A Nacionalização do BPN - banco e não grupo

BPNGrupo BPNA nacionalização do BPN em curso comprova o delírio em que os governantes europeus entraram aquando o capital deixou de se interessar, em definitivo, pela democracia e pela liberdade.
Primeiro não se compreende o papel de Vítor Constâncio, que sabia do assunto desde 2003 (quem não sabia, deste e doutros bancos?), e menos ainda a opção pela nacionalização do banco BPN por parte Ministro das Finanças, ou seja, a oneração dos contribuintes em cerca de 800.000.000 de euros, e não da totalidade do grupo que engloba outras empresas, algumas lucrativas, conforme se pode ver na imagem da direita.
Real SegurosNão quero chamar nomes a ninguém, mas a não nacionalização da totalidade do grupo, nomeadamente da Real Seguros, permitirá que os accionistas malfeitores possam aliená-la a bom preço, encaixar dividendos e, em calhando, livrarem-se da responsabilidade civil, criminal (gestão danosa) e a reversão da dívida da empresa para os accionistas, individualmente!
A dimensão deste dislate ultrapassa qualquer adjectivação, para mais quando a Real é uma das principais (senão mesmo a principal) angariadora comercial de poupanças de particulares através dos seus produtos “Investimento Real”, “Rendimento Real” e “PPR”, cujos fundos são geridos pelo próprio BPN. Por outro lado, só a privatização da Real Seguros, após nacionalização, permitiria ao Estado (aos contribuintes, entenda-se), ressarcir-se da totalizade do prejuízo assumido e realizar mais-valias.
Isto, meus senhores governantes, não é uma questão de esquerda nem de direita, nem uma questão de mais ou menos Estado, de ser neoliberal ou social-democrata, é antes do mais uma questão ética, de preservar os interesses dos cidadãos.
Não engolindo (já não dá…, já regurgito) que tudo o que se está a passar é derivado a falhas na regulação (só se fôr a das pessoas, eventualmente) e, diante da perplexidade, duvidar que haja uma intenção deliberada de penalizar os cidadãos devido à evidência (estas coisas costumam ser mais camufladas), só congigo conceber este gravoso dislate como mais uma demonstração do delírio colectivo em que entraram os governantes americanos e europeus.


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Commentários

pois se até o próprio chefe do bpn está contra a nacionalização… o que eu leio nos jornais é que “esta era a única opção possível”, mas ninguém explica assim muito, muito bem porquê

Pois, Ana, mas…
É certo que Miguel Cadilhe entendeu tomar a responsabilidade de endireitar o que toda a gente sabia já torto e que, aliás, o próprio Cadilhe anunciou as autoridades competentes e publicamente; por outro lado, tentar salvar um banco que sofreu anos a fio de gestão danosa à custa de um plano que envolvia 600.000 de euros do Estado, como propôs Cadilhe, também não me parece curial.
Curial seria mesmo abrir falência e meter os responsáveis na cadeia. E mais, os responsáveis políticos que andam a apregoar que devemos manter confiança nos bancos deveriam ter muito cautela, pois se os cidadãos se desleixarem a tomar conta do que é seu, poderá mesmo sair-lhes a fava! É que esses políticos que dizem para confiarmos nos bancos, se isto estourar, não vão responder pelo que é nosso e, por outro lado, as falências, se bem que envolvam perdas para os depositantes, é um alerta vigoroso para que estejamos atentos.
Obrigado pelo comentário.

[...] 2 - Não foram os accionistas que aprovaram todos os relatórios de contas? 3 - Por que razão, como escrevi atrás, o Estado não nacionalizou as empresas que pudessem render mais-valias com a alienação de modo a [...]

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