Um comentário atrás da Nilza sobre avaliação de professores, uma boa amiga de longa data, conseguiu despertar-me para a sensação de que alguns dos que ainda se dão à pachorra de ler o que para aqui extravaso poderão pensar que sou contra a avaliação de desempenho. Quem assim entende creia que não é essa a minha opinião, aliás, anteriormente e bastas vezes manifestada (ver aqui ou aqui, por exemplo). Considero a auto-avaliação e a avaliação por outrem instrumentos indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer profissão, pelo facto de permitir reflectir sobre o que se fez para interrogar e testar estratégias que permitam melhorar o desempenho de cada qual.
Não vejo que a profissão de professor encerro alguma particularidade que desvirtue esse princípio, bem pelo contrário, mas sei, estou certo, que também como em qualquer outra actividade o desempenho se avalia através da produtividade que, no caso do professor é a aprendizagem dos alunos.
Sendo a aprendizagem dos alunos o objectivo primo do professor, é através da particular inter-relação entre cada aluno e cada professor que tudo pode ser ser melhorado ou não.
É exactamente por este facto que considero o actual modelo de avaliação imposto uma autêntica aberração burocrática, muito embora como não consiga entender que a reivindicação dos professores tenha incidido na negação de qualquer sistema de avaliação e não na exigência, junto do Ministério da Educação, na implementação de um sistema de avaliação centrado na aprendizagem dos seus alunos, sem outros quesitos laterais e colaterais que em nada interferem no foco da sua profissão – fazer com que os alunos aprendem e gostem de aprender.
Por isso, trago para aqui um excerto do comentário da Nilza pela pertinência que revela em relação a aspectos positivos de uma correcta avaliação de professores.
(…) reajo, tentando mostrar um outro lado da questão do estado actual da educação, da escola, dos professores… Esta reacção não é carregada de teoria mas apenas pretende compartilhar convosco um episódio recentemente vivido a propósito de avaliação dos professores.
Um dia destes fui visitada por uma amiga professora do ensino básico e a conversa foi inevitavelmente para o “tempo que se está a perder com o processo de avaliação … as energias que isso tira para o efectivo trabalho docente com os alunos…Deixei-a desabafar e depois pedi-lhe que me falasse de tarefas concretas que têm que fazer nesse processo e aí, confesso, que a conversa me interessou bem mais… e então, começou a falar das ditas “matrizes” que agora têm que fazer sempre que dão um teste de avaliação…e foi confessando que afinal 1º fizeram (a minha amiga e os colegas que leccionam a mesma disciplina na escola) o teste e só depois a matriz… e que SÓ AÍ se aperceberam que o teste nem tinha sido muito bem construído…que havia questões que tinham sido colocadas e que didacticamente não tinham feio muito sentido e que ao discutirem as resposta esperada dos alunos até se aperceberam que eventualmente havia um conteúdo científico que não estava a ser completamente bem dado … ao discutirmos isto fomos então falando DOS alunos que fizeram o teste, dos conteúdo leccionados a ESSES alunos, das dificuldades de aprendizagem DESSES alunos e das suas eventuais causas…
As matrizes associadas aos testes não são assunto novo (lembro-me de já ter aprendido isso nos anos 70 quando na Faculdade tirava o meu curso para ser professora de Física) mas se agora os professores se sentem “obrigados” a fazer e se isso os leva a pensar mais nos seus alunos… bem-haja o processo de avaliação dos professores!!!
Sei que não se pode generalizar a partir de um caso…mas se se criticam tanto as estatísticas (estou a ser um pouco irónica!!!) porque não partilhar convosco este caso.
Um abraço para todos,
Nilza
Ora bolas! Eu a escrever que agora os pais davam mais no focinho aos professores devido ao enxovalho social que este Ministério da Educação tem publicamente exposto esta profissão (ele é que os professores não trabalham; ele é que os professores não querem ser avaliados…), a propósito da demissão em bloco do Conselho directivo da Escola de Santa Maria em Beja, eis, senão quando, o Sr. Doutor José Verdasca, director regional de educação do Alentejo, de pronto apontou os responsáveis pelas agressões ocorridas – os jornalistas!
(…) a culpa das agressões e insultos que se têm verificado na Escola EBI de Santa Maria é dos jornalistas, segundo as palavras do director Regional de Educação do Alentejo, no final da reunião que se realizou ontem à tarde no Governo Civil e que juntou para além de Manuel Monge e José Verdasca (…) via Rádio Voz da Planície
Afinal isto é como a crise financeira, um problemazito de regulação empolado pelos media. Assim é que é director Verdasca, preto no branco… sujo!
O Conselho Executivo (CE) da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja, demitiu-se em bloco, «saturado» com vários casos de violência no estabelecimento de ensino, como agressões entre alunos e a funcionários, professores e pais. (via Diário Digital)
Seria absoluta demagogia atribuir ao Ministério da Educação ou mesmo à pauperização da nossa sociedade culpa directa no aumento da violência escolar. No entanto, Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, os danos que causou ao estatuto social dos professores e da escola na comunidade em que se inserem, os quais têm incentivado a consubstanciação de actos de violência de pais que pela escola nunca se interessaram, demorarão muitos anos, senão décadas, a serem reparados.
Pode a Sra. Ministra da Educação mostrar as estatísticas que melhor entender sobre educação, professores avaliadores e avaliados, titulares ou não titulados, mas o que não encontrará é dados estatísticos que demonstrem que a escola consegue hoje, melhor do que antes da sua governação, ensinar os nossos miúdos, o vulgo e a serem Homens.
Os nossos filhos estão lá presos até às 17:30h em actividades de educação de treta, os professores gastam 2/3 do seu tempo a avaliar e a serem avaliados, mas tempo, forças e motivação para ensinar não creio que sobeje…
Mas também em poderá importar isto à Senhora e sua equipa? Nada, rigorosamente nada, não é passível de tratamento estatístico que interesse ao poder. Nem ao nosso nem ao da União Europeia, para o qual, afinal, todos parecem obcecados em demonstrar que são os melhores a produzir o descalabro educativo que pretendem – o das competências ou o das literacias, para o caso tanto faz.
Via Rui Curado Silva do Klepsýdra cheguei a um vídeo / entrevista do Expresso a Pacheco Pereira e António Barreto realizada em Dezembro de 2007. Há um conjunto deles, mas deixo-vos este porque atesta a abissal distância entre a demagogia de quem sabe (e professa a sua sapiência) e quem tem de fazer. Por outras palavras, a diferença entre quem pode dedicar-se às “artes científicas da advinhação” e quem tem responsabilidade de fazer, pelos e para os outros.
O Prelúdio Susana de Ricardo Serrano em video clip montado com uma sequência de imagens do músico da autoria de Gary Lam (sítios: próprio e youtube).
Tiveram a Alice, a Catarina e o Heitor a gentileza de me endereçar este prémio. Apesar de cansado destas torrentes, não posso deixar de sentir satisfação pelo que o Prémio dos Dardos significa e de quem mo endereçou. Transcrevo:
Reconhecem-se os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. – Exibir a distinta imagem;
2. – Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. – Escolher quinze (15) outros blogues a entregar o Prémio Dardos.
Quinze? Bem, aí vai, sem me importar de retribuir, não pela gentileza, mas por merecimento:
100nada da Catarina Campos;
A Barriga de um Arquitecto do Daniel Carrapa;
A Infelicidade ao Alcance de Todos do José Manuel Fonseca;
A Origem das Espécies – de Francisco José Viegas;
Ali_se da Alice Valente;
Blog do Miguel do Miguel;
Blogame Mucho do Besugo;
Contra Capa da Cristina Vieira;
Da Literatura do Eduardo Pitta;
Estado Civil do Pedro Mexia;
Fractura.net do Carlos José Teixeira;
Insónia do Henrique Fialho;
Ma-scamba do José Pimentel Teixeira;
Peremela do Ricardo Serrano;
Planície Heróica do Francisco Nunes;
Portugal dos Pequeninos do João Gonçalves.
E pronto, fica-se sempre com a sensação da injustiça dos muitos que esqueceram…
A sociedade foi, paulatinamente, transformando toda a troca em transacção comercial, todas querendo regular, à excepção das que pretende controlar através de uma “mão invisível” que todos vêem e a conhecem. Mas será que pretendemos mesmo continuar a aceitar a abjecta regulação do que nos querem impor como socialmente correcto? Será que queremos continuar a aumentar a distância entre as pessoas enquanto construímos um mundo global? “Free Hugs Campaign”, conhece?
Tempos de incerteza, estes que vivemos. Como todos os os outros, ademais. Novidade não é a incerteza, a insegurança, mas a certeza, nas ventas do consciente arremessada, da incerteza dos futuros.
Incerto não será o passado. A sua análise crítica é o caminho não para a certeza, mas para a consciência de quem somos, donde viemos e, no caso, do que temos andado a fazer.
É que é no que temos andado a fazer que poderemos encontrar alguma luz bastante para enxergarmos onde estamos; para, alicerçados no quem somos e donde vimos, conseguirmos equacionar para onde devemos e poderemos ir.
Há quem proclame o fim disto ou o advento daquilo ou o fim de um paradigma (é mais ‘in’); tratemos talvez de olhar para o que fizemos, o que não fizemos e o que permitimos que se fizesse.
Este blogue começou por ser (e foi-o principalmente) um blogue de causas, perdidas, a maioria, é certo, porque quem por bem pensa e faz sabe que será esse o destino mais provável – o seu sentido de utilidade tornou-se bastante volátil. Mas, que diacho, não serão estes os momentos em que se vê a massa de que somos feitos?
Estou de regresso (não foram férias, mas desânimo diante da inutilidade do que se diz e escreve para quem decide) com casa arejada, muito embora menos prolífico em textos. Contra os ‘dictates’ da web, privilegiarei textos mais analíticos, mais longos, por tal, para quem deles se pretender servir.
Obrigado a todos que perguntaram e até breve.
Pouco, muito pouco mesmo, retive, no que à nossa politicazinha concerne, neste Agosto de 2008. Sócrates descansou recatadamente e Manuela Ferreira Leite, também recatadamente, primou pelo silêncio, silêncio que vai mantendo enquanto Cavaco Silva vai, em si, incorporando, dia após dia, a liderança da oposição…, com Manuela Ferreira Leite a secretariar.
Não, não é o silêncio da presidente do PSD que me preocupa, antes o espaço que concede ao protagonismo de Cavaco Silva que desde que foi à Madeira idolatrar Jardim; mais o mesmo não foi, ou melhor, foi-se… a tal de cooperação institucional que apregoou durante a sua campanha.
A Cavaco Silva não lhe basta ser o Presidente de todos os portugueses, necessita de espaço para ser, simultaneamente, o que lhe está no sangue – o Primeiro-Ministro de todos os portugueses. Mas Primeiro-Ministro e Presidente. E Manuela Ferreira Leite tenta preparar o que sobejar do PSD para apoiar essa pretensão.























