Maria de Lurdes RodriguesO Conselho Executivo (CE) da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja, demitiu-se em bloco, «saturado» com vários casos de violência no estabelecimento de ensino, como agressões entre alunos e a funcionários, professores e pais. (via Diário Digital)
Seria absoluta demagogia atribuir ao Ministério da Educação ou mesmo à pauperização da nossa sociedade culpa directa no aumento da violência escolar. No entanto, Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, os danos que causou ao estatuto social dos professores e da escola na comunidade em que se inserem, os quais têm incentivado a consubstanciação de actos de violência de pais que pela escola nunca se interessaram, demorarão muitos anos, senão décadas, a serem reparados.
Pode a Sra. Ministra da Educação mostrar as estatísticas que melhor entender sobre educação, professores avaliadores e avaliados, titulares ou não titulados, mas o que não encontrará é dados estatísticos que demonstrem que a escola consegue hoje, melhor do que antes da sua governação, ensinar os nossos miúdos, o vulgo e a serem Homens.
Os nossos filhos estão lá presos até às 17:30h em actividades de educação de treta, os professores gastam 2/3 do seu tempo a avaliar e a serem avaliados, mas tempo, forças e motivação para ensinar não creio que sobeje…
Mas também em poderá importar isto à Senhora e sua equipa? Nada, rigorosamente nada, não é passível de tratamento estatístico que interesse ao poder. Nem ao nosso nem ao da União Europeia, para o qual, afinal, todos parecem obcecados em demonstrar que são os melhores a produzir o descalabro educativo que pretendem – o das competências ou o das literacias, para o caso tanto faz.


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8 Respostas to “Estatuto Social da Escola – danos incomensuráveis”

Comentários (6) Pingbacks (2)
  1. todos procuram um bode expiatório que lhe agrade. Mas não podemos esquecer que este ministério, para além de querer estatísticas, anda a reboque da “federação das associações de pais, liderada pelo sr. Albino Almeida que apenas quer as crianças ocupadas porque nada mais sabe querer. Só daqui a anos se saberá quanto mal “estamos” a fazer aos nossos jovens. Entretanto, os professores são sobcarregados, humilhados e mal pagos por um povo que não sobe compreender o mal que o Salazar lhe fez.

  2. Nilza diz:

    Caríssimo Responsável e Leitores do Blog “Ideias soltas”
    Por muita estima que tenha pelo responsável do Blog e por outros que nele têm comentado (olá Susana, há tanto tempo… nem sabia do roubo do telemóvel do Carlitos), a minha participação nele tem sido praticamente nula. O motivo principal é, de facto, a minha falta de tempo ou a maneira como faço a sua gestão …como priorizo todas as minhas tarefas (que no caso deste blog, abro principalmente pela consideração que tenho pelo Carlos. Escusado será dizer que é o único que “abro”).
    A 2ª razão da minha falta de participação é que não consigo reagir a “quente”… assim hoje (e certamente apenas porque parti um pé e tenho estado para aqui imobilizada) estou a escrever mas não directamente no espaço “Comentários” mas em Word esperando que depois consiga fazer um “copy past”.
    E reajo, tentando mostrar um outro lado da questão do estado actual da educação, da escola, dos professores… Esta reacção não é carregada de teoria mas apenas pretende compartilhar convosco um episódio recentemente vivido a propósito de avaliação dos professores.
    Um dia destes fui visitada por uma amiga professora do ensino básico e a conversa foi inevitavelmente para o “tempo que se está a perder com o processo de avaliação … as energias que isso tira para o efectivo trabalho docente com os alunos…Deixei-a desabafar e depois pedi-lhe que me falasse de tarefas concretas que têm que fazer nesse processo e aí, confesso, que a conversa me interessou bem mais… e então, começou a falar das ditas “matrizes” que agora têm que fazer sempre que dão um teste de avaliação…e foi confessando que afinal 1º fizeram (a minha amiga e os colegas que leccionam a mesma disciplina na escola) o teste e só depois a matriz… e que SÓ AÍ se aperceberam que o teste nem tinha sido muito bem construído…que havia questões que tinham sido colocadas e que didacticamente não tinham feio muito sentido e que ao discutirem as resposta esperada dos alunos até se aperceberam que eventualmente havia um conteúdo científico que não estava a ser completamente bem dado … ao discutirmos isto fomos então falando DOS alunos que fizeram o teste, dos conteúdo leccionados a ESSES alunos, das dificuldades de aprendizagem DESSES alunos e das suas eventuais causas…
    As matrizes associadas aos testes não são assunto novo (lembro-me de já ter aprendido isso nos anos 70 quando na Faculdade tirava o meu curso para ser professora de Física) mas se agora os professores se sentem “obrigados” a fazer e se isso os leva a pensar mais nos seus alunos… bem-haja o processo de avaliação dos professores!!!
    Sei que não se pode generalizar a partir de um caso…mas se se criticam tanto as estatísticas (estou a ser um pouco irónica!!!) porque não partilhar convosco este caso.
    Um abraço para todos,
    Nilza

  3. Daqui por uns anos, estimado João Norte, não sabemos onde estaremos, mas uma coisa parece ser certa: com o tipo de avaliação incrementada os professores estão sem tempo para preparar e dar aulas. Isto de um modo geral, mas há casos…, casos como o que o comentário seguinte ao seu, o da Nilza, relata.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

  4. Nilza

    O teu comentário é precioso. Por vários motivos. Desde logo por demonstrar que a avaliação do que cada um faz, por si e por outros é de capital importância para reflectirmos sobre o que fizemos e melhorar o que pode ser melhorado; por outro lado, o caso que apresentas é sintomático de que há casos, em especial entre os professores com menos experiência, mesmo este sistema de avaliação (que não privilegia, em abono da verdade, uma centralização na aprendizagem dos alunos), é capaz de produzir resultados positivos.
    Em que é que estamos logo de acordo, Nilza? Sem dúvida na existência de uma avaliação, não para promover ou despromover professores, mas para melhorar a aprendizagem dos alunos. Não a literacia ou as competências tão em voga, mas que eles aprendam a querer aprender quem são, donde vêm e por e para onde poderão caminhar, solidificando sempre a sua identidade como Homens num mundo diversificado e global.
    Daí poderíamos achegar a um desacordo (ou não) que são os parâmetros constantes deste sistema de avaliação, uma vez que apesar do peso de uma escola, de uma direcção regional, de não sei quantos gabinetes de estudos, do Ministério da Educação, tudo, mas tudo se joga, para o bem e para o mal, na particular relação entre cada aluno e cada professor. Neste sentido e, atenta, vou contra o que a maioria dos professores parece defender, a avaliação dos professores deveria estar estreitamente ligada à qualidade do serviço que prestam, i.e., aos resultados alcançados pelos seus alunos.
    Os resultados que cada professor consegue que os seus alunos obtenham dependem, intrinsecamente, das estratégias de aprendizagem implementadas. Disto não tenho dúvida (embora possa estar errado, claro).
    Duvido, outrossim, é que os professores do ensino público básico de escolas inseridas em zonas mais problemáticas tenham condições para trabalhar convenientemente ou tempo para colocar em prática este sistema onde a maioria dos parâmetros em avaliação nada têm a ver com a aprendizagem propriamente dita.

    Beijinho e muito obrigado. E, olha, estou mesmo tentado a passar este teu comentário para um post novo.

  5. Sem dúvida. Estes textos, comentários e respostas são uma boa forma de todos nós não sé expressarmos o que pensamos mas também repensarmos e ponderarmos. A avaliação (como princípio)é incontestável. Fui professor de Pedagogia, formador, coordenador e orientador quase toda a minha carreira como professor. A planificação as matrizes, a avaliação foram instrumentos com que lidei e incuti nos meus formandos. Direi mesmo que sem avaliação não há resultado positivo. Sei também que alguns colegas têm dificuldade e até relutância em planificar e avaliar. Outra coisa é a forma e o objectivo como estão e para que estão a ser avaliados os professores. Se a avaliação visasse a melhoria do seu desempenho, estaria plenamente de acordo. Não é isso que está no seu objectivo mas apenas a divisão e redução da carreira, e, consequentemente, a poupança de custos.

  6. Comentando os comentários em primeiro lugar!
    Claro que a Nilza tem razão, ela deu apenas um exemplo de situações que conhece(mos)! Tu Carlos, também tens razão e o João Norte também!
    Só tenho pena que para se ver o lado positivo “da coisa” se tenha gasto tanto tempo, tanto dinheiro e tanta energia! Somos mesmo um país de m…
    E ainda a procissão vai no adro.
    Até ao fim do ano lectivo vamos gastar horas e horas a discutir e a conjecturar.
    Qualquer pessoas com um pouco de juízo viu logo no projecto, que a lei sobre a avaliação do desempenho dos profs ia dar nisto, pois não era exequível. Tudo o resto à volta do assunto também era só demagogia… E ainda é, agora com mais portáteis à mistura.
    O que é importante fazer, como vocês dizem nos comentários nunca vai ser feito, garanto-vos e aposto o que quiserem. A maioria dos “profissionais” que eu conheço nem percebem muito bem o que aqui foi dito. Infelizmente!

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