BeringelA atracção para as urbes do litoral e, mais recentemente, para Lisboa, inibe a grata experiência de viver em lugares como Beringel, uma vila de foral, mas com ambiente e vivência de aldeia.
Hoje, apetece-me cantar Beringel e os beringelenses a propósito de uma súbita mudança de casa que tive de fazer. Não encontrava casa alternativa quando alguém da terra, desinteressadamente, me resolveu o problema. Não contratei nenhuma empresa de mudanças, ninguém para carregar (com excepção do Steinway A de 1903), ninguém para preparar a nova casa. Contudo, como que por magia, aparecerem vizinhos, vizinhos que nem bem conhecia e nada me devem, que tudo fizeram para que esta alteração fosse mais amena para a família. Houve quem desse uns arranjos na casa nova, braços para ajudar a carregar, amigos que cederam furgões para transporte, enfim, tudo o que quem vive em desumanizadas metrópoles não lhe ocorre que ainda há quem solidariamente assim viva, possa viver e dê graças por esta dádiva não ser passível de imposto, de ser regulamentada ou regulada. Não é mão invisível – é solidariedade, preocupação com o próximo.
Em Beringel vive-se ainda a vida, a vida de todos, embora poucos e cada vez menos, mas sensibilizado e grato estou por o destino que ter para aqui atraído.
Obrigado beringelenses por me fazerem continuar a acreditar que podemos ainda viver a vida solidariamente sem necessidade de tecnologias e inovações que para nada servem a não ser para estimular o consumismo.


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4 Respostas to “Cantar Beringel e Beringelenses”

Comentários (4)
  1. Alice diz:

    Carlos, esse estar e viver não é para todos, e isso acontece-te a ti especialmente porque tu és quem és, uma pessoa solidária e cuidadosa para com todos os que te rodeiam. E claro está, que essa retribuição acontece-te aí e igualmente aconteceria (embora de uma outra forma) se vivesses fora daí ou numa qualquer outra urbe ou cidade.
    E eu fico muito contente que tudo esteja nos conformes.
    Para ti e toda a família, os desejos de uma boa estadia na casa nova, com um grande e afectuoso abraço de Alice.

  2. Nuno Góis diz:

    Também gostava de agradecer a todos os beringelenses deste país!
    Um abraço e obrigado…

  3. Alice,

    A tua solidária amizade parece nunca esgotar-se. Atribuires-me às características da minha pessoa a generosidade e solidariedade destas pessoas de Beringel é um exagero que só relevo por retratar, mais uma vez, a amizade que entre nós existe!
    Sei, Alice, que os amigos (Amigos, entenda-se, como tu) fariam tudo ao seu alcance fosse em que local fosse ou circunstância, mas estes vizinhos de Beringel que me ajudaram, que me arranjaram albergue onde parecia não haver, que me oferecerem seus braços para carregar sem pedir, que me arrendaram casa que não estava destinada a ser arrendada, que me deram um jeito com canalizações, esgotos e sei que que mais, muitos deles eu apenas os conhecia de vista, de saudar na rua. É diferente.
    Como sabes, no Porto onde mantenho um apartamento há cerca de 20 anos dentro de um condomínio fechado, devo dizer que o que mais o identifica é ser, exactamente, fechado. No patamar do piso que ocupo existem 4 habitações e não conheço nenhum vizinho, a maioria deles nem na célere viagem de elevador que poderá coincidir partilhar ousam saudar-se.
    Era esta diferença qualitativa que pretendia salientar entre a vivência numa aldeia e numa urbe e não a qualidade das amizades pessoais.
    Beijinho e obrigado pelo comentário.

  4. É, estimado Nuno Góis. Há coisas que se perdem e outras que se ganham com a progressiva urbanização social, mas estou em crer que as perdas são deveras substanciais, em especial no que à vida em comunidade diz respeito.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

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