não passa de tornar um vídeo amador num reality show de grande audiência. Nos Estados Unidos o autor era bem capaz de ficar com a vida arranjada! Por cá, não, mandaram-no ir fazer vídeos para outra escola.
Tags: Alunos, Carolina Michaelis, Cultural Management, Educação, Gestão Cultural, Pensamentos, Professor, vídeo






















Parabéns pelo seu texto Carlos! Adorei, ri, muito, muito bem apanhado!
Ora aí está uma perspectiva que de ve ser considerada… Tens toda a razão.
Boa, boa…
Um abraço,
Francisco Nunes
…lembro-me dos bolos
os “sujos” eram 3 irmãos, que viviam atrás de uma porta com 300 anos numa casa com 400. O frio era indizível, o cheiro fétido e os berros às centenas.
Brincámos juntos 4 anos nos intervalos da escola primaria, um chão que, ou era pó, ou um lamaçal de sardões verdes e amarelos
A mesma escola primaria. Um bolo, era uma palmada com uma espécie de colher de madeira grande e portenta, com 5 pregos martelados cujas cabeças estavam a pelo menos 1 milímetro da madeira. Havia sempre ditados, cada erro , cada bolo.
O pequeno almoço dos “sujos” era uma zurrapa de vinho tinto com pão seco. Eu tinha 5 anos quando os conheci.
1965, Gaia, Portugal
Apanhados, estimada Laura Pires? Apanhados foi o que o promissor cineasta fez! Ah, no meu tempo o gajo iria fazer uma sabática a filmar o Real Madrid…
Obrigado pelo comentário.
Isto da Educação, Francisco, é tudo uma questão de perspectiva! Vai-se sempre perspectivando…
Grande abraço.
Vês, Ricardo, vês?! Vês como desde que o Menezes é presidente tudo mudou!!!
Abraço
Uma coisa é gandulagem, outra é falta de educação e outra ainda é falta de respeito pelas hierarquias e pelos mais velhos.
Sempre houve gandulos nas escolas, todas as turmas os tinham; mas não me lembro nunca de ter visto ou ouvido dizer de uma coisa do género. Haveria falta de educação, com certeza, mas seria refreada pela noção de autoridade e hierarquias. Digo eu, que não percebo nada… Já não percebo nada disto.
Pois é, estimada Sónia, uma coisa é ser gandula, outra, mal-criado, outra ainda indisciplinado, sem esquecer, claro, ser desrespeitoso!
Eu também acho que sim, que não percebo nada, até me chamam treinador de bancada, mas o que sei é que ninguém parece querer saber disso! Disso o quê? Do bom-senso! Do bom-senso que é exigir que a escola ensine, que o aluno aprenda e que os pais eduquem!
Não se trata só de uma questão de respeito por…, mas de cada um cumprir com as suas obrigações.
Se os pais educassem para a cidadania, se a escola ensinasse e se os alunos quisessem aprender, ou seja, se todos fossem briosos com as suas obrigações, não estaríamos agora todos a dizer disparates atrás de disparates.
Como se lembrará a Sónia, desde muito cedo mostrei-me defensor da avaliação de professores (não esta), da avaliação da aprendizagem dos alunos (não a que está a ser feita), do estabelecimento de objectivos às escolas (não os que estão previstos) e do gestor de escola não eleito (ver texto de Outubro de 2006, “Marçal Grilo – o Bom Selvagem“), mas isto é uma questão de gestão cultural, por um lado e, por outro, de sacudir o Ministério da Educação de se intrometer em tudo o que se passa dentro de cada escola em vez de lhes colocar metas e objectivos, controlar o seu cumprimento, premiar quem cumpre e atender à implementação das medidas necessárias a quem não cumpre!
Hoje vivemos naquilo que apelidam de complexidade (é tudo muito complexo), mas por isso mesmo convém que quem se debruça sobre estes assuntos, sabiamente, coloque à disposição instrumentos simples, i.e., soluções que simplifiquem os procedimentos de gestão e não outros que tornam ainda a complexidade mais complexa!!!
Obrigado pelo comentário.