Lendo o título de que a greve dos professores interessa ao governo, poderá achar-se que tomei algo a mais que me toldou o discernimento, mas..
Mas, meus amigos, desde que os professores se emanciparam do tentáculo dos sindicatos e compareceram em massa nas manifestações marcadas em dias de fim-de-semana, que Sócrates sabia que o impasse criado pelos sucessivos disparates de Maria de Lurdes Rodrigues e sua equipa colocavam, seriamente, em causa uma futura maioria absoluta ou até a vitória nas próximas legislativas, atendendo à progressiva sensibilização da opinião generalizada dos eleitores face às reivindicações dos professores.
Como poderia Sócrates inverter tão funesta tendência? Fácil! Nada melhor que empurrar os sindicatos a cumprir a tonta promessa de greves às aulas e às avaliações dos alunos, de forma a transtornar, cruelmente, o dia-a-dia dos alunos e dos pais.
O Ministério da Educação nunca desistirá de chamar de ‘avaliação dos professores’ seja lá ao for, nem que tenha de ceder até e apenas aos níveis de assiduidade (veja-se a tendência), enquanto os professores, incautos, tratarão, desta vez a reboque dos pavões dos sindicatos, de voltar a opinião dos cidadãos contra eles com greves penalizadoras dos cidadãos!
É pena, não por Sócrates sair a ganhar, mas porque ainda me dá para entristecer quando vejo perder causas justíssimas e importantes para Portugal sempre que a inteligência é necessária.
Como é que os professores, aqueles que em boa hora se emanciparam dos sindicatos ao ponto de os fazer andar a correr atrás deles nas manifestações onde exuberantemente desfilaram, caíram nesta esparrela de ‘ana caprina’?
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Pois é Carlos, parece que agora o votar é como se passasse um cheque em branco nas urnas. E ai de quem o fizer e este governo é bem disso exemplo.
E após eleitos e de bem acomodados, dizem que têm de cumprir e em quais boas intenções. Ora, ora! Como é que se pode confiar? Ou em quem se pode confiar, afinal? E se estão todos os que para lá querem ir com essas mesmas intenções, as de se acotovelarem-se e em bicos de pés, gritarem: – eu também quero isso, direi que sim a tudo e a muito mais, deixem-me é passar e ir para lá! Pois é isto que esperamos de quem governa?
E aqui estamos nós todos, mas todos mal parados com tanta desgovernança num tudo, tudo querer e nada para dar!
E depois há que ter em atenção e tratando-se aqui de uma qualquer luta, e em que inteligentes e estratégicas medidas de força, que este governo pretende pôr em prática para com os que o elegeram, com a tal manhosa ideia, de que ganha o melhor, na respectiva lei do mais forte. E de tão enlouquecidos, esquecem-se nem sempre é assim, ou se é não dura sempre! E exactamente porque aquele lado que embora frágil, mas que resiste e não cede ao que é completamente intolerável (desumano), no fundo no fundo sempre foi (por feito ou com efeito) o ganhador.
Um grande abraço de Alice
Ah, e sobre este novo template, gosto mesmo muito!
Nem sei que te diga, Alice, para além do que ambos sabemos! Elaboram-se programas para eleições que não são minimamente cumpridos; tomam-se medidas que nem nos programas eleitorais nem nos programas de governo constavam, nem sequer ao de leve; para toda este embuste arranjam-se sempre as mais plausíveis explicações.
Em boa verdade, Alice, desde que aderimos à CEE, em 1996, e já antes para nos prepararmos para que nos aceitassem, que todos os governos governam não para os portugueses, mas para a União Europeia. Todas as medidas tomadas e levadas a cabo até ao fim mais não foram que o cumprimento de ordens da União, dominada pelo capital que a financia, cujos resultados estão agora bem à vista de todos.
Parece, no entanto que a razão do descalabro actual não é estrutural, não foi construído e cavado sob o interesse do capital agiota! Não, é apenas uma crise, e só financeira.
Batatas para esta gente, Alice! Não lhes atirem ovos porque eles não merecem!
Obrigado pelo comentário.
É isso mesmo, Carlos!
Só se olha para o presente, agora, mas o agora é o resultado do acontecimento de ontem. E o que aconteceu ontem ou no passado muito presente, todos queriam acreditar que era possível, a encostarem-se ao mais forte, só que agora está à vista: não é mais possível acreditar! Assim não, por favor! Sacrificarem as pessoas descaradamente com tantas mentiras e vigarices em prol de só uns estarem bem, não é de todo o possível, isso é desumano. E a Escola, o Ensino e quem ensina não aguentará trabalhar com toda esta ausência dos Valores fundamentais para se viver.
E se continuarem a insistir, mais zanga e revolta surgirá, vamos ver…
É que este governo está a tentar obrigar a que as pessoas aceitem e tolerem o que é completamente inaceitável e intolerável. Não, assim não! E já que tudo é um jogo, isso é batota da grande!
Ah pois concordo, ovos é bom demais, hidrata a pele, mas isso é desperdício, dantes era com pedras, agora falas em batatas!
Um grande abraço e até sempre
Alice
Olá… Nao sei se é professor mas este apelo constante a uma raiva aqnti-sindicato só me leva a crer que tem inveja de nao estar no lugar deles… pois eu nem por sombras quereria dedicar a minha vida a defender professores como alguns que aqui colocam as suas opinioes… TENHO DITO! (Sem acentos… teclado estrangeiro, ok?!)
É verdade que tem havido mais abertura por parte do ministério. O Ministério tem que vencer esta batalha. Isto é uma vergonha quem passa a vida a avaliar os outros não querer ser avaliado. Será porque sabem que nas suas avaliações não são imparciais, daí terem receio que lhes façam o mesmo? Há uma forma prática de resolver isto: Equipas de professores com formação ao serviço do Ministério de Educação irem de escola para escola avaliarem os professores da disciplina da sua especialidade. Neste caso qual seria a desculpa dos professores para não serem avaliados? Se não estão satisfeitos mudem-se! Sempre estiveram foi habituados a mordomias, ganhar muito e fazer, muito pouco. Com estes procedimentos de greve e greve no meu entender demonstram que não têm respeito nenhum pelos alunos, como é que querem que os alunos tenham respeito por eles?
Ah, estimada Ana Tavares, ser avaliado pelos que estão há décadas fora das escolas e do ensino é que me parece que seria partidarizar a avaliação. Acho mesmo que os professores devem ser avaliados por eles mesmos, mas em critérios preponderantemente baseados nos resultados da aprendizagem dos seus alunos, resultados esses apurados em exames nacionais e provas globais anuais a todas as disciplinas.
O problema é que não se pode suavizar a avaliação dos alunos e simultaneamente endurecer as dos professores – elas são interdependentes, uma vez que são interdependentes.
Muito obrigado pelo comentário.