Decorrerá hoje no Museu da Electricidade em Lisboa, pelas 15:00, a 3ª edição de Conversas UNICER, que visão reflectir sobre a Comunicação Institucional e a Gestão Empresarial, sob o tema Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?, sendo transmitido on-line neste link.
Esta tarde o orador principal será Bruno Giussani, contando com António Granado, Eduardo Correia, Maria João Nogueira e Paulo Querido (gestor da rede TubarãoEsquilo) como oradores e interlocutores numa discussão sobre blogues, relações públicas, Internet social e empresas.
Tags: Blogosfera, blogs, Comunicação, Comunicação Empresarial, Conversas UNICER, Gestão, Internet, Negócios, Relações Públicas, Web 2.0
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11 Respostas to “Conversas UNICER – blogosfera e comunicação empresarial”
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Olá Carlos!
Estive lá e não achei nada de interessante.
Os da Unicer pretendem ganhar novo público em novos consumidores usando os especialistas jornalistas (bloguistas) convidados. E por sua vez os jornalistas (bloguistas) gostariam que os empresários encarassem a blogosfera com um novo potencial económico. É só charme!
Como nem uns, nem outros entram no que é a verdadeira blogosfera. Está a tentar qualquer coisa, em desvios!
A única coisa que me pareceu viável, ao nível de interesses para aquelas ambas partes ali presentes do negócio, são os da blogosfera começarem a criar empresas de manutenção de blogues para os tais empresários a entrarem e dominarem a blogosfera com muitas vendas. E a fazerem o quê? Uns e outros ainda não percebem muito bem como…!
Uma baralhada de assuntos tratados assim, muito muito ao de leve, genericamente como convém, e unicamente com o intuito de comercializar mais e mais, e parece que também por aqui, agora, com a invasão de uns novos produtos! E falou-se de atitude e de regras, dizendo-se que: blogue não é uma tecnologia é uma atitude.
E muito mais se irá dizer, a tentarem impor e invadir estas áreas com as ideias limitadas de quem quer a todo o custo procurar mais e mais públicos e com que inventivas e comerciais formas de rentabilizar a «coisa».
Irão demorar a perceber que este espaço de bloggers surgiu, devido à falta de comunicação na divulgação das áreas culturais! E da igual necessidade de se comunicar não passiva (tv) mas interventivamente, numa nova reflexão que urge alterar as obsoletas leis de mercado e em suas deficientes formas de lidar com o que é humano!
E porque o que aqui é bem sucedido diz sempre respeito à tal atitude e regras e que serão os tais de valores de ética e estética, presentes nessas mesmas áreas de quem lida com as artes e a cultura – música, livros, espectáculos, concertos, em pensamento, reflexão e na exposição e em diálogo de respeito para com o outro que está nesse mesmo patamar ético.
E será bem difícil, virem para aqui, tentar vender mais e mais irrelevantes e impositivos produtos da cena do económico-política. E porque muitos desses produtos fogem à ética. E por isso aqui não têm lugar! E exactamente porque aqui na blogosfera ninguém quer saber desses jogos e estratégias mercantis.
“Como nem uns, nem outros entram no que é a verdadeira blogosfera”. Devo portanto deduzir que a “verdadeira blogosfera” é a sua. E porque devo deduzir tal coisa? Convença-me com argumentos que a “sua” é que é a “verdadeira”. e que a “deles” não é.
“a tentarem impor e invadir estas áreas com as ideias limitadas de quem quer a todo o custo procurar mais e mais públicos e com que inventivas e comerciais formas de rentabilizar a «coisa».”
O que me impede de ler o seu comentário como uma tentativa de impor e invadir a minha área com as suas ideias limitadas sobre este fenómeno — que do meu posto de observação me parece incomparavelmente maior do que aquilo que a sua visão abarca?
Eu respondo por si: nada me impede, realmente.
“Irão demorar a perceber que este espaço de bloggers surgiu, devido à falta de comunicação na divulgação das áreas culturais! E da igual necessidade de se comunicar não passiva (tv) mas interventivamente, numa nova reflexão que urge alterar as obsoletas leis de mercado e em suas deficientes formas de lidar com o que é humano!”
Discordo. Se dependesse dos interessados na divulgação das áreas culturais, ainda estávamos à espera do primeiro blogue. O resto é a história que quer contar a si própria e aos outros, tudo bem. Eu tenho outra história, muito diferente, para contar. Na minha história as “leis de mercado” criaram a “oportunidade” e a necessidade para os que não tinham voz passassem a dispõr de um megafone. De obsoletas têm o suficiente para serem reinventadas amanhã e continuarem a lidar — e emprego a expressão como no toureio — com o que é humano.
Não estivemos no mesmo evento. Ou por outra, temos concepções diferentes do mundo. Até aí tudo bem. Do que não gostei é da forma como centrou o diálogo. Ao menos “às empresas” eu não ouvi a frase de que a “verdadeira blogosfera” é a delas.
Olá Paulo Querido!
Quando eu afirmo:
Como nem uns, nem outros entram no que é a verdadeira blogosfera. Está-se a tentar qualquer coisa, em desvios! (e a não retirar esta última parte, para se entender…)
O que eu quis dizer é que, na blogosfera em geral, a comunicação faz-se na enorme potencialidade das relações humanas e em seus valores primeiros, de ética e estética e sempre fora das impositivas e viciosas regras de uma moralidade imposta pelas políticas económicas. E se houver desvios dessa potencialidade do que são as relações humanas numa tendência única para as vias do tal potencial económico-político e em suas regras, mal estaremos, pode crer! Ou seja, a isso acontecer e porque é fácil entrar-se nesse perigoso fascínio, outras novas situações de «comunicação» surgirão, para que o humano possa lidar genuinamente sem as impositivas regras das economias e em suas políticas assentes unicamente em valores morais e quase sempre distantes dos tais valores éticos e estéticos.
Esta é a minha reflexão e não irei retirar nada ao que aqui afirmei, foi o que presenciei naquela conferência e que lamento para quem não gostou.
Muito há para se fazer, embora aquilo já fosse qualquer coisa, mas é pouco!
Agora quanto à sua presença na conferência (e até o disse ontem ao Carlos, pelo telefone) e que até deveria de o ter adiantado no meu comentário inicial, mas faço-o agora, foi o que esteve melhor, foi o que entendia mais da blogosfera, foi o que expunha os assuntos de uma forma clara e respondia às questões colocadas, mas não creio que a sua mensagem possa passar para aquele meio, que no fundo, no fundo, não estão ainda a perceber o que afinal por aqui se passa. E por isso o ter-se insurgido, neste seu comentário com o que eu disse, e que até tem alguma razão, embora não totalmente.
É sim, de dar continuidade a criar-se situações daquelas o mais possível, mas muna-se da sua parte com mais conhecedores à sua volta e que sei que até os tem! Ou faça a sua própria conferência com o seu nome de «marca» que também o tem…. E depois será mais fácil entenderem ou entender-se a mensagem, a mensagem forte que poderá mostrar que o potencial humano blogosférico faz-se particular e essencialmente de «comunicação e cultura».
Cumprimentos
Alice
Obrigado pelo cumprimento, Alice, mas não sou uma marca assim tão forte que pudesse aventurar-me numa coisa dessas.
Não vejo razão para vedar a ninguém — este ninguém inclui as empresas — o potencial de comunicação que a web em geral, e não apenas a blogosfera, proporciona. As ferramentas estão ao dispôr de todos — é neste tipo de acção democrática que me revejo.
O lema da brilhante apresentação do convidado, Bruno Giussani, é: we used to call them users.
Se não somos mais “users”, então também os “suppliers” o deixaram de ser.
Estimados amigos Ali_se e Paulo
Não estive presente pelo que não posso opinar sobre o que foi dito na “Conversas UNICER”. No entanto, sempre vi com alguma desconfiança intelectual os discursos, opiniões e estudos sobre o que será a “blogosfera” ou, o que são e para que servem os blogues.
Lembro-me de há uns anos o Luís Ene afirmar que “um blogue é aquilo que cada um dele quiser fazer”, o que me pareceu muito acertado, mas talvez um pouco minimalista para os dias de hoje: é que da inter-relação múltipla, da partilha, dos jogos sociais de aproximação e afastamento, o blogue, apesar de ser apenas uma ferramenta de comunicação social, é também a imagem que outros dele fizerem (tal como as pessoas, claro).
Daí que, nesta vertiginosa viagem de inter-comunicação e tecnologia, falar em “blogosfera” é a mesma coisa que falar em “sociedade”, ou seja, é demasiadamente complexo para nos acercarmos de uma síntese onde todos nos identifiquemos. o único traço que me parece ser comumentemente aceite é que o blogue é uma ferramenta de edição digital que permite comunicar individualmente para quem pretender ouvir, mas a sua qualidade não depende da aceitação social do conteúdo – tal como em jornais, os mais lidos não são os melhores. Mas…, pois é, os mais lidos são os que conseguem angariar mais publicidade e, consequentemente, mais rendimento.
Aí está, rendimento! Quem mantém blogues há uns anos, como vocês, sabe que isto dá trabalho, e muito e, por isso, não me sinto vendido por aceitar rendimentos publicitários desde que eles não interfiram na liberdade que fruo relativamente ao conteúdo. Bem pelo contrário, sinto que alguém investe naquilo que, em liberdade e consciência, me dá na gana escrever.
Parece que até aqui estaremos todos de acordo. O que nos poderá afastar, então? É que uma coisa será angariarmos publicidade e uma outra, totalmente diversa, será os anunciantes dominarem os conteúdos. Ora, estou certo de que nem um nem outro de vocês permitiria que isso vos acontecesse e, por consequência, só posso entender o vosso desacordo por uma qualquer falha de comunicação.
Se nos voltarmos para outra vertente de negócio, o das artes, por exemplo, há anos que me bato (sem sucesso, é certo) para que os artistas não colaborem “pro bono”, atitude muito vulgar entre nós e na Europa. É que é a repetição dessa atitude que fez com que uma sociedade que faz do rendimento o valor último desconsidere os artistas e, mais grave, o seu trabalho.
Os blogues começaram porque surgiu a ferramenta de edição e a vontade de cada um fazer ouvir a sua voz vez o restante, uma vez que deixou de estar sujeito ao convite de um órgão de comunicação social. Hoje (e o problema de se tirar rendimento de um blogue vem daí, Alice) a internet e nomeadamente os blogues já distribuem mais conteúdos que a rádio, a imprensa e a televisão e estes, ciosos de defenderem-se da inevitável redução do rendimento publicitário, lançaram uma campanha que já vem dos EUA contra os blogues intoxicando a opinião pública. Não é raro vermos comentadores de órgãos de comunicação social, pessoas com responsabilidade no Estado e políticos a denegrirem o que chamam de “blogosfera” mas, hélas, o movimento de comunicação cibernética não esperará por eles, disso estou certo, tão certo como achar que não tardará muito a surgirem tentativas do poder para limitar a liberdade de edição neste meio.
Em suma, pouco me importa que as empresas, intoxicadas ainda pelos “notáveis” que dominam os órgãos de comunicação social, considerem que a “blogosfera” é medíocre; importa-me, isso sim, continuar a comunicar o que me dá na real gana e esperar que um dia sejam os próprios anunciantes a vergarem-se à evidência do mercado sem beliscar, minimamente, a minha liberdade nem me sentir eticamente menos firme.
Por fim, permitam que vos remeta para um texto de hoje do Carlos José Teixeira no “Comunicação Empresarial” com qual me identifico plenamente:
TubarãoEsquilo | A Importância de se Pertencer a Uma Rede
Abraço aos dois e obrigado pelos comentários.
Prezado Carlos,
Gostaria de localizar um amigo em Portugal que trabalhou na Unicer na década de 90 e que perdemos o contato.
Moramos no Brasil na cidade de Resende.Este amigo chama-se
João Manuel Santos Gomes.Se tiveres qualquer notícia deste amigo, por gentileza,envia-me seu e-mail ou outra forma de contato.Desde já vos agradeço pela atenção,
Dayse Rubim.
«O mercado cria laços em que a afectividade não tem lugar» – Jean-Pierre Dupuy
Li o artigo de opinião de Paulo Querido e por estar inteiramente de acordo com ele transcrevi-o no meu blog. De resto o Paulo escreve sobre uma matéria que tão bem conhece até porque foi muito antes da SAPO um impulsionador da blosgosfera através da sua Weblog.
Os académicos autores do estudo que, tal como o Paulo refere, não traduzem na sua conclusão a verdadeira realidade deste fenómeno, não contribuíram nem contribuirão para alterar o rumo da blogosfera e sobretudo o seu notável crescimento o que prova a efectiva realidade que a conclusão do estudo jamais destruirá. Tal como existe na comunicação social produção de lixo que ninguém lê ou pura e simplesmente ignora, na blogosfera se repete idêntica realidade, embora para os respectivos autores tal seja irrelevante pois tão pouco põem em causa a vontade de continuar a fazer aquilo que gostam. Muito provavelmente os profissionais na Inglaterra também assim pensavam só que agora foram confrontados com uma nova realidade. A empresas resolveram apostar na divulgação dos seus produtos através da internet face ao número de internautas, o que mais tarde ou mais cedo também se pode registar esta preferência no nosso País.
Um abraço do Raul
Alice
«O mercado cria laços em que a afectividade não tem lugar» – Jean-Pierre Dupuy
Descontextualizada, esta afirmação de Dupuy, parece dar a ideia de que le defende que o “mercado” é o mal. Ora não é isso que ele pensa. Pensa, outrossim, que a falta de ética e moral no pensamento económico presentes na modernidade e na pós-modernidade, na crença no progresso (Modernidade) e na crença da tecnologia (Pós-modernidade), conduzem a isso. Daí advogar o regresso do saber e do conhecimento próprio das ciências sociais e humanos baseadas no “tempo histórico” que devolvam a ética e a moral ao inter-relacionamento.
Leiamos juntos Jean-Pierre Dupuy:
(…) critiquer la modernité n’aurait pas plus de sens que de critiquer un tsunami ou un cyclone. Hans Jonas, qui lui-même ne ménage pas son catastrophisme, en convient : la puissance, source du malheur redouté, est en même temps le seul moyen de l’empêcher à l’occasion, car il y faut précisément la mobilisation sans réserve de ce même savoir dont découle la funeste puissance.
Et cependant, le mode de développement scientifique, technique, économique et politique du monde moderne souffre d’une contradiction rédhibitoire. Il se veut, il se pense comme universel, il ne conçoit même pas qu’il pourrait ne pas l’être. Or il faut que la modernité choisisse ce qui lui est le plus essentiel : son exigence éthique d’égalité, qui débouche sur des principes d’universalisation, ou bien le mode de développement qu’elle s’est donné. On ne peut pas à la fois vouloir conserver son morceau de gâteau et le manger.
Ora, Alice, muitos anos de vendas e a formas equipas de vendedores, levam-me a sustentar que é através da criação e desenvolvimento de laços afectivos entre vendedor e cliente que o primeiro poderá obter êxito pessoal e fundamento social. Aliás, depois de vermos o logro que foi a tentativa de substituir o “Homem” na banca, nos seguros e nos serviços! Quantos bancos conheces que tenham conseguido que a distribuição impessoal, seja através de telefone ou net, tenha substituído a relação pessoal vendedor/comprador? Nenhum exemplo! Foi um logro! Logro insolúvel porque culturalmente a troca é essência da sociabilidade humana. É através da necessidade da troca que o desenvolvimento humano e a sua substanciação enquanto Ser Social se efectivou. A troca (ou partilha, se preferires) é o pilar mais forte da sociabilização humana.
Dir-me-ás que desde que a acumulação de capital que mais tarde essa troca proporcionou aos mais fortes desviou-se a igualdade que deve estar presente na troca. Sim, dar-te-ei razão, mas não será isso que me levará a dizer que o mercado representa o mal. Não o Mal está presente nas pessoas e estas levam-no para o mercado.
Assim, regressamos ao que ambos temos defendido – não o fim do mercado, o fim da troca, mas a sua humanização com toda a dimensão ética e moral da qual o Homem, prudentemente, não deveria abster-se de pautar as suas atitudes e comportamento social.
Beijinho e obrigado pelo comentário.
Amigo Raúl
Parece que ninguém esteve em desacordo com o que o Paulo Querido defende, mas sim com os estudos e com o que outros defendem sobre o inter-relacionamento internauta.
Este inter-relacionamento não tem hoje retrocesso e não adianta às empresas, sejam elas de media ou de outro ramo, tentar tomar conta dele. Podem (e deveriam, no meu entender) compreender o fenómeno e inserir-se nele pro-activamente e canalizar o seu investimento neste género de comunicação que nem sequer é do futuro – é já do presente.
Abraço e obrigado pelo comentário.